quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

COMO CONHECI ANTÓNIO TELMO

 Através de amigos como a Risoleta,  o Rui Arimateia, Hernâni Matos e outros sempre ouvi falar de António Telmo e da sua obra. Contudo, apesar de ter alguns livros seus, para além do de Contos ilustrado pelo Armando Alves, nunca privei com ele. Soube da sua morte, e das diversas homenagens que lhe têm sido feitas, mas como não tinha qualquer ligação afectiva e de amizade com  ele nunca estive presente em nenhuma. 
Agora, há cerca de 15 dias, o Hernâni Matos organizou, em Estremoz, a apresentação do livro dedicado ao Armando Alves e convidou-me para ir ler alguns textos. Foi nesse dia, que tive a oportunidade de conhecer Maria Antónia Vitorino, e naquele momento criou-se entre nós as duas uma empatia e uma comunhão de ideias , que senti que tinha encontrado ali uma amiga.
Trocámos números de telefones e a partir desse dia tenho tido oportunidade de ser convidada para sua casa, o que muito me honra.
Ao entrar no "santuário" de António Telmo senti uma emoção fortíssima, pois ali ainda se respira o ambiente em que António Telmo escreveu, pensou, meditou e viveu. Aquele escritório repleto de estantes carregadas de livros até ao tecto, onde em primeiro plano se podem ver molduras com retratos de António Telmo com várias personalidades ligadas ao estudo da língua Portuguesa, da filosofia, da pintura  deixou-me deslumbrada. Eu estava a ter a felicidade de poder olhar, apreciar, tocar.
A Mitó ( é assim que ela quer que eu a chame ) foi-me apresentar a filha Anahi, e aí ficámos sentadas numa salinha de estar onde ela está a convalescer de uma forte gripe. Conversámos, trocámos ideias, partilhámos muitas das nossas  ideias e dos nossos conhecimentos. A Mitó insistiu em oferecer-me um chá e num ambiente muito acolhedor passámos o resto da tarde, conversando as três, sobretudo de António Telmo, o homem que nos ligou. Fez-se de noite. Estava uma noite fria e gelada de Dezembro. Como eu tinha ido para casa da Mitó em pleno dia e com sol, não levei casaco, pois pensava não me demorar. 
A Mitó foi buscar um casaco de malha do António Telmo , que insistiu para que eu o vestisse, para poder sair à rua.
Eu lá fui eu, de casaco do António Telmo vestido, para minha casa. Sentia-me como se estivesse a viver um sonho; deslumbrada e feliz com aquela tarde tranquila, passada com duas mulheres maravilhosas. Um sonho bom , onde para terminar eu levava vestido o casaco de malha verde seco, de lã matizada com castanhos escuros e claros,  que com certeza tantas e tantas vezes António Telmo usara quando se sentava à secretária ou no sofá para escrever, ler ou pensar!!! 

Bem agora vamos à breve biografia para o site António Telmo - Vida e Obra

Maria Zulmira Varela Andrade Rodrigues Baleiro, conhecida entre familiares e amigos por Zuzu, nasceu em Casa Branca- Sousel, no ano de 1948. Oriunda de uma das mais antigas famílias da aldeia ( os Falcato) cresceu e viveu até à adolescência num ambiente de gente  com muito amor pela cultura, pelos livros e pela escrita. 
Aos 18 anos, foi trabalhar para o 9º Cartório Notarial de Lisboa. Casou e teve duas filhas. Sempre foi uma apaixonada pela leitura e por programas culturais.
Licenciou-se em Línguas e Literaturas Modernas, variante Francês/ Português na Faculdade de Letras de Lisboa, começando a leccionar Português e Francês nas escolas secundárias de Lisboa e na área da Grande Lisboa.
Mais tarde, em 1995, devido à morte súbita da sua filha Marta, restaurou a casa dos seus avós paternos e veio de novo viver para Casa Branca, indo leccionar as disciplinas de Português e Francês na Escola E, B 2, 3 de Sousel, até à data da sua aposentação, em 2011 e onde continua a viver.
Em 2004, fez a parte curricular do Mestrado em Estudos sobre as Mulheres na Universidade Aberta, de Lisboa, pois o estudo do género sempre a entusiasmou e apaixonou. Tem feito conferências nesta área, gosta de ler e dizer poesia em voz alta. Dedica-se à pintura e gosta de "alimentar" o seu blog com posts de vários temas. 
Pertence ao Núcleo  da Amnistia Internacional de Estremoz. É animadora no Lar de 3ª idade de Casa Branca, lendo e contando contos e lendas tradicionais aos idosos aí residentes. 
Desde que se reformou dá aulas, como voluntária, na disciplina de Poesia e Conto na Academia Sénior de Estremoz.


quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

o livro da Marta

Mas que excelente ideia. A Marta era sem dúvida a minha maior e mais querida amiga, de quem sinto tantas saudades. Os anos podem passar, mas penso nela muitas vezes. Pode parecer estranho, mas é verdade.
Quer memórias positivas, certo? Ou também que fale na ausência da Marta?
Muitos beijinhos, e vai ser um livro maravilhoso


Patrícia Lança  4 de Dezembro de 2014

terça-feira, 25 de novembro de 2014

MUDANÇA

Hoje, dia 25 de Novembro, pelas 15.30h, eu e a Joana Emília dinamizámos a 1ª Tertúlia " Uma Conversa por mês..."  da Universidade Sénior de Sousel, no auditório da Biblioteca Municipal de Sousel.
Tivemos uma assistência bastante interessada na apresentação das nossas propostas de trabalho e dos objectivos que nos propomos levar a cabo.
Uma Conversa por mês... terá lugar uma vez por mês, onde será convidada uma pessoa que domine o tema a trabalhar.
Li este texto Mudança de Clarice Lispector, adaptado por mim e a Joana Emília leu o poema de Pablo Neruda, Morre lentamente.
Foram sorteados 4 livros entre as pessoas presentes, um livro da Agatha Cristi, outro de contos, uma Bíblia Sagrada encadernada, e um livro sobre a Linguagem das Flores.


Sente-se noutra cadeira, do outro lado da mesa. Mais tarde, mude de mesa.
Quando sair, procure andar pelo outro lado da rua. Depois, mude de caminho, ande por outras ruas, calmamente, observando com atenção os lugares por onde você passa.
Mude por uns tempos a maneira de vestir. Dê os seus sapatos velhos. Em casa, nalguns dias, procure andar descalço. Tire uma tarde inteira para passear livremente na praia, no campo ou no parque a ouvir o canto dos passarinhos.
Cumprimente os amigos e conhecidos a sorrir. Sorria!!
Veja o mundo de outras perspectivas. Mude!!
Abra e feche as gavetas e as portas com a mão esquerda. Durma do outro lado da cama... Depois, procure dormir  noutras camas. Assista a outros programas de televisão, compre outros jornais... leia outros livros. Viva outros romances.
Não faça do hábito um estilo de vida. Ame a novidade.
Durma até mais tarde. Durma até mais cedo. Ouça música na cama. Relaxe. Aprenda uma palavra nova por dia numa língua estrangeira.
Corrija a postura, tente andar de costas direitas! Faça ginástica. Vá à natação. Brinque! Ria!
Coma um pouco menos, escolha comidas diferentes, novos tempêros, novas cores, novas delícias.
Procure a novidade todos os dias. O novo lado, o novo método, o novo sabor, o novo jeito, o novo prazer, o novo amor. A nova vida. Tente a mudança.
Procure novos amigos. Tente novos amores. Faça novas amizades.
Ame muito, cada vez mais, de modos diferentes.  Mude!!!
Almoce noutros locais, vá a outros restaurantes, beba outro tipo de bebida, compre pão noutra padaria. Almoce mais cedo, jante mais tarde ou vice-versa.
Escolha outro supermercado... outra marca de iogurtes... outra marca de sabonete, outro dentífrico... Tome banho em novo horário. Use canetas de outras cores.
Troque de mala, de carteira, de boné, compre novos óculos, troque de carro.
Deite fora os velhos relógios, guarde os despertadores chatos, não seja escravo das horas!!
Abra conta noutro banco. Aprenda novas actividades, vá para a pintura, para coisas novas, vá a outro cabeleireiro, ao teatro, visite novos museus, visite novas cidades. Vá passear para outros lugares. Vá passear com o seu neto. Mude!!
Leia um livro novo, escreva outras poesias.
Lembre-se de que a Vida é uma só!!! E pense seriamente em procurar um outro emprego, um trabalho mais ligeiro, que lhe dê mais prazer, que seja mais digno, mais humano, se está reformado procure uma nova ocupação,
Se você não encontrar razões para ser livre, invente-as. Seja criativo. Mas mude!!!
E aproveite para fazer uma viagem longa, se possível sem destino certo. Vá visitar um amigo que não vê há muitos anos. Vá visitar aquele lugar que sempre desejou conhecer.
Experimente coisas novas.  Troque novamente. Mude, de novo.
Experimente outra vez.
Você certamente conhecerá coisas melhores e coisas piores do que aquelas que já  conhecia, mas não é isso que importa.
O mais importante é a mudança, o movimento, o dinamismo, a energia. Só o que está morto não muda !
Experimente a mudança pela pura alegria de viver: não tenha medo do risco, sem o qual a vida não vale a pena!

