segunda-feira, 3 de junho de 2013
quarta-feira, 29 de maio de 2013
O grito
Amália Rodrigues
Silêncio!
Do silêncio faço um grito,
Que o corpo todo me dói.
Deixai-me chorar um pouco...
Sombra, à sombra,
A um céu, tão recolhido
De sombra assombrada
Já lhe perdi o sentido.
Ó céu!
É que me falta luz,
É que me falta uma estrela.
Chora-se mais,
Quando se vive atrás dela.
E eu,
A quem o céu esqueceu,
Sou eu que o mundo perdeu.
Só choro agora
Por quem morre e já não chora.
Do silêncio faço um grito,
Que o corpo todo me dói.
Deixai-me chorar um pouco...
Sombra, à sombra,
A um céu, tão recolhido
De sombra assombrada
Já lhe perdi o sentido.
Ó céu!
É que me falta luz,
É que me falta uma estrela.
Chora-se mais,
Quando se vive atrás dela.
E eu,
A quem o céu esqueceu,
Sou eu que o mundo perdeu.
Só choro agora
Por quem morre e já não chora.
Solidão!
Que nem mesmo essa é inteira,
Há sempre uma companheira:
Uma profunda amargura.
Ai, solidão!
Que me fora escorpião!
Ai, solidão!
E se mordera a cabeça!
Deus!
Já fui pra além da vida!
Do que já fui, tenho sede!
Sou sombra triste
Encostada a uma parede.
Adeus!
Vida que tanto duras!
Vem morte,
Que tanto tardas!
Ai, como dói
A solidão, quase loucura!
Link: http://www.vagalume.com.br/amalia-rodrigues/grito.html#ixzz2UjQiw4DT
Que nem mesmo essa é inteira,
Há sempre uma companheira:
Uma profunda amargura.
Ai, solidão!
Que me fora escorpião!
Ai, solidão!
E se mordera a cabeça!
Deus!
Já fui pra além da vida!
Do que já fui, tenho sede!
Sou sombra triste
Encostada a uma parede.
Adeus!
Vida que tanto duras!
Vem morte,
Que tanto tardas!
Ai, como dói
A solidão, quase loucura!
Link: http://www.vagalume.com.br/amalia-rodrigues/grito.html#ixzz2UjQiw4DT
terça-feira, 28 de maio de 2013
segunda-feira, 27 de maio de 2013
Quando a morte não mata
Quando a morte não mata (Poema publicado por José Manuel Varela de Almeida
Eu não tenho muito jeito para as palavras, mas o meu Tio José Varela, tinha um dom especial para as colocar no papel. Quero deixar aqui um Poema que foi escrito por ele em 1987 após a morte de sua Mãe, nossa Avó, Barbara Falcato Varela, que é lindíssimo e que agora dedico a ele também.
O teu corpo morreu, mãe...
Só o teu corpo.
E porque, eu compreendo agora
Que um corpo morre quando a alma não cabe nele.
Almas grandes e nobres como a tua,
Sufocam, prisioneiras, das grades do corpo.
E libertam-se.
E a tua libertou-se.
E agora que o teu corpo ficou vazio, mãe,
- E porque tão viva vives dentro de mim -
Absurdo, pôr mais em dúvida a imortalidade da alma.
Mesmo o teu corpo não perecerá em vão:
Em paulatina osmose ele regressará à terra,
(À terra que ele já foi e de onde tudo vem,
A terra que guarda em si a génese de todas as coisas)
E viverá nas plantas...
E viverá nas flores...
E viverá nos frutos;
Nos frutos que darão a vida aos pássaros.
Logo, mãe, eu concluo:
A natureza é a sublimação das coisas,
E eu tenho-te agora maior do que tudo no Mundo.
Do tamanho do Universo.
Estarás agora em tudo,
E no nada,
E na natureza.
E nela viverás em cada Primavera
Que se renova,
Sempre. Sempre. SEMPRE!
O teu corpo morreu, mãe...
Só o teu corpo.
E porque, eu compreendo agora
Que um corpo morre quando a alma não cabe nele.
Almas grandes e nobres como a tua,
Sufocam, prisioneiras, das grades do corpo.
