domingo, 4 de maio de 2014
sexta-feira, 2 de maio de 2014
quinta-feira, 24 de abril de 2014
quinta-feira, 17 de abril de 2014
quarta-feira, 12 de março de 2014
COMO VENCER UM OBSTÁCULO
![]() |
| Carmen Dolores |
A actriz Carmen Dolores foi entrevistada, muito recentemente,num programa de entrevistas na televisão. Por acaso, assisti ao mesmo e tive oportunidade de ouvir esta mulher linda e lúcida nos seus 80 e alguns anos.
Quando tinha já 80 anos foi convidada a fazer uma peça de teatro e deram-lhe mais de 40 páginas de texto para decorar. Olhou para aquele número de páginas e sentiu-se impotente. Então pensou que tinha que decorar o texto custasse o que custasse e pensou a melhor forma de o fazer.
Então pensou que tinha na sua frente um caminho cheio de pedras e de vidros partidos. Como o poderia atravessar?
A correr iria ficar com os pés todos feridos!! Dar um salto para ultrapassar o caminho seria ainda pior, pois iria partir-se toda!
Então, a melhor forma que encontrou para ultrapassar este caminho tão tenebroso e tortuoso foi: ajoelhou-se e com muita paciência começou a afastar com as mãos as pedras e os vidros espalhados no chão e muito lentamente, pôde avançar, pois já tinha o caminho limpo.
Com a sua voz calma e tranquila, Carmen Dolores continuou dizendo: "Não importa o tempo que se leva a fazer uma coisa difícil, importa que no final o resultado seja positivo e compensador."
Escrever sobre esta forma sapiente de encarar as dificuldades que se nos apresentam na vida. Dar a conhecer esta metáfora que tão importante é, para ultrapassarmos os obstáculos que diariamente se nos colocam.
AGOSTINHO DA SILVA
VELHICE
sábado, 15 de fevereiro de 2014
VERDADE....
Quando morres não te apercebes de que estás morto.
Só é doloroso para os outros.
Acontece o mesmo quando és estúpido.
Só é doloroso para os outros.
Acontece o mesmo quando és estúpido.
QUANDO SE TEM 65 ANOS...
De repente tudo vai ficando tão simples, que nos assusta.
A gente vai perdendo necessidades, vai reduzindo a bagagem.
As opiniões dos outros, são realmente dos outros e mesmo que sejam sobre nós, nã
o têm importância.
Vamos abrindo mão das certezas, pois já não temos certeza de nada. E, isso não faz a menor falta.
Paramos de julgar, pois já não existe certo ou errado e sim a vida que cada um escolheu experimentar.
Por fim, entendemos que tudo o que importa é ter sossego e paz, é viver sem medo, é fazer o que alegra o coração naquele momento.
(Autor desconhecido)
A gente vai perdendo necessidades, vai reduzindo a bagagem.
As opiniões dos outros, são realmente dos outros e mesmo que sejam sobre nós, nã
o têm importância.
Vamos abrindo mão das certezas, pois já não temos certeza de nada. E, isso não faz a menor falta.
Paramos de julgar, pois já não existe certo ou errado e sim a vida que cada um escolheu experimentar.
Por fim, entendemos que tudo o que importa é ter sossego e paz, é viver sem medo, é fazer o que alegra o coração naquele momento.
(Autor desconhecido)
terça-feira, 14 de janeiro de 2014
A DOENÇA DA SAUDADE
"Sofro da doença da saudade…" — ouvi há tempos de uma
senhora de 86 anos. Tentei explicar-lhe que a saudade não era uma doença,
mas depois da sua explicação, acabei por concordar com ela.
"Tenho saudades do tempo em que podia fazer tudo sozinha, em
que sabia fazer tudo sozinha. Sobretudo, tenho saudades do tempo em que nunca
estava sozinha. É uma doença que afecta principalmente as pessoas da minha
idade. Tem cura, mas deve ser cara, porque ainda ninguém se curou dela! A
viuvez é um dos sintomas, assim como o partir dos filhos para a cidade.
Os filhos por lá têm os netos e para cá pouco os trazem. Os que
(ao contrário de mim) estão perto, ainda os ajudam a criar, mas depois a dor
dobra. Perdem-se os filhos e os filhos dos filhos, que são nossos filhos a dobrar.