Texto de Clarice Lispector  (adaptado pela Profª Zuzu Baleiro)

MORRE LENTAMENTE
Morre lentamente quem não viaja,
Quem não lê, quem não ouve música,
Quem destrói o seu amor próprio,
Quem não se deixa ajudar.

Morre lentamente quem se transforma em escravo do hábito.
Repetindo todos os dias o mesmo trajecto,
Quem não muda as marcas no supermercado,
Não arrisca vestir uma cor nova,
Não conversa com quem não conhece.

Morre lentamente quem evita uma paixão,
Quem prefere o "preto no branco" e os "pontos nos iis"
A um turbilhão de emoções indomáveis,
Justamente as resgatam brilho nos olhos,
Sorrisos e soluços, coração aos tropeços, sentimentos.

Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz no trabalho,
Quem não arrisca o certo pelo incerto atrás de um sonho.
Quem não permite, uma vez na vida, fugir dos conselhos sensatos.
Morre lentamente quem passa os dias, queixando-se da má sorte,
Ou da chuva incessante, desistindo de um projecto antes de iniciá-lo, 
Não perguntando sobre um assunto que desconhece.
E não respondendo quando lhe indagam o que sabe.

Evitemos a morte em doses suaves, recordando sempre que estar vivo,
Exige um esforço muito maior do que o simples acto de respirar.
Estejamos vivos, então!

Pablo Neruda ( in Folha da Ala Sul)

far far away: O prémio Leya

far far away: O prémio Leya: Eu sou nova nestas lides, e por essa razão às vezes sinto-me um pouco inibida em expressar a minha opinião. A sensação que tenho é a de quem...

far far away: O meu texto sobre o Escritos & Escritores

far far away: O meu texto sobre o Escritos & Escritores: Faz hoje um mês que parti para Lisboa, rumo a Avis, para participar no Escritos & Escritores, que envolve, para além das conversas entre...