E libertam-se.
E a tua libertou-se.
E agora que o teu corpo ficou vazio, mãe,
- E porque tão viva vives dentro de mim -
Absurdo, pôr mais em dúvida a imortalidade da alma.
Mesmo o teu corpo não perecerá em vão:
Em paulatina osmose ele regressará à terra,
(À terra que ele já foi e de onde tudo vem,
A terra que guarda em si a génese de todas as coisas)
E viverá nas plantas...
E viverá nas flores...
E viverá nos frutos;
Nos frutos que darão a vida aos pássaros.
Logo, mãe, eu concluo:
A natureza é a sublimação das coisas,
E eu tenho-te agora maior do que tudo no Mundo.
Do tamanho do Universo.
Estarás agora em tudo,
E no nada,
E na natureza.
E nela viverás em cada Primavera
Que se renova,
Sempre. Sempre. SEMPRE!
MENINAS MASCARADAS
Ao centro a Marianita ( Mariana Alves Mira), filha da Tiasinha ( Monica, irmã mais velha do Tio Zé Alves). À esquerda, suponho, a Maria Guiomar , filha do Tio João Alves e à direita talvez uma prima da Maria Guiomar, enfim estes nomes também dizem muito pouco ou nada à maior parte de vós.
Como era diferente o carnaval nesta altura, e nem pensam como senti o tempo que passou ao escrever " anos 20 do século passado" e na minha memória ter muito vivas as pessoas que viveram este tempo.
AVÔ ANÍBAL
Avô Anibal - Parte I (Texto da Ana Alves)
| CASAMENTO DO TIO ANÍBAL E DA TIA NATÁLIA SIMÕES |
Lembro-me dele sempre meio velho, de barbas, barrigudo, careca (havia até uma gaiata parva lá na rua, que lhe chamava Pai Natal, que eu achava absurdo, o Pai Natal era a MariFelismina...), e a tremer... E o que ele tremia... Lembro-me que de manhã ele ia sempre levar o leite com nesquik e miluvit à minha avó, e não era preciso ser-se um Sherlock Homes para descobrir exactamente o caminho percorrido por ele, bastava seguir as gotas de leite, e eu um mini Watson, lá ia atrás dele com uma esponja na mão a limpar.
Era o meu avô que me acordava todas as manhã para eu ir à escola. Durante a semana, acordava-me da seguinte maneira: enfiava-me a mão debaixo dos lençois e procurava um pé, assim que o descobria, desatava a puxar-me os dedos, a fazer cócegas, a puxar os dedos, a puxar, e eu, a encolher-me, a encolher, até que ficava toda deitada só na almofada e dizia "já acordei!!", e ele ia todo contente preparar o leite com nesquik e miluvit para a minha avó. Quando chegava o fim-de-semana, era diferente, a especialidade era outra. Imaginem-se a dormir profundamente, e quando menos estão à espera, PIMBA, um saco gorduroso com cheiro a brinhol, vulgo farturas, e cheio de brinhol na cara. Era extraordinário, por mais que eu o tentasse enganar, ou esconder a cara, ele acertava sempre, eu tinha mesmo que levar com aquele saco na cara pela manhã, escusado será dizer que ainda hj o brinhol não é o doce de feira que mais me encanta...
publicada por Rosa Albardeira
O BLOG DOS FALCATOS A NU... ESPERO QUE ME PERDOEM...
Tenho uma explicação a dar aos meus queridos familiares que escrevem como eu no blog "Falcatos a nu..."
Há muito tempo que este blog está praticamente inactivo, o que é uma pena, pois há textos e fotos de família que eu não queria perder de todo. Assim, tomei a ousadia de ir buscar alguns posts ao blog e colocá-los aqui no meu. Penso que não vão ficar zangados comigo, pois esta atitude é como já anteriormente disse, uma forma de não deixar que belíssimos textos caiam no esquecimento. As fotos de tantos acontecimentos que vivemos juntos são uma forma de mostrar como somos uma família unida e divertida.
as minhas desculpas
zuzu
sexta-feira, 24 de maio de 2013
ARVORE GENEALÓGICA FEITA PELA TIA MARILENA
A KIKICA
A kikika , Francis, ou Francisca como vem no B.I.
