quinta-feira, 23 de maio de 2013
Quarta-feira, 9 de Abril de 2008
A OFICINA
A oficina era um lugar misterioso onde até eu gostava de me perder...
O meu pai, José Simões Alves, casou na Casa Branca onde era ferreiro. Só o Armando lá nasceu o que me faz pensar que pouco tempo lá morou.
Uma vez em Estremoz, abriu a oficina num terreno enorme que comprara ao tio Carreço. Ainda tinha muralhas e talvez algum barracão e ocupava todo o quarteirão até à Esplanada Parque.Em Parece que fez uma sociedade com o meu tio Júlio Falcato ( pai do Manuel ) e com o Pirra da oficina Pirra. Seria a firma Alves, Pirra e Falcato.
Em princípio, era apenas uma oficina de ferreiro onde me lembro de ver o meu pai à forja e também um operário, o sr. Abel, com uma cara sempre muito enfarruscada onde apenas se distinguia o brilho dos olhos. A sra. Josefa, sua mulher, todos os dias lhe vinha trazer o almoço. E, ou ele não lavavaas mãos para comer, ou a pele tinha absorvido de tal maneira a cor do carvão, que contrastava a sério com o pão que segurava. E muitas vezes lá estava eu à espera da sra. Josefa para assistir ao almoço do sr. Abel.
Nessa altura ainda havia poucos operários. Lembro-me do José da Armanda e também de um rapaz com quem gozavam dizendo-lhe que tinha "ganfanas". Penso que inventaram a palavra mas ele convenceu-se que era qualquer coisa que lhe habitava as sobrancelhas. Um dia em que o chatearam mais, queimou-as para eliminar as "ganfanas"... Aí é que ele foi bem gozado porque, sem sobrancelhas, ficou desfigurado.
Era hábito brincarem com os rapazes que chegavam de novo: mandavam-nos ir buscar o ferro de amolar limas , o de amolar martelos, ou outro qualquer engano de que se lembrassem. Quando chegava ao local onde estaria o objecto pedido, lá estava outro colega que já tinha metido num saco qualquer ferro bem pesado que o novato teria que arrastar de volta para grande gláudio de todos.
Eu via a oficina como um local escuro e sujo embora tivesse dois portões grandes que estavam sempre abertos. O mais pequeno dava para o nosso quintal o que facilitava as visitas diárias.
Penso que a sociedade não durou muito tempo e ficou apenas o meu pai.
O meu pai já tinha ido vendendo a maior parte do terreno, tinha construído a casa onde morávamos e tinha dado ao meu tio António Alves uma parcela para lá construir a sua casa (é agora do Armando Alves).
A nossa casa deve ter sido feita, só o 1º andar, em 1932/1933 porque eu fui a primeira a nascer ali, em Janeiro de 1933. Antes a família morara perto, na rua Vítor Cordon, vulgo de Sto. António.
Nesta altura já o meu pai tinha feito sociedade com o meu tio António Alves: (José Simões Alves-, Lda.).
O meu tio, para além de perceber de mecânica, tinha mais à vontade para falar com os clientes e relacionava-se com os agricultores ricos da região.
Assim, resolveram adicionar uma secção de mecânica e chegaram a trabalhar na oficina 75 operários. Alguns tinham alcunhas. Como havia muitos Zés, era o Zé Pequeno (marido da Adélia), o Zé Pequenino, o Zé Grande e o Zé Homem. Isto para além do Zé Pimpão, do Zé Branco, do Zé da Armanda, já referido e outros de que já não me lembro.
Os meus irmãos, com excepção do Armando e do Aníbal, assim que acabavam o curso na Escola Industrial, (na altura o único estabelecimento de ensino em Estremoz após a Primária), iam trabalhar na oficina: os gémeos Quim e Dâmaso e o José João eram mecânicos e o Jaime era torneiro.
O trabalho no torno fascinava-me. Todos aqueles tornos a cuspirem montes de limalha até que o perfil da peça a tornear fosse o desejado. achava eu que aquele material , que parecia tão leve, todo enroladinho, seria um bom material para brincar. E, tive que fazer muitos cortes nos dedos, antes de me decidir a brincar com qualquer outra coisa...
O Jaime gostava de trabalhar no torno e era bom nesta arte. Muitas vezes torneava peças em madeira.
Quando, no lagar dos Guias, (tia Hermínia e irmãos), substituiram o tronco por uma prensa moderna, ele ficou com uma parte daquele enorme poste de madeira de azinho e fez algumas peças: tabuleiros dos jogos com berlindes (deu-me um), pés de candeeiros, e não sei que mais.
Um dia estava a minha mãe com a prima Chica do Prego, (do Parafuso para o Fernandinho da tia Olga), a estender a massa das filhoses ao lume de chão como era hábito na altura. Eu também queria estender massa mas os paus eram só dois. O Jaime tirou um pedaço de azinho do lume e, passados uns minutos, já eu estava a fazer filhoses. Ainda hoje conservo e uso esse rolo. Não posso é usá-lo na cabeça do marido quando chega a casa de madrugada, porque era morte certa tão pesado é.
Embora o arrazoado já vá longo, o assunto ainda não passou do início. Vão esperando com paciência ( de preferência sentados...), pelo resto.
Beijinhos para todos da tilena
O meu pai, José Simões Alves, casou na Casa Branca onde era ferreiro. Só o Armando lá nasceu o que me faz pensar que pouco tempo lá morou.
Uma vez em Estremoz, abriu a oficina num terreno enorme que comprara ao tio Carreço. Ainda tinha muralhas e talvez algum barracão e ocupava todo o quarteirão até à Esplanada Parque.Em Parece que fez uma sociedade com o meu tio Júlio Falcato ( pai do Manuel ) e com o Pirra da oficina Pirra. Seria a firma Alves, Pirra e Falcato.