RAÚL

Deitado debaixo da macieira, naquele fim de tarde, calmo e quente, Raul olhava calmamente as poucas maçãs que ainda estavam na árvore. Não tinha sido fácil deitar-se . Corpulento, nos seus 145 kg, cada vez sentia mais dificuldade em deitar-se. Mas ele gostava tanto de se deitar na erva fresca por baixo da macieira!
Sempre fora gordinho. Quando foi para o jardim de infância, a mãe foi à loja comprar o bibe de quadradinhos azuis e brancos, e constatou que não havia para o tamanho do Raul. O que fazer? o empregado da loja da Rua dos Fanqueiros, sugeriu-lhe que comprasse dois metros de tecido igual ao exigido pelo colégio e fosse a uma costureira fazê-lo por medida.
Quando a mãe chegou a casa e lhe disse que tinha que ir à modista mandar fazer o bibe, não achou nada de estranho. Ele até gostava de ir à D. Conceição que lhe fazia os calções! 
Quando chegava a casa da D. Conceição, esta elogiava-o sempre, ele gostava disso. "- Oh Raul, estás tão bonito, a tua pele é tão rosadinha, as tuas bochechas tão coradinhas, o teu narizinho tão pequenino no meio dessas bochechas rechonchudas, os teus olhinhos brilham enterrados nestas bochechas, o teu cabelo louro cheio de caracóis dão-te um ar tão meiguinho, tão celestial, de menino tão bem comportado!!! a mãe  ficava toda babada ao ouvir estes elogios da D. Conceição e ele também gostava de ouvi-los!!!.
Ela pegava na fita métrica e começava a tirar-lhe as medidas: primeiro a cintura, depois a anca, depois a coxa e finalmente junto ao joelho onde iriam terminar as pernas dos calções.  A cada medida ela ia dizendo: " Cresceste mais um pouquinho!! a cintura tem mais 5 centímetros!!" e sorria, com um sorriso feliz estampado no rosto magro e cansado.
Raúl, no recreio da escola primária procurava correr com os colegas, mas o rabo era-lhe tão pesado!!! ao fim de uma voltinha no pátio do recreio já ele estava sentado no muro baixo que ladeava o canteiro da grande acácia, de flores amarelas. Sentado à sombra da velha árvore é que ele se sentia bem... se os outros se queriam cansar e ir todos transpirados para a aula era lá com eles... ele preferia assistir calmamente às correrias e às maluqueiras dos colegas... e assim continuou a engordar, a engordar...
Nunca sonhou com desportos radicais, nada que o fizesse cansar e ficar exausto.... gostava de coisas calminhas... jogos de computador, ler banda desenhada, deitar-se no sofá e ver televisão.... ir à cozinha buscar uma lata de coca-cola mais um pacote de bolachas Oreo e estrafado no sofá ver um filme de aventuras, de acção , de guerras, de perseguições, de polícias e ladrões a correrem atrás uns dos outros... só de ver tanta acção ficava cansado!!!!
Cresceu, cresceu em idade, em tamanho e em peso!!! era um homem de 47 anos, bonacheirão, simpático, introvertido, de sorriso fácil, que estava sempre pronto a ajudar os colegas na repartição do Ministério da Justiça. Estava solteiro e não pensava em casar! Aturar uma mulher era uma chatice.... gostava de viver sozinho, na casa onde sempre vivera, no Alto da Ajuda. 
No dia em que lhe saiu o prémio do euromilhões Raúl nem queria acreditar! Não sabia se devia rir, se chorar, se pular...  sentou-se e respirou fundo!!! Não era uma quantia exorbitante, mas sempre  era alguma coisa que se visse!!Ia dar para comprar uma quintinha para os lados da Lourinhã... sempre gostou tanto daqueles sítios...
Acordou estremunhado!!! sentiu uma coisa a esborrachar-se na cabeça calva... era uma maçã meio madura meio podre vinda das últimas pernadas .....

