quinta-feira, 13 de novembro de 2014

PARTILHANDO O AMOR PELOS LIVROS







No dia 5 de Novembro fui convidada pela Profª Cláudia Marçal, bibliotecária da Escola Secundária Rainha Santa Isabel de Estremoz, para ir falar da minha experiência como leitora, na Biblioteca Municipal de Estremoz. 
A turma do 8º ano veio acompanhada pela professora de português Francisca Matos, e mostraram-se bastante interessados na minha conversa.
Pessoalmente, senti-me muito bem e satisfeita por poder partilhar com estes adolescentes os meus hábitos de leitura e como comecei a gostar de ler. 
A Profª Cláudia Marçal apresentou-me à turma e aos presentes da seguinte forma:
Zuzu Baleiro  (65 anos/ professora de Português/Francês aposentada/voluntária de leitura)
Uma força da natureza

“Cada um de nós é um ser diferente, que viveu diversas realidades. Eu, por exemplo, adoro os meus livros, adoro ir à livraria e comprar dois ou três livros, chegar a casa, sentar-me tranquila e serenamente e começar a ler. A leitura transporta-me para lugares imaginários, alimenta-me a imaginação, leva-me até às nuvens. Desde sempre, as pessoas que convivem comigo, sabem que quando estou a ler, embrenhada na leitura  não ouço, não escuto nada ao meu redor. Podem falar comigo que eu não estou ali. As minhas filhas quando chegavam a casa e me viam a ler, diziam-me: “ Mãe, deixa lá de ler, e ouve o que eu te vou dizer!!!”, sabiam que se falassem comigo a ler, eu não ia escutar!!!”

Nasceu e cresceu no Alentejo, região que adora.
Ensinar Português e Francês foi e é a sua grande paixão. Atualmente reformada, continua a ensinar e a partilhar sentires e saberes com os alunos da Academia Sénior, na disciplina Poesia e Contos.
Divulgar contos tradicionais portugueses é outro dos seus prazeres, por isso, visita regularmente o Lar da Terceira Idade para ler contos aos utentes. Faz voluntariado de leitura nas escolas e participa em vários eventos e projetos ligados ao livro sempre que é convidada e por iniciativa própria.
Ler, pintar, ouvir música, passear, viajar, conviver, brincar com a Pantufa (animal de estimação), falar com a filha Rita …são algumas das alegrias que dão cor à sua vida.
Os seus motivos de orgulho são resistir a todas as contrariedades da vida, tentar sempre superar os obstáculos que se lhe apresentam e olhar com optimismo para a vida!

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No final da conversa, entreguei a cada aluno um "postal" e pedi-lhes que escrevessem no verso as suas impressões sobre o que tinham acabado de ouvir:

-a  sessão foi muito interessante;
- ficámos a saber como eram os tempos de antigamente;
- ficámos a saber os "melhores" livros e mais interessantes;
- ficámos a saber como era ler antigamente e como a leitura se desenvolveu;
- gostámos de ouvir as histórias da Zuzu, pessoais e interessantes;
- foi "inspirante" porque a Zuzu falou do que já passou na vida, da adolescência, os maus e bons momentos e aconselha-nos a ler os livros bons que já leu;
- mudou a minha perspetiva da leitura;
- biografia muito interessante;
- descobri que tínhamos conhecimentos e família em comum.


quarta-feira, 12 de novembro de 2014

POESIA E CONTO: A CASA

POESIA E CONTO: A CASA: A casa foi construída em 1900 . Está situada numa rua larga e sem curvas, no meio de outras casas. Situa-se na zona dos Forais Novos, q...

terça-feira, 11 de novembro de 2014

POESIA E CONTO: A CASA

POESIA E CONTO: A CASA: A casa foi construída em 1900 . Está situada numa rua larga e sem curvas, no meio de outras casas. Situa-se na zona dos Forais Novos, q...

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

A RÃ

Estava Luísa sentada no banco do jardim quando ouviu um PLOFF  dentro do lago do jardim.
Levantou-se e  apressadamente foi direita ao lago.
Era a rã, que ali habitava há mais de doze anos. Ficou tranquila.
 Mas olhou melhor. A rã não se mexia.
Olhou e viu que a rã estava imobilizada.
Que horror!!!   A rã, que durante tantos anos lhe fizera companhia, com o seu coaxar ritmado estava morta!!!
Arranjou coragem. Foi buscar o camaroeiro, e apanhou aquele corpo inerte e sem vida.
Tinha que procurar um papel de jornal para a embrulhar. Sentia-se mesmo enojada... mais enojada do que triste.

Amanhã pensaria na partida definitiva da sua rã, que nunca teve nome... foi sempre a rã.