As minhas filhas eram muito ligadas a ela que retribuía na mesma moeda e lhes fazia todas as vontades.
Na Primária a professora da Lena mandou-as fazer uma composição sobre a pessoa de quem mais gostassem. Como era de prever todas falaram da mãe ou, no caso de já não a terem , de quem a substituísse: avó, madrinha, etc.
A boa da Lena, que até tinha muito jeito para escrever, começou mais ou menos assim:
Chama-se Francisca mas para mim é a Quiquica. E por ali continuava enumerando todas as qualidades da sua amiga, até a professora ver o que ela estava a escrever.
-Então tu vais escrever sobre uma CRIADA?!!! como sendo a pessoa de quem mais gostas?!!
Não tens a tua mãe, o teu pai ou mesmo a tua avó? Uma criada!!! E, dizendo isto, amarfanhou-lhe a redacção e fê-la começar de novo.
Chegou a casa muito zangada. Pois se era da Quiquica que ela gostava mais, porque é que teria de falar doutra pessoa?...
Ainda hoje, sempre que vem a Estremoz, a Francisca está escalada para lhe vir fazer as papas para o pequeno almoço dela e dos filhos.
Por aqui chamamos-lhe a madre Teresa de Calcutá. Está sempre preocupada com alguém: sobrinhos, irmã, marido, amigos...
Porque estão doentes, porque estão magros, porque estão gordos, tudo a preocupa e está sempre pronta a ajudar.
É uma amiga e é mais que família.
tilena
Na Primária a professora da Lena mandou-as fazer uma composição sobre a pessoa de quem mais gostassem. Como era de prever todas falaram da mãe ou, no caso de já não a terem , de quem a substituísse: avó, madrinha, etc.
A boa da Lena, que até tinha muito jeito para escrever, começou mais ou menos assim:
Chama-se Francisca mas para mim é a Quiquica. E por ali continuava enumerando todas as qualidades da sua amiga, até a professora ver o que ela estava a escrever.
-Então tu vais escrever sobre uma CRIADA?!!! como sendo a pessoa de quem mais gostas?!!
Não tens a tua mãe, o teu pai ou mesmo a tua avó? Uma criada!!! E, dizendo isto, amarfanhou-lhe a redacção e fê-la começar de novo.
Chegou a casa muito zangada. Pois se era da Quiquica que ela gostava mais, porque é que teria de falar doutra pessoa?...
Ainda hoje, sempre que vem a Estremoz, a Francisca está escalada para lhe vir fazer as papas para o pequeno almoço dela e dos filhos.
Por aqui chamamos-lhe a madre Teresa de Calcutá. Está sempre preocupada com alguém: sobrinhos, irmã, marido, amigos...
Porque estão doentes, porque estão magros, porque estão gordos, tudo a preocupa e está sempre pronta a ajudar.
É uma amiga e é mais que família.
tilena
O MEU PADRINHO JOÃO FALCATO
(texto escrito pelo tio jacinto Varela)
O meu padrinho João Falcato era um homem gordo com uma grande "bigodaça". Tinha dois filhos, a Maria Josefa e o João, também gordo como ele e "amigo dos copos".
Eram agricultores pois tinham uns olivais e, à parte disso, tinha uma oficina de abegão (carpintarias para a agricultura, para os carros de animais, etc..
Como tínhamos ficado sem pai, eu com 7 anos, a Amélia 11 meses mais velha, 2 irmãos mais novos e a Maria José ainda na barriga da mãe, o meu padrinho tratava-me com muita amizade. Lembro-me que, no dia em que fiz 7 ou 8 anos, me chamou para me dar uma moeda de 5$00 como prenda de anos o que, naqueles tempos, era uma "fortuna". Fui para casa todo satisfeito dizer à minha mãe:
-Ó mãe, olhe lá o que o meu padrinho me deu!!
-Ó filho guarda-o para comprares o material para a escola !- o que eu devo ter feito...O meu padrinho morava na rua de Avis, frente ao meu avô João Falcato de quem era primo direito.