Vai-se piorando quando nos apercebemos de que eles só voltam no
Natal e nos anos. E quando já se fizeram muitos (anos), nós deixamos de os
contar e eles de se lembrar que os fizemos.
Depois, outras doenças, como a crise, entram na nossa casa e acabam
por se alojar no nosso corpo.
O problema da crise é que ela entra em conflito com a medicação
que até lá tomávamos e somos obrigados a parar. Ao parar os medicamentos,
nós paramos.
Eu deixei de ir ver a Emília, que mora a duas casas da minha, que
as pernas desistiram de se arrastar. Deixei de ver o Goucha e a Cristina, que a
visão turvou. Deixei de me baixar para alimentar o bichano, que o chão
fugia-me. Percebi, nessa altura, que a saudade atingira o seu pico.
Desde então, agarro-me às fotografias. Sei que pioram o meu
estado, mas gosto de me lembrar de quem fui e do que tive. Não para quantificar
o que perdi, mas para valorizar o que a vida me deu até aqui.
E estamos quase Natal, menina! O Natal está para a saudade como
Agosto está para a crise. Acalmamos algo que vai voltar com mais força, quando
já não temos forças para uma recaída. Triste é saber que, no final, vamos
resistir a essa recaída e, ao resistir-lhe, resistimos mais um ano.
No meu caso, vou enganando a doença com mezinhas. Às vezes
aparecem uns senhores de uma associação da terra cá em casa. Perguntam-me como
estou, esperam para ouvir a resposta e sinto-me logo melhor. Mas à noite, à
noite fico sozinha e a alma dói-me. O corpo não me preocupa. Escorre-me uma
água salgada pelos olhos e isso, menina, isso já não me dói!"
Concordei. A saudade é uma doença dos nossos dias.
Bárbara Matias, aspirante a
jornalista. Estudante de Mestrado em Ciências da Comunicação na UTAD
Texto de Bárbara Matias • 06/11/2013 -
17:04
quarta-feira, 25 de dezembro de 2013
DIA DE NATAL
Hoje é dia de ser bom.
É dia de passar a mão pelo rosto das crianças,
de falar e de ouvir com mavioso tom,
de abraçar toda a gente e de oferecer lembranças.
É dia de pensar nos outros— coitadinhos— nos que padecem,
de lhes darmos coragem para poderem continuar a aceitar a sua miséria,
de perdoar aos nossos inimigos, mesmo aos que não merecem,
de meditar sobre a nossa existência, tão efémera e tão séria.
Comove tanta fraternidade universal.
É só abrir o rádio e logo um coro de anjos,
como se de anjos fosse,
numa toada doce,
de violas e banjos,
Entoa gravemente um hino ao Criador.
E mal se extinguem os clamores plangentes,
a voz do locutor
anuncia o melhor dos detergentes.
De novo a melopeia inunda a Terra e o Céu
e as vozes crescem num fervor patético.
(Vossa Excelência verificou a hora exacta em que o Menino Jesus nasceu?
Não seja estúpido! Compre imediatamente um relógio de pulso antimagnético.)
Torna-se difícil caminhar nas preciosas ruas.
Toda a gente se acotovela, se multiplica em gestos, esfuziante.
Todos participam nas alegrias dos outros como se fossem suas
e fazem adeuses enluvados aos bons amigos que passam mais distante.
Nas lojas, na luxúria das montras e dos escaparates,
com subtis requintes de bom gosto e de engenhosa dinâmica,
cintilam, sob o intenso fluxo de milhares de quilovates,
as belas coisas inúteis de plástico, de metal, de vidro e de cerâmica.
Os olhos acorrem, num alvoroço liquefeito,
ao chamamento voluptuoso dos brilhos e das cores.
É como se tudo aquilo nos dissesse directamente respeito,
como se o Céu olhasse para nós e nos cobrisse de bênçãos e favores.
A Oratória de Bach embruxa toda a atmosfera do arruamento.
Adivinha-se uma roupagem diáfana a desembrulhar-se no ar.
E a gente, mesmo sem querer, entra no estabelecimento
e compra— louvado seja o Senhor!— o que nunca tinha pensado comprar.
Mas a maior felicidade é a da gente pequena.
Naquela véspera santa
a sua comoção é tanta, tanta, tanta,
que nem dorme serena.
Cada menino
abre um olhinho
na noite incerta
para ver se a aurora
já está desperta.
De manhãzinha,
salta da cama,
corre à cozinha
mesmo em pijama.
