quinta-feira, 23 de maio de 2013

O TIO CARREÇO

O TIO CARREÇO    TEXTO DO JOÃO


No fim da Guerra Peninsular repelidos os franceses com a ajuda inglesa, pagou-se esta com atribuições de propriedades a interventores notáveis e seus familiares. Os ingleses do Mouchão, D. João e Aravia deveriam ter sido dos recompensados. Uma vez instalados, com preocupação de rentabilidade e povoamento, iniciaram um processo de distribuição de terra com o estabelecimento de "foros". Este era um imposto pago ao senhor e dono da terra, que conferia um direito vitalício e transmissível pela posse da fracção que era concedida. Os meus Avós ainda pagavam "foro" por um olival que tinham na D.João.
Provavelmente esta a razão do minifúndio da região e da convergência de famílias de várias proveniências.

Isto ajuda a perceber porque na Casa Branca encontramos gerações com atitudes e motivações como as do Tio Carreço e que nelas ele é na verdade um dos de maior relevo.
Com 11 anos o Tio deixa a casa paterna, munido com a instrução base emprega-se como marçano na Granja, concelho de Mourão. Depois desta primeira experiência muda-se para Évora onde por alguns anos trabalha numa grande firma comercial. Com evidência das suas qualidades é lhe proposto trabalho no escritório da firma Barbosa & Irmão com actividade diversa, mas com relevo no campo financeiro. A empresa localizava-se em Estremoz e aí gozava de grande consideração. O seu sócio maioritário era Constantino Barbosa, casado sem filhos, homem culto e republicano militante.
Este homem contribuiu muito para a formação profissional e politica do Tio, e não mais se separaram. O Tio Carreço tornou-se num elemento fundamental do funcionamento da firma, amigo dedicado e correlegionário da acção politica. ( Por aqui ficamos hoje, se estiver a ser pesado digam que se sintetiza ).


Mais uma do Baú





Foto do Tio Carreço

Casamento dos meus Pais




Foto do casamento dos meus Pais Armando e Maria Romana

Avô José Simões Alves


Foto do Avô

Segunda-feira, 5 de Novembro de 2007


O TIO CARREÇO

Em 13 de Março de 1954 morre em Estremoz na sua casa, João Francisco Carreço Simões. Nessa data a grande parte dos participantes e leitores deste blogue ainda não tinha nascido. Contudo a sua vida foi de certo modo influenciada por este homem, e suponho que para muitos não é desconhecido o Tio Carreço.

Na verdade ele foi um grande patriarca da família. Sem ter casado, o seu grande amor faleceu jovem, e ao longo da vida foi dando o nome da amada Judite a todas as jovens que os pais convidaram para ser padrinho.
Montou uma grande casa de família com a sua irmã Mariana, Tia Mariana, onde criou e educou muitos sobrinhos.

Nasceu na Casa Branca em 30 de Agosto de 1862, filho de pequenos agricultores com sete irmãos. Foi lá que passou a sua juventude e fez a instrução básica. Nesta família entendia-se a aquisição de conhecimento como factor fundamental da valorização humana. Há condições que determinam que a aprendizagem e a racionalização do conhecimento seja uma postura de vida de Carreços, Alves, Falcatos e Simões.

Nos fins da década de 40 e até meados da de 50 do século passado, vivi na Casa Branca longos períodos da minha infância e início de adolescência, senti que na Aldeia não se vivia mal. Mais tarde adulto alinhando recordações , reflectindo sobre esse passado, confirmo essa constatação.
Todos tinham um pouco de seu, casa, quintal, uma ou duas courelas ( pequenas propriedades com olival e/ou terreno de cultura ) que lhes permitia viver com independência trabalhando o que lhes pertencia. Havia vários artesãos do ferro e da madeira que produziam os artigos para a casa, faziam os carros e os engenhos da lavoura. ( continuarei em breve )

Outra Foto


O meu Pai Armando com 13 meses

foto


Olá Família aqui uma nova tentativa de enviar a foto de Leonarda Rita Capela, Mãe da Avó Domingas

O TIO CARREÇO

Pequenos comerciantes promoviam o abastecimento logístico da aldeia que vivia com dois médicos, uma escola sexo masculino e outra feminino, nada de misturas, assim gostava a Igreja Católica e punha em prática o Estado Novo, escolas que tinham elevada frequência com bom aproveitamento.