Jacinto Varela
Como tínhamos ficado sem pai, eu com 7 anos, a Amélia 11 meses mais velha, 2 irmãos mais novos e a Maria José ainda na barriga da mãe, o meu padrinho tratava-me com muita amizade. Lembro-me que, no dia em que fiz 7 ou 8 anos, me chamou para me dar uma moeda de 5$00 como prenda de anos o que, naqueles tempos, era uma "fortuna". Fui para casa todo satisfeito dizer à minha mãe:
-Ó mãe, olhe lá o que o meu padrinho me deu!!
-Ó filho guarda-o para comprares o material para a escola !- o que eu devo ter feito...O meu padrinho morava na rua de Avis, frente ao meu avô João Falcato de quem era primo direito.
Jacinto Varela
O PRIMO MÁXIMO ROCHA FALCATO
(texto do tio Jacinto Varela)
Na mesma rua e perto do meu avô morava outro primo de ambos, Máximo Rocha Falcato que tinha uma loja de fazendas, como se dizia naquele tempo.
O primo Máximo tinha 3 filhos: o José , o Júlio e o Jica . O José Falcato era da minha idade e éramos companheiros de paródia.
Como os pais viviam bem, compraram-lhe uma bicicleta coisa que, por muito que o desejasse, a minha mãe nunca me poderia comprar. E era na bicicleta dele que eu andava muitas vezes mas, quando o passeio era mais demorado, para o Cano ou para o campo e ele também ia, então alugava uma bicicleta ao primo José Tomás.
Infelizmente, o José morreu num desastre de moto quando regressava com o primo dele, o Arnaldo, de um baile de máscaras em Estremoz. Dizem que ainda trazia vestidos os "dominós"-traje de carnaval muito usado naquela época- que, com o vento, lhe tapou a cara, originando o despiste fatal e a morte dos dois.
O Arnaldo era primo direito do Constantino , vivia na casa ao lado e , como o quintais comunicavam este ia muito para lá conviver, com os primos e amigos de Estremoz, como a Tilena que passava os dias de férias em casa da tia Alice.
Jacinto Varela
O primo Máximo tinha 3 filhos: o José , o Júlio e o Jica . O José Falcato era da minha idade e éramos companheiros de paródia.
Como os pais viviam bem, compraram-lhe uma bicicleta coisa que, por muito que o desejasse, a minha mãe nunca me poderia comprar. E era na bicicleta dele que eu andava muitas vezes mas, quando o passeio era mais demorado, para o Cano ou para o campo e ele também ia, então alugava uma bicicleta ao primo José Tomás.
Infelizmente, o José morreu num desastre de moto quando regressava com o primo dele, o Arnaldo, de um baile de máscaras em Estremoz. Dizem que ainda trazia vestidos os "dominós"-traje de carnaval muito usado naquela época- que, com o vento, lhe tapou a cara, originando o despiste fatal e a morte dos dois.
O Arnaldo era primo direito do Constantino , vivia na casa ao lado e , como o quintais comunicavam este ia muito para lá conviver, com os primos e amigos de Estremoz, como a Tilena que passava os dias de férias em casa da tia Alice.
Jacinto Varela
quinta-feira, 23 de maio de 2013
QUE SE LIXE A TROICA
Cada vez tenho mais orgulho em pertencer a esta grande família dos Falcatos. No sábado ao abrir as páginas do jornal Expresso encontrei numa fotografia do meu (nosso) querido Jorge Falcato. Este grande Falcatão que nunca desistiu de lutar por um país justo e onde todos ( pobres e remediados) devem ter um lugar de eleição, com direito à educação, à saúde e à liberdade de expressão. Desde sempre , por razões que nos estão no nosso ADN fomos contra as ditaduras, as injustiças e contra a impossibilidade de podermos gritar a nossa indignação, por sermos governados por homens ( as mulheres quase que não têm aqui expressão!!) incompetentes, corruptos e ignorantes. Homens que nos governam com ar de imbecis ( mesmo cara de imbecil como mostrou o Relvas, na TV!!) , que é tão burro que nem sequer tem a hombridade de se demitir depois de se saber como ele adquiriu o "canudo" de licenciado!!!
