quinta-feira, 9 de outubro de 2014

PROVÉRBIOS E DITOS


A minha mãe sabe muitos, mas mesmo muitos provérbios; Pedi-lhe para que sempre que se lembrasse de um, o escrevesse. Aqui está uma pequena amostra do que ela se foi lembrando:
  • Quem espera por sapatos de defunto, anda toda a vida descalço.
  • Todo o pássaro come trigo, só o pardal bravo é que paga.
  • Todos fazem mal e o rapaz das vacas é que paga.
  • Quem muito bem alinhava, melhor cose
  • Quem muito abarca, pouco aperta
  • Muita parra, pouca uva
  • Em Abril águas mil, coadas por um cantil
  • Março marçagão, manhã de inverno e tarde de verão
  • Onde irás, que me escaparás
  • No melhor pano cai a nódoa
  • Por causa de um, pagam todos
  • Cada um por si faz vasa
  • Chega-te aos bons e serás um deles; chega-te aos maus, serás pior que eles
  • Quem boa cama fizer, nela se há-de deitar
  • Diz-me com quem viveste, diz o que aprendeste.
  • Deitar cedo e cedo erguer, dá saúde e faz crescer
  • Depressa e bem não o faz ninguém
  • Quem te avisa, teu amigo é
  • Ao pé do trabalho é que se espera o tempo
  • Quem o alheio veste, na praça o despe
  • Quem muito corre, muito cansa
  • Poupado na farinha, estragado no farelo
  • Quem não se fia, não é fiar
  • Vale mais um pássaro na mão, do que dois a voar
  • Quem dá aos pobres, empresta a Deus
  • Bem criada, mal fadada
  • Eu fui como o Pedro dias, faltaram-me os bens, cresceram-me os dias
  • As pragas são como as procissões, de onde saem é que recolhem
  • Não faças mal ao teu vizinho que te vem o mal pelo caminho
  • Nunca o invejoso medrou nem quem ao pé dele morou
  • Barriga cheia pé dormente, façam-me a cama que estou doente.
  • Quem dá o que tem a pedir vem.
  • Quem dá o que tem, a mais não é obrigado.
  • Deixa lá, a perca está no cabaço.
  • Vale mais um velho que me agasalhe, do que um novo que me enxovalhe.
  • De Espanha, nem bom vento nem bom casamento
  • Quem ao longe vai casar, ou vai enganado ou vai enganar.
  • Barriga que não leva dois almoços, não é barriga.
  • A vaidade não governa ninguém.
  • Quem dá e rouba vai p'ró inferno
  • Quem dá e furta vai para o inferno
  • Não há luar como o de Janeiro, nem amor como o primeiro.
  • No corpo é que se tira a medida
  • Quem há-de gabar a noiva? o pai que a quer casar
  • Pão quente, muito na mão e pouco no ventre
  • Quem mais se arrelia, mais arreliado fica
  • Nem ralar nem consumir, o que há-de ser nosso às mãos nos há-de vir
  • Nem de inverno, nem de verão largues o teu gabão
  • Só nos levantamos depois de cair
  • Tomara um cego vê-la e um coxo apanhá-la
  • O castigo vem sempre a cavalo
  • Ou tudo ou nada, mulher do diabo!!
  • Quem muito dorme, pouco aprende.
  • Quem brutos cria, brutos tem
  • O último a rir é o que ri melhor
  • No nascer e no morrer, somos todos iguais
  • Não se pode fazer a vontade ao corpo.
  • Gato escaldado de água fria tem medo.
  • Livra-te do homem que não fala e do cão que não ladra
  • O calado vence tudo
  • Sou parva e tenho fama, mais parva é quem me chama.
  • As aparências iludem.
  • Vale mais comermos um prato de sopa onde haja amor, que um belo prato de carne onde haja ódio
  • Pobrete mas alegrete
  • Mais vale pão seco comido em paz, do que banquete cheio de contendas
  • O bom soa e o mal voa
  • Coitada daquela que lhe cai na alçada
  • Quem não poupa lenha, não poupa o mais que tenha
  • Quantos menos vultos, mais claridade
  • Vale mais tarde do que nunca
  • Um cedo faz uns poucos
  • Quem cedo dentésse, cedo irmanésse.
  • Feio no berço, bonito à janela
  • Quem tudo quer, tudo perde.
  • Guardado está o bocado, para quem o merece.
  • O medo é do tamanho que se faz
  • O bom julgador por si julga
  • Gaiola pronta, pássaro morto
  • Só havemos de ter o que Deus quer
  • Ninguém diga que está bem
  • As acções ficam com quem as faz
  • Não sirvas a quem serviu, nem peças a quem pediu
  • Enquanto o pau vai e vem, folgam as costas
  • Se queres ouvir de ti, escuta dos outros.
  • Quanto mais trabalho mais tenho ( provérbio brasileiro)
  • Amigo não empata amigo.
  • Quem não se sente, não é filho de boa gente
  • Vale mais tarde do que nunca
  • Alguma vez há-de ser verão! (da prima Mónica Borralho )
  • Filho és pai serás, como fizeres assim acharás.
  • Favas Maio as dá, Maio as tira
  • Quem mente, nunca acerta.
  • A mentira tem as pernas curtas.
  • Isto é uma tropa fandanga! ( é um dizer antigo) 
  • Vozes de burro não chegam ao céu.
  • Até ao lavar dos cesto é vindima
  • O calado vence tudo
  • Primeiro que cases vê o que fazes
  • Não há amor como o primeiro, nem luar como o de Janeiro
  • Se não podes com a cruz que tens, leva-a às costas ( ou leva-a de rôjo) 
  • Tudo ou nada, mulher do diabo
  • Quem tem bons padrinhos, não morre de mouro
  • Fui à minha  vizinha envergonhei-me, vim para casa remediei-me
  • Vale mais tarde do que nunca
  • O Sol que aquece num lado, aquece no outro
  • O Sol quando nasce é para todos
  • Ovelha que berra, bocado que perde
  • Bem pouco não viverá, quem não o saberá
  • Quem entra sai, quem não entra não sai

