domingo, 16 de dezembro de 2012

PORQUÊ GIULLIETTA MASSINA NO MEU BLOG?

guillietta Massina
guillietta massina
Giulliettta Massina
Porquê Giulletta Massina no meu blog? Será estranho para quem nunca viu os seus filmes em que ela representa papéis inolvidáveis. É e será sempre uma das  minhas actrizes preferidas, e senti necessidade de colocar aqui neste blog a sua biografia  para quem venha aqui" visitar-me"  veja actores e actrizes do neo.-realismo italiano o qual perdurará para sempre. Foram e serão grandes mestres do cinema e  escrever este pequeno post sobre Giulletta Massina é a minha pequena homenagem a esta enorme (pequena no tamanho!) actriz mdo cinema italiano.

Giulietta Masinanome completo Giulia Anna Masina (San Giorgio di Piano22 de fevereiro de 1921 — Roma23 de março de 1994) foi uma atriz de cinema italiana e esposa do cineastaFederico Fellini.

[editar]Biografìa

Filha do violinista e professor de música Gaetano Masina e da maestrina Angela Flavia Pasqualin, passou boa parte de sua adolescência em Roma com uma tia viúva. Graduou-se em Letras e Filosofia na Universidade de Roma e durante os estudos cultivou a paixão pela atuação: desde a temporada 1941 - 1942 participou em vários espetáculos de prosa, dança e música no teatro universitário.
Em 30 de outubro de 1943 casa-se com Federico Fellini, com quem estabelece uma intensa parceria artística e afetiva, das mais importantes do cenário artístico italiano.
Em 1946 estréia no cinema, com um brevíssimo papel na obra prima de Roberto Rossellini Paisà. Dois anos mais tarde, obtém o primeiro importante papel no filme Senza pietà de Alberto Lattuada.
Todavia, é com seu marido que a atriz alcança a fama internacional com o papel de Gelsomina no filme La strada (1954). Em 1957 alcançou o ápice de sua carreira interpretando Cabiria no filmeLe notti di Cabiria, que lhe valeu o prêmio de Melhor Atriz no Festival de Cannes.
A película narra a história de Cabíria (interpretada pela atriz Giulietta Masina e esposa de Fellini), uma cortesã romântica e ingênua que sonha com o verdadeiro amor mas sofre constantes desilusões amorosas.



O MEU MOBIL DO EINSTEIN E DO UNIVERSO

A MINHA PANTUFA

o meu pai com 90 anos

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

A Doida




SEXTA-FEIRA, 23 DE SETEMBRO DE 2011

A Doida
Instantâneo de José Falcato Varela



Na Aldeia todos diziam que a velha era doida. E esta afirmação assentava em bases incontestavelmente sólidas. Ninguém o poderia negar. Quem o duvidasse, bastar-lhe-ia fazer-se passar pela porta da sua casa à hora em que o sol punha o oiro da manhã sobre os telhados e lançava o seu bafo morno e confortante sobre os velhinhos que se sentavam na soleira das portas. Lá encontraria, sentada numa cadeirinha baixa, uma velha de preto, pequenina e de lenço na cabeça, sempre à banda. Se atentassem bem, ela lia. Lia e relia cartas com a avidez de uma apaixonada.

Todos os dia a mesma coisa. Pegava na cadeirinha e no volume de cartas atadas com uma tira de pano preto e ia pespegar-se ao sol a ler e a reler.

Não era menos certo que os endiabrados rapazolas da rua tentassemm arreliá-la fazendo ir pelos ares o monte de cartas que a velha juntava na covinha do avental.

Nem uma praga, nem um lamento. Com uma santa resignação, levantava-se e com visível dificuladade ia apanhá-las, uma a uma, para logo retomar o lugar e a leitura.

Ora eu um dia, céptico por nascimento, quis certificar-me da loucura da velha e fiz-me passar junto dela. Sim, lá estava. A velha lia e relia o célebre montão de cartas onde a sujidade já punha os seus cambiantes. Porém, algo mais os meus olhos surpresos presenciaram. Enquanto lia, a valha chorava. E um sentimento de ternura estremeceu-me dos pés à cabeça, levando-me a acercar-me dela. A velha, pressentindo a minha presença, levantou para mim uns olhos afogados e ausentes que ficaram presos nos meus. Por fim falou:

- Tal-qual o senhor... Os mesmos olhos, a mesma boca, os mesmos cabelos...

"Não há dúvida", pensei, " a velha está varrida".

Mas logo a seguir continuou:

- O senhor quer vê-lo?

A velha juntou as cartas numa mão, levantou-se e seguiu à minha frente.

- Venha. Faça favor de entrar. Olhe. Ali. Veja bem. O meu neto. Todos os meses me escreve. É só quem tenho no mundo.

E puxando do lencinho amarrotado, foi limpando os olhos e falando com a voz entrecortada de soluços:

- Gostava que o senhor o conhecesse. Não pode haver melhor no mundo. Se ele cá estivesse, não faziam pouco de mim, não... Mas assim... Custa muito, senhor! Eu tive a minha vida. Tive o meu marido e era respeitada. Trabalhei. Mas hoje estou só e pobre. Vivo para o meu neto que está lá longe. Se não fossem as suas cartas!...