sábado, 8 de novembro de 2014

O JANTAR - ONTEM VIVI HISTÓRIA -


A mesa do jantar

Amor, ternura e  cumplicidade 

A nossa oferta: Um almofariz de mármore
Depois do encontro na Biblioteca Municipal de Estremoz sobre a campanha Stop Tortura, Domingos Abrantes e Conceição Matos foram nossos convidados para jantar no restaurante do Hotel Alentejano. Os membros da amnistia não eram em grande número, contudo fomos um grupo muito bem disposto e bem humorado que animámos a conversa durante o jantar.
Domingos Abrantes e Conceição Matos em privado são excelentes conversadores e contadores de episódios, uns rocambolescos (como a fuga de Caxias no Carro blindado de Salazar, que ali estava guardado há anos) outros mais sérios  e tristes como a sua clandestinidade, e as suas prisões  em Caxias.. 
O jantar compôs-se de lombinhos de porco grelhados com batatas fritas e arroz, e "burras" queixadas de porco assadas no forno. Bebeu-se um bom vinho do Monte das Servas.
O jantar prolongou-se até às 11 horas da noite, ninguém tinha pressa de sair dali, pois a conversa estava fantástica. Quantos episódios da vida destas duas extraordinárias pessoas foram ali contados. 
Domingos Abrantes e Conceição Matos estavam em França quando se deu o 25 de Abril de 1974. Então quando Álvaro Cunhal pôde regressar a Portugal eles vieram com ele no avião. Havia uma multidão imensa à espera deles no aeroporto, e a segurança queria que todos saíssem do avião e que Álvaro Cunhal saísse acompanhado pela segurança, mas ele recusou isso. Então saíram do avião os três, Conceição Matos, Álvaro Cunhal no meio e Domingos Abrantes. Foi um delírio, a sala dos VIPs estava apinhada de gente que queria cumprimentá-los e abraçá-los. Houve jornalistas que viram chegar Álvaro Cunhal acompanhado daquela linda jovem mulher de 38 anos, e que diziam que ele vinha acompanhado pela sua esposa! ( Conceição a contar este episódio risse, de olhos alegres e felizes ) 
A da Fuga da Prisão de Caxias contada por Domingos Abrantes e com apartes  e achegas de Conceição Matos, na sua forma meiga e cúmplice de apoiar o marido , e ilustrada na toalha da mesa. 
Não sabia que tinha havido esta rocambolesca fuga da prisão de Caxias, conhecia a fuga de Álvaro Cunhal das prisão de Peniche, mas desta fuga de Caxias nunca tinha ouvido falar. 
Então o casal contou-nos em pormenor a fuga, eu estava de olhos e boca abertos!!! eu estava a ouvir um acontecimento e um facto histórico!!! estava deliciada, assim como todas as minhas companheiras.
Desenho de Domingos Abrantes - A fuga de Caxias e os dias seguintes à fuga
Após a fuga rocambolesca Domingos Abrantes foi refugiar-se numa casa de um grande cineasta, uma casa de gente rica . Deram-lhe roupa para ele se vestir;  ao jantar, comeu com todas as pessoas que viviam na casa, e foi apresentado como um professor universitário que vivia no estrangeiro. As regras de etiqueta eram seguidas a rigor. Havias copos e talheres para tudo! Uma criada fardada e muito aprumada servia à mesa. Quando chegou a vez dele, ele agarrou a travessa para se servir, e a empregada deu um salto para trás pois não esperava aquela reacção. Então ele percebeu que teria que ser a criada a servi-lo. ( desenho redondo com as pessoas sentadas à mesa).
Ficou ali apenas uma noite. No dia seguinte levaram-no para uma casa , de gente trabalhadora e de classe média nos arredores de Queluz. Vivia nessa casa o casal com um filho de cerca de 6 a 7 anos. O chefe de família saíu de manhã para ir trabalhar e ele ficou escondido num quarto. O miúdo apercebeu-se que estava uma pessoa estranha lá em casa, e a mãe disse-lhe que era um tio que tinha vindo a Lisboa. Passado algum tempo, a irmã do marido veio a casa da cunhada e o miúdo disse-lhe que estava um homem escondido no quarto,  ela julgou que ele estivesse a inventar. Quando já se ia embora, o miúdo foi abriu a porta do quarto de rompante e mostrou o homem à tia, que ficou sem palavras! A dona da casa disse que era um  amigo do marido, mas a cena era tão caricata que a cunhada não acreditou e saiu porta fora. Quando o homem veio para casa, a mulher estava muito nervosa e pediu-lhe que levasse dali Domingos Abrantes, que teve que ir dormir para outra casa de outro camarada.
Passados poucos dias, foi levado para França.
O jantar já se estava a prolongar bastante. Éramos os únicos na sala. Volta e meia o empregado entrava e saía, dando a perceber que já eram horas de acabarmos a refeição. Ninguém se atrevia a ir embora. Todos estávamos tão entusiasmados e curiosos com as situações que Domingos Abrantes nos contava que queríamos era ouvir mais e mais... mas o serão teve que terminar...


sexta-feira, 7 de novembro de 2014

A MAÇÃ

Deitado debaixo da macieira, naquele fim de tarde, calmo e quente, Raul olhava calmamente as poucas maçãs que ainda estavam na árvore. Não tinha sido fácil deitar-se . Corpulento, nos seus 145 kg, cada vez sentia mais dificuldade em deitar-se. Mas ele gostava tanto de se deitar na erva fresca por baixo da macieira!
Sempre fora gordinho. Quando foi para o jardim de infância, a mãe foi à loja comprar o bibe de quadradinhos azuis e brancos, e constatou que não havia para o tamanho do Raul. O que fazer? o empregado da loja da Rua dos Fanqueiros, sugeriu-lhe que comprasse dois metros de tecido igual ao exigido pelo colégio e fosse a uma costureira fazê-lo por medida.
Quando a mãe chegou a casa e lhe disse que tinha que ir à modista mandar fazer o bibe, não achou nada de estranho. Ele até gostava de ir à D. Conceição que lhe fazia os calções! 
Quando chegava a casa da D. Conceição, esta elogiava-o sempre, ele gostava disso. "- Oh Raul, estás tão bonito, a tua pele é tão rosadinha, as tuas bochechas tão coradinhas, o teu narizinho tão pequenino no meio dessas bochechas rechonchudas, os teus olhinhos brilham enterrados nestas bochechas, o teu cabelo louro cheio de caracóis dão-te um ar tão meiguinho, tão celestial, de menino tão bem comportado!!! a mãe  ficava toda babada ao ouvir estes elogios da D. Conceição e ele também gostava de ouvi-los!!!.
Ela pegava na fita métrica e começava a tirar-lhe as medidas: primeiro a cintura, depois a anca, depois a coxa e finalmente junto ao joelho onde iriam terminar as pernas dos calções.  A cada medida ela ia dizendo: " Cresceste mais um pouquinho!! a cintura tem mais 5 centímetros!!" e sorria, com um sorriso feliz estampado no rosto magro e cansado.
Raúl, no recreio da escola primária procurava correr com os colegas, mas o rabo era-lhe tão pesado!!! ao fim de uma voltinha no pátio do recreio já ele estava sentado no muro baixo que ladeava o canteiro da grande acácia, de flores amarelas. Sentado à sombra da velha árvore é que ele se sentia bem... se os outros se queriam cansar e irem todos transpirados para a aula era lá com eles... ele preferia assistir calmamente às correrias e às maluqueiras dos colegas... e assim continuou a engordar, a engordar...
Nunca sonhou com desportos radicais, nada que o fizesse cansar e ficar exausto!!! gostava de coisas calminhas... jogos de computador, ler banda desenhada, deitar-se no sofá e ver televisão.... ir à cozinha buscar uma lata de coca-cola mais um pacote de bolachas Oreo e estrafado no sofá ver um filme de aventuras, de acção , de guerras, de perseguições, de polícias e ladrões a correr atrás uns dos outros... só de ver tanta acção ficava cansado!!!!
Cresceu, cresceu em idade, em tamanho e em peso!!! era um homem de 47 anos, bonacheirão, simpático, introvertido, de sorriso fácil, que estava sempre pronto a ajudar os colegas na repartição do Ministério. Estava solteiro e não pensava em casar! Aturar uma mulher era uma chatice... gostava de viver sozinho, na casa onde sempre vivera, no Alto da Ajuda. 
No dia em que lhe saiu o euromilhões, Raúl nem queria acreditar! Não sabia se devia rir, se chorar, se pular...  sentou-se e respirou fundo!!! Não era uma quantia exorbitante, mas sempre  era alguma coisa que se visse!!Ia dar para comprar uma quintinha para os lados da Lourinhã... sempre gostou tanto daqueles sítios...