AR: Companheira de uma vida inteira: Podes sim!!!

AR: Companheira de uma vida inteira: Podes sim!!!: Melinda Winner é uma  chef de cozinha norte-americana que padece de artrite reumatóide.  Este filme é inspirador. É uma verdadeira...

AR: Companheira de uma vida inteira: Forever...

AR: Companheira de uma vida inteira: Forever...: Robin Williams (1951-2014)

histórias em 77 palavras: É Outono...

histórias em 77 palavras: É Outono...: A chuva cai lá fora com força É Outono!!! Dias cinzentos, tristes, frios, sonolentos, caseiros, aborrecidos É Outono!!! Céu carrega...

sábado, 4 de outubro de 2014

Chá de água, não!!!

A minha amiga Margarida Fernandes contou no Facebook esta história deliciosa da mestra Sara e da sua irmã Mónica
Fui há pouco ali ao quintal colher um raminho de lúcia lima para fazer um cházinho prá deita. Lembrei-me de uma história de duas irmãs que viviam nesta mesma casa - no sítio que a casa é outra. Uma delas ficou eternamente menina a a outra teve de ser mãe sem nunca o ter sido. À noite também bebiam um cházinho de "ervas". Às vezes não havia ervas e o chá improvisava com água quente e açúcar amarelo. Mas um dia a Mónica queixou-se: Chá de água... não!! Sara!

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

MÃE CORAGEM E OS SEUS FILHOS





Foi em 1986 ( já se passaram quase 30 anos!!)  que tive o prazer de assistir a esta peça no Teatro D. Maria II.  Nunca mais me esqueci das admiráveis  interpretações de Eunice Muñoz, Irene Cruz e outros artistas famosos que integravam o elenco. Hoje, andava à procura de um espectáculo no Teatro Aberto e descobri estas fotos e a ficha técnica deste maravilhoso espectáculo. Esta interpretação foi tão fantástica que o meu gosto  e a minha paixão pelo teatro ficaram ainda maiores. Impossível esquecer estas cenas e interpretações. 

Mãe Coragem e os seus Filhos-Antigo Teatro Aberto

Data de Estreia: 1986-06-05
Título Original: Mutter Courage und ihre Kinder

Co-produção com o Teatro Nacional D. Maria II

Autor: Bertolt Brecht

Versão: João Lourenço | Vera San Payo de Lemos
Direcção Musical: Pedro Osório
Cenário: José Carlos Barros
Figurinos: Lídia Lemos
Sonoplastia: Leonel da Silva

Encenação: João Lourenço


Interpretação: André Maia | António Anjos | António Banha |Artur Mendonça | Barroso Lopes | Carlos Daniel | Carlos Costa | Carlos Duarte | Carlos Fonseca | Catarina Avelar | Eunice Munoz Francisco Pestana | Igor Sampaio | Irene Cruz | João de Carvalho | Jorge Gonçalves | Madalena Braga | Manuel Cavaco | Mário Pereira | Nuno Franco |Orlando Costa | Rogério Paulo | Ruy de Carvalho | Ruy de Matos | São José Lapa