Em princípio, era apenas uma oficina de ferreiro onde me lembro de ver o meu pai à forja e também um operário, o sr. Abel, com uma cara sempre muito enfarruscada onde apenas se distinguia o brilho dos olhos. A sra. Josefa, sua mulher, todos os dias lhe vinha trazer o almoço. E, ou ele não lavavaas mãos para comer, ou a pele tinha absorvido de tal maneira a cor do carvão, que contrastava a sério com o pão que segurava. E muitas vezes lá estava eu à espera da sra. Josefa para assistir ao almoço do sr. Abel.
Nessa altura ainda havia poucos operários. Lembro-me do José da Armanda e também de um rapaz com quem gozavam dizendo-lhe que tinha "ganfanas". Penso que inventaram a palavra mas ele convenceu-se que era qualquer coisa que lhe habitava as sobrancelhas. Um dia em que o chatearam mais, queimou-as para eliminar as "ganfanas"... Aí é que ele foi bem gozado porque, sem sobrancelhas, ficou desfigurado.
Era hábito brincarem com os rapazes que chegavam de novo: mandavam-nos ir buscar o ferro de amolar limas , o de amolar martelos, ou outro qualquer engano de que se lembrassem. Quando chegava ao local onde estaria o objecto pedido, lá estava outro colega que já tinha metido num saco qualquer ferro bem pesado que o novato teria que arrastar de volta para grande gláudio de todos.
Eu via a oficina como um local escuro e sujo embora tivesse dois portões grandes que estavam sempre abertos. O mais pequeno dava para o nosso quintal o que facilitava as visitas diárias.
Penso que a sociedade não durou muito tempo e ficou apenas o meu pai.
O meu pai já tinha ido vendendo a maior parte do terreno, tinha construído a casa onde morávamos e tinha dado ao meu tio António Alves uma parcela para lá construir a sua casa (é agora do Armando Alves).
A nossa casa deve ter sido feita, só o 1º andar, em 1932/1933 porque eu fui a primeira a nascer ali, em Janeiro de 1933. Antes a família morara perto, na rua Vítor Cordon, vulgo de Sto. António.
Nesta altura já o meu pai tinha feito sociedade com o meu tio António Alves: (José Simões Alves-, Lda.).
O meu tio, para além de perceber de mecânica, tinha mais à vontade para falar com os clientes e relacionava-se com os agricultores ricos da região.
Assim, resolveram adicionar uma secção de mecânica e chegaram a trabalhar na oficina 75 operários. Alguns tinham alcunhas. Como havia muitos Zés, era o Zé Pequeno (marido da Adélia), o Zé Pequenino, o Zé Grande e o Zé Homem. Isto para além do Zé Pimpão, do Zé Branco, do Zé da Armanda, já referido e outros de que já não me lembro.
Os meus irmãos, com excepção do Armando e do Aníbal, assim que acabavam o curso na Escola Industrial, (na altura o único estabelecimento de ensino em Estremoz após a Primária), iam trabalhar na oficina: os gémeos Quim e Dâmaso e o José João eram mecânicos e o Jaime era torneiro.
O trabalho no torno fascinava-me. Todos aqueles tornos a cuspirem montes de limalha até que o perfil da peça a tornear fosse o desejado. achava eu que aquele material , que parecia tão leve, todo enroladinho, seria um bom material para brincar. E, tive que fazer muitos cortes nos dedos, antes de me decidir a brincar com qualquer outra coisa...
O Jaime gostava de trabalhar no torno e era bom nesta arte. Muitas vezes torneava peças em madeira.
Quando, no lagar dos Guias, (tia Hermínia e irmãos), substituiram o tronco por uma prensa moderna, ele ficou com uma parte daquele enorme poste de madeira de azinho e fez algumas peças: tabuleiros dos jogos com berlindes (deu-me um), pés de candeeiros, e não sei que mais.
Um dia estava a minha mãe com a prima Chica do Prego, (do Parafuso para o Fernandinho da tia Olga), a estender a massa das filhoses ao lume de chão como era hábito na altura. Eu também queria estender massa mas os paus eram só dois. O Jaime tirou um pedaço de azinho do lume e, passados uns minutos, já eu estava a fazer filhoses. Ainda hoje conservo e uso esse rolo. Não posso é usá-lo na cabeça do marido quando chega a casa de madrugada, porque era morte certa tão pesado é.
Embora o arrazoado já vá longo, o assunto ainda não passou do início. Vão esperando com paciência ( de preferência sentados...), pelo resto.
Beijinhos para todos da tilena
Domingo, 21 de Setembro de 2008
OS MEUS TIOS E AS MINHAS TIAS
Como todos vocês, meus queridos primos e primas Falcatos, sabem, sempre chamei tio e tia aos vossos pais e mães. Ora, acontece que esse tratamento faz muita confusão a certas pessoas, sobretudo aqui da Casa Branca, e que não conseguem perceber esse elo familiar!!!
Escrevi um post sobre a Tia Natália Simões e depois disso, várias pessoas, depois de lerem o texto, me perguntaram quem é a minha tia Natália??!!! ( essas pessoas sabem que os meus pais não tiveram irmãos chamados Natália, Anibal, Jaime, Adélia, etc.!!) e daí a admiração e confusão!!!
Ontem, recebi mais um mail de uma amiga, onde me perguntava quem era a "tia Natália" pois a mãe dela, estava muito intrigada!!! Assim decidi explicar a essa minha amiga a razão de eu chamar tios e tias aos filhos e filhas da minha tia Domingas e do meu tio Zé Alves. Aqui vai o que eu escrevi:
Olá Mariana
A minha "tia Natália" do blog é a mulher do meu tio Aníbal, irmã da prima Joaquina e da prima Joana.