Calou-se e continuou a soluçar. E naquele corpinho mirrado e sacudido, os meus olhos viram tão-somente mais uma vítima do mundo idiótico e gélido em que vivemos.


Estremoz, 20-03-1963

ETIQUETAS: -FEIRA, 23 DE SETEMBRO DE 2011





QUARTA-FEIRA, 28 DE SETEMBRO DE 2011
Eu não tenho muito jeito para as palavras, mas o meu Tio José Varela, tinha um dom especial para as colocar no papel. Quero deixar aqui um Poema que foi escrito por ele em 1987 após a morte de sua Mãe, nossa Avó, Bárbara Falcato Varela, que é lindíssimo e que agora dedico a ele também.José Manuel Varela d’Almeida


O teu corpo morreu, mãe...
Só o teu corpo.
E porque, eu compreendo agora
Que um corpo morre quando a alma não cabe nele.
Almas grandes e nobres como a tua,
Sufocam, prisioneiras, das grades do corpo.
E libertam-se.
E a tua libertou-se.
E agora que o teu corpo ficou vazio, mãe,
- E porque tão viva vives dentro de mim -
Absurdo, pôr mais em dúvida a imortalidade da alma.
Mesmo o teu corpo não perecerá em vão:
Em paulatina osmose ele regressará à terra,
(À terra que ele já foi e de onde tudo vem,
A terra que guarda em si a génese de todas as coisas)

E viverá nas plantas...
E viverá nas flores...
E viverá nos frutos;
Nos frutos que darão a vida aos pássaros.
Logo, mãe, eu concluo:
A natureza é a sublimação das coisas,
E eu tenho-te agora maior do que tudo no Mundo.
Do tamanho do Universo.
Estarás agora em tudo,
E no nada,
E na natureza.

E nela viverás em cada Primavera
Que se renova,
Sempre. Sempre. SEMPRE!


sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Uma questão


A memória é algo que se tem ou algo que se perde????

No meu caso, e não é com alegria que o afirmo, diria que é algo que se perde!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Rita Salomé
Apesar de sentir a minha cabeça "recheada" de post-its, ainda há tanta coisa que me lembro!!! são coisas já passadas ( mau sinal!!! revela a idade que eu tenho!!!) mas que tenho imens a vontade em partilhar com todos aqueles que me vêm visitar aqui de vez em quando. Prometo que vou escrever o que tenho dentro do meu cérebro...
A ARCA DE NOÉ (recolha do Ferederico Mira George)
E Noé convidou todos os animais a entrarem na arca. Era preciso entrarem aos pares, um macho e uma férmea para que mais tarde procriassem e aquele género de animal não desaparecesse para sempre. Estavam todos emparelhados para não se tresmalharem. Macho com fémea, fémea com macho. Era assim e foi assim nos tempos primordiais, nos tempos em que a ciência não estava descoberta nem tinham ainda inventado as barrigas de aluguer, nem a inseminação artificial, nem a procriação "in vitro". E assim, a arca se foi enchendo, enchendo até não caber mais nenhum animal.
Hoje, a Arca teria que ser muito, mas muito maior, porque para além dos animais que continuam a ser os mesmos, temos homens e mulheres de todas as raçãs, de cores diferentes. A cor do seu sangue é que continua igual, igual para todos, vermelho, bem vermelho, muito vermelho...pulsando com todo o amor que existe na humanidade
O monte do avô Perninhas
O monte estava já bastante em derrocada. Há muito que o avô tinha partido (1968) e por isso ninguém se interessou mais pelo monte. A casa onde vivia o caseiro estava toda destruída, as vigas do tecto tinham cedido à força do tempo e dos temporais e estavam todas caíadas dentro da pequena casa. A chaminé também não tinha aguentado os rigores do inverno e tomabara para dentro da casa. Impossivel entrar ali. Não havia nada lá dentro, a não ser os barrotes, os tijolos, as telhas...Nada estava lá dentro. Vazia e destruída como todos nós nos sentíamos. Sempre me angustiaram as casas destruídas, caídas e abandonadas. Parece que as casas morrem primeiro para nos avisarem que nada é eterno e que também nós, que ali vivemos, ali brincámos, ali nos sentámos a descansar ao pequeno lume de chão na chaminé, também nós, partiremos e nos desfaremos como as casas.
A Avó Amélia era ainda muito nova, a Marta tinha 5 meses e a Rita tinha 3 anos e meio.  Tinhamos levado um lanche para comermos, mas apesar do dia quente e soalheiro de Maio, não havia sitio para nos sentarmos. Os bancos que outrora ladeavam o monte estavam em derrocada... as ervas chegavam à porta da entrada,  ocupavam todos os espaços que podiam ser ocupados por nós. Sentia-se o abandono, era a falta do dono cuidadoso que quando via as ervas a crescer ia calmamente com o sacho retirá-las dos espaços que elas queriam ocupar... apetecia-me sair dali, não era aquele o espaço que estava na minha recordação, não queria viver e conviver com a destruição...