PRÉMIOS

Prémios atribuídos pela Secretaria de Estado da cultura - Prémios Garrett:
Melhor Produção de 1986
Melhor Encenador - João Lourenço
Melhor Cenógrafo - José Carlos Barros
Melhor Actriz - Eunice Muñoz

Prémio Antena 1:

Melhor Espectáculo de 1986

Trófeus Nova Gente:

Melhor Espectáculo 1986
Melhor Encenação - João Lourenço
Melhor Cenografia - José Carlos Barros
Melhor Actriz - Eunice Muñoz

Prémios atribuídos pela Associação Portuguesa de Críticos de Teatro:

Melhor Produção de 1986
Melhor Encenador - João Lourenço
Melhor Cenografia - José Carlos Barros
Melhores Figurinos - Lídia Lemos
Melhor Interpretação - Eunice Muñoz
Melhor Interpretação Secundária - Irene Cruz

Prémios atribuídos pelo semanário "Sete" - Setes de Ouro 1986

Melhor Encenador - João Lourenço
Melhor Cenógrafo - José Carlos Barros
Melhor Actriz - Eunice Muñoz
Melhor Actor - Ruy de Carvalho


CRÍTICAS

"Uma realização teatral verdadeiramente sublime" - 13/7/1986 - O Diário (Maria Helena Serôdio)

"O Teatro em Portugal atingiu um nível de maturidade que só por má fé se pode negar."; "Mãe Coragem e os seus filhos , inscreve-se num dos primeiros lugares desse processo de qualificação." - 21/6/1986 - Diário de Lisboa (Carlos Porto)

"Eunice Muñoz situa-se uma vez mais no plano de génio"; "Irene Cruz, no papel da muda Katrin, em que a actriz mostra quanto pode um verdadeiro veio histriónico, mesmo quando lhe é vedado o recurso da fala" - 27/6/1986 - Tempo (Carlos Madeira)

"É um pecado cultural não ir vê-la" - Julho 1986 - Diário de Notícias (Orlando Neves)

"A não perder" - 4/10/1986 - Expresso

"...belíssimo espectáculo, onde volta em força a importância do actor" - 26/7/1986 - Expresso

"...Irene Cruz atinge também o seu melhor e dá-nos uma inesquecível Katrin" - 13/7/1986 - O Diário (Maria Helena Serôdio)

domingo, 7 de setembro de 2014

RETICÊNCIAS

Arrumar a vida, pôr prateleiras na vontade e na acção. 

Quero fazer isto agora, como sempre quis, com o mesmo resultado;
Mas que bom ter o propósito claro, firme só na clareza, de fazer qualquer coisa!
Vou fazer as malas para o Definitivo,
Organizar Álvaro de Campos,
E amanhã ficar na mesma coisa que antes de ontem — um antes de ontem que é sempre...
Sorrio do conhecimento antecipado da coisa-nenhuma que serei.
Sorrio ao menos; sempre é alguma coisa o sorrir...
Produtos românticos, nós todos...
E se não fôssemos produtos românticos, se calhar não seríamos nada.
Assim se faz a literatura...
Santos Deuses, assim até se faz a vida!
Os outros também são românticos,
Os outros também não realizam nada, e são ricos e pobres,
Os outros também levam a vida a olhar para as malas a arrumar,
Os outros também dormem ao lado dos papéis meio compostos,
Os outros também são eu.
(...)

Álvaro de Campos
http://ladoubleviedeveronique.blogspot.pt/
Desenhos da Lua ( Galileu )

sábado, 6 de setembro de 2014

SETEMBRO

Faço anos em Setembro e quando li este post achei que ele se podia adaptar. Está muito bem escrito e por isso não resisti à tentação de o colocar aqui no meu blog.

Com a chegada de Setembro e o espírito com que o recebo, o de um «ano novo» que agora começa, gosto de parar para fazer uma reflexão. Olhar para o que fui e para o que foi, para o que sou aqui e agora, e para o que serei e o que há-de vir. Fazer um balanços interior. Conferir e agradecer a minha vida, dar valor às coisas boas e também às menos boas, as que nos fazem crescer e valorizar todas as outras, abrir os olhos para a vida que corre apressada, e perceber cada vez melhor esta minha alegria de poder recomeçar em cada dia, cada semana, cada mês, cada novo ano. É uma espécie de estado de graça, quando fechamos um ciclo e começamos outro, com tantas folhas em branco, tantos dias para encher de vida, de sentido do essencial.
No fundo, acho que esta é uma geometria simples: ter um presente para viver, um passado (que ensina) para agradecer, um futuro por que esperar. Objectivos que nos apaixonem e entusiasmem a seguir em frente todos os dias, uma família para amar incondicionalmente, e muita esperança e fé nesta vida que sabe sempre como nos surpreender. Num tempo que é o seu.
Olhar para a frente com serenidade e a certeza de que mesmo sabendo que nem sempre foi, é ou será perfeito, há em mim uma vontade férrea de festejar a vida em cada pequena coisa. No muito que sou, com o pouco que tenho. Neste equilíbrio que me faz tão bem.
Setembro, o mais doce de todos. O mês que é sempre e para sempre uma promessa de sol, de renovação, de coisas muito boas. O mês que me trouxe o melhor que sou na vida.
Por tudo e por tanto, querido Setembro, que sejas tão promissor e risonho quanto te espero. Sempre.