Desde sempre os meus pais tiveram uma forte e estreita relação com o meu tio Zé Alves e tia Domingas, íamos lá muitas vezes almoçar, íamos a todas as festas da família, aos casamentos, a todas as ocasiões em que havia " reuinão familiar"lá estávamos nós - eu, o meu irmão e os meus pais!. Assim, eu sempre convivi muito de perto com todos eles, e desde sempre lhes comecei a chamar tios e tias, talvez por influência dos meus primos Aurita, Henrique, Jorge, Zé Manel Simões, José Carlos, etc, etc, que como eram sobrinhos de verdade, lhes chamavam tios/tias. Muitos desses meus primos eram da minha idade ( todos eles estão no meu coração e eu tenho-os como primos muito, muito próximos.). Assim, todos os filhos do meu tio Zé Alves e da Tia Domingas são meus tios e tias por adopção, mas para mim é como se fossem de verdade! Eu adoro-os a todos ( os filhos homens já todos partiram, e deixaram-me muita saudade; agora só estão as tias Olga, Natália, Maria Helena e Adélia) e todos eles sempre gostaram muito de mim.
Infelizmente, com a sua partida, eu tive grandes desgostos.
Mas, o tio Aníbal foi aquele de quem eu tive um maior desgosto pela sua morte, - uns dias antes de ele morrer, atropelado na estrada para Elvas, eu tinha estado com ele no lançamento do seu novo livro. Sempre foi uma pessoa muito dada à vida intelectual e por isso, estavam lá muitos artistas, gente do teatro, agora não me lembro dos nomes, é um que faz telenovelas que tem a cara toda manchada, (Canto e Castro?) outra artista que faz telenovelas e cinema ( Gina Maria?) , escritores, como o Cardoso Pires e outros, políticos, etc.
Como o meu tio Aníbal era muito próximo dos meus tios Maria Helena e Jacinto , quando iam ao cinema, visitar uma romaria ou uma aldeia ou outras manifestações artísticas, eu ia com eles. ( Em casa dos meus tios, eu ouvi, pela primeira vez, o disco do Zeca Afonso, na altura, proibidíssimo, "os Vampiros! ( isto passa-se em 1959!!)".
O meu tio Aníbal transmitiu-me ideias e conhecimentos sobre cinema, literatura, pintura, etc. política, etc… cujas sementes ainda estão em desenvolvimento dentro de mim. Ainda hoje, adoro tudo o que se relacione com arte, com manifestações artísticas, como ver exposições, ir a concertos, olhar uma paisagem (real) do Alentejo, apreciar a boa gastronomia portuguesa, etc. etc. tudo graças ao convívio estreito que sempre tive com ele e com a minha tia Natália.
Quando fui estudar para Estremoz, tinha 11 anos ( 1959), acabados de fazer, era uma frequentadora da Livraria Aníbal. Como sempre adorei ler, quando saía um livro de um grande escritor estrangeiro ou português, que se adequasse à minha idade, o meu tio Aníbal dizia-me logo para eu o ler. "Eu tinha uma conta aberta lá, e aos fins de semana o meu pai ia lá pagar!" como vês tudo isto me tornou na pessoa que hoje sou... afinal é através do exemplo daqueles que nos rodeiam, que nós crescemos, nos educamos e nos tornamos "parecidos" com quem convivemos... Bem, que grande discurso!!! às vezes sabe-me bem, falar e escrever sobre aqueles que "moldaram" a minha personalidade, que contribuíram para a pessoa que sou hoje...
Beijos à tua mãe.
Beijos da amiga Zuzu
2008/9/18 maria zulmira baleiro <zubaleiro@gmail.com>
Pois é, meus queridos primos e primas, é por tudo isto e muito mais ( que um dia escreverei!) que eu vos adoro a todos e todas. Agora, por acréscimo, adoro os vossos filhos e vossas filhas, e fico muitooooooooo contente quando sei que uma delas está grávida, e que vai nascer mais uma Falcatinha!!!
Escrevi um post sobre a Tia Natália Simões e depois disso, várias pessoas, depois de lerem o texto, me perguntaram quem é a minha tia Natália??!!! ( essas pessoas sabem que os meus pais não tiveram irmãos chamados Natália, Anibal, Jaime, Adélia, etc.!!) e daí a admiração e confusão!!!
Ontem, recebi mais um mail de uma amiga, onde me perguntava quem era a "tia Natália" pois a mãe dela, estava muito intrigada!!! Assim decidi explicar a essa minha amiga a razão de eu chamar tios e tias aos filhos e filhas da minha tia Domingas e do meu tio Zé Alves. Aqui vai o que eu escrevi:
Olá Mariana
A minha "tia Natália" do blog é a mulher do meu tio Aníbal, irmã da prima Joaquina e da prima Joana.
Desde sempre os meus pais tiveram uma forte e estreita relação com o meu tio Zé Alves e tia Domingas, íamos lá muitas vezes almoçar, íamos a todas as festas da família, aos casamentos, a todas as ocasiões em que havia " reuinão familiar"lá estávamos nós - eu, o meu irmão e os meus pais!. Assim, eu sempre convivi muito de perto com todos eles, e desde sempre lhes comecei a chamar tios e tias, talvez por influência dos meus primos Aurita, Henrique, Jorge, Zé Manel Simões, José Carlos, etc, etc, que como eram sobrinhos de verdade, lhes chamavam tios/tias. Muitos desses meus primos eram da minha idade ( todos eles estão no meu coração e eu tenho-os como primos muito, muito próximos.). Assim, todos os filhos do meu tio Zé Alves e da Tia Domingas são meus tios e tias por adopção, mas para mim é como se fossem de verdade! Eu adoro-os a todos ( os filhos homens já todos partiram, e deixaram-me muita saudade; agora só estão as tias Olga, Natália, Maria Helena e Adélia) e todos eles sempre gostaram muito de mim.