Ah!!!!!!!!!!
Na branda macieza
da matutina luz
aguarda-o a surpresa
do Menino Jesus.
Jesus
o doce Jesus,
o mesmo que nasceu na manjedoura,
veio pôr no sapatinho
do Pedrinho
uma metralhadora.
Que alegria
reinou naquela casa em todo o santo dia!
O Pedrinho, estrategicamente escondido atrás das portas,
fuzilava tudo com devastadoras rajadas
e obrigava as criadas
a caírem no chão como se fossem mortas:
Tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá- tá-tá-tá.
Já está!
E fazia-as erguer para de novo matá-las.
E até mesmo a mamã e o sisudo papá
fingiam
que caíam
crivados de balas.
Dia de Confraternização Universal,
Dia de Amor, de Paz, de Felicidade,
de Sonhos e Venturas.
É dia de Natal.
Paz na Terra aos Homens de Boa Vontade.
Glória a Deus nas Alturas.
António Gedeão
terça-feira, 17 de dezembro de 2013
FLORES PARA FLORBELA


A Conferência de S. Vicente de Paulo de Vila Viçosa debate-se com dificuldades para poder ajudar todos aqueles que lhes pedem auxilio; assim, as Vicentinas resolveram prestar uma homenagem a Florbela Espanca, elaborando uma manta de rosetas em lã, que foi rifada, revertendo esse dinheiro para a Conferência. O Projecto teve a participação activa das senhoras idosas do Chá das Quartas -Feiras e de muitas outras senhoras que quiseram fazer rosetas. A supervisão e a organização do projecto esteve a cargo da Cristina Lopes, da Oficina da Borboleta Maria , http://oficinaborboletamaria.blogspot.pt . A colcha foi exposta no Cine-Teatro Florbela Espanca no dia 7 de Dezembro, pelas 15 horas, assim como foi inaugurada a exposição sobre o mesmo tema ( Flores para Florbela) com trabalhos elaborados pelos alunos das escolas de Vila Viçosa, que apresentaram trabalhos interessantíssimos.
O dia 14 de Dezembro foi o escolhido para se realizar a festa no Cine-Teatro e se proceder ao sorteio da manta.
A festa iniciou-se às 15 horas com um grupo de jovens bailarinas
Performance " Flores para Florbela" , interpretação 100SATION, coreografia:Ana Cravo e Susana Nascimento, Mix de som: Ana Cravo, João Alexandre e Maria João Reis a partir da recreação do poema: "AMAR" de Florbela Espanca por Teresa Almeida.
15.30H - "Florbela" um diálogo Professora Doutora Ana Luísa Vilela e Tiago Salgueiro
Poemas musicados: Adelino Silva com um grupo de jovens músicos, Cecília Frade e Maria Zulmira Baleiro
16H - Conversa informal, chá, bolos e bolachinhas
17H - Sorteio da Manta
17.30H - Encerramento da exposição
Pediram-me para dizer alguns poemas de Florbela Espanca e assim eu escolhi estes :
Li um dia, não sei onde
Que em todos os namorados
Uns amam muito, e os outros
Contentam-se em ser amados
**********************
Nunca fui como todos...
Nunca tive amigos...
Nunca fui favorita...
Nunca fui o que os meus pais queriam...
Nunca tive alguém a quem amasse...
Mas tive somente a mim
A minha absoluta verdade
Meu verdadeiro pensamento
O meu conforto nas horas de sofrimento
Não vivo sozinha porque gosto
Mas sim porque aprendi a ser só...
***********************
SAUDADES
Saudades! Sim...talvez...e porque não?...
Se o nosso sonho foi tão alto e forte
Que bem pensara vê-lo até à morte
Deslumbrar-me de luz o coração!
Esquecer! Para quê?... Ah! como é vão!
Que tudo isso, Amor, nos não importe.
Se ele deixou beleza que conforte
Deve-nos ser sagrado como pão!
Quantas vezes, Amor, já te esqueci,
Para mais doidamente me lembrar,
Mais doidamente me lembrar de ti!
E quem dera que fosse sempre assim:
Quanto menos quisesse recordar
Mais a saudade andasse presa a mim!
*************************
Foi uma homenagem a Florbela Espanca muito original e muito sentida. O clima de festa que ali se viveu foi muito apreciado por todos os presentes. Eu senti-me bem e feliz por poder participar neste projecto.
