Há dias falei na Ti Maria Falcata, que foi viver para Lisboa, para a Rua da Caridade com o seu filho Zé Velez, que foi estudar medicina.
Ora bem... hoje vou falar do primo Zé Velez...
Apesar de não o ter conhecido e talvez até haver "Falcatos" que estejam mais informados do que eu, vou contar aquilo que desde miúda me foi contado...
O primo Zé Velez era um rapaz muito inteligente, bem parecido, alto e elegante. Muito jovem foi com a mãe, que já era viúva, estudar para Lisboa. Aqui em Aldeia Branca, tinham uma vida boa, viviam dos rendimentos das terras que tinham.
O Primo Zé Velez como um Falcato que se preze, quando chegou a Lisboa, governava Salazar... o déspota e facista que alguns de nós ainda conhecemos...
O primo Zé Veles, como anti-fascista, consciente do governo de ditadura que Salazar estava a impor aos portugueses, e como estudante universitário de medicina, José Velez, não podia ficar indiferente a tanto autoritarismo, a tanta censura, a tanta repressão... o Tarrafal já existia e os presos políticos do Aljube enchiam as celas... então começou a falar nos cafés e não sei onde mais...
Sei que, uma noite, estava ele de férias em Aldeia Branca em casa da mãe, quando um jipe negro, com 3 ou 4 homens possantes, vestidos de gabardine e de chapéu preto enfiado na cabeça, parou à porta da casa e um deles perguntou à miúda que lhes veio abrir a porta, e que trabalhava lá em casa desde muito pequena, a Srª Joaquina Traquinas se era ali que morava o Sr. José Falcato Velez?!
Ela, muito aflita veio dizer à Ti Maria Falcata que estavam ali uns homens com muito mau aspecto a perguntarem pelo Sr. Zé Velez. Perceberam logo que era o jipe da PIDE que o vinha buscar para interrogatórios...
O Primo Zé Velez apareceu à porta, disse que era o próprio e imediatamente, os PIDES o meteram dentro do jipe... a mãe não fazia ideia para onde o levavam...
Contou-me a irmã da Srª Joaquina Traquinas, que a mãe chorava alto, lamentando a sorte do filho... aquilo parecia um funeral... e na verdade... apesar de não o terem morto, a polícia política fez dele um homem inutilizado, sem objectivos na vida...
Foi interrogado, maltratado, sujeito a torturas terríveis e preso ...
Penso que ficou preso muitos anos, talvez um 15 ou 20 anos... entretanto a mãe começou a vender os bens que possuía, e morreu de desgosto.
Ele nunca mais voltou a Aldeia Branca. Ficou lá por Lisboa... durante muitos anos trabalhou num café ( não me recordo o nome) na Rua 1º de Dezembro, como encarregado dos bilhares... o ti Jacinto é que deve saber mais da vida deste homem, que a PIDE transformou num farrapo e num autómato...
Quem souber mais sobre este grande anti-fascista dê aqui o seu contributo...
Luzazul