Acordou estremunhado!!! sentiu uma coisa a esborrachar-se na cabeça calva... era uma maçã meio madura meio podre vinda das últimas pernadas ...

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

ONTEM VIVI HISTÓRIA

Sessão STOP Tortura na Biblioteca Municipal de Estremoz

Conceição Matos e Domingos Abrantes

Zuzu lendo a dedicatória de Domingos Abrantes

O Núcleo de Estremoz da Amnistia Internacional , a que eu pertenço, organizou um debate sobre a tortura, integrado na Campanha Stop Tortura,  na Biblioteca Municipal de Estremoz. 
Foram convidados Domingos Abrantes e sua mulher Conceição Matos, ambos de 78 anos de idade, que nos falaram das suas prisões na PIDE e de como sobreviveram a tanta brutalidade física e psicológica.
Não os conhecia. Foram-me apresentados já na Biblioteca, minutos antes de começar a sessão.
Amáveis, de sorriso aberto, serenos. Fiquei logo encantada com eles.Domingos Abrantes foi torturado na António Maria Cardoso, a sede da PIDE e depois levado para a prisão de Caxias. 
O primeiro a falar foi Domingos Abrantes  que começou por nos contar  que pior de todos os castigos é o isolamento  -uma pessoa colocada numa cela minúscula com 1 metro de largura, durante meses e meses sem nada para fazer, ler, escrever. Proibir as pessoas de lerem era uma das primeiras coisas que os guardas faziam., e os presos sentiam-se terrivelmente mal, pois ocupar o tempo com a leitura é uma das melhores ocupações. 
Foi sujeito à tortura do sono durante dias consecutivos. Durante 5 dias consecutivos, durante 10 dias, e assim por diante. O preso tem tanta necessidade de dormir que uma simples moeda a rolar no tampo da mesa parece um trovão.  Passa por fracções de segundos pelo sono. Nunca se perde a noção do que se está a sofrer, logo que se ouve a voz do polícia volta-se a ter consciência do que se está a sofrer. Mostram-lhe uma carta em que um hipotético companheiro de partido preso como ele,confessou tudo. Mas o preso está tão cansado que nem se apercebe das palavras que ali estão escritas. 
A certa altura, como ele não confessava nada, e algumas das vezes até se rebelava contra os guardas que o estavam a interrogar, começam a dizer-lhe que compraram  uma máquina americana que descobre e lê o pensamento das pessoas - então montaram todo o cenário, puseram-lhe um capacete com vários fios  ligados à "dita" máquina, mas não aconteceu rigorosamente nada. Estiveram naquilo algum tempo, até que ele lhes disse: "Vocês não têm nenhuma máquina, vocês têm é uma merda!" . 
Estava exausto. Saiu dali sempre a ser muito mal tratado pelos guardas, já não conseguia andar pelo seu próprio pé, e um guarda segurava-lhe por baixo do braço esquerdo e outro por baixo do braço direito e foi assim que o transportaram para uma cela, onde havia um colchão. Deixaram-no em pé, a meio metro do colchão, ele atirou-se para cima dele e dormiu não sabe quanto tempo. Mas quando acordou tinha recuperado algumas forças e a consciência mais clara do que se estava a passar.
Foi para Caxias  e esteve 10 dias no isolamento, às escuras, sem ver uma nesga de luz, a sanita era das romanas, no chão, e ele tinha que ir às apalpadelas para chegar lá. 
27 dias depois de estar preso é que tomou banho, mas ainda hoje não se consegue lembrar que roupa lhe vestiram depois do banho. 
Esteve mais 30 dias no isolamento, mas aí a cela era maior e já podia fazer ginástica. 
Diz Domingos Abrantes: -"Um preso sem livros ficava ainda mais perdido, por isso logo que chegava à prisão tiravam-lhe logo os livros. "
Um dos polícias que o estavam a guardar queria que ele respondesse ao seu cumprimento (Bom Dia!) , mas ele nunca lhe respondia. O guarda estava a ler o jornal  O Século onde vinha na primeira página, a notícia que os Russos mandaram para o espaço um foguetão, então o guarda muito irritado com a notícia  disse-lhe: É tudo mentira, é tudo propaganda desses Russos . Entrou um inspector e pôs-se também a olhar para a notícia. Se calhar não foram os Russos foram os Americanos! disse o guarda. Então o inspector rematou assim: " Nem foram os Russos nem os Americanos, foi a Humanidade!!" 
 Muito mais havia para contar, mas deu a palavra à sua esposa  com quem está casado há 55 anos. 
Conceição Matos é uma mulher de 78 anos,  serena, de sorriso meigo, muito bonita. Enquanto ela estava a falar eu descrevi-a assim:
Muito bonita, umas feições correctissimas, um cabelo branco acinzentado, de caracóis soltos naturais, ( confessou mais tarde que apenas o tinha lavado e secado) , muito bem arranjada, de roupas simples, argolas médias em ouro nas orelhas, sorriso meigo para o marido que revela uma enorme cumplicidade entre ambos.
Começou a falar com uma voz muito sumida, por vezes difícil de ouvir, ( disse mais tarde que fica tão emocionada a relatar o que lhe fizeram que a voz não lhe obedece!).