Latifundiários um ou dois e as grandes herdades de famílias inglesas do Mouchão, D. João e Aravia. Na aldeia vivia-se com solidariedade e sem crises económicas, tão comuns e frequentes no Alentejo.

Os Carreços de apelido, talvez de alcunha de início, deviam ser provenientes de Carreço Minho. Os Alves com ascendência da Estremadura Espanhola. Há tradições de gastronomia na família que reforçam estas suspeitas de origem. Em casa do tio Carreço e depois em muitas casas da família, comia-se bacalhau com couves e batatas cozidas na consoada do Natal, o que nessa altura não era hábito no Alentejo, mas sim desde que se começou a pescar e salgar o bacalhau tradição no Minho. Também se cozinhava um denominado "chibinho", que era o dito estufado ( suponho que o Rui ainda se lembra como sabia bem este pitéu, eu sei a receita para os interessados ), e à falta de chibo que no Alentejo não era fácil encontrar, o prato era feito com borreguinho novo. Este era manjar de tradição na Páscoa, só em casas de nossa família. As "migas à espanhola" com carne de porco e pão esfarelado frito no pingo da carne e a acompanhar o prato. Este prato come-se na Beira-Baixa junto à Raia (Maria de Lurdes Modesto, cozinha tradicional portuguesa), e eu comi-o em Espanha Placenzia, há uns anos, no Alentejo só o conheço na nossa família.

Tudo o que alinhavei atrás levou-me a pensar que esta zona de Casa Branca foi depois de 1820 ponto de convergência de várias família com origens distantes.

Bom, hoje ficamos por aqui, voltarei para continuar a dar-vos a conhecer o que me lembra e sei do Tio Carreço.

Domingo, 4 de Novembro de 2007


OS MEUS ANTEPASSADOSMAIS PRÓXIMOS
Os meus pais Domingas de Andrade Falcato Alves e José Simões Alves nasceram em Casa Branca, onde se casaram e tiveram o filho mais velho, Armando Alves Falcato Simões*.
Os meus avós maternos, com quem ainda convivi muitos anos, eram Leonarda Rita Capela e João António de Andrade Falcato e tiveram 4 filhos: Bárbara Andrade Falcato, Domingas de Andrade Falcato, Júlio Alves Falcato e José Alves Falcato(Zé da Rita) e Júlio Alves Falcato.Os outros a si próprios puseram as alcunhas de Júlio Chanquinhas, Bárbara Charrua e Domingas Rompeta. Brincadeiras de crianças e, quando adultos, já ninguém se lembrava disso.
Os meus avós paternos, eram Joana Maria Carreço Simões e Joaquim Alves. Conheci a minha avó e lembro-a sentada no corredor da casa do tio Carreço numa larga cadeira de braços a fazer meia. Ouvia dizer que, para o fim da sua vida, já só fazia pegas as quais, por vezes, tinham calcanhares...
Tiveram 6 filhos: José Simões Alves, meu pai , João Simões Alves, António Simões Alves, Francisco Simões Alves, Vicência Simões Alves e Mónica Simões Alves(tiazinha).
Com um programa próprio,que eu não conheço, poderia fazer-se uma árvore genealógica simples e legível.
Assim torna-se confuso e enfadonho para quem quer fazer uma consulta.
Por isso paro por aqui e volto aos meus pais e irmãos.
Já aqui ouvi falar na árvore que eu construí. O que ninguém sabe é que, depois de distribuir várias cópias pela família e muitos anos passados, descobri que eu e os meus filhos não constavam do processo... .)
Por hoje não aborreço mais os visitantes do blogue, que a conversa jávai longa. O próximo capítulo seguirá dentro de dias.
* Não parece ser irmão dos outros 9, pois não?
Para todos bjs da tilena

O meu outro lado.