Conto 
Zuzu Baleiro   Novembro 2014


sábado, 22 de novembro de 2014

O LANÇAMENTO De " GALVEIAS" EM GALVEIAS

Assistência

Mãe Amélia, nos seus 87 anos, assistindo ao lançamento

Ao fundo a mesa dos oradores

Assistência

Assistência, ao fundo mesa dos oradores
Chegámos a Galveias, por volta das 17 horas e vimos muita gente à porta da Casa do Povo e muito movimento de carros e pessoas. Pensei: - " Não vamos conseguir entrar ali!" 
Saímos do carro e fomos caminhando, no passo miudinho da minha mãe, a caminho da entrada. Há uma escadaria, sem corrimão. Havia pessoas ao longo e em cima das escadas. Pedi a um senhor que ajudasse  a minha mãe a subir os degraus, eu não sabia como havia de subir, pois não havia onde me agarrar. Muito solícitos apareceram logo vários cavalheiros a ajudar a minha mãe, eu a custo lá fui subindo...
Quando entrámos no edifício havia pessoas por todo o lado. Encontrámos umas senhoras da Casa Branca paradas ali no corredor...pensei: - "O melhor é dar meia volta e ir-me-nos embora!". Havia 3 cadeiras encostadas à parede no corredor, e consegui que a minha mãe se sentasse numa. Entretanto fui ver como é que poderíamos assistir à sessão. A sala pequeníssima, abarrotava com tanta gente. Pensei que não podíamos ficar ali. Entretanto, chega o José Luis Peixoto e passa pelo corredor onde se encontrava a minha mãe. Ela chama-o e diz-lhe: "-Sabe sou a avó da Patrícia, venho assistir ao lançamento do livro!" ele olhou para ela e disse-lhe que lhe ia arranjar uma cadeira na sala,enquanto lhe dizia: "Ah é a avó da minha amiga Patrícia, a senhora é muito bonita!!"  eu tranquilizei-o dizendo-lhe - "Oh Zé Luís hoje não é dia para isso, o senhor tem que se preocupar é com o lançamento do livro!" Ele, muito atencioso disse-me: "- Não , não!! vou providenciar uma cadeira para a sua mãe, já vou tratar disso!" Ele chegou à sala e viu tanta, tanta gente, que ele ou alguém teve a ideia fantástica de fazer o lançamento lá fora no recinto da Junta, onde há bancos de cimento e um grande ecrã gigante em alvenaria para projecção de filmes durante o verão. E a apresentação foi lá fora, com centenas de pessoas a assistirem, embevecidas e orgulhosas por aquele filho da terra de Galveias ser um escritor importante, que é conhecido não só em Portugal como em muitos países do mundo. 
Depois da apresentação, formou-se uma enorme bicha para os autógrafos, aí eu decidi que eram horas de voltarmos. Um dia, combinaríamos com ele, e iríamos a Galveias para ele me autografar os livros.
Metemo-nos no carro, já era escuro. Começou a chover à saída de Galveias. A chuva começou a engrossar, a engrossar de tal maneira que se transformou num dilúvio. Eu não via a estrada, a chuva no limpa para-brisas era tanta, tanta que as escovas não conseguiam limpá-la. Viemos muito devagarinho. De vez em quando a chuva acalmava um pouco. E eu pensava que iria estiar, mas de repente vinha outra vez uma chuva torrencial que não nos deixava ver por onde íamos. Foi uma viagem complicadíssima. Eu não conhecia o carro, a estrada é muito estreita e havia lençóis de água por todo o lado.  
Chegámos sãs e salvas a Casa Branca, apesar de tanta chuva. Vínhamos felizes e bem dispostas. Valeu a pena a aventura!!!

A assistência

Os oradores


Ao fundo na varanda eu e a minha mãe
O Diário Digital do Sapo refere no artigo da apresentação do lançamento o seguinte: " O universo toca uma pequena vila com um mistério imenso. Esse é o ponto de acesso ao elenco de personagens que compõe este romance e que, capítulo a capítulo, ergue um mundo. Como uma condensação de portugalidade, Galveias é um retrato de vida, imagem despudorada de uma realidade que atravessa o país e que, em grande medida, contribui para traçar-lhe a sua identidade mais profunda.
A riqueza da escrita, a sofisticação formal, a sensível e dura humanidade destas páginas são um passo marcante na obra de um dos mais destacados autores europeus da sua geração e, sem dúvida, colocam Galveias entre os grandes romances alguma vez escritos sobre a ruralidade portuguesa.
Para todos os leitores que, ao longo dos anos, irão conhecê-lo, a trajectória deste livro já se iniciou. Como o mistério que acerta em Galveias, este romance vai a caminho desses olhares, irá tocá-los de modo irreversível» 
http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?id_news=735190 