Infelizmente, com a sua partida, eu tive grandes desgostos.
Mas, o tio Aníbal foi aquele de quem eu tive um maior desgosto pela sua morte, - uns dias antes de ele morrer, atropelado na estrada para Elvas, eu tinha estado com ele no lançamento do seu novo livro. Sempre foi uma pessoa muito dada à vida intelectual e por isso, estavam lá muitos artistas, gente do teatro, agora não me lembro dos nomes, é um que faz telenovelas que tem a cara toda manchada, (Canto e Castro?) outra artista que faz telenovelas e cinema ( Gina Maria?) , escritores, como o Cardoso Pires e outros, políticos, etc.
Como o meu tio Aníbal era muito próximo dos meus tios Maria Helena e Jacinto , quando iam ao cinema, visitar uma romaria ou uma aldeia ou outras manifestações artísticas, eu ia com eles. ( Em casa dos meus tios, eu ouvi, pela primeira vez, o disco do Zeca Afonso, na altura, proibidíssimo, "os Vampiros! ( isto passa-se em 1959!!)".
O meu tio Aníbal transmitiu-me ideias e conhecimentos sobre cinema, literatura, pintura, etc. política, etc… cujas sementes ainda estão em desenvolvimento dentro de mim. Ainda hoje, adoro tudo o que se relacione com arte, com manifestações artísticas, como ver exposições, ir a concertos, olhar uma paisagem (real) do Alentejo, apreciar a boa gastronomia portuguesa, etc. etc. tudo graças ao convívio estreito que sempre tive com ele e com a minha tia Natália.
Quando fui estudar para Estremoz, tinha 11 anos ( 1959), acabados de fazer, era uma frequentadora da Livraria Aníbal. Como sempre adorei ler, quando saía um livro de um grande escritor estrangeiro ou português, que se adequasse à minha idade, o meu tio Aníbal dizia-me logo para eu o ler. "Eu tinha uma conta aberta lá, e aos fins de semana o meu pai ia lá pagar!" como vês tudo isto me tornou na pessoa que hoje sou... afinal é através do exemplo daqueles que nos rodeiam, que nós crescemos, nos educamos e nos tornamos "parecidos" com quem convivemos... Bem, que grande discurso!!! às vezes sabe-me bem, falar e escrever sobre aqueles que "moldaram" a minha personalidade, que contribuíram para a pessoa que sou hoje...
Beijos à tua mãe.
Beijos da amiga Zuzu
2008/9/18 maria zulmira baleiro <zubaleiro@gmail.com>
Pois é, meus queridos primos e primas, é por tudo isto e muito mais ( que um dia escreverei!) que eu vos adoro a todos e todas. Agora, por acréscimo, adoro os vossos filhos e vossas filhas, e fico muitooooooooo contente quando sei que uma delas está grávida, e que vai nascer mais uma Falcatinha!!!
Publicada porJosé Mansinho Carreçoà(s)11:215 comentários:
Etiquetas:Zuzu
CONFERÊNCIA SOBRE O DIA DA MULHER NO CVINE-TGEATRO DE VIOLA VIÇOSA, ORGANIZADO PELA UNIVERSIDADE SÉNIOR DE VILA VIÇOSA
O ASSOBIO
O ASSOBIO...
O meu tio Zé Varela, que sempre admirei e com quem tive uma relação afectiva muito forte, se não tivesse partido, estariamos hoje a festejar os seus 80 anos. Assim, como não lhe posso dar o beijo de parabéns que ele me retribuiria com o seu sorriso aberto, meigo e feliz que sempre mostrava, vou escrever um texto que relata bem as memórias boas e singelas que guardo dele.
Quando eu tinha 11 anos, fui estudar para o Colégio de S. Joaquim em Estremoz (actual Escola 2,3 Sebastião da Gama), e fiquei hospedada na sua casa do Bairro de Santo António (hoje é neste bairro que fica o Supermercado Pingo Doce) , logo a casa ficava num extremo oposto ao colégio. A distância era enorme, e a minha pasta tinha sido mandada fazer ao sr. Contente do Cano, famoso pelas suas carteiras, pastas e afins, em couro verdadeiro e de duração ilimitada. Pesava "toneladas", pois o meu pai pedira o couro mais durável que ele tivesse!. Não deixavamos os livros na escola, e assim, fazia quatro vezes, o caminho do Bairro de Santo António para a zona do Caldeiro. A pé, chovesse a potes, fizesse um frio de rachar, fizesse vento que tudo levava pelos ares, fizesse o calor abrasador de Estremoz, lá ia eu de pasta na mão cheia de livros, logo pelas 8 horas da manhã, voltava de novo com a pasta ao meio dia para almoçar. Depois de almoçar muito rapidamente, mudava os livros das disciplinas da manhã para as da tarde, e lá ia eu, pasta na mão a caminho do colégio onde ia ter aulas das 14horas até às 18h. Nos dias de Ginástica, hoje Educação Física ainda levava um saco de pano branco mandado fazer de propósito para transportar o uniforme de ginástica (saia calça. blusa de malha interloc branca, meias brancas e sapatilhas de ginástica brancas), por isso, nesse dia, a carga era mais pesada e o cansaço era ainda maior.
O percurso da escola para casa e da casa para a escola era e é muito comprido, a distância era interminável. Atravessávamos o Rossio e lá iamos nós, eu, a Aurita, a Genhinha e a Luisa, felizes, bem dispostas, sem um queixume sobre a distância que tínhamos que percorrer 4 vezes ao dia!!!