Este era o meu tetravô (se as minhas contas estão certas) da parte da minha mãe.
Perdi a fotografia, mas era um senhor de barbas brancas de palmo e meio.

Lucas EvangelistaTorres
n. 18 de Outubro de 1822
f. 4 de Agosto de 1895

Decano dos tipógrafos portugueses. N. a 18 de Outubro de 1822 e fal. A 4 de Agosto de 1895. Era filho dum convicto liberal, Manuel de Jesus, voluntário das tropas de D. Pedro IV, onde chegou ao posto de capitão.
Quando seu pai morreu, andava Lucas Torres estudando para medico, tendo já o curso muito adiantado, pois, que frequentava o 1.º ano de hospital, porém essa morte não lhe permitiu continuar os estudos. Todavia há indicações de que seu pai era riquíssimo, negociava em larga escala em vinhos, tinha grandes armazéns na rua doa Bacalhoeiros, junto da célebre Casa dos bicos; tendo, porém, um sócio, e por não haver escritura nem outras maiores provas que pudessem valer nas épocas calamitosas das lutas civis que atravessava a nossa pátria, Lucas Torres viu-se esbulhado da herança paterna: Assim, muito novo, órfão e pobre, foi para a tipografia dum seu parente, e ali aprendeu a arte, a qual fez progredir, e se engrandeceu no honroso mister de editor inteligente o consciencioso, adquirindo grande fama entre os da sua classe, e contando numerosos amigos. Lucas Torres honrou muito a arte tipográfica, de que foi um prestimoso propagandista. Era homem ilustrado, muito conhecedor da sua arte, e dedicado à leitura de livros bons e instrutivos, enriquecendo assim o espírito, tornando-se um repositório de literatura histórica e amena. Principiando a exercer a sua indústria em épocas agitadas de bem triste memória, bastantes vezes foi vítima das perseguições civis que a ele, como liberal convicto que era, lhe moviam os inimigos da liberdade. Quantas vezes a sua tipografia foi assaltada por emissários do governo, e quantas vezes destruída. Na verdade, os inimigos tinham razão, porque dali saíam os mais vibrantes brados de liberdade, impressos em segredo nos prelos manuais por Lucas Torres, saíam alguns jornais e panfletos que muito contribuíram para a propaganda liberal. Todavia, escondido, ora aqui, ora acolá, ia imprimindo os vibrantes originais de António Rodrigues Sampaio, para o Espectro; os originais biliosos e chocarreiros do padre João Cândido de Carvalho, esse célebre jornalista satírico e verrinoso do Cortador, do Azorrague, do Democrata, e redactor do Rabecão de impagável memória.

Quem quiser ler mais é só carregar aqui



Ainda os Falcatos

Perguntava a Tilena aí mais abaixo, onde é que eu tinha arranjado aquele Carro Falcato.

É só googalar um pouco.

Estive agora à procura dos falcatos mais antigos que encontrasse.

Pois aqui vão eles:

O campeão é o Exmo Sr. Diogo Mendes Falcato que casou a sua adorada filha Brites Mendes Falcato com o Exmo Sr. António Fernandes Cheiroso, em Vila Viçosa, no ano de 1565.

Por outro lado, corria o ano de 1688 e houve uma "ordem de missa", seja isto o que seja, encomendada ou em memória, ou qualquer outra coisa, relativa a António Mendes Falcato, natural de Estremoz.

Quer dizer que pelo menos os Falcatos já andavam por aí há bué de anos...

petisco no guadiana







Destas fotos só conheço o mestre Jaime , o Zagalo que costumava ser o chofer da familia, e o tio António Alves,o mais carrundo dos Alves que conheci, nunca falava a ninguem mas depois ia queixar-se ao meu pai que eu tinha passado por ele e não o tinha cumprimentado, eu e outros primos...aqui por estranho que pareça está a rir-se