» créditos imagem | william hereford

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Kammeroper München: KASPAR HAUSER

Critica sobre a representação do André em Munique

Kaspar Hauser, le nouvel opéra de Dominik Wilgenbus sur des musiques de Schubert, au Château de Nymphenburg





Para interpretar esta personagem complexa, Dominik Wilgenbus e Alexander Krampe encontraram uma pérola rara na pessoa do barítono André Baleiro que ao longo de toda a ópera dá uma interpretação marcante da personagem de Kaspar Hauser, tanto no plano teatral como pelas modelações da sua bela voz, em que a clareza é particularmente notável e que é dotada de uma bela projecção. Trata-se do primeiro trabalho do jovem português no Kammeroper de Munique, onde ele fez uma entrada remarcável.

Uma tradução da crítica . O Google faz uma tradução automática péssima, por isso eu tentei traduzir a parte do artigo que se refere ao André.



quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Tenho saudades Do meu Alentejo

Ribeira de Fronteira ( Alentejo) 
Tenho saudades
Do meu Alentejo
Todo florido
É como eu o vejo
O cheiro a esteva
A urze também
E o rosmaninho !!
O cheiro que tem
A branca margaça
O pimpilho dourado
E com as papoilas
Ficava encarnado
E os passarinhos
Entre o arvoredo
Com os nossos gritos
Fugiam com medo
Com seu papo branco
A negra andorinha
Construia o ninho
Onde os filhos tinha
Corria a ribeira
D.água cristalina
Lavavam a roupa
Mesmo a mais fina
Era lindo vêr
A roupa a corar
A ouvir a rã
Na rocha a cantar
A cegonha branca
Andava a pescar
O peixe de prata
Pr.ó flho sustentar
O rebanho ia
A sede matar
Estava calôr
Ia-se acarrar
Poema de Maria Alice Colaço

terça-feira, 12 de agosto de 2014

FEITIÇO

Tenho fases, como a lua,
Fases de andar escondida,
Fases de vir para a rua ...
Perdição da minha vida!
Perdição da vida minha!
tenho fases de ser tua,
Tenho outras de ser sozinha.

Cecília Meireles

O PASSEIO DE BARCO

Era 2ª feira de Páscoa, e toda a gente foi comer o borrego de Páscoa para o campo.
O Padre da aldeia foi com um grupo de pessoas passar esse dia para junto da ribeira.
Depois do almoço, decidiram ele e uma senhoras muito católicas e muito temerosas a Deus dar uma volta no barco a remos do moleiro.
Quando iam no meio da ribeira, o barco começou a meter água. Ficaram todos muito assustados, ao verem a água a entrar para dentro do barco.
As senhoras começaram a rezar, e de mãos postas pediam a todos os santinhos que as ajudassem.
Então o Padre disse-lhes: - Oh minhas senhoras, ponham-se para aí a rezar e  não queiram chamar o moleiro e verão como isto vai acabar!!!

O AVENTAL

Um casal estava sentado ao lume, depois de um longo dia de trabalho no campo. Estavam os dois muito cansados. A mulher com o conforto do lume adormeceu.
O avental da mulher começou a arder e quando  ela acordou já  as chamas subiam pelo avental.
Oh homem porque  não me disseste  que o avental estava a arder? - perguntou ela toda indignada, tentando apagar as chamas.
Oh mulher eu não gosto de te dar notícias tristes!! - respondeu-lhe o marido com toda a calma

A CARROÇA

Um casal ia tranquilamente na sua carroça puxada pelo seu burrinho para o campo, quando se partiu uma roda, e a carroça ficou tombada.
A mulher assustada com o acidente, começou a rezar: - Valha-nos Nossa Senhora da Orada, valha-nos S. Pedro, valha-nos Nosso Senhor Jesus Cristo, valha-nos Deus!!!
O marido voltou-se para ela e disse: Oh Maria não precisas de chamar tanta gente, porque nós é que temos que levantar a carroça!!!