Muito esporadicamente, o Sr Dias, pai da Geninha, que tinha uma loja de tecidos no Largo da República, dava-nos boleia, o que para nós era uma festa e um alívio, pois chegávamos mais depressa e menos cansadas.
A minha pasta era forte e feia. Eu não conseguia de maneira nenhuma ver-me livre dela. Então muitas vezes, mandava a pasta com toda a força, pelo pavimento de cimento do recreio, ela escorregava pelo chão e depois eu ia buscá-la ao outro extremo do pátio. Queria que ela se estragasse para poder ter uma mais leve... mas nunca o consegui!!! a pasta durou anos, e anos, e anos... sempre impecável... os cantos não estavam a desfazer-se, a mola para fechar continuava operacional e a pega da pasta firme, mas firme!!!! e a pasta acompanhou-me sempre, durante o meu percurso escolar do 1º ano do preparatório ao 5º ano do liceu.
À tarde, quando vinha do colégio, e passava no Rossio, encontrava-me muitas vezes, mesmo quase todos os dias, com o meu tio Zé Varela, que saía religiosamente às 18 horas do escritório , onde era escriturário e se dirigia para casa. Íamos juntos de regresso. Ele andava sempre com um livro debaixo do braço, pois a leitura era um dos seus melhores passatempos. Tinha uma postura muito elegante, alto, magro, cabelo preto, com o seu fato muito bem tratado, as camisas brancas impecávelmente passadas pela tia Maria Emília, as calças com um vinco bem marcado. O meu tio interessava-se e queria saber como me tinha corrido o dia, e quando eu começava a falar sobre o meu dia na escola, ele começava a contar-me histórias do seu tempo de menino, de adolescente e naquele tempo (1961) de pai babado com a minha prima Maria Cristina, que era uma bébé adorável, muito bonita, rechonchudinha, risonha e sempre bem disposta.
Por vezes, quando íamos no Rossio, ouvíamos o assobio muito característico e muito pessoal do meu tio Jacinto, que nos tinha visto à distância e que queria juntar-se a nós. Aquele assobio era único. Pareciam rouxinóis a cantar nas árvores. Onde quer que um deles fizesse aquele assobio já sabiam que era um irmão a chamar o outro irmão.
Hoje, 52 anos passados, ainda recordo aquele assobio. Já não o posso ouvir, pois o tio Zé já cá não está e o tio Jacinto já não o pode chamar... mas, o assobio era inesquecível, bonito, harmonioso, alegre, direi mesmo que era uma pequena peça musical; era um assobio de grande cumplicidade, muito, mas mesmo muito pessoal, o que tornava esta forma de se comunicarem única.
Mais não escrevo, mas há tanta coisa a dizer deste querido tio que tanta saudade nos deixou...
Casa Branca, 28 de Setembro de 2011
zuzu
Quando eu tinha 11 anos, fui estudar para o Colégio de S. Joaquim em Estremoz (actual Escola 2,3 Sebastião da Gama), e fiquei hospedada na sua casa do Bairro de Santo António (hoje é neste bairro que fica o Supermercado Pingo Doce) , logo a casa ficava num extremo oposto ao colégio. A distância era enorme, e a minha pasta tinha sido mandada fazer ao sr. Contente do Cano, famoso pelas suas carteiras, pastas e afins, em couro verdadeiro e de duração ilimitada. Pesava "toneladas", pois o meu pai pedira o couro mais durável que ele tivesse!. Não deixavamos os livros na escola, e assim, fazia quatro vezes, o caminho do Bairro de Santo António para a zona do Caldeiro. A pé, chovesse a potes, fizesse um frio de rachar, fizesse vento que tudo levava pelos ares, fizesse o calor abrasador de Estremoz, lá ia eu de pasta na mão cheia de livros, logo pelas 8 horas da manhã, voltava de novo com a pasta ao meio dia para almoçar. Depois de almoçar muito rapidamente, mudava os livros das disciplinas da manhã para as da tarde, e lá ia eu, pasta na mão a caminho do colégio onde ia ter aulas das 14horas até às 18h. Nos dias de Ginástica, hoje Educação Física ainda levava um saco de pano branco mandado fazer de propósito para transportar o uniforme de ginástica (saia calça. blusa de malha interloc branca, meias brancas e sapatilhas de ginástica brancas), por isso, nesse dia, a carga era mais pesada e o cansaço era ainda maior.
O percurso da escola para casa e da casa para a escola era e é muito comprido, a distância era interminável. Atravessávamos o Rossio e lá iamos nós, eu, a Aurita, a Genhinha e a Luisa, felizes, bem dispostas, sem um queixume sobre a distância que tínhamos que percorrer 4 vezes ao dia!!!
Muito esporadicamente, o Sr Dias, pai da Geninha, que tinha uma loja de tecidos no Largo da República, dava-nos boleia, o que para nós era uma festa e um alívio, pois chegávamos mais depressa e menos cansadas.
A minha pasta era forte e feia. Eu não conseguia de maneira nenhuma ver-me livre dela. Então muitas vezes, mandava a pasta com toda a força, pelo pavimento de cimento do recreio, ela escorregava pelo chão e depois eu ia buscá-la ao outro extremo do pátio. Queria que ela se estragasse para poder ter uma mais leve... mas nunca o consegui!!! a pasta durou anos, e anos, e anos... sempre impecável... os cantos não estavam a desfazer-se, a mola para fechar continuava operacional e a pega da pasta firme, mas firme!!!! e a pasta acompanhou-me sempre, durante o meu percurso escolar do 1º ano do preparatório ao 5º ano do liceu.