BISAVÓ LEONARDA

NO CIMO DO PENHASCO, O PIC-NIC INDISPENSÁVEL

ESTRADA DO CANO

FOTO TIRADA NA ESTRADA DO CANO
ROSINHA, AURITA, ZUZU, ISABELINHA, GUIDA ZÉ MANEL, AMÉLIA E TIA MARIA HELENA

PIC-NIC NO MOUCHÃO TIO ANIBAL E TIA MARIA EMÍLIA

PIC-NIC NO MOUCHÃO

PIC-NIC NO MOUCHÃO

PIC-NIC NO MOUCHÃO

PIC-NIC NO MOUCHÃO

PIC-NIC NO MOUCHÃO

PIC-NIC NO MOUCHÃO

PIC-NIC NO MOUCHÃO

GRUPO DO PIC-NIC NO MOUCHÃO

MÃE AMÉLIA, FRANCISCA, GUIDA E AMÉLIA MOUQUINHO

Assim como que guardiãs da menina Guida, a tia Amélia, a Amélia Mouquinho e a Francisca. Esta senhora não tem nenhum apelido da família, mas segundo se consta é tão da família como outras. Integrada - desde muito nova- na família, manteve sempre intensa ligação e hoje é companhia indispensável, quer nos momentos felizes, quer nos menos bons. E parece que há umas estórias dignas de virem para este blog. Como a do sobretudo do Sr. José Simões Alves...
Não sei quem postou esta foto, mas na verdade a Quiquica  merece que se escreva um longo texto sobre ela.

A MINHAAVÓ VICÊNCIA

A minha bisavó Vicência  (TEXTO DA PAPU)
Eu não me lembro da minha bisavó.
Ou melhor, lembro-me: dos seus cabelos brancos, do lenço preto que usava sempre, do brilho dos olhos, entalados entre as rugas do rosto, e do vestido preto. Lembro-me dela sempre sentada numa cadeira na sala de jantar da casa dos meus avós, no meio de bocados de tecido e panos cortados, carrinhos de linhas, e, depois, sentada na velha máquina de costura, que na altura não era nada velha.
Ainda tenho nos ouvidos o som da máquina a trabalhar. Também eu cosi muito nela, anos mais tarde. Fiz uma boneca e lençóis e roupas para ela.
Mas não me lembro dela (da minha bisavó) a rir, ou a falar, ou sentada à mesa a comer, num daqueles almoços e jantares em que se reunia toda a família. Não me lembro de a ver connosco, sentada a ouvir rádio, ou a conversar. Aliás, e para falar a verdade, acho que nem sabia lá muito bem quem era aquela senhora velhota sentada na sala sempre a costurar. Claro que me devem ter dito quem era, devem ter-me dito que era a mãe da minha avó, mas eu não devo ter acreditado, e quase de certeza me ri para dentro. Como é que era possível, a minha avó ter mãe? Naquela época ninguém tinha mãe, para além de mim, é claro.
Só me lembro de a ver naquela sala, as linhas a caírem até ao chão, onde eu me entretinha a apanhá-las, bem como aos pedacinhos de pano, que fingia serem lencinhos para as bonecas. E aquelas caixas de costura a abarrotar de cores vivas, deslumbramentos de flores, dedais, e tesouras, muitas tesouras. Todas de pontas redondas. Havia uma de pontas bicudas, assim já muito velha, o metal enegrecido e sem brilho, e que nós não podíamos tocar. Nós, as crianças.
Lembro-me de uma vez em que ela me fez uma roupinha para uma das minhas bonecas. Era um vestido. O tecido era azul escuro às bolinhas brancas. Era muito bonito. Lembro-me da pequena alegria de ter um vestido novo para a boneca (a boneca tinha nome, mas já não sei qual era). Eu adorei vê-la com o seu novo vestido. O pior foi quando tentei despi-lo. É que o vestido tinha sido cosido à volta do corpo da boneca, pelo que era impossível tirá-lo. Fiquei destroçada. A minha brincadeira preferida era vestir e despir a boneca. Um vestido que não se podia despir, aí estava uma coisa sem utilidade nenhuma. E que dizer de uma boneca que está sempre vestida da mesma maneira? Era, sei lá, bem pior do que uma boneca que nunca toma banho. Ou que nunca lava as mãos. O que diriam as vizinhas? E as amigas?
É claro que não tinha importância nenhuma o que diriam as pessoas, mas para mim aquilo era um escândalo. Lembro-me que a boneca ainda ostentou aquele vestido durante algum tempo (para mim foram séculos) e que eu não descansei enquanto não o desfiz à tesourada, para finalmente poder mudar-lhe a roupa.
Lembro-me da noite em que ela morreu. Lembro-me da luz, uma luz quente, alaranjada, que se derramava pelas escadas, e que era coada por um candeeiro de palhinhas, com uma forma oval, que estava pregado na parede. Acho que a luz se misturava com a do sol a pôr-se muito ao longe, apenas uma lâmina vermelha no céu escuro que já deixava entrar a noite, multifacetada pelos rectângulos de vidro da parede das escadas, cada um com um pequeno arco-íris imerso nas sombras das árvores que se agitavam, lá fora. Era essa luz que eu via, deitada na cama, enquanto a minha mãe me dizia o que tinha acontecido. Nessa altura eu não sabia o que era morrer, e devo ter achado que era uma coisa muito mal-cheirosa. Ela explicou-me que a avó estava a dormir e que não ia acordar mais, e por isso teria de ir para debaixo da terra, porque senão o corpo começaria a cheirar mal. Lembro-me que achei isto muito natural e acho que nem fiz mais perguntas. Nessa noite ficámos só as crianças (já não me lembro quem ficou connosco), e era uma coisa mesmo muito estranha e diferente, todos os adultos saírem ao mesmo tempo. Nunca tinha acontecido antes. Era para se despedirem da avó, que nunca mais iam ver. Acho que haviam algumas lágrimas misturadas às vozes em surdina e àquela luz macia e alaranjada, quente como um rissol acabado de sair do forno. Um pequeno sol, na escuridão de toda aquela ausência que eu ainda nem sabia que existia e que tinha nome. Deixei-me ficar no escuro, no quentinho dos cobertores, a réstia de luz a entrar pela porta entreaberta e a poisar numa carícia na alcatifa vermelha, enquanto afugentava as bruxas e os papões, e depressa adormeci, vencida pelo cansaço.