As conferências Vicentinas são associações de leigos Cristãos, vocacionadas para o auxilio aos "pobres envergonhados" e que hoje são consideradas de Solidariedade Social, que tiveram o seu início nos bairros pobres de Paris em 1833, devido à dedicação de Frederico Ozanan, que inspirou a sua obra na missão caritativa de S. Vicente de Paulo.
A humildade de Ozana e dos seus companheiros, que silenciosamente levavam aos marginalizados não só o pão que necessitavam, mas também uma palavra de alento e esperança, de acordo com os ditames do Evangelho. O sucesso foi tão grande, que em pouco tempo as Conferências se difundiram por toda a Europa e passado meio século já estavam implantadas em Portugal.
quarta-feira, 16 de outubro de 2013
A PORTA DA CASA DE MEUS PAIS
A porta de entrada da
casa onde vivi desde o ano de idade até à minha adolescência é uma porta em
madeira, envernizada, de duas partes, que abrem ao meio. Tem um postigo de cada
lado, com postigos de vidro, que se podem abrir nos dias quentes de verão ou
quando queríamos saber quem é que nos estava a bater à porta, a horas tardias.
Os postigos são protegidos com grades em ferro forjado que lhe dão uma certa majestade Por cima, tem uma “bandeira” com uma grade em ferro forjado, por
onde entra a luz do sol .
Há noite, os ferrolhos
de cima e de baixo são puxados para que haja segurança, e nos sintamos seguros
dentro da casa.
A fechadura era já de pique-porte.
Por isso a chave é uma chave pequena, que abre com alguma dificuldade a porta.
Tem que se dar um certo jeito, para que a fechadura se abra, sempre a conheci
assim...
Quando alguém quer
entrar em casa, bate num batente em forma de “mãozinha”, cujas pancadas ecoam
por toda a casa.
Não é uma porta muito
larga, até posso dizer que é estreita, pois quando queremos passar, de verão
ainda se abre razoavelmente, mas de Inverno, como empena, fica uma fresta por
onde temos que nos esgueirar e apertar para podermos entrar ou sair da casa.
Esta porta da casa dos meus pais só era usada de
manhã muito cedo, à noite ou durante o fim-de-semana, pois todos as
pessoas que queriam entrar ou sair da
casa iam pela porta da loja, que estava sempre aberta, desde as 9 horas da
manhã até às 21 horas, hora a que se fechava definitivamente a porta da loja,
depois de se varrer e se lavar o chão.
Logo muito cedo, pelas
7 horas da manhã, batia a leiteira à porta, e a minha Tita ia abrir e receber o
leite no fervedor; o leite era transportado num cântaro de lata e era medido com
uma das medidas também de lata que a leiteira transportava presas umas às
outras por um cordel. Ela enchia a medida, que normalmente era a de 1 litro, e
com muito cuidado para não entornar uma gota sequer, vertia o leite para dentro
do fervedor de alumínio, que era enorme, devia levar 1,5litro ou 2 litros, pois
como éramos muitos lá em casa, sempre gastámos bastante leite. Por vezes, as
vacas não davam tanto leite como era habitual e a Srª Maria Chica só nos
dispensava ¾ de litro, para grande arrelia da minha mãe, que queria que todos
nós bebessemos um copo de leite ao pequeno-almoço. O leite era muito forte, tinha
sempre muita nata, e por mais que se passasse com o passador, passava sempre
para a caneca alguma gordura que sempre me agoniou imenso, ainda hoje detesto a
nata do leite.
A porta tem uma caixa
para o correio, com uma tampa em ferro que protege a caixa de madeira para onde
caem as cartas, quando o carteiro as enfiava na ranhura da caixa de correio. A
maioria das vezes, o carteiro ia entregar a correspondência à loja, pois como
esta estava aberta e havia sempre alguém para recebê-lo, a minha mãe ou um empregado,
o correio era entregue em mão.
A soleira ou portado,
tinha uma pedra mármore branquíssima, que era esfregada todos os dias, assim
como a rua era varrida todos ops dias, logo pela manhã. A pedras com o uso
excessivo começou a ficar desgastada e a fazer uma grande curva por onde
entrava muito pó; então, a minha mãe teve a ideia de colocar por cima dessa
pedra uma outra pedra mármore e assim ficaram duas pedras em cima uma da outra
o que obrigou o portado a subir. Quando vou a entrar ou a sair esbarro sempre
nas pedras, pois no meu inconsciente ainda só lá se encontra a primitiva pedra
mármore branquissima. Fico sempre irritada quando tenho que passar por lá, pois
para além de esbarrar na pedra, também a porta não se abre completamente por
estar empenada e é com algum esforço que passamos pelo espaço que a porta nos
deixa abrir.