Foram buscá-la de madrugada à casa onde vivia com o marido ( na altura companheiro) no Montijo. Não teve tempo para nada. Entraram logo de espingardas em punho a ameaçá-la e nunca mais desviaram as espingardas do seu peito. Foi presa com a roupa que tinha vestida e foi buscar um casaco comprido que lhe serviu imenso durante a sua prisão, não no despiu durante 4 meses. 
Tinha-se dificuldade em ouvi-la. Baixava a voz de cada vez que contava um episódio doloroso e brutal. 
Levaram-na para uma sala onde ficou durante 17 dias. Para não perder a noção do tempo, havia um armário em madeira, onde os presos políticos que por ali passavam escreveram os seus nomes, estava todo escrito. Ela arranjou um sítio da madeira e com a unha ia fazendo um risco diariamente para não perder a noção do tempo. Foram 17 dias!!
Estava numa grande expectativa, pois nunca tinha sido presa, era muito jovem, e não sabia se iria resistir às torturas que lhe afligiam. Não queria nem podia falar, custasse o que custasse. Levaram-na Para a António Maria Cardoso para novos interrogatórios. Não queria falar, batiam-lhe, davam-lhe murros na cara, nas pernas, nos braços, ela sentia-se toda partida. Um dos guardas estavam já tão enervado com a situação que lhe gritou: " Se não quer falar, escreva, se não quer escrever, fale!!!!  pois daqui ninguém saiu sem ter falado!!!"
Ainda hoje tem problemas com o evacuar, pois eles não a deixavam ir à casa de banho. Era uma jovem mulher, (bonita, pois se ainda hoje com 78 anos é bonita!) e provocavam-na, metiam-se com ela, chamavam-lhe nome, para que ela começasse a perder a segurança e a autoestima que tinha. 
Começou a ter alucinações, viu um bicho na perna da mesa, as paredes a mexerem e com tantos nervos veio-lhe a menstruação. 
Mostraram-lhe uma carta a fingir que tinha sido escrita pelo companheiro, onde dizia para confessar tudo, para não sofrer mais,  mas ela viu que não era a letra dele. Deixou de comer. Emagreceu tanto que o estômago descaiu. Estava completamente destruída física e psicologicamente. Foram-lhe buscar o casaco, que foram eles a vestir-lho pois ela estava sem forças, e levaram-na de novo para a Prisão de Caxias. 
Nessa noite ouviu bater na parede. Eram sinais sonoros na parede. Começou a perceber que cada pancada correspondia a uma letra. Era um grupo grande de antifascistas, estudantes e outras pessoas que tinha sido presas, pois estava-se a aproximar o 1º de Maio. Através das pancadas perguntaram-lhe se ela tinha falado, e ela respondeu-lhes que não. Eles com as pancadas disseram-lhe: "Coragem hoje e abraços amanhã!"  ela descansou e adormeceu mais tranquila por se sentir tão apoiada. 
Voltou aos interrogatórios. Nessa vez apareceu uma mulher polícia que se chamava a Leninha, era uma mulher tenebrosa, começa a questioná-la e como ela não respondesse começa a esmurrá-la. Começou a despi-la, a cada peça faziam-lhe uma pergunta, como não respondesse, ficou completamente nua.
Ela pensava num livro que tinha lido chamado "Arco-iris....?" onde ela se inspirou, pois conta a história de uma mulher nazi que interroga uma mulher judia num  campo de concentração. Continuam a dar-lhe murros, pontapés, levantam-na pelos sovacos, outro atira-a contra uma cadeira, sempre a cair a levantar-se, a cena manteve-se durante horas. Entram imensos pides numa atitude provocatória, e ela pensa que vai ser violada, mas não, fazem-lhe perguntas e saem... ela está transida de medo, de susto, de dores...
Volta para a Prisão de Caxias. Finalmente aí começa a ter algum sossego, pois os interrogatórios são sempre na António Maria Cardoso. Um dia estava a falar com a mãe no parlatório, e a mãe pergunta-lhe qualquer coisa insignificante que o guarda não gostou, vai junto delas, e fecha a grade com um vidro e manda-a para dentro. 
Outra vez, vinha de um interrogatório da António Maria Cardoso, e de dentro do carro celular " A Ramona" numa fresca vê a mãe junto à porta da Pide, e ela começa a gritar , a gritar descontroladamente, pela mãe, e os guardas  a dizerem-lhe que não era a sua mãe, porque ninguém sabia que ela estava ali presa. A chantagem psicológica sobre os presos é muito grande. Houve pessoas que não resistiram e denunciaram camaradas e colegas. A tortura é a pior forma de destruir um ser humano, a nível físico e  psíquico. Chega-se a uma altura em que o preso não se sente um ser humano.  
Ela e Domingos Abrantes estiveram quatro anos sem se verem. Depois de sair da prisão ela teve que ir fazer um tratamento à União Soviética.



A Fuga de Caxias de 1961 - Relato

A Fuga de Caxias - Testemunho Real de Domingos Abrantes

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Rosinha Quartet - Quantos queres, Rosinha?