A COBRA - LANÇAMENTO DO LIVRO GALVEIAS DE JOSÉ LUIS PEIXOTO

«Galveias», o novo livro de José Luís Peixoto, editado pela Quetzal, será lançado no dia 11 de outubro, pelas 17h00, no Salão Nobre da Junta de Freguesia de Galveias, em Lisboa.




A cobra
Convidei a minha mãe para irmos a Galveias ao lançamento do livro de José Luis Peixoto.
A minha mãe estava na casa dela e assim, eu disse-lhe que eu iria lá buscá-la por volta das 16 horas.
Eu tinha comprado o Renault Clio na semana anterior, por isso ainda estava muito limpinho e a cheirar a novo. Abro o carro, e quando olho lá para dentro, vejo uma cobra novinha, mas já grandinha! junto aos pedais. Eu nem queria acreditar no que estava a ver!!! uma cobra dentro do carro.!!! 
A cobra

A cobra era fininha, mas media cerca de 25 cm
O meu medo era que ela se metesse dentro de qualquer buraco ou reentrância que não a conseguíssemos tirar, eu não queria que ela fugisse dali.
 Passou o Sr António, marido da D. Mariana e eu disse-lhe que tinha uma cobra dentro do carro. Ele não acreditou!! julgava que eu estivesse a exagerar. Entretanto a cobra já tinha fugido para baixo do banco do condutor! O Dinis, meu vizinho, estava a preparar-se para ir fazer o seu tour de bicicleta, e eu muito aflita pedi-lhe: "Oh Dinis por favor, venha cá tirar-me uma cobra que tenho dentro do carro!!!"
Ele, riu-se e não queria acreditar!!! Dizia-me: "- Ah o carro vinha com brinde?!" e ria-se; o sr António ria-se e dizia que não era cobra ( ele ainda não a tinha visto!), "Nah não é cobra!" - dizia a rir-se!! e o Dinis já não sabia se havia de acreditar no sr. António se em mim. 
Eu estava excitada e enervada porque queria ir para o lançamento do livro em Galveias e  não sabia como havíamos de tirar dali a cobra. 
O Dinis pediu-me uma tenaz e eu vim buscar uma que a minha mãe usa para apanhar coisas que lhe caem ao chão. Entretanto levei o spray mata formigas para lhe mandar para cima para a atordoar, e o Dinis dizia-me: " Não ponha muito, que depois fica com esse cheiro dentro do carro!" Eu queria lá saber!! o que eu queria era a cobra dali para fora. Entretanto ele começou a ver a ponta do rabo da bicha debaixo do banco  do condutor. Eu dei uma quantidade de sprayadas para cima da cobra e para debaixo do banco, ela enrolou-se toda, eu estava a ver que a íamos deixar fugir, e que ela ficava dentro do carro!!!
O meu marido que estava em casa apareceu, ao ouvir-me falar tão alto e tão excitada. Dizia-me: -"Não é motivo para tanto alarido, vamos apanhar a cobra!"
Eu nervosa, o sr. António a rir-se como a gozar , pois continuava a dizer que não podia ser uma cobra., o Dinis com a tenaz todo dentro do carro a tentar apanhá-la... enfim, depois de algum tempo, que me pareceu bastante, lá apareceu o Dinis com a cobra presa na tenaz, mas muito mal presa, quase que lhe ia voltando a cair dentro do carro!! 
O sr. António só acreditou que era uma cobra quando a viu na ponta da tenaz toda a enrolar-se...
Pusemo-la no portado de mármore da casa da vizinha da frente, e ela mexia-se com toda a ligeireza... o spray não a atordoou!! queria era fugir...
Bem, lá se conseguiu matar a bicha, com a tenaz, o meu marido pisava-lhe o rabo para a matar!! e eu dizia-lhe que tinha que ser na cabeça!!! Um espectáculo e uma aventura...
Enervada com todo este espectáculo lá fui buscar a minha mãe, que estava à minha espera em casa dela. Eu não me podia esquecer do episódio, durante boa parte do caminho o tema da conversa foi a cobra e a desconfiança do sr. António que não acreditava em mim!!!!