PS: Se alguém tiver por aí uma fotografia da avó Vicência, que a prante aqui, por favor. Agradecida :)

O primo Máximo Rocha Falcato

Na mesma rua e perto do meu avô morava outro primo de ambos, Máximo Rocha Falcato que tinha uma loja de fazendas, como se dizia naquele tempo. O primo Máximo tinha 3 filhos: o José , o Júlio e o Jica . O José Falcato era da minha idade e éramos companheiros de paródia.
Como os pais viviam bem, compraram-lhe uma bicicleta coisa que, por muito que o desejasse, a minha mãe nuca me poderia comprar. E era na bicicleta dele que eu andava muitas vezes mas, quando o passeio era mais demorado, para o Cano ou para o campo e ele também ia, então alugava uma bicicleta ao primo José Tomás.
Infelizmente, o José morreu num desastre de moto quando regressava com um primo dele, o Arnaldo, de um baile de máscaras em Estremoz. Dizem que ainda trazia vestidos os "dominós"-traje de carnaval muito usado naquela época- que, com o vento, lhe tapou a cara, originando o despiste fatal e a morte dos dois.
O Arnaldo era primo direito do Constantino , vivia na casa ao lado e , como o quintais comunicavam este ia muito para lá com a tilena.
Jacinto

Porque estão doentes, porque estão magros, porque estão gordos, tudo a preocupa e está sempre pronta a ajudar.
É uma amiga e é mais que família.
tilena

a



Ora aqui está a árvore geneológica da família Falcato Alves. Muito frondosa para mal de quem a teve que desenhar... Eram tantos os ramos que me esqueci do meu e parece que não faço parte da irmandade. Todos os anos há novos rebentos pelo que se torna difícil a actualização.

MARIA FELISMINA, JOÃO ARMANDO, PRIMA FLOR E PRIMO PRUDÊNCIO (BÉBÉ?)