Rosinha - Lisboa menina e moça

Rosinha Quartet - Parabéns Joana

LEMBRANDO A 1ª GUERRA MUNDIAL



Comprámos bilhetes para sexta feira dia 3 de Outubro de 2014. Comprámos os bilhetes online pois queríamos ter a certeza de que conseguiríamos bilhetes para ver o André a actuar. A sala estava bastante composta. 
Chegámos ao Teatro Aberto e junto das bilheteiras estavam grupos de jovens acompanhados pelas professoras que ruidosamente aguardavam a abertura das portas. Fiquei contente por ver uma assistência tão jovem. Entrámos no hall do Teatro e encontrámos a Domingas e o Tó Zé que já não víamos há muito muito tempo. 
A sala estava na penumbra, e um cenário soturno  com sacos de areia fazendo de trincheiras com algumas espingardas da 1ª guerra mundial encostadas aos sacos. Um grande ecrã onde se projectavam videos e fotografias da 1ª guerra mundial.
Estava expectante quanto ao que iria ver e ouvir. Também o Director Musical João Paulo Santos começou por referir que quando começou a pesquisar para a montagem do espectáculo, teve receio que este se resumisse a uma marcha fúnebre. Na verdade, isso não se veio a concretizar ... as canções  de música erudita, tinham como base letras de poemas de autores que fizeram ou viveram a guerra, eram tristes, mas não se podem considerar aborrecidas ou monótonas... acompanhados ao piano pelo pianista João Paulo Santos,  a soprano Ana Franco, e o André Baleiro como Barítono tiveram um bom desempenho e uma formidável presença em palco. O maestro João Paulo Santos tocou ao piano dois trechos musicais . 
Fiquei a conhecer a obra de um compositor António Fragoso (1897-1918) que morreu de pneumónica com 21 anos, que que apesar de ter morrido bastante jovem deixou composições que revelam o seu génio.
No final do espectáculo , esperámos pelo André no hall e ele apareceu sorridente e lindo como sempre, com o ramo de flores amarelas que lhe tinham dado no final do espectáculo, preso na mochila, o que lhe dava um aspecto descontraído e muito engraçado. Parecia uma tartaruga com um ramo de flores na concha!!! Ele foi com uns amigos que o esperavam.
Nós fomos com a Domingas e o Tó Zé ao restaurante Pano de Boca, no 1º andar do Teatro Aberto , onde comemos umas belas tostas mistas e pusemos a conversa em dia... ficou combinado que já não estaríamos tanto tempo sem nos vermos...
O serão acabou por volta da 1 e meia da manhã... adorei ir ouvir e ver o meu querido sobrinho André que tem uma voz lindíssima, uma presença em palco muito boa, e que tem um futuro muito risonho pela frente...





 o vídeo (onda PODE Ouvir hum pouco)

Kaspar Hauser, a nova ópera de Dominik Wilgenbus música de Schubert em Schloss Nymphenburg

 Para ESTA interpretar Personagem Complexa Dominik Alexander Krampe encontraram Wilgenbus e UMA Pessoa na rara Perola do barítono André Baleiro que AO Longo de Toda tem ópera da Uma Interpretação Marcante da Personagem Kaspar Hauser, Tanto Como No plano teatral pelas modelações da SUA Voz bela, eles que tem clareza E Que É e particularmente notável dotada UMA bela projecção. Trata-se do Primeiro Trabalho do Jovem No português Ópera de Câmara de Munique, ELE onda fez UMA Entrada remarcável
Para interpretar este personagem complexo, e Dominik Wilgenbus Alexander Krampe encontrado  uma jóia na pessoa do barítono André Baleiro  , que ao longo do livro uma interpretação marco ópera do caráter de Kaspar Hauser, tanto teatralmente  por modulações sua bela voi x cuja clareza é particularmente notável e tem uma projeção agradável. Este é o primeiro compromisso do novo Opera Câmara Português em Munique, onde fez uma entrada triunfal. Os outros seis cantores cada executar uma variedade de papéis ao longo da noite, eles formam o coro de pessoas em Nuremberg, quando usando máscaras, e são individualizados para as necessidades da acção, graças aos trajes engenhosos Katharina Raif. Os nove músicos na orquestra da sala de ópera de Munique em ressonância com o talento da bela música de Schubert, treinou com delicadeza e precisão, e com uma sensibilidade que captura os toques de um drama romântico por Nabil Sheheta incluindo pode-se desfrutar de condução desde 2011 à frente desta orquestra bela câmara [O1] 