APRESENTAÇÃO DO LIVRO DE ZERO A DEZ

Com o apoio do Município de Estremoz, foi apresentado o livro de Zero a Dez de Margarida Fonseca Santos, na passada Sexta-feira, no dia 21 de Novembro, pelas 16.30horas, no auditório da Casa de Estremoz. Com uma assistência de cerca de 50 pessoas, muito interessada e muito atenta, entre elas a  Vereadora da Cultura, Drª Márcia Oliveira, a bibliotecária Drª Lena Mourinha, a Drª Célia Pires em representação da Academia Sénior e a Drª Marisa Serrano directora da Casa de Turismo, que muito se empenhou para que o evento tivesse aqui lugar.  
A sessão esteve muito animada  com a presença da escritora Margarida Fonseca Santos, autora do livro, da Enfermeira Sílvia Noruegas, com uma vasta experiência profissional no tratamento da dor crónica e da  profª Zuzu,, professora da Academia Sénior de Estremoz, com a disciplina de Poesia e Conto.
A Rádio Campanário, os Brados do Alentejo e a fotógrafa da Câmara Municipal estiveram presentes, fizeram uma entrevista à autora para que a mesma seja transmitida  e publicada . 
É de realçar a simpatia e disponibilidade da escritora para falar do livro e da sua génese. 
Na página do Facebook, do Município de Estremoz a Drª Marisa Serrano publicou este pequeno texto, sobre o livro e a sua autora:

Este é um romance sobre a dor crónica. É igualmente um livro terapêutico, onde os caminhos e as estratégias para lidar com a doença se revelam a cada passo. É, sobretudo, um romance com esperança por dentro.
Refere Margarida Fonseca Santos que : - “Há circunstâncias que nos obrigam a parar e mudar. Foi isso que me aconteceu quando percebi que teria de adaptar a minha vida às possibilidades reais deixadas em aberto por uma patologia músculo-esquelética. Não foi fácil, nunca é. Sendo a palavra a minha forma de comunicar, a ideia foi-se instalando em mim: porque não escrever sobre quem coabita todos os dias com a dor crónica, o cansaço e as limitações?
Foi assim que surgiu este livro. É o somatório de experiências pessoais, minhas e das pessoas que aceitaram partilhar comigo o seu viver diário, num entrançado de crises e soluções, sonhos e frustrações, medos e esperanças. Tinha como objectivo dar conforto a quem é doente, mas também ajudar quem com ele convive a entender as limitações e as forças, seja numa vida em comum, no trabalho ou na amizade. Espero ter conseguido atingi-lo. A mim, organizou-me por dentro e deixou-me em paz com a doença.”
Depois de todos os presentes na mesa terem falado sobre o livro, sobre a sua importância para os doentes que sofrem de dor crónica e da Enfª Silvia Noruegas ter lido e apresentado um trabalho académico da sua autoria feito com pessoas idosas foi dada por terminada a sessão que já ia um pouco longa.
A autora autografou os livros comprados pela assistência que se esgotaram. Ficaram sem livro cerca de 20 pessoas, que a autora tranquilizou , dizendo -lhes que os iria enviar o mais rapidamente possível pelo correio.
Estas iniciativas são muito importantes para a divulgação da cultura e para juntar em redor de um livro que tem tanto de romance como de didáctico um grupo de pessoas interessadas e atentas.
A todas as pessoas presentes no auditório da Casa de Turismo o meu bem haja e o meu enorme abraço de gratidão. Profª Zuzu