O CÃO

Um homem tinha um cão que estava muito magro e escanzelado. Um amigo ao ver o cão tão magro chamou-lhe a atenção para isso.
Ele respondeu-lhe: - Vestir e calçar é por conta do dono. A barriga é por conta dele!
O amigo não teve argumentos perante tal resposta.

domingo, 10 de agosto de 2014

EXPLICAÇÃO SOBRE O VIDEO

O fotógrafo Yoji Ookata há 50 anos explora a costa japonesa e fotografa as belezas subaquáticas. Recentemente, estava mergulhando e fotografando próximo a Amami Oshima, no extremo sul do país, quando viu círculos com padrões geométricos e perfeita simetria como Mandalas,  feitas na areia do fundo do oceano. Ficou instigado e foi observar mais de perto. Deparou-se com um peixe que com sua dança ia formando a Mandala. Na verdade, tratava-se de um baiacu em seu ritual de acasalamento.O peixe fazia a Mandala para atrair as femeas e depois de copular o lugar servia para a proteção dos ovos. Isso tudo a 24 metros abaixo do nível do mar.

河豚海底画图求偶

quarta-feira, 25 de junho de 2014

DOCE AMÉLIA

DOCE AMÉLIA
Quis fazer-te uma poesia
Lindas palavras diria
Mas não tive inspiração.
E por mais simples que fosse
O coração só me trouxe
Por ti, grande admiração.

Implorei com sentimento
Palavras vindas do vento
Pr’aquela mulher formosa.
Apesar da sua idade
Guarda ainda mocidade
E é linda como uma rosa.

Qu’importa os cabelos brancos
Olha! Não são assim tantos
E as rugas que o rosto tem.
Só tens é que ter vaidade
Pois tiveste a felicidade
De seres mulher e seres mãe.

Não tenhas pena Amelinha
De já não seres garotinha
Como ainda querias ser.
O tempo passa e não pára
E a gente nunca repara
Que a vida é água a correr.

Com amor  Lúcia Cóias

Estremoz,  25 Junho 2014

domingo, 22 de junho de 2014

CANÇÃO DE UMA SOMBRA

Ah, se não fosse a névoa da manhã
E a velhinha janela onde me vou
Debruçar, para ouvir a voz das coisas,
Eu não era o que sou.

Se não fosse esta fonte, que chorava,
E como nós cantava e que secou...
E este sol, que eu comungo, de joelhos,
Eu não era o que sou.

Ah, se não fosse este luar, que chama
Os espectros à vida, e se infiltrou,
Como fluído mágico, em meu ser, 
Eu não era o que sou.

E se a estrela da tarde não brilhasse;
E se não fosse o vento, que embalou
Meu coração e as nuvens, nos seus braços,
Eu não era o que sou.

Ah, se não fosse a noite misteriosa
Que meus olhos de sombra provocou,
E de vozes sombrias meus ouvidos,
Eu não era o que sou.

Sem esta terra funda e fundo rio,
Que ergue as assas e sobe, em claro voo;
Sem estes ermos montes e arvoredos,
Eu não era o que sou.

Teixeira de Pascoaes

in Primeiro livro de poesia de Sophia de Mello Breyner Andresen

CARIDADE

Caridade é, sobretudo, amizade.
Para o faminto - é o prato de sopa.
Para o triste - é a palavra consoladora.
Para o mau - é a paciência com que nos compete auxiliá-lo.
Para o desesperado - é o auxílio do coração.
Para o ignorante - é o ensino despretensioso.
Para o ingrato - é o esquecimento.
Para o enfermo - é a visita pessoal.
Para o estudante - é o concurso no aprendizado.
Para a criança - é a protecção construtiva.
Para o velho - é o braço irmão.
Para o inimigo - é o silêncio.
Para o amigo - é o estímulo.
Para o transviado - é o entendimento.
Para o orgulhoso - é a humildade.
Para o colérico - é a calma.
Para o preguiçoso - é o trabalho.
Para o impulsivo - é a serenidade.
Para o leviano - é a tolerância.
Para o deserdado da Terra - é a expressão de carinho.
Caridade é amor, em manifestação incessante e crescente.
É o sol de mil faces, brilhando para todos, e o gênio de mil mãos, amparando, indistintamente, na obra do bem, onde quer que se encontre, entre justos e injustos, bons e maus, felizes e infelizes.