quinta-feira, 9 de outubro de 2014

PROVÉRBIOS E DITOS


A minha mãe sabe muitos, mas mesmo muitos provérbios; Pedi-lhe para que sempre que se lembrasse de um, o escrevesse. Aqui está uma pequena amostra do que ela se foi lembrando:
  • Quem espera por sapatos de defunto, anda toda a vida descalço.
  • Todo o pássaro come trigo, só o pardal bravo é que paga.
  • Todos fazem mal e o rapaz das vacas é que paga.
  • Quem muito bem alinhava, melhor cose
  • Quem muito abarca, pouco aperta
  • Muita parra, pouca uva
  • Em Abril águas mil, coadas por um cantil
  • Março marçagão, manhã de inverno e tarde de verão
  • Onde irás, que me escaparás
  • No melhor pano cai a nódoa
  • Por causa de um, pagam todos
  • Cada um por si faz vasa
  • Chega-te aos bons e serás um deles; chega-te aos maus, serás pior que eles
  • Quem boa cama fizer, nela se há-de deitar
  • Diz-me com quem viveste, diz o que aprendeste.
  • Deitar cedo e cedo erguer, dá saúde e faz crescer
  • Depressa e bem não o faz ninguém
  • Quem te avisa, teu amigo é
  • Ao pé do trabalho é que se espera o tempo
  • Quem o alheio veste, na praça o despe
  • Quem muito corre, muito cansa
  • Poupado na farinha, estragado no farelo
  • Quem não se fia, não é fiar
  • Vale mais um pássaro na mão, do que dois a voar
  • Quem dá aos pobres, empresta a Deus
  • Bem criada, mal fadada
  • Eu fui como o Pedro dias, faltaram-me os bens, cresceram-me os dias
  • As pragas são como as procissões, de onde saem é que recolhem
  • Não faças mal ao teu vizinho que te vem o mal pelo caminho
  • Nunca o invejoso medrou nem quem ao pé dele morou
  • Barriga cheia pé dormente, façam-me a cama que estou doente.
  • Quem dá o que tem a pedir vem.
  • Quem dá o que tem, a mais não é obrigado.
  • Deixa lá, a perca está no cabaço.
  • Vale mais um velho que me agasalhe, do que um novo que me enxovalhe.
  • De Espanha, nem bom vento nem bom casamento
  • Quem ao longe vai casar, ou vai enganado ou vai enganar.
  • Barriga que não leva dois almoços, não é barriga.
  • A vaidade não governa ninguém.
  • Quem dá e rouba vai p'ró inferno
  • Quem dá e furta vai para o inferno
  • Não há luar como o de Janeiro, nem amor como o primeiro.
  • No corpo é que se tira a medida
  • Quem há-de gabar a noiva? o pai que a quer casar
  • Pão quente, muito na mão e pouco no ventre
  • Quem mais se arrelia, mais arreliado fica
  • Nem ralar nem consumir, o que há-de ser nosso às mãos nos há-de vir
  • Nem de inverno, nem de verão largues o teu gabão
  • Só nos levantamos depois de cair
  • Tomara um cego vê-la e um coxo apanhá-la
  • O castigo vem sempre a cavalo
  • Ou tudo ou nada, mulher do diabo!!
  • Quem muito dorme, pouco aprende.
  • Quem brutos cria, brutos tem
  • O último a rir é o que ri melhor
  • No nascer e no morrer, somos todos iguais
  • Não se pode fazer a vontade ao corpo.
  • Gato escaldado de água fria tem medo.
  • Livra-te do homem que não fala e do cão que não ladra
  • O calado vence tudo
  • Sou parva e tenho fama, mais parva é quem me chama.
  • As aparências iludem.
  • Vale mais comermos um prato de sopa onde haja amor, que um belo prato de carne onde haja ódio
  • Pobrete mas alegrete
  • Mais vale pão seco comido em paz, do que banquete cheio de contendas
  • O bom soa e o mal voa
  • Coitada daquela que lhe cai na alçada
  • Quem não poupa lenha, não poupa o mais que tenha
  • Quantos menos vultos, mais claridade
  • Vale mais tarde do que nunca
  • Um cedo faz uns poucos
  • Quem cedo dentésse, cedo irmanésse.
  • Feio no berço, bonito à janela
  • Quem tudo quer, tudo perde.
  • Guardado está o bocado, para quem o merece.
  • O medo é do tamanho que se faz
  • O bom julgador por si julga
  • Gaiola pronta, pássaro morto
  • Só havemos de ter o que Deus quer
  • Ninguém diga que está bem
  • As acções ficam com quem as faz
  • Não sirvas a quem serviu, nem peças a quem pediu
  • Enquanto o pau vai e vem, folgam as costas
  • Se queres ouvir de ti, escuta dos outros.
  • Quanto mais trabalho mais tenho ( provérbio brasileiro)
  • Amigo não empata amigo.
  • Quem não se sente, não é filho de boa gente
  • Vale mais tarde do que nunca
  • Alguma vez há-de ser verão! (da prima Mónica Borralho )
  • Filho és pai serás, como fizeres assim acharás.
  • Favas Maio as dá, Maio as tira
  • Quem mente, nunca acerta.
  • A mentira tem as pernas curtas.
  • Isto é uma tropa fandanga! ( é um dizer antigo) 
  • Vozes de burro não chegam ao céu.
  • Até ao lavar dos cesto é vindima
  • O calado vence tudo
  • Primeiro que cases vê o que fazes
  • Não há amor como o primeiro, nem luar como o de Janeiro
  • Se não podes com a cruz que tens, leva-a às costas ( ou leva-a de rôjo) 
  • Tudo ou nada, mulher do diabo
  • Quem tem bons padrinhos, não morre de mouro
  • Fui à minha  vizinha envergonhei-me, vim para casa remediei-me
  • Vale mais tarde do que nunca
  • O Sol que aquece num lado, aquece no outro
  • O Sol quando nasce é para todos
  • Ovelha que berra, bocado que perde
  • Bem pouco não viverá, quem não o saberá
  • Quem entra sai, quem não entra não sai

AR: Companheira de uma vida inteira: Podes sim!!!

AR: Companheira de uma vida inteira: Podes sim!!!: Melinda Winner é uma  chef de cozinha norte-americana que padece de artrite reumatóide.  Este filme é inspirador. É uma verdadeira...

AR: Companheira de uma vida inteira: Forever...

AR: Companheira de uma vida inteira: Forever...: Robin Williams (1951-2014)

histórias em 77 palavras: É Outono...

histórias em 77 palavras: É Outono...: A chuva cai lá fora com força É Outono!!! Dias cinzentos, tristes, frios, sonolentos, caseiros, aborrecidos É Outono!!! Céu carrega...

sábado, 4 de outubro de 2014

Chá de água, não!!!

A minha amiga Margarida Fernandes contou no Facebook esta história deliciosa da mestra Sara e da sua irmã Mónica
Fui há pouco ali ao quintal colher um raminho de lúcia lima para fazer um cházinho prá deita. Lembrei-me de uma história de duas irmãs que viviam nesta mesma casa - no sítio que a casa é outra. Uma delas ficou eternamente menina a a outra teve de ser mãe sem nunca o ter sido. À noite também bebiam um cházinho de "ervas". Às vezes não havia ervas e o chá improvisava com água quente e açúcar amarelo. Mas um dia a Mónica queixou-se: Chá de água... não!! Sara!

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

MÃE CORAGEM E OS SEUS FILHOS





Foi em 1986 ( já se passaram quase 30 anos!!)  que tive o prazer de assistir a esta peça no Teatro D. Maria II.  Nunca mais me esqueci das admiráveis  interpretações de Eunice Muñoz, Irene Cruz e outros artistas famosos que integravam o elenco. Hoje, andava à procura de um espectáculo no Teatro Aberto e descobri estas fotos e a ficha técnica deste maravilhoso espectáculo. Esta interpretação foi tão fantástica que o meu gosto  e a minha paixão pelo teatro ficaram ainda maiores. Impossível esquecer estas cenas e interpretações. 