Está velha, tudo está
velho, a porta, a casa e até os meus pais que eu recordo com imensa saudade
ainda jovens, à porta da rua a verem-me a mim e ao meu irmão a andar de bicicleta
e a brincar com os amigos e vizinhos da rua. Como eu me lembro da alegria no
interior da casa, quando se ouviam as pancadas da “mãozinha” e sabíamos que
vinham a chegar os tios e as primas de Estremoz. Os carros ficavam do outro
lado da rua, no recanto que ainda hoje lá existe, junto à casa do prima Maria
Inácia, e nós íamos numa enorme excitação abrir a porta, às visitas que vinha
almoçar, lanchar ou simplesmente passar a tarde, que terminava sempre com um lanche
na mesa de pedra mármore do alpendre ou do quintal.
Quando eu era pequena,
adorava andar descalça no alcatrão a escaldar da rua, então descalçava as
sandálias, colocava-as atrás da porta e lá ia eu toda contente jogar ao avião, à apanhada ou ao às 5 pedrinhas . Andar descalça dava-me uma enorme sensação de
liberdade. Quando a minha mãe via as sandálias atrás da porta, chamava-me muito
zangada e alguma vezes, apanhei no rabo,
por ter aquela mania de me descalçar. No verão, o chão das diversas
dependências da casa era de cimento vermelho, de mosaicos por isso era muito
fresco, eu adorava andar descalça, mas nunca me deixavam porque podia ficar com
anginas. A minha vontade de andar descalça levou-me muitas vezes a levar uns
sopapos da minha mãe, que tinha uma verdadeira paranóia quando me via descalça,
pois segundo ela podíamo-nos constipar. Fui de tal maneira repreendida que hoje
não sei andar descalça em casa. Mal tomo banho enfio logo uns chinelos e quando
me levanto da cama tenho logo ali uns chinelos para calçar, mas descalça é que
eu não sou capaz de andar!!!!
A JANELA
As janelas da casa da
minha infância nunca me despertaram grande interesse. Há uma janela no quarto
de meus pais e outra na sala de jantar São pequenas, estreitas e ficam muito altas em relação ao chão, e por isso, mandaram
fazer uns estrados em madeira de 25 centímetros de altura por 30 de largura, colocados
nos vãos das janelas, para que mais facilmente se chegasse à janela e se
pudesse olhar cá para fora. As janelas não são airosas nem alegres, e por isso,
a luz que por elas entra não é muito forte, o que dá às duas divisões um ar
triste e pouco iluminado.
Quando queremos ver
algo que se passa na rua, temos que subir para o estrado, e de cima deste, podemos
então, olhar a rua. Isso, sempre fez que eu nunca gostasse daquelas janelas. De
dentro para fora, quando estamos sentados à camilha não vemos nada do que se
passa lá fora. Se ouvimos algum barulho diferente, então, lá temos que subir
para o estrado, abrir a janela e espreitar lá para fora. De fora para dentro,
vive-se a mesma situação, como são muito altas, ninguém pode vir e espreitar à
janela, não se vê nada cá para dentro.
Quando eu era muito
pequena, gostava de brincar com as minhas bonecas no estrado da janela da casa
de jantar, sentava-me ali e passava algum tempo entretida a brincar, mas não
muito tempo, porque aquele lugar não tinha sol e eu sentia-o um espaço escuro e
fechado...
Aos Domingos, as amigas
ou as primas da minha mãe vinham lanchar com ela, então depois do lanche, nas
tardes sem chuva, punham-se à janela, onde só cabem duas pessoas, e por isso
quando era mais gente, tinham que fazer à vez. Lembro-me de vê-las com os seus
melhores vestidos, muito bem penteadas e algumas delas, até se atreviam a pôr
um pouco de “rouge” ou de pó-de-arroz, mas nunca pintavam os lábios, pois isso
não era de “bom tom” numa senhora casada.