Estou revoltada, não fui à manifestação mas assisti emocionada em frente ao televisor aos milhares de pessoas de ar triste e angustiado que encheram o Terreiro do Paço.
Depois de me ter reformado estou como voluntária a dar aulas de Poesia e contos, na Academia Sénior de Estremoz, e uma aluna escreveu este poema que vou ter a ousadia de publicar aqui, sem ter pedido a sua autorização. As palavras que estão neste poema são aquelas que eu usaria se tivesse capacidade para escrever.
Grito, por quem sofre num leito de hospital
Grito por aquele que desfalece a lutar
Grito, por aqueles que têm que emigrar
Grito, pelos idosos empurrados p’ra um lar
Grito pelo nosso país sem solução
Pelo desemprego a pairar na sociedade
Grito, pela liberdade de expressão
Contra a ganância, contra a ânsia do poder
Poema de Lúcia Cóias Fevereiro 2013
![]() |
| O GRITO |
Estou revoltada, não fui à manifestação mas assisti emocionada em frente ao televisor aos milhares de pessoas de ar triste e angustiado que encheram o Terreiro do Paço.
Depois de me ter reformado estou como voluntária a dar aulas de Poesia e contos, na Academia Sénior de Estremoz, e uma aluna escreveu este poema que vou ter a ousadia de publicar aqui, sem ter pedido a sua autorização. As palavras que estão neste poema são aquelas que eu usaria se tivesse capacidade para escrever.
GRITO
Grito e gritarei as vezes que eu quizer
Por aqueles que têm fome e não têm pão
Grito,e gritarei quando puder
Por quem não pode suportar a solidão.
Sem alguém que lhe dê um carinho e atenção
Grito contra a força demoníaca do mal
Pela falta de justiça e contra a corrupção.
E fica sem um tecto e sem abrigo
Grito, por quem os filhos não pode sustentar
E por aquele que se vê só, sem um amigo.
Deixando a Pátria que um dia os viu nascer
Grito porque levam o coração a sangrar
Deixando cá, os velhos pais a sofrer.
E vão esperando a morte em lentidão
Grito, porque em casa já não têm lugar
E o resto da vida vai ser só recordação.
Pelo desemprego a pairar na sociedade
Grito, por aquele que chora com razão
Pelo ódio entre os povos, contra a desigualdade.Contra a ganância, contra a ânsia do poder
Grito, e gritarei do fundo do coração
Grito, e gritarei sempre, até morrer!Poema de Lúcia Cóias Fevereiro 2013
AS ARGOLAS DA AVÓ BÁRBARA
As argolas da Avó Bárbara
Lembram-se das argolas da avó Bárbara???? Eram célebres.
Aí vai a receita:
ARGOLAS DA AVÓ BÁRBARA
1Kg de pão em massa
1/2 kg de açucar
2 tigelas de leite ( agora serão canecas!)
1/4l de azeite (Alentejano de preferência!!!)
1 colher (sopa)Canela em pó
Raspas da casca de 1 limão
1 colher de chá de bicarbonato
Farinha para amassar e tender
Põe-se o pão em massa num alguidar, juntam-se os ingredientes todos e vai-se amassando com farinha até tender.
Fazem-se uma torcidas com a massa e faz-se o feitio de argola. Colocam-se no tabuleiro untado de azeite e polvilhado de farinha e vão a cozer no forno.
A avó Bárbara levava as latas com as argolas ao forno de lenha da padaria, onde as argolas eram cozidas. Algum tempo depois, iam-se buscar, lourinhas e tenrinhas.
Quando vinham mornas eram deliciosas!!!.
Depois, a avó guardava-as dentro de uma grande panela de esmalte, na despensa, iluminada pela luz difusa da clarabóia, junto à cozinha e duravam para toda a semana.
Quanto mais o tempo passava, melhor ficavam.
Eram comidas ao pequeno-almoço, ao lanche e ao deitar a acompanhar o caldo de farinha que a avó fazia com todo o preceito, para que não tivesse grumos.