FOTOS DA FAMÍLIA PRUDÊNCIO E PRIMA FLOR

GRUPO EM FESTA




FILA DE CIMA:
 tio Zé Rebocho, tia Adélia, tio Jacinto, tia Marialena, Prima Flor, Primo Prudêncio,???? , Maria Felismina, ???? tia Natália com o  Rui ao colo, Prima Maria Inácia

FILA de BAIXO:
???????, João Armando, Jorge Alves, quem é o sr de idade?????

GRUPO SENTADO À PORTA DO MONTE



Tia Marilena, Tio Jacinto, ??????, ?????? Tio Zé Varela, Tia Olga, Tia Natália, senhora?????, õão Armando, sr de óculos????, jovem ao lado do João Armando????, menino ?????

O TIO CARREÇO
A par da acção politica referida tem o Tio uma actividade económica-empresarial de significado para o desenvolvimento de Estremoz.
Funda uma grande moagem de cereais para panificação. Situava-se esta no extremo poente da rua dos Reguengos, e no mesmo local os celeiros de apoio que ainda hoje existem na mesma rua, descendo-a ao fundo do lado esquerdo, e que são espaços de arquitectura interessante com belas abóbadas.
A energia eléctrica passa a ser produzida em Estremoz, e a vila iluminada, numa central que ele pôs em marcha com uma sociedade que estabeleceu e financiou.
A vila moderniza-se e a expansão sacrifica a linha de muralhas que vai das Portas de Santa Catarina às Portas de Santo António, que ele mais tarde fortemente lamenta, atribuindo ao facto do património na altura não ser suficientemente valorizado, de modo a resolver o crescimento sem aquele sacrifício.
Cria o café Águias d´Ouro numa sociedade por quotas. Monta depois o café Alentejano.
Em 1926, já com o governo da Ditadura Militar, é reconhecido o desenvolvimento de Estremoz e elevada a vila a cidade.
Porta principal da grande Exposição Agro-Industrial de Maio de 1926
Na sua casa vivem sobrinhos que estudam e também se valorizam culturalmente no âmbito da música e das línguas, prosseguindo depois os estudos em Lisboa.
O tio Carreço viaja pela Europa, visitando as capitais mais importantes.
Apoia financeiramente sobrinhos, referi que os meus avós receberam créditos para aquisição de olivais, fundamentais para que com o seu trabalho mantivessem vida independente. Os sobrinhos Francisco e João Alves são apoiados na criação da Tabaqueira. O tio Zé Alves com profissão estabelecida, artífice do ferro (Ferreiro era qualificação de elevado valor na época), vem da Casa Branca e estabelece-se onde instalou a oficina e fez a casa que uma boa parte de nós conhece. Em terrenos e instalações que pertenciam ao tio Carreço e este lhe cedeu, com pagamento ao longo do tempo.
Esse espaço, de que me lembro ainda de grande parte livre de construção, compreendia todo o terreno que vai do jardim, estação de serviço, casa do tio António Alves, até onde hoje se situam os Bombeiros Voluntários. Junto à residência havia uma horta, com bastante arborização e um tanque grande, perto do qual existia uma latada e debaixo desta se situava a grande mesa de pedra que foi transferida depois, para a cozinha grande do quintal quando esta foi feita.
A minha Mãe Florbela depois de ter vindo para Estremoz para casa dos tios Domingas e Zé Alves, por doença da minha avó, não voltou à Casa Branca, ficando a viver em casa do Tio por pedido deste à sobrinha Vicência.