Mãe Coragem e os seus Filhos-Antigo Teatro Aberto

Data de Estreia: 1986-06-05
Título Original: Mutter Courage und ihre Kinder

Co-produção com o Teatro Nacional D. Maria II

Autor: Bertolt Brecht

Versão: João Lourenço | Vera San Payo de Lemos
Direcção Musical: Pedro Osório
Cenário: José Carlos Barros
Figurinos: Lídia Lemos
Sonoplastia: Leonel da Silva

Encenação: João Lourenço


Interpretação: André Maia | António Anjos | António Banha |Artur Mendonça | Barroso Lopes | Carlos Daniel | Carlos Costa | Carlos Duarte | Carlos Fonseca | Catarina Avelar | Eunice Munoz Francisco Pestana | Igor Sampaio | Irene Cruz | João de Carvalho | Jorge Gonçalves | Madalena Braga | Manuel Cavaco | Mário Pereira | Nuno Franco |Orlando Costa | Rogério Paulo | Ruy de Carvalho | Ruy de Matos | São José Lapa



PRÉMIOS

Prémios atribuídos pela Secretaria de Estado da cultura - Prémios Garrett:
Melhor Produção de 1986
Melhor Encenador - João Lourenço
Melhor Cenógrafo - José Carlos Barros
Melhor Actriz - Eunice Muñoz

Prémio Antena 1:

Melhor Espectáculo de 1986

Trófeus Nova Gente:

Melhor Espectáculo 1986
Melhor Encenação - João Lourenço
Melhor Cenografia - José Carlos Barros
Melhor Actriz - Eunice Muñoz

Prémios atribuídos pela Associação Portuguesa de Críticos de Teatro:

Melhor Produção de 1986
Melhor Encenador - João Lourenço
Melhor Cenografia - José Carlos Barros
Melhores Figurinos - Lídia Lemos
Melhor Interpretação - Eunice Muñoz
Melhor Interpretação Secundária - Irene Cruz

Prémios atribuídos pelo semanário "Sete" - Setes de Ouro 1986

Melhor Encenador - João Lourenço
Melhor Cenógrafo - José Carlos Barros
Melhor Actriz - Eunice Muñoz
Melhor Actor - Ruy de Carvalho


CRÍTICAS

"Uma realização teatral verdadeiramente sublime" - 13/7/1986 - O Diário (Maria Helena Serôdio)

"O Teatro em Portugal atingiu um nível de maturidade que só por má fé se pode negar."; "Mãe Coragem e os seus filhos , inscreve-se num dos primeiros lugares desse processo de qualificação." - 21/6/1986 - Diário de Lisboa (Carlos Porto)

"Eunice Muñoz situa-se uma vez mais no plano de génio"; "Irene Cruz, no papel da muda Katrin, em que a actriz mostra quanto pode um verdadeiro veio histriónico, mesmo quando lhe é vedado o recurso da fala" - 27/6/1986 - Tempo (Carlos Madeira)

"É um pecado cultural não ir vê-la" - Julho 1986 - Diário de Notícias (Orlando Neves)

"A não perder" - 4/10/1986 - Expresso

"...belíssimo espectáculo, onde volta em força a importância do actor" - 26/7/1986 - Expresso

"...Irene Cruz atinge também o seu melhor e dá-nos uma inesquecível Katrin" - 13/7/1986 - O Diário (Maria Helena Serôdio)

domingo, 7 de setembro de 2014

RETICÊNCIAS

Arrumar a vida, pôr prateleiras na vontade e na acção. 

Quero fazer isto agora, como sempre quis, com o mesmo resultado;
Mas que bom ter o propósito claro, firme só na clareza, de fazer qualquer coisa!
Vou fazer as malas para o Definitivo,
Organizar Álvaro de Campos,
E amanhã ficar na mesma coisa que antes de ontem — um antes de ontem que é sempre...
Sorrio do conhecimento antecipado da coisa-nenhuma que serei.
Sorrio ao menos; sempre é alguma coisa o sorrir...
Produtos românticos, nós todos...
E se não fôssemos produtos românticos, se calhar não seríamos nada.
Assim se faz a literatura...
Santos Deuses, assim até se faz a vida!
Os outros também são românticos,
Os outros também não realizam nada, e são ricos e pobres,
Os outros também levam a vida a olhar para as malas a arrumar,
Os outros também dormem ao lado dos papéis meio compostos,
Os outros também são eu.
(...)

Álvaro de Campos
http://ladoubleviedeveronique.blogspot.pt/
Desenhos da Lua ( Galileu )

sábado, 6 de setembro de 2014

SETEMBRO

Faço anos em Setembro e quando li este post achei que ele se podia adaptar. Está muito bem escrito e por isso não resisti à tentação de o colocar aqui no meu blog.

Com a chegada de Setembro e o espírito com que o recebo, o de um «ano novo» que agora começa, gosto de parar para fazer uma reflexão. Olhar para o que fui e para o que foi, para o que sou aqui e agora, e para o que serei e o que há-de vir. Fazer um balanços interior. Conferir e agradecer a minha vida, dar valor às coisas boas e também às menos boas, as que nos fazem crescer e valorizar todas as outras, abrir os olhos para a vida que corre apressada, e perceber cada vez melhor esta minha alegria de poder recomeçar em cada dia, cada semana, cada mês, cada novo ano. É uma espécie de estado de graça, quando fechamos um ciclo e começamos outro, com tantas folhas em branco, tantos dias para encher de vida, de sentido do essencial.
No fundo, acho que esta é uma geometria simples: ter um presente para viver, um passado (que ensina) para agradecer, um futuro por que esperar. Objectivos que nos apaixonem e entusiasmem a seguir em frente todos os dias, uma família para amar incondicionalmente, e muita esperança e fé nesta vida que sabe sempre como nos surpreender. Num tempo que é o seu.
Olhar para a frente com serenidade e a certeza de que mesmo sabendo que nem sempre foi, é ou será perfeito, há em mim uma vontade férrea de festejar a vida em cada pequena coisa. No muito que sou, com o pouco que tenho. Neste equilíbrio que me faz tão bem.
Setembro, o mais doce de todos. O mês que é sempre e para sempre uma promessa de sol, de renovação, de coisas muito boas. O mês que me trouxe o melhor que sou na vida.
Por tudo e por tanto, querido Setembro, que sejas tão promissor e risonho quanto te espero. Sempre.


