sexta-feira, 19 de março de 2010

FELIZ DIA DO PAI


Levei um caixa de bombons para oferecer ao meu querido pai Vitalino. Juntei-lhe um postal, com palavras simples e nada imaginativas...
A caixa tem o anjinho de Rafael na tampa, é bonita. Lá dentro os bombons esperam para que o meu pai abra a caixa e se delicie com eles. Abriu-a, tirou, imediatamente, um bombom e começou a comê-lo, com enorme prazer.
O recheio era de licor, então à primeira dentada, o licor começou a escorrer pelos dedos trémulos. Comeu-o deliciado... eu e a minha mãe olhávamos sorrindo, para ele, felizes por o vermos tão guloso e tão bem disposto...
Que bom ter um pai com 87 anos, tão lúcido, tão consciente da vida, que eu amo tanto e que me ama imenso...

Como um livro aberto: a questão

Como um livro aberto: a questão

REBIRTHING / RENASCIMENTO

Convite

No dia 20 de Março, sábado, pelas 18.30horas, no Até Jazz Café, na Rua Serpa Pinto nº65 em Estremoz, Marinélia Leal vai apresentar o seu livro “Rebirthing” ( Renascimento). Quando tomei conhecimento desta terapia holística e li o livro, com prefácio da Risoleta Pinto Pedro, achei de todo o interesse, convidar a Marinélia Leal para nos explicar o que é e quais os benefícios que o Rebirthing ( Renascimento) poderá trazer na vida de todos nós. Assim, tenho o prazer de o/a convidar a estar presente neste encontro, o qual poderá trazer mais clareza mental, relacionamentos sãos, substituição de crenças e pensamentos negativos por outros mais construtivos; maior disponibilidade para gerir desafios; estados de humor equilibrados. Vamos contar com a presença de Risoleta Pinto Pedro para algumas leituras e de Gabriela Clemente, renascedora de Rebirthing, autora das ilustrações do livro e que exporá alguns dos seus quadros.

Com o meu obrigado por estar presente neste evento Zuzu

Quem é Marinélia Leal?

Engenheira Química de formação académica, com especialização em Qualidade de Vida, ingressou na área terapêutica pela paixão pela técnica de Rebirthing, tornando-se terapeuta holística.

Formada pela Escola Internacional de Rebirthing Ronald Fuchs em 1998, na cidade de São Paulo, Brasil. Iniciou o seu trabalho como terapeuta no Rio de Janeiro, sua cidade natal, onde foi sócia fundadora do Espaço de Renascimento Mahadevi, onde trabalhou até sua vinda para Portugal em 2002.

O que é o REBIRTHING | RENASCIMENTO

Terapia holística de auto-conhecimento e transformação pessoal que dissolve traumas e padrões (consciente/inconsciente) adquiridos desde a concepção até a 1ª infância. Criada há 35 anos na Califórnia já ajudou milhares de pessoas a se re-conectarem com o Ser Divino que há em si, utilizando a respiração consciente e conectada e o pensamento criativo positivo.
No Rebirthing percebemos como a forma do nosso nascimento influência até hoje os nossos relacionamentos, repetindo crenças assumidas no momento em que entramos no mundo. Ao reaprendermos a respirar tomamos posse da nossa vida e criamos com os nossos pensamentos a realidade que desejamos. Assumimos o poder de transformar tudo em nós, nossa auto-estima, prosperidade, relacionamentos, etc.
A técnica de Rebirthing pode ser feita a seco ou na água, em grupo ou individual, em casal ou famílias e em todas as idades desde o nascimento.
Respirar significa Viver, Rebirthing significa Nascer de Novo.

Respire, Viva, Transforme Sua Vida!!!

MÃOS…HERÓICAS MÃOS

Aos meus irmãos

Que deles é também

a génese e fluir deste poema


Celebro as tuas mãos, mãe!

Belas, ternas e delicadas

Mãos.

As tuas, mãe!

Longos dedos, fusiformes e sedosos;

Alvas

Suaves

Pacíficas

Inteligentes e cálidas mãos,

As tuas, mãe!

Mãos que me acolheram

Me afagaram

Me cingiram

Me apertaram

Me trataram

Me sossegaram

As tuas, mãe!

Mãos que me lavaram

Me vestiram

Me calçaram

Me pentearam

Me curaram

Me deitaram

Me taparam

As tuas, mãe!

Mãos que me ampararam

Me susteram

Me acompanharam

Me ergueram

Me sossegaram

Me adormeceram

Me acalentaram

Me prenderam

As tuas, mãe!

Mãos que com redobrada determinação

Me orientaram

Me moldaram

Me guindaram

Me mostraram

Me orgulharam

Me dignificaram

As tuas, mãe!

Mãos sofridas, solitárias, saudosas e tristes

Que com redobrada força e coragem

Me libertaram!

E duplamente me amaram,

As tuas, mãe!

Mãos que foram

Mãos que são minhas,

As tuas, mãe!

Mãos sacrificadas que a vida

Ludibriada

Fintada

Defraudada