Quando eu tinha os meus
cinco ou seis anos de idade, veio para Casa Branca um casal, o Sr. Escobar que
era empregado de escritório do Sr. Martinho Rovisco e a D. Rosinha, uma jovem
mulher muito bonita, muito elegante, que vestia muito bem e se arranjava como
uma senhora da cidade. Penteava-se com uma linda trança que era o enlevo de
toda a gente, tinha uma cara muito bonita que as pinturas ajudavam a realçar. Faziam
um casal muito bonito, muito elegante, eram jovens e muito bem dispostos.
Tinham um filho, o Sérgio, que era da minha idade. Os meus pais fizeram amizade
com eles. Todas as tardes de Domingo, os três vinham para nossa casa, onde
lanchavam e jantavam. A minha mãe gostava imenso da companhia da D. Rosinha que
era mais evoluída que a maioria das amigas de minha mãe, e por isso lhe dava
muitos conselhos sobre as modas daquela estação, cremes para o rosto, e até
sugestões para se começarem a pintar... de culinária e sobre a decoração da
casa... lembro-me que nessa época a minha mãe começou a dar mais atenção à
maneira como se arranjava e começou a usar creme de beleza na cara.
Há um episódio muito
engraçado, que ainda hoje é falado aqui em casa. Quando se ia a Lisboa, a
viagem era de quatro a cinco horas, na furgoneta de meu pai. Então tínhamos que
nos levantar por volta das quatro ou cinco horas da manhã, para se chegar a
Lisboa pela manhã. Eu nesse dia não ia, estava a dormir no meu quarto. A minha
mãe andava a preparar-se e a arranjar-se para saírem o mais cedo possível. A
minha mãe chegou ao meu quarto, com as pressas do costume e pergunta-me: - “Oh
filha, onde é que está o creme para a cara?” e eu muito ensonada, disse-lhe: “
Oh mãe, está ali!” e apontei para uma das gavetas do psiché que havia no meu
quarto. A minha mãe abre a gaveta e vê outro creme e não o que ela procurava,
então muito rapidamente diz: “Oh filha não é este, é Benamor!!!!” . Sempre que estamos a falar de cremes de
beleza, vem esta “história” à baila “ Oh filha é Benamor!!!” é uma risota, pois vem-nos à
memória os dias felizes que vivíamos naquela época, onde os meus pais eram um
jovem casal, divertido, muito trabalhadores mas ao mesmo tempo muito divertidos,
e eu e o meu irmão éramos duas crianças saudáveis, bem dispostas e muito, muito
felizes.domingo, 13 de outubro de 2013
OS BAILES DE CASA BRANCA por Tia Marilena
E a propósito da Casa Branca.....
Ia-se lá na altura das festas e ia-se ao baile, e dizia o senhor ao microfone alto e em bom som ( não fosse alguém menos atento não ouvir) :
Senhoras e senhores o baile vai começar. Avisam-se todos que estão proibidas todas as mijanceiras e caganceiras à porta desta função, quem não assim proceder será chamado à direcção, mais se avisam que não podem prantar os pés arriba das mesas por môde de não aquebrantar os basaréus de vidro. Comece o baile.
E o baile começava e nós lá bailávamos. Depois, já tardinho, lá íamos para casa da avó Bárbara entre risos em surdina e pchius e argolas de massa finta (que nunca mais comi como aquelas) lá nos deitávamos para descansar os pés….
AS ARGOLAS DA AVÓ BÁRBARA
Agora é só puxar pela memória!!!
Lembram-se das argolas da avó Bárbara???? Eram célebres.
Aí vai a receita:
ARGOLAS DA AVÓ BÁRBARA
1Kg de pão em massa
1/2 kg de açucar
2 tigelas de leite ( agora serão canecas!)
1/4l de azeite (Alentejano de preferência!!!)
1 colher (sopa)Canela em pó
Raspas da casca de 1 limão
1 colher de chá de bicarbonato
Farinha para amassar e tender
Põe-se o pão em massa num alguidar, juntam-se os ingredientes todos e vai-se amassando com farinha até tender.
Fazem-se uma torcidas com a massa e faz-se o feitio de argola. Colocam-se no tabuleiro untado de azeite e polvilhado de farinha e vão a cozer no forno.
A avó Bárbara levava as latas com as argolas ao forno de lenha da padaria, onde as argolas eram cozidas. Algum tempo depois, iam-se buscar, lourinhas e tenrinhas.
Quando vinham mornas eram deliciosas!!!.