» créditos imagem | william hereford

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Kammeroper München: KASPAR HAUSER

Critica sobre a representação do André em Munique

Kaspar Hauser, le nouvel opéra de Dominik Wilgenbus sur des musiques de Schubert, au Château de Nymphenburg





Para interpretar esta personagem complexa, Dominik Wilgenbus e Alexander Krampe encontraram uma pérola rara na pessoa do barítono André Baleiro que ao longo de toda a ópera dá uma interpretação marcante da personagem de Kaspar Hauser, tanto no plano teatral como pelas modelações da sua bela voz, em que a clareza é particularmente notável e que é dotada de uma bela projecção. Trata-se do primeiro trabalho do jovem português no Kammeroper de Munique, onde ele fez uma entrada remarcável.

Uma tradução da crítica . O Google faz uma tradução automática péssima, por isso eu tentei traduzir a parte do artigo que se refere ao André.



quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Tenho saudades Do meu Alentejo

Ribeira de Fronteira ( Alentejo) 
Tenho saudades
Do meu Alentejo
Todo florido
É como eu o vejo
O cheiro a esteva
A urze também
E o rosmaninho !!
O cheiro que tem
A branca margaça
O pimpilho dourado
E com as papoilas
Ficava encarnado
E os passarinhos
Entre o arvoredo
Com os nossos gritos
Fugiam com medo
Com seu papo branco
A negra andorinha
Construia o ninho
Onde os filhos tinha
Corria a ribeira
D.água cristalina
Lavavam a roupa
Mesmo a mais fina
Era lindo vêr
A roupa a corar
A ouvir a rã
Na rocha a cantar
A cegonha branca
Andava a pescar
O peixe de prata
Pr.ó flho sustentar
O rebanho ia
A sede matar
Estava calôr
Ia-se acarrar
Poema de Maria Alice Colaço

terça-feira, 12 de agosto de 2014

FEITIÇO

Tenho fases, como a lua,
Fases de andar escondida,
Fases de vir para a rua ...
Perdição da minha vida!
Perdição da vida minha!
tenho fases de ser tua,
Tenho outras de ser sozinha.

Cecília Meireles

O PASSEIO DE BARCO

Era 2ª feira de Páscoa, e toda a gente foi comer o borrego de Páscoa para o campo.
O Padre da aldeia foi com um grupo de pessoas passar esse dia para junto da ribeira.
Depois do almoço, decidiram ele e uma senhoras muito católicas e muito temerosas a Deus dar uma volta no barco a remos do moleiro.
Quando iam no meio da ribeira, o barco começou a meter água. Ficaram todos muito assustados, ao verem a água a entrar para dentro do barco.
As senhoras começaram a rezar, e de mãos postas pediam a todos os santinhos que as ajudassem.
Então o Padre disse-lhes: - Oh minhas senhoras, ponham-se para aí a rezar e  não queiram chamar o moleiro e verão como isto vai acabar!!!

O AVENTAL

Um casal estava sentado ao lume, depois de um longo dia de trabalho no campo. Estavam os dois muito cansados. A mulher com o conforto do lume adormeceu.
O avental da mulher começou a arder e quando  ela acordou já  as chamas subiam pelo avental.
Oh homem porque  não me disseste  que o avental estava a arder? - perguntou ela toda indignada, tentando apagar as chamas.
Oh mulher eu não gosto de te dar notícias tristes!! - respondeu-lhe o marido com toda a calma

A CARROÇA

Um casal ia tranquilamente na sua carroça puxada pelo seu burrinho para o campo, quando se partiu uma roda, e a carroça ficou tombada.
A mulher assustada com o acidente, começou a rezar: - Valha-nos Nossa Senhora da Orada, valha-nos S. Pedro, valha-nos Nosso Senhor Jesus Cristo, valha-nos Deus!!!
O marido voltou-se para ela e disse: Oh Maria não precisas de chamar tanta gente, porque nós é que temos que levantar a carroça!!!

O CÃO

Um homem tinha um cão que estava muito magro e escanzelado. Um amigo ao ver o cão tão magro chamou-lhe a atenção para isso.
Ele respondeu-lhe: - Vestir e calçar é por conta do dono. A barriga é por conta dele!
O amigo não teve argumentos perante tal resposta.

domingo, 10 de agosto de 2014

EXPLICAÇÃO SOBRE O VIDEO

O fotógrafo Yoji Ookata há 50 anos explora a costa japonesa e fotografa as belezas subaquáticas. Recentemente, estava mergulhando e fotografando próximo a Amami Oshima, no extremo sul do país, quando viu círculos com padrões geométricos e perfeita simetria como Mandalas,  feitas na areia do fundo do oceano. Ficou instigado e foi observar mais de perto. Deparou-se com um peixe que com sua dança ia formando a Mandala. Na verdade, tratava-se de um baiacu em seu ritual de acasalamento.O peixe fazia a Mandala para atrair as femeas e depois de copular o lugar servia para a proteção dos ovos. Isso tudo a 24 metros abaixo do nível do mar.

河豚海底画图求偶

quarta-feira, 25 de junho de 2014

DOCE AMÉLIA

DOCE AMÉLIA
Quis fazer-te uma poesia
Lindas palavras diria
Mas não tive inspiração.
E por mais simples que fosse
O coração só me trouxe
Por ti, grande admiração.

Implorei com sentimento
Palavras vindas do vento
Pr’aquela mulher formosa.
Apesar da sua idade
Guarda ainda mocidade
E é linda como uma rosa.

Qu’importa os cabelos brancos
Olha! Não são assim tantos
E as rugas que o rosto tem.
Só tens é que ter vaidade
Pois tiveste a felicidade
De seres mulher e seres mãe.

Não tenhas pena Amelinha
De já não seres garotinha
Como ainda querias ser.
O tempo passa e não pára
E a gente nunca repara
Que a vida é água a correr.

Com amor  Lúcia Cóias

Estremoz,  25 Junho 2014