Quarta-feira, 21 de Novembro de 2007

A minha avó VICÊNCIA

Era uma mulher de coragem, determinada, de poucas palavras.
Uma vez na "quadra", cavalariça, ajudava o meu avô que tratava a ferida de um macho ao que parece nada meigo, e reagindo mal ao tratamento começou aos saltos e aos coices. Foi atingida num braço, o meu avô estava mal colocado entre a besta e a parede, e ela manteve a ajuda. Quando a situação ficou sobre controle o meu avô encontrou-a de pé com uma mão apertando o braço fracturado e um profundo golpe cuja hemorragia lhe empapava a blusa e parte da saia.
Já velhota teve um entupimento no saco lacrimogéneo. Foi-lhe feita uma pequena cirurgia, em Estremoz , dificuldades em anestesias , a minha avó prescindiu da dita. Estava acompanhada da filha Capela a que agarrou a mão durante a intervenção. A meio desta a filha gritou " ai mãe a minha mão", à minha avó não ouviram um piu.
Em 1918 teve a pulmónica, gripe também chamada "a espanhola"e que matou dezenas de milhares de portugueses. A minha mãe, filha mais velha tinha 4 anos ,veio para Estremoz para casa da cunhada Domingas e irmão Zé Alves e a minha avó venceu a morte.
Dizia a Lena que havia o hábito de permuta dos sobrinhos na família. Ele era criado pela necessidade de entreajuda. Os avós Zé e Domingas tiveram muitos filhos, alguns muito próximos e assim o Jaime, Joaquim e Adélia passaram algum tempo em casa da minha avó. Mais tempo o Jaime razão da sua proximidade.
Foi grande ajuda do marido, no trabalho, na orientação de vida procurando crédito para conseguir os seus haveres e resolver a vida.
Vivi com ela largos períodos de férias na Casa Branca, lembro-a muito frequentemente, como gostaria que os meus netos me recordassem, pois marcou muito a minha formação.
Na fase final da sua vida entretinha-se com as linhas e as agulhas. No entanto eu tenho uma colcha enorme que cobre, caindo sobre o chão, uma cama de casal dum bordado lindo e perfeito, que ela fez já em Estremoz e bem depois do falecimento do meu avô.

Passeios com o Aníbal

Hoje vou contar um belo passeio dos muitos que fiz com o meu querido primo Aníbal. Vínhamos falando constantemente que iriamos ao Redondo a pé, para grande preocupação da minha mãe e da Tátá. Penso também que sempre se convenceram que isso não passaria de um projecto. Até que uma célebre madrugada de domingo, naquela altura as lojas estavam abertas todo o dia de sábado, bate o Aníbal, com todo o cuidado, que não era o seu habitual pois de outras vezes parecia que a casa vinha abaixo, à porta de casa dos meus pais por volta das 5 da madrugada. Chamou-me para o nosso tão pensado passeio. Não se via nada, daquelas noites muito escuras, o Aníbal acendeu um fósforo para eu ver os degraus à saida de casa dos meus pais e aí fomos nós apanhar a estrada para a serra d'ossa. Depois de caminharmos algum tempo saímos da estrada, o Aníbal apanha uns gravetos, faz um belo lume, como só ele sabia fazer, abre uma bolsa naqual eu já tinha reparado e pensado que devia conter algo de delicioso. E era mesmo, como não podia deixar de ser. Umas fatias de pão que ele enfiou num pau e pôs a torrar nas brasas, que depois foram muito bem esfregadas com uns dentes de alho e barreadas com um bocadão de toucinho. Um pequeno almoço DIVINAL, a claridade já tinha começado a despontar, sentados numas pedras deliciados com o petisco que até hoje, melhor me soube. Lume apagado, com o ensinamento que assim é que se devia fazer, é que eu tinha 14 anos e o Aníbal 36-37, e ala que lá vamos nós continuar com a nossa passeata. Até à serra d'Ossa foi um andamento em zigue-zague. O Aníbal via um monte de um lado da estrada lá íamos nós, depois conhecia umas pessoas que habitavam do outro lado, lá atravessávamos novamente a estrada. Para meu grande regalo vínhamos sempre com laranjas, peros, dessas visitas. Até que chegámos à do Xana e quem havia de lá estar. O já aqui falado Tio António Alves. Assim que o vi dirigi-me logo a ele para o cumprimentar, pois se não o fizesse de imediato acontecia o que o Rui aqui tão bem relatou. Pergunta do tio: - D'onde vens? De Estremoz, disse eu muito de mansinho. Como? A pé...Deixa-te de parvoêras...e eu muito sorrateiramente vou para o lado do Aníbal e já não abri bico, se não cá fora para lhe contar o que se tinha passado. E lá continuámos a nossa odisseia, agora só pela estrada direitos ao Redondo que o dia já ia adiantado. Chegámos às 10h da noite e, nessa altura, pedimos que nos fossem buscar de carro...No outro dia fiquei em casa, não pude ir às aulas pois as dores nos músculos das pernas eram mais que muitas. Recordações destas são muitas e as saudades também.