Autor desconhecido

QUANDO FORES VELHA


Quando fores velha, grisalha, vencida pelo sono,

Dormitando junto à lareira, toma este livro,

Lê-o devagar, e sonha com o doce olhar

Que outrora tiveram teus olhos, e com as suas sombras profundas;

Muitos amaram os momentos de teu alegre encanto,

Muitos amaram essa beleza com falso ou sincero amor,

Mas apenas um homem amou tua alma peregrina,

E amou as mágoas do teu rosto que mudava;

Inclinada sobre o ferro incandescente,

Murmura, com alguma tristeza, como o Amor te abandonou

E em largos passos galgou as montanhas

Escondendo o rosto numa imensidão de estrelas.

When You Are Old - Yeats

sábado, 21 de junho de 2014

QUADRA

Quem ganha três e gasta quatro
Não precisa de bolsa nem  saco


D. Esperança  (87 anos ) 

QUADRAS DA QUINTA-FEIRA DA ASCENÇÃO / ORAÇÕES DIVERSAS

Quinta-feira da Ascenção
É que se arranjam amores
Quando o trigo está em chão
E todo o campo cheio de flores

Levantei-me um dia cedo
Quinta-feira da Ascenção
Encontrei Nossa Senhora
Com um raminho d’ouro na mão

Quinta-feira da Ascenção
Toda a erva tem virtude
Quis amar teu coração
Fiz excepção, mas não pude

Quinta-feira da Ascenção
Fiz um risco na parede
Amei o teu coração
Deixá-lo também não hei-de.

*****************


Encontrei Nossa senhora
Quinta-feira da Ascenção
Pedi-lhe  uma florinha
Ela me disse que não
Eu lhe tornei a pedir
Deu-me o seu divino cordão
Pintador que tão bem pintas
Pinta-me este divino cordão
Que me deu Nossa Senhora
Quinta-feira da Ascenção

*******************

Levantei-me um dia cedo
Espetei um pico no pé
Bradei a Nossa Senhora
Acudiu-me S. José

S. José foi lá acima
Acender seu candeeiro
Encontrou Nossa Senhora
Com o Menino Verdadeiro

***************


Levantei-me um dia cedo
Por um grande mistrério que havia
Encontrei o Padre Santo
Rezando à Virgem Maria

Padre Santo me procurou
Como ficou por lá Maria?
Ficou numa cama de ouro
Coberta de seda fina

Ainda isso não é nada
Para o que Maria merecia
O sangue dela corria
Para o Cálice consagrado

Quem esta oração rezar quatro almas há-de salvar, a 1ª é a sua, a 2ª de sua mãe, a 3ª de seu pai, a 4ª de quem mais bem lhe quiser
Amem

*******************
Padre Nosso pequenino
Tem a chave um anjinho
Quem lha deu quem lha daria?
Foi o Filho de Deus
E da Virgem Maria
Já os galos cantam 
já os anjinhos se levantam 
Já o Deus subiu à cruz
para sempre Jesus
Amem
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Oração para a  Erzipela   ( Erisipela )

Pedro Paulo foi a Roma
Jesus Cristo encontrou e lhe procurou:
De que mal morrem por lá?
De Erzipela, ersiplá
Volta atrás Pedro Paulo
Com este esparto* benzerás 
Olho lito** curarás
Fique em louvor da Virgem Maria 
Pai Nosso Avé Maria

* corda        ** azeite
Reza-se um Pai Nosso e uma Avé Maria


***********
ORAÇÃO DAS QUEIMADELAS ( queimaduras)

Santa Sabina tem sete filhas
Todas sete no fogo ardiam
A Santa, como era Santa
Pedia a Deus e à Virgem
para que este fogo apague
Mas que por adiante não lavre. 
Fique em louvor de Deus e da Virgem Maria
Pai Nosso  Avé Maria


D. Joaquina Carreiras( 83 anos)   natural de Almadafe   


um abraço à prima Joaquina

bom que ela tenha recolhido tantas preciosidades da avó Maria da Barroca - incrível senhora 
mulher de 3 maridos
e muito mais atividades

ela própria, analfabeta, tinha a sua produção própria de poesia - lembro-me disso

parabéns à ZU, pela sensibilidade de fazer esta recolha cheia de interesse antropológico 

António Saias




História «O velho, o rapaz e o Burro»

A D. Mónica ( 86 anos) viva e entusiasta de ouvir e contar histórias, lembrou-se da História do Velho, do rapaz e do burro. Costumava contá-la aos netos e assim contou com todo o entusiasmo: 