Quando queríamos uma argola, não a íamos buscar à panela.Pedíamos à avó Barbara: "Avó, dê-me uma argola!" e a avó, levantava-se, com toda a calma da cadeira onde estava sentada ao lume ou à camilia e com todo o vagar, dirigia-se para a despensa. Abria a porta da despensa que estava sempre fechada, dirigia-se à panela de esmalte, tirava a tampa, e dava-nos uma ( 1! ) argola! Nós tínhamos que comê-la com todo o cuidado, para não deixarmos cair migalhas, nem no chão nem no tampo da camilia." Não me sujem o chão com migalhas!!! comam devagar!!! mastiguem bem!!" e a avó continuava: "O meu pai que Deus tem, comia sempre muito devagar, até o leite mastigava!!!" e nós crianças achávamos aquilo muito estranho?!! até o leite mastigava??!!
Afinal, nos dias de hoje, em pleno século XXI, é o que os médicos dietistas e nutricionistas recomendam e aconselham - Comer muito devagar e mastigar bem...! Como a avó Bárbara diria:
" O meu pai foi sempre uma pessoa muito culta e muito inteligente! Lia muito e depois seguia os conselhos que tirava dos livros!!" Assim era o nosso bisavô João Falcato!!!
Postado por Luzazul
Aí vai a receita:
ARGOLAS DA AVÓ BÁRBARA
1Kg de pão em massa
1/2 kg de açucar
2 tigelas de leite ( agora serão canecas!)
1/4l de azeite (Alentejano de preferência!!!)
1 colher (sopa)Canela em pó
Raspas da casca de 1 limão
1 colher de chá de bicarbonato
Farinha para amassar e tender
Põe-se o pão em massa num alguidar, juntam-se os ingredientes todos e vai-se amassando com farinha até tender.
Fazem-se uma torcidas com a massa e faz-se o feitio de argola. Colocam-se no tabuleiro untado de azeite e polvilhado de farinha e vão a cozer no forno.
A avó Bárbara levava as latas com as argolas ao forno de lenha da padaria, onde as argolas eram cozidas. Algum tempo depois, iam-se buscar, lourinhas e tenrinhas.
Quando vinham mornas eram deliciosas!!!.
Depois, a avó guardava-as dentro de uma grande panela de esmalte, na despensa, iluminada pela luz difusa da clarabóia, junto à cozinha e duravam para toda a semana.
Quanto mais o tempo passava, melhor ficavam.
Eram comidas ao pequeno-almoço, ao lanche e ao deitar a acompanhar o caldo de farinha que a avó fazia com todo o preceito, para que não tivesse grumos.
Quando queríamos uma argola, não a íamos buscar à panela.Pedíamos à avó Barbara: "Avó, dê-me uma argola!" e a avó, levantava-se, com toda a calma da cadeira onde estava sentada ao lume ou à camilia e com todo o vagar, dirigia-se para a despensa. Abria a porta da despensa que estava sempre fechada, dirigia-se à panela de esmalte, tirava a tampa, e dava-nos uma ( 1! ) argola! Nós tínhamos que comê-la com todo o cuidado, para não deixarmos cair migalhas, nem no chão nem no tampo da camilia." Não me sujem o chão com migalhas!!! comam devagar!!! mastiguem bem!!" e a avó continuava: "O meu pai que Deus tem, comia sempre muito devagar, até o leite mastigava!!!" e nós crianças achávamos aquilo muito estranho?!! até o leite mastigava??!!
Afinal, nos dias de hoje, em pleno século XXI, é o que os médicos dietistas e nutricionistas recomendam e aconselham - Comer muito devagar e mastigar bem...! Como a avó Bárbara diria:
" O meu pai foi sempre uma pessoa muito culta e muito inteligente! Lia muito e depois seguia os conselhos que tirava dos livros!!" Assim era o nosso bisavô João Falcato!!!
Postado por Luzazul
Quarta-feira, 10 de Outubro de 2007
A TIA MARIA FALCATA
A tia Maria Falcata era irmã do nosso bisavô João Falcato. Ficou viúva cedo e tinha um filho único, o primo Zé Velez. Corria o ano de 1910...