Mon Oncle

Desculpem lá, hoje bebi um galão e agora não consigo dormir, vão ter mesmo que me aturar.
Já à muito tempo que ando para escrever sobre isto, mas normalmente falta-me a coragem, o medo do ridículo é mesmo ridículo.
Ora o assunto é o seguinte, proponho aqui, aos Falcatos, aos Alves, aos Simões, Trindades e Capelas Ruivos, uma homenagem ao senhor mais bonito, meigo, atencioso de Estremoz e arredores (Casa Branca incluída), ao meu Ti Jacinto!!! Ora aqui está uma bela razão para nos juntarmos todos, duvido que alguém tenha razão de queixa do meu tio (a ti marilena não conta), é impossivel. Ele é maravilhoso! Não sei se alguém viu este sabado o filme do Jacques Tati "Mon Oncle", eu sei que o meu tio não é propriamente um clown, mas há qualquer coisa de uma extrema ternura, de cumplicidade naquele personagem que eu sempre conectei com o meu Ti Jacinto, e além disso, arre, o Ti Jacinto é mesmo boa pessoa, bolas!! Se há alguém que mereça uma homenagem é ele!! Quem está comigo???!! Bora lá malta!! (Tanta mini que ele me pagou na Lili, é o minimo que posso fazer...)

Avô Anibal - Parte II

Não tenho grandes parecenças nem com Alves, nem com Falcatos. Dizem que são todos artistas, muito jeitosinhos com as mãos, que desenham muito bem, treca treca treca treca... Eu cá, não desenho um repolho, nem que ele se esfregue em tinta e rebole pela folha fora, é que não vale a pena. Mas há uma coisa em que sei que me assemelho, pelo menos com o meu avô, é a fazer petiscos!! Pelo menos a minha avó sempre se queixou disso, de aparecer sabe-se lá de onde, com não sei quem atrás, chegar a cozinha e em menos de 10 minutos, e com muita pouca coisa, faço um belo pitéu e deixo a cozinha num desastre!! O meu avô também era assim, lembro-me tão bem de ele entrar casa a dentro, com um molho de "camaradas" atrás, assim que isto sucedia a minha avó lançava logo um "...ai Anibal...", e também não era preciso muito tempo para a cozinha ficar um caos, mas ora e depois... Era sempre com cada petisco, aí já a minha avó não se queixava, até já bebia meia cervejola, nos dias de maior rebeldia uma cervejola inteira.
Outra coisa que eu faço, e que o meu avô também fazia é cozinhar ás tantas da noite por apetites, só que o apetite dele dava sempre para o mesmo, "bolema de torresmo", aquilo era uma delícia, ficavam os coiratos para roer, nham nham... Houve uma vez, que o Eduardo, irmão da Papu, entrou na cozinha da avó Flor, e o meu avô estava a cortar uma bolema dessas, ora o desgraçado do Eduardo, que tinha começado a ser vegetariano à pouco tempo, não conhecia aquele bolo, muito menos os ingredientes, tirou uma fatia e espetou-lhe uma valente dentada, eu fiquei parva, a olhar, e perante o "huummm..." de regozijo do Eduardo o meu avô perguntou "gostas??", o Eduardo só dizia, "Ist'é muita bom!!", eu continuava parva a olhar, e o meu avô, continuou a cortar a bolema e sem olhar para ele disse "Ainda bem que gostas, é feito de torresmos, não sentes umas codeazinhas??", o Eduardo franziu o sobrolho, mas desconfio que ele não acreditou no meu avô, porque voltou a repetir.
Já agora, ninguém sabe a receita deste bolinho meeeeeeeesmo bom para o colestrol, não???