Vivia no monte um homem muito velho que tinha na sua companhia um neto.
Certo dia o velho resolveu descer ao povoado com o seu burro fazendo-se acompanhar
do neto. Seguia a pé o velho e sentado no burro ia o neto. Ao passarem por uma
povoação logo foram criticados pelos que observavam a sua passagem:
- O garoto que é forte montado no burro e o velho coitado é que vai a pé!
Então o velho mandou apear o neto e montou-se ele no burro. Andaram um pouco mais, e pararam numa fonte para matar a sede e aí encontraram duas mulheres a encherem os seus cântaros e elas
disseram:
- Olha para isto! A pobre criança a pé e ele repimpado no burro!
Ordenou então o velho ao neto:
- Sobe rapaz, seguimos os dois montados no burro!
O rapaz obedeceu de imediato e continuaram a viagem. Mas um pouco mais adiante um
homem enfrentou-os com indignação:
- Apeiem-se homens cruéis, querem matar o burrinho?!
O velho resolveu levar o burro às costas, com a ajuda do rapaz. Um pegou nas patas da frente e o outro pelas patas de trás. Iam eles assim, quando passaram por uns homens que andavam a trabalhar no campo e estes disseram:
- Olha, olha, que grande estupidez, levam o burro às costas!! o burro é que os devia carregar, e eles é que carregam com ele!! ah, ah, ah...
O homem e o rapaz resolveram pôr o burro no chão e o velho disse ao rapaz:
Sobe para o burro; continuamos a viagem como começámos. Está visto que não podemos calar a boca
ao mundo. Daqui para a frente faremos o que acharmos mais  correcto!

CASA BRANCA

Refrão:
A Nossa aldeia linda e modesta
De garça Cheia  é noiva sempre em festa
 Viva a sua gente honesta e franca
Que a baptizou, tão bem casa branca.

A nossa terra é pequena
 Mas é mais linda que as mais olaré
Lembra uma linda açucena
Que nasceu entre os trigais, tão branca é .

De manhã cedo ao Sol-pôr
Andam risos e cantigas pelo ar
Vão e vêm do labor
Rapazes e raparigas, sempre a cantar.

Tem sempre um ar prazenteiro
Com sua casas branquinhas, como arminho
Onde há sol o dia inteiro
E onde vão as andorinhas fazer o ninho .

Depois ao anoitecer
Reina uma paz tão fagueira que conforta
 Descansa-se com prazer

 De inverno junto à lareira, de verão à porta
O POÇO LARGO




D. Teresinha Leão  ( feita nos anos de 1940 para uma peça de teatro que se representou na fábrica de moagem )


Poesia ditada pela Prima Isabelinha ( 84 anos)

AS CANTIGAS DE ANTIGAMENTE

Almoço

D. Margarida e D. Joaquina Carreiras

Grupo

Ontem, como é habitual às 6ª feiras,  fui ler as minhas histórias às velhotas do Lar da 3ª idade de Casa Branca. Depois de ouvirem os contos, quiseram cantar. Então, a Srª Margarida Reloja ( 82 anos) , a Srª Mónica (86 anos) , a Srª Joaquina Carreiras (84 anos) , a prima Dulce (89 anos), a prima Isabelinha ( 84 anos) , a minha mãe (86 anos), a D. Ana (92 anos)  e eu cantámos cantigas que eram cantadas antigamente.
Foi um agradável momento e quanto mais cantávamos mais elas se lembravam doutras. Assim, consegui ficar com algumas letras ditadas por elas, como a que se seguem:


Margarida vai à Fonte 
Margarida vai à fonte (bis)
Vai encher a cantarinha (bis)
Brotam lírios pelos montes
Margarida vai à fonte,
Margarida vai à fonte e vem sozinha

É tão linda a casa dela  (bis)
Tem aspectos no jardim
Os canteiros na janela
Tão bonitos como ela
Têm aroma a alecrim


Cantiga do MAIO 
 A D. Ana (92 anos) é do Ervedal. Gosta muito de cantar. Contou que no seu tempo de juventude, no dia 1º de Maio, grupos de raparigas, com flores campestres nos cabelos, cantavam pelas ruas, ao Maio

Oh Maio, oh Maio das barrocas
Para onde vai o Maio
Para estas cachopas

Oh Maio, oh Maio das solteiras
Para onde vai o Maio
Para essas barreiras


A 13 de Maio

A 13 de Maio na Cova da Iria
No céu apareceu a Virgem Maria
Avé, avé  avé Maria
Avé, avé, avé Maria

A 13 de Outubro foi o seu adeus
A Virgem Maria voltou para os céus
Avé avé avé Maria
Avé, avé, avé Maria

A Virgem nos manda o terço rezar
Dizendo que o terço nos há-de salvar
Avé, avé avé Maria
Avé avé avé Maria