À tarde, quando vinha do colégio, e passava no Rossio, encontrava-me muitas vezes, mesmo quase todos os dias, com o meu tio Zé Varela, que saía religiosamente às 18 horas do escritório , onde era escriturário e se dirigia para casa. Íamos juntos de regresso. Ele andava sempre com um livro debaixo do braço, pois a leitura era um dos seus melhores passatempos. Tinha uma postura muito elegante, alto, magro, cabelo preto, com o seu fato muito bem tratado, as camisas brancas impecávelmente passadas pela tia Maria Emília, as calças com um vinco bem marcado. O meu tio interessava-se e queria saber como me tinha corrido o dia, e quando eu começava a falar sobre o meu dia na escola, ele começava a contar-me histórias do seu tempo de menino, de adolescente e naquele tempo (1961) de pai babado com a minha prima Maria Cristina, que era uma bébé adorável, muito bonita, rechonchudinha, risonha e sempre bem disposta.
Por vezes, quando íamos no Rossio, ouvíamos o assobio muito característico e muito pessoal do meu tio Jacinto, que nos tinha visto à distância e que queria juntar-se a nós. Aquele assobio era único. Pareciam rouxinóis a cantar nas árvores. Onde quer que um deles fizesse aquele assobio já sabiam que era um irmão a chamar o outro irmão.
Hoje, 52 anos passados, ainda recordo aquele assobio. Já não o posso ouvir, pois o tio Zé já cá não está e o tio Jacinto já não o pode chamar... mas, o assobio era inesquecível, bonito, harmonioso, alegre, direi mesmo que era uma pequena peça musical; era um assobio de grande cumplicidade, muito, mas mesmo muito pessoal, o que tornava esta forma de se comunicarem única.
Mais não escrevo, mas há tanta coisa a dizer deste querido tio que tanta saudade nos deixou...
Casa Branca, 28 de Setembro de 2011
zuzu
Etiquetas:o meu ti Zé varela
sábado, 6 de abril de 2013
CARTA A MINHA AVÓ JOSEFA DE JOSÉ SARAMAGO
Carta para Josefa, minha avó
Tens noventa anos. És velha, dolorida.
Dizes-me que foste a mais bela rapariga do teu tempo – e eu acredito. Não sabes
ler. Tens as mãos grossas e deformadas, os pés encortiçados. Carregaste à
cabeça toneladas de restolho e lenha, albufeiras de água. Viste nascer o sol
todos os dias. De todo o pão que amassaste se faria um banquete universal.
Criaste pessoas e gado, meteste os bácoros na tua própria cama quando o frio
ameaçava gelá-los. Contaste-me histórias de aparições e lobisomens, velhas
questões de família, um crime de morte. Trave da tua casa, lume da tua lareira
– sete vezes engravidaste, sete vezes deste à luz.
Não sabes nada do mundo. Não entendes de política, nem de economia, nem de literatura, nem de filosofia, nem de religião. Herdaste umas centenas de palavras práticas, um vocabulário elementar. Com isto viveste e vais vivendo. És sensível às catástrofes e também aos casos de rua, aos casamentos de princesas e ao roubo dos coelhos da vizinha. Tens grandes ódios por motivos de que já perdeste a lembrança, grandes dedicações que assentam em coisa nenhuma. Vives. Para ti, a palavra Vietname é apenas um som bárbaro que não condiz com o teu círculo de légua e meia de raio. Da fome sabes alguma coisa: já viste uma bandeira negra içada na torre da igreja. (Contaste-me tu, ou terei sonhado que o contavas?) Transportas contigo o teu pequeno casulo de interesses. E, no entanto, tens os olhos claros e és alegre. O teu riso é como um foguete de cores. Como tu, não vi rir ninguém.
Estou diante de ti, e não entendo. Sou da tua carne e do teu sangue, mas não entendo. Vieste a este mundo e não curaste de saber o que é o mundo. Chegas ao fim da vida, e o mundo ainda é, para ti, o que era quando nasceste: uma interrogação, um mistério inacessível, uma coisa que não faz parte da tua herança: quinhentas palavras, um quintal a que em cinco minutos se dá a volta, uma casa de telha-vã e chão de barro. Aperto a tua mão calosa, passo a minha mão pela tua face enrijada e pelos teus cabelos brancos, partidos pelo peso dos carregos – e continuo a não entender. Foste bela, dizes, e bem vejo que és inteligente. Por que foi então que te roubaram o mundo? Mas disto talvez entenda eu, e dir-te-ia o como, o porquê e o quando se soubesse escolher das minhas inumeráveis palavras as que tu pudesses compreender. Já não vale a pena. O mundo continuará sem ti – e sem mim. Não teremos dito um ao outro o que mais importava.
Não teremos realmente? Eu não te terei dado, porque as minhas palavras não são as tuas, o mundo que te era devido. Fico com esta culpa de que me não acusas – e isso ainda é pior. Mas porquê, avó, porque te sentas tu na soleira da tua porta, aberta para a noite estrelada e imensa, para o céu de que nada sabes e por onde nunca viajarás, para o silêncio dos campos e das árvores assombradas, e dizes, com a tranquila serenidade dos teus noventa anos e o fogo da tua adolescência nunca perdida: “O mundo é tão bonito, e eu tenho tanta pena de morrer!”.
É isto que eu não entendo – mas a culpa não é tua.