O rapaz era inteligente, muito dotado para as letras e depois de concluída a instrução primária aqui em Aldeia Branca, a mãe e o filho foram viver para Lisboa, para que o filho prosseguisse os seus estudos. Alugaram uma casa na Rua da Fé ou na Rua da Saudade...
Conta-se que uma vez um casal natural de Aldeia Branca, foi a Lisboa e decidiram ir visitar a tia Maria Falcata e o filho Zé Velez, mas não faziam a mais pequena ideia onde é que eles moravam. Então, estavam nos Restauradores e foram perguntar a um polícia:
"Olhe lá, oh sr guarda? o Sr. sabe onde é que mora aqui a Ti Maria Falcata?"
O polícia olhou-os com ar ´de admiração, e respondeu-lhes:
" Por acaso até sei, porque é minha vizinha, mora na Rua da Saudade, nº...! mas os senhores tiveram muita sorte, porque Lisboa é muito grande e podiam nunca conseguir encontrá-la!..."
E eles responderam-lhe, com toda a tranquilidade: " Ah, ela é uma pessoa muito conhecida lá na nossa terra!" e lá foram a caminho da Rua da Saudade visitar a tia Maria Falcata.
A minha avó Bárbara Falcato, quando tinha os seus 15 ou 16 anos, ia para casa dela passar férias. Assistiu a algumas das manifestações da Revolução do 5 de Outubro de 1910 e contava muita coisa sobre esses momentos conturbados em Lisboa...
Para a próxima, irei falar do primo Zé Velez, filho da Tia Maria Falcata, grande anti-fascista, que foi preso pela PIDE aqui em Aldeia Branca... corria o ano de 1930 e tais...
Postado por LuzAzul
O rapaz era inteligente, muito dotado para as letras e depois de concluída a instrução primária aqui em Aldeia Branca, a mãe e o filho foram viver para Lisboa, para que o filho prosseguisse os seus estudos. Alugaram uma casa na Rua da Fé ou na Rua da Saudade...
Conta-se que uma vez um casal natural de Aldeia Branca, foi a Lisboa e decidiram ir visitar a tia Maria Falcata e o filho Zé Velez, mas não faziam a mais pequena ideia onde é que eles moravam. Então, estavam nos Restauradores e foram perguntar a um polícia:
"Olhe lá, oh sr guarda? o Sr. sabe onde é que mora aqui a Ti Maria Falcata?"
O polícia olhou-os com ar ´de admiração, e respondeu-lhes:
" Por acaso até sei, porque é minha vizinha, mora na Rua da Saudade, nº...! mas os senhores tiveram muita sorte, porque Lisboa é muito grande e podiam nunca conseguir encontrá-la!..."
E eles responderam-lhe, com toda a tranquilidade: " Ah, ela é uma pessoa muito conhecida lá na nossa terra!" e lá foram a caminho da Rua da Saudade visitar a tia Maria Falcata.
A minha avó Bárbara Falcato, quando tinha os seus 15 ou 16 anos, ia para casa dela passar férias. Assistiu a algumas das manifestações da Revolução do 5 de Outubro de 1910 e contava muita coisa sobre esses momentos conturbados em Lisboa...
Para a próxima, irei falar do primo Zé Velez, filho da Tia Maria Falcata, grande anti-fascista, que foi preso pela PIDE aqui em Aldeia Branca... corria o ano de 1930 e tais...
Postado por LuzAzul
O Tio Falcatão
Olá Falcatos... Falcatinhos e Falcatões...
Vamos entrar nessa... temos que esmerar-nos bastante, pois os Falcatos sempre tiveram fama de ser muito perfeccionistas, habilidosos e INTELIGENTEEEESSSSS..
Tínhamos um tio, penso que tio-bisavô que era o Juiz de fora aqui em Aldeia Branca... quando havia problemas ou conflitos entre habitantes, era o Tio Falcatão que os resolvia... era um homem de aspecto imponente, corpulento, de grande bigode e patilhas...muito respeitado por todos... O tio Falcatão usava um grande capote alentejano, castanho escuro, com um cabeção e gola de raposa, como a toga de um juiz...