Foi aos pastorinhos que a Virgem falou
desde então nas almas nova luz brilhou
Avé, avé avé Maria
Avé avé avé Maria





04 - Paulo Tapajós - Margarida vai a fonte

OS ACABAMENTOS

OS ACABAMENTOS

Nas casas dos grandes lavradores, durante os  meses de inverno, grandes ranchos de mulheres e homens andavam na apanha da azeitona. 
Quando terminavam de apanhar o último olival, faziam o acabamento. O patrão oferecia um borrego para fazer um ensopado ou outra coisa para comerem, um garrafão de 5 l de vinho, e iam comer para um barracão  do patrão.
Vinham do campo, com um arco feito de rama de oliveira enfeitado com  flores do campo e em grupo percorriam a pé as ruas da aldeia. Cantando a cantiga dos acabamentos.

Maria do Carmo, linda padroeira
Dá-me quatro figos, olaré sim, sim, da tua figueira
Ah sim, sim há mais quem queira
Gorou, gou gou o galo cantou

O galo cantou, Deixá-lo cantar
Maria do Carmo olaré sim, sim hei-de-te amar
Ah sim, sim há mais quem queira

gorou gou gou o galo cantou.
OLIVAL

O EXAME DA 4ª CLASSE

Maria Zulmira, Maria Augusta Anica, Elisabete Borralho

O EXAME DA 4º CLASSE

Quando chegava o mês de Junho, era a época dos exames. Os meninos e meninas que frequentavam a 4ª classe, tinham que se deslocar à escola de Sousel, para fazerem o exame. Era uma coisa de grande responsabilidade. Muitos poucos de nós tínhamos saído aqui da aldeia, por isso, ir fazer exame a Sousel, era um acontecimento. Espaço e professores desconhecidos, que nos impunham muito receio e respeito. Nem para os professores nós tínhamos coragem de olhar!! A timidez era enorme.
Deslocávamo-nos como podíamos, mas a maior parte ia no carro do Sr. Zé Delfino. Vestíamos os nossos melhores vestidos  de verão, sandálias de couro feitas nos sapateiros da aldeia, e lá íamos nós, de manhã muito cedo. A prova escrita era da parte da manhã, e da parte da tarde a prova oral. Uma sala enorme, com carteiras afastadas umas das outras, onde nos sentávamos dois a dois. Era expressamente proibido olhar para a prova do companheiro. As professoras cirandavam pela sala, com um ar de   grande solenidade e de grande tensão.
Fazia sempre muito calor. As mãos suadas, deixavam escorregar a caneta de tinta permanente ou a caneta de aparo, que era molhada no tinteiro da carteira. As mãos escorriam água, então tínhamos uma folha de papel branco , dobrada, que púnhamos debaixo da mão, e que ia acompanhando a progressão da escrita. Alguns, mais nervosos, deixavam cair um borrão de tinta em cima da prova, o que desfeava a mesma. Começavam a chorar, por lhes ter acontecido aquilo que mais temiam. Tanto que a professora recomendou que pusessem pouca tinta no aparo, para que não houvesse borrões!!!
Não me lembro onde almoçávamos, mas lembro-me de no fim do dia comer um gelado no quiosque do jardim.
Depois das provas realizadas, chegávamos a Casa Branca por volta das 4 ou 5 horas da tarde. O grupo dos alunos e das alunas que fizeram exame  começava a percorrer as ruas da aldeia e a  a cantar  esta cantiga
Bate palmas, bate palmas
Amor aperta-me a mão
Tenho a sina de ser tua (bis)
Mas por hora ainda não (bis)

Bate palmas, bate palmas  (bis)
Amor aperta-me a mão   (bis)
Viva a Srª D. Amélia
Que nos deu educação

Parávamos em casa de cada companheira, onde na casa de entrada estava a mesa posta, com pratos de bolos e licores muito coloridos, verde, azul, vermelho, que nós bebíamos em copinhos pequeninos.  Depois continuávamos a volta à aldeia e entrávamos em casa doutra colega, e assim, íamos a casa de todas as companheiras, sempre cantando a cantiga “ Bate palmas...”
Para a maioria das minhas colegas, o fazer exame da 4ª classe, implicava que começariam a ter uma vida completamente diferente da que tiveram até ali. Ou iam trabalhar no campo, ou tomar conta dos irmãos mais novos, ou ir “servir” para casa de pessoas que tinham criadas.  No universo de 40 a 50 alunos, éramos 10 ou 12 ( entre rapazes e raparigas) que se preparavam ( com explicações particulares ) para fazer o exame de admissão aos liceus afim de  prosseguirem os estudos nas grandes cidades.