José Saramago, in “Deste Mundo e do Outro
Não sabes nada do mundo. Não entendes de política, nem de economia, nem de literatura, nem de filosofia, nem de religião. Herdaste umas centenas de palavras práticas, um vocabulário elementar. Com isto viveste e vais vivendo. És sensível às catástrofes e também aos casos de rua, aos casamentos de princesas e ao roubo dos coelhos da vizinha. Tens grandes ódios por motivos de que já perdeste a lembrança, grandes dedicações que assentam em coisa nenhuma. Vives. Para ti, a palavra Vietname é apenas um som bárbaro que não condiz com o teu círculo de légua e meia de raio. Da fome sabes alguma coisa: já viste uma bandeira negra içada na torre da igreja. (Contaste-me tu, ou terei sonhado que o contavas?) Transportas contigo o teu pequeno casulo de interesses. E, no entanto, tens os olhos claros e és alegre. O teu riso é como um foguete de cores. Como tu, não vi rir ninguém.
Estou diante de ti, e não entendo. Sou da tua carne e do teu sangue, mas não entendo. Vieste a este mundo e não curaste de saber o que é o mundo. Chegas ao fim da vida, e o mundo ainda é, para ti, o que era quando nasceste: uma interrogação, um mistério inacessível, uma coisa que não faz parte da tua herança: quinhentas palavras, um quintal a que em cinco minutos se dá a volta, uma casa de telha-vã e chão de barro. Aperto a tua mão calosa, passo a minha mão pela tua face enrijada e pelos teus cabelos brancos, partidos pelo peso dos carregos – e continuo a não entender. Foste bela, dizes, e bem vejo que és inteligente. Por que foi então que te roubaram o mundo? Mas disto talvez entenda eu, e dir-te-ia o como, o porquê e o quando se soubesse escolher das minhas inumeráveis palavras as que tu pudesses compreender. Já não vale a pena. O mundo continuará sem ti – e sem mim. Não teremos dito um ao outro o que mais importava.
Não teremos realmente? Eu não te terei dado, porque as minhas palavras não são as tuas, o mundo que te era devido. Fico com esta culpa de que me não acusas – e isso ainda é pior. Mas porquê, avó, porque te sentas tu na soleira da tua porta, aberta para a noite estrelada e imensa, para o céu de que nada sabes e por onde nunca viajarás, para o silêncio dos campos e das árvores assombradas, e dizes, com a tranquila serenidade dos teus noventa anos e o fogo da tua adolescência nunca perdida: “O mundo é tão bonito, e eu tenho tanta pena de morrer!”.
É isto que eu não entendo – mas a culpa não é tua.
José Saramago, in “Deste Mundo e do Outro
O PRINCIPEZINHO DE ANTOINE DE SAINT- EXUPÉRY
Com mais de oitocentos milhões de exemplares vendidos, quase 500 edições publicadas, em mais de 160 línguas e dialetos, publicado em 1943, nos EUA, "O Pequeno Príncipe" é um dos livros mais lidos em todo o mundo!
Parecendo ser um livro escrito para crianças, aparentemente simples, porém com um conteúdo poético e filosófico profundo, trata-se da 3ª obra literária mais traduzida no mundo, ficando em 1º lugar a Bíblia Sagrada, em 2º o livro "O Peregrino", o romance de Exupery encanta a todos quantos tem a oportunidade de se deliciar com as aventuras do Principezinho (assim conhecido em Portugal).
Através da leitura do Pequeno Príncipe, podemos trabalhar conceitos e preconceitos que acabamos por manter ao longo de nossa existência e que, por vezes, nos impedem de enxergar "o essencial" e de ver "o bem".
Nós nos enganamos muitas vezes na análise / avaliação de situações, de pessoas, julgando precipitadamente e ferindo, magoando, quando podíamos ser e dar amor.
Venha conosco, comente! As aventuras do livro "O Pequeno Príncipe" resultam em lições de vida, interpretações as mais variadas. Diga o que você entende, como vê cada momento de discussão acerca deste livro que tanto nos encanta e nos leva à reflexão até os dias atuais!
“ – Ela é sozinha, porém, mais importante que todas vós, pois foi ela que eu reguei. Foi ela que pus sob a redoma. Foi ela que abriguei com o para-vento. Foi por ela que matei as larvas (exceto duas ou três, por causa das borboletas). Foi ela que eu escutei se queixar ou se gabar, ou mesmo calar-se algumas vezes, já que ela é a minha rosa.”
“Se tu vens, por exemplo, às quatro da tarde, desde as três eu começarei a ser feliz. Às quatro horas, então, estarei inquieta e agitada: descobrirei o preço da felicidade! Mas se tu vens a qualquer momento, nunca saberei a hora de preparar meu coração... É preciso que haja um ritual.”
“Mas se tu me cativas, minha vida será como que cheia de sol. Conhecerei um barulho de passos que será diferente dos outros. Os outros me fazem entrar debaixo da terra. Os teus me chamarão para fora da toca, como se fossem música. E depois, olha! Vês, lá longe, os campos de trigo? Eu não como pão. O trigo para mim não vale nada. Os campos de trigo não me lembram coisa alguma. E isso é triste! Mas tu tens cabelos dourados. Então será maravilhoso quando tiveres me cativado. O trigo, que é dourado, fará com que eu me lembre de ti. E eu amarei o barulho do vento no trigo...”
“Talvez esse homem seja mesmo um tolo. No entanto, é menos tolo que o rei, que o vaidoso, que o empresário que o beberrão. Seu trabalho ao menos tem um sentido. Quando acende o lampião, é como se fizesse nascer mais uma estrela, ou uma flor. Quando o apaga, porém, faz adormecer a estrela ou a flor. É um belo trabalho. E, sendo belo, tem sua utilidade.”
"Tu não és para mim senão uma pessoa inteiramente igual a cem mil outras pessoas. E eu não tenho necessidade de ti. E tu não tens necessidade de mim. Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás pra mim o único no mundo. E eu serei para ti a única no mundo..."