Uma coisa tenho a certeza, pensando nos Falcatos que conheço, são pessoas muito bem dispostas, muito sociáveis, amigos da boa pinga ( + eles!!!) e acima de tudo muito conscientes do seu papel cívico na sociedade... grandes republicanos... alguns ou bastantes deles anti-clericais e instruídos. Quando a população de Aldeia Branca, na sua grande maioria era analfabeta, já a maior parte dos homens e das mulheres da família Falcato sabiam ler e escrever.... na perfeição. Desde pequenina que me habituei a ver em casa dos nossos avós,dos nossos tios, dos nossos primos e restante família, LIVROS; esse objecto raro, ainda hoje, na maioria dos lares do Alentejo; em casa de qualquer Falcato havia sempre livros... deve vir daí o nosso interesse pela leitura! penso que nos está intrínseco...
Postado por Luzazul
Vamos entrar nessa... temos que esmerar-nos bastante, pois os Falcatos sempre tiveram fama de ser muito perfeccionistas, habilidosos e INTELIGENTEEEESSSSS..
Tínhamos um tio, penso que tio-bisavô que era o Juiz de fora aqui em Aldeia Branca... quando havia problemas ou conflitos entre habitantes, era o Tio Falcatão que os resolvia... era um homem de aspecto imponente, corpulento, de grande bigode e patilhas...muito respeitado por todos... O tio Falcatão usava um grande capote alentejano, castanho escuro, com um cabeção e gola de raposa, como a toga de um juiz...
Uma coisa tenho a certeza, pensando nos Falcatos que conheço, são pessoas muito bem dispostas, muito sociáveis, amigos da boa pinga ( + eles!!!) e acima de tudo muito conscientes do seu papel cívico na sociedade... grandes republicanos... alguns ou bastantes deles anti-clericais e instruídos. Quando a população de Aldeia Branca, na sua grande maioria era analfabeta, já a maior parte dos homens e das mulheres da família Falcato sabiam ler e escrever.... na perfeição. Desde pequenina que me habituei a ver em casa dos nossos avós,dos nossos tios, dos nossos primos e restante família, LIVROS; esse objecto raro, ainda hoje, na maioria dos lares do Alentejo; em casa de qualquer Falcato havia sempre livros... deve vir daí o nosso interesse pela leitura! penso que nos está intrínseco...
Postado por Luzazul
Que família especial
Não sei porquê mas sempre que estou com esta malta, fico com a cabeça a andar à roda.
Será da vinhaça ou do ambiente tresloucado?
Não sei o que é. Mas que gosto muito de estar convosco, lá isso gosto.
Vivam os Falcatos. Já os Alves...
Será da vinhaça ou do ambiente tresloucado?
Não sei o que é. Mas que gosto muito de estar convosco, lá isso gosto.
Vivam os Falcatos. Já os Alves...
Amiguinhos, agora é que é....
Pois foi, depois de uma experiência bloguista, decidimos num jantar (bem regado) convidar a primalhada a fazer o blogue da família.
É para contar estórias.
Que vivemos na nossa vida familiar ou não só.
Os Natais. As botinhas de lã. A oficina. Os patriarcas. A palmeira do pateo. A forja. As peles de borrego. A brazeira. E o que mais houver...
Este blogue vai ser privado. Só entra pessoal da família.
As estórinhas não se devem ficar pelos ambientes mais próximos. A família da nossa familia família nossa é.
Vamos lá a puxar pela memória e , já agora, pela imaginação.
Aqui fica o desafio a todos.
Querem ou não querem?
Vamos lá, porra!!
É para contar estórias.
Que vivemos na nossa vida familiar ou não só.
Os Natais. As botinhas de lã. A oficina. Os patriarcas. A palmeira do pateo. A forja. As peles de borrego. A brazeira. E o que mais houver...
Este blogue vai ser privado. Só entra pessoal da família.
As estórinhas não se devem ficar pelos ambientes mais próximos. A família da nossa familia família nossa é.
Vamos lá a puxar pela memória e , já agora, pela imaginação.
Aqui fica o desafio a todos.
Querem ou não querem?
Vamos lá, porra!!
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