Depois, a avó guardava-as dentro de uma grande panela de esmalte, na despensa, iluminada pela luz difusa da clarabóia, junto à cozinha e duravam para toda a semana.
Quanto mais o tempo passava, melhor ficavam.
Eram comidas ao pequeno-almoço, ao lanche e ao deitar a acompanhar o caldo de farinha que a avó fazia com todo o preceito, para que não tivesse grumos.
Quando queríamos uma argola, não a íamos buscar à panela.Pedíamos à avó Barbara: "Avó, dê-me uma argola!" e a avó, levantava-se, com toda a calma da cadeira onde estava sentada ao lume ou à camilia e com todo o vagar, dirigia-se para a despensa. Abria a porta da despensa que estava sempre fechada, dirigia-se à panela de esmalte, tirava a tampa, e dava-nos uma ( 1! ) argola! Nós tínhamos que comê-la com todo o cuidado, para não deixarmos cair migalhas, nem no chão nem no tampo da camilia." Não me sujem o chão com migalhas!!! comam devagar!!! mastiguem bem!!" e a avó continuava: "O meu pai que Deus tem, comia sempre muito devagar, até o leite mastigava!!!" e nós crianças achávamos aquilo muito estranho?!! até o leite mastigava??!!
Afinal, nos dias de hoje, em pleno século XXI, é o que os médicos dietistas e nutricionistas recomendam e aconselham - Comer muito devagar e mastigar bem...! Como a avó Bárbara diria:
" O meu pai foi sempre uma pessoa muito culta e muito inteligente! Lia muito e depois seguia os conselhos que tirava dos livros!!" Assim era o nosso bisavô João Falcato!!!
Luzazul
Lembram-se das argolas da avó Bárbara???? Eram célebres.
Aí vai a receita:
ARGOLAS DA AVÓ BÁRBARA
1Kg de pão em massa
1/2 kg de açucar
2 tigelas de leite ( agora serão canecas!)
1/4l de azeite (Alentejano de preferência!!!)
1 colher (sopa)Canela em pó
Raspas da casca de 1 limão
1 colher de chá de bicarbonato
Farinha para amassar e tender
Põe-se o pão em massa num alguidar, juntam-se os ingredientes todos e vai-se amassando com farinha até tender.
Fazem-se uma torcidas com a massa e faz-se o feitio de argola. Colocam-se no tabuleiro untado de azeite e polvilhado de farinha e vão a cozer no forno.
A avó Bárbara levava as latas com as argolas ao forno de lenha da padaria, onde as argolas eram cozidas. Algum tempo depois, iam-se buscar, lourinhas e tenrinhas.
Quando vinham mornas eram deliciosas!!!.
Depois, a avó guardava-as dentro de uma grande panela de esmalte, na despensa, iluminada pela luz difusa da clarabóia, junto à cozinha e duravam para toda a semana.
Quanto mais o tempo passava, melhor ficavam.
Eram comidas ao pequeno-almoço, ao lanche e ao deitar a acompanhar o caldo de farinha que a avó fazia com todo o preceito, para que não tivesse grumos.
Quando queríamos uma argola, não a íamos buscar à panela.Pedíamos à avó Barbara: "Avó, dê-me uma argola!" e a avó, levantava-se, com toda a calma da cadeira onde estava sentada ao lume ou à camilia e com todo o vagar, dirigia-se para a despensa. Abria a porta da despensa que estava sempre fechada, dirigia-se à panela de esmalte, tirava a tampa, e dava-nos uma ( 1! ) argola! Nós tínhamos que comê-la com todo o cuidado, para não deixarmos cair migalhas, nem no chão nem no tampo da camilia." Não me sujem o chão com migalhas!!! comam devagar!!! mastiguem bem!!" e a avó continuava: "O meu pai que Deus tem, comia sempre muito devagar, até o leite mastigava!!!" e nós crianças achávamos aquilo muito estranho?!! até o leite mastigava??!!
Afinal, nos dias de hoje, em pleno século XXI, é o que os médicos dietistas e nutricionistas recomendam e aconselham - Comer muito devagar e mastigar bem...! Como a avó Bárbara diria:
" O meu pai foi sempre uma pessoa muito culta e muito inteligente! Lia muito e depois seguia os conselhos que tirava dos livros!!" Assim era o nosso bisavô João Falcato!!!
Luzazul
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