"- Se alguém ama uma flor da qual só exista um exemplar em milhões e milhões de estrelas, isso basta para fazê-lo feliz quando as comtempla. ele pensa "Minha flor está lá, em algum lugar..." Mas se o carneiro come a flor, é, para ele, como se todas as estrelas se repentinamente se apagassem! E isto não tem importância?"
" Eis o meu segredo. É muito simples:
só se vê bem com o coração. O essencial é invisível aos olhos."
só se vê bem com o coração. O essencial é invisível aos olhos."
"Foi o tempo que dedicaste à tua rosa que a fez tão importante"
"Tú se tornas ETERNAMENTE responsavél, por aquilo que cativas!"
“Tu julgarás a ti mesmo – respondeu o rei. – É o mais difícil. É bem mais difícil julgar a si mesmo que julgar os outros. Se consegues fazer um bom julgamento de ti, és um verdadeiro sábio.”
“A gente só conhece bem as coisas que cativou – disse a raposa.”
“ – Vai ver as rosas. Assim compreenderás que a tua é única no mundo. Tu voltarás para me dizer adeus, e eu te presentearei com um segredo.”
“É preciso que eu suporte duas ou três larvas se quiser conhecer as borboletas. Dizem que são tão belas.”
“Mas eu não estava seguro. Lembrava-me da raposa. A gente corre risco de chorar um pouco quando se deixou cativar...”
“Ele era para mim como uma fonte no deserto.”
O essencial é invisível para os olhos...num tempo no qual a imagem prevalece, onde o belo é o sonho maior, onde uma imagem vale mil palavras, descobrir-se essencialidade no invisível é algo na contramão do sentido comum, geral. A materialidade visível é finita e limitada, enquanto que o invisível - e imaterial - , simplesmente não tem dimensão..E aí é que se descobre o quanto importa perceber-se a grandeza do invisível aos olhos...Deus, o amor, o ar que respiramos, as emoções que vivemos, são todos impalpáveis porém essenciais...Eu descobri, em Exupéry, um convite a mergulhar no mundo onde se fecha os olhos e se abre uma visão impressionante ..Tem sido assim na minha relação com Deus, tem sido assim em relação ao amor...Convido voce, amigo, a fechar os olhos, abrir-se ao invisível e descobrir um mundo onde tudo que é importante não é comprado ou tomado, mas conquistado mansamente por esse mesmo coração.CONFESSO QUE VIVI, de Pablo Neruda (Rev. Luiz Carlos Esperon - rev.esperon@hotmail.com)
O Pequeno Príncipe traz à tona uma palavra esquecida por muitos, hoje: “Cativar”, ou seja, “criar laços”.
No livro, num momento de diálogo, a raposa se virou para o Princepezinho e disse: “...Tu não és ainda para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos. E eu não tenho necessidade de ti. E tu não tens também necessidade de mim. Não passo a teus olhos de uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim o único no mundo. E eu serei para ti única no mundo...”
Os imediatismos da vida moderna tem sido desculpa para grande número de pessoas que fogem de relacionamentos, evitam se comprometer seja numa relação amorosa, ou até mesmo numa relação de amizade.
Quanto tempo dura uma “amizade”, um “namoro”, um “casamento”? Cativar envolve comprometimento, responsabilidade recíproca, envolvimento, o que de longe é visto nos dias atuais.
Se algo estiver diferente do que pensamos ou queremos, buscamos, então trocamos de amigos, de esposa, de marido, afinal, tem tanta gente por aí... (essa é a real!)
Quando a raposa pediu ao princepezinho “ - Cativa-me”, ele respondeu como muitos hoje:
“Bem quisera, disse o principezinho, mas eu não tenho muito tempo. Tenho amigos a descobrir e muitas coisas a conhecer.”
Ninguém quer parar para estabelecer laços fortes que durem com o tempo. Ninguém quer “perder tempo” com nada, muito menos com outra pessoa.
Mas, quão sábia foi a raposa, ela respondeu:
“- A gente só conhece bem as coisas que cativou, disse a raposa. Os homens não têm mais tempo de conhecer coisa alguma. Compram tudo prontinho nas lojas.”
A falta de amigos verdadeiros, resulta numa vida monótona, relacionamentos frios, vazios de significado. Conhecer, é envolver-se.
Não devemos agir com o próximo de forma irresponsável, descomprometida. Estamos juntos, nos permitimos o contato, porém, de repente, expulsamos essa pessoa de nossas vidas, sem nos importar com os seus sentimentos.
Às vezes, você não se envolve com a pessoa, mas a pessoa se envolve com você.
Isso nos faz lembrar uma outra palavra: “saudade”...
Como é bom lembrar de alguém que nos fez bem...
Como é bom você se pegar sorrindo à toa, sozinha, sem explicações, apenas porque lembrou de alguém a quem você quer bem.
Não sei se já aconteceu contigo, você está num local e de repente sente no ar o perfume da pessoa amada, você vive a presença de um grande amigo, ou de um grande amor...
Assim como a cor do trigo, ouro, que serviria para lembrar do princepezinho, por causa do louro dos seus cabelos, quando ele partisse, não importa se quem amamos irá partir. Que fiquem as lembranças. Mas que a vida tenha sentido. E o sentido da vida está nos relacionamentos que partilhamos, nos laços criados.
Posso até chorar, mas eu vou lembrar que um dia amei e fui amada.
Se permita cativar, dê sentido à sua vida. Mas, lembre-se: “Tu és eternamente responsável pelo que cativas”.
(Por Elisabete Barbosa)
texto retirado do blog: http://ceaddh185.blogspot.pt/p/dicas-de-livros-e-comentarios.html
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quinta-feira, 4 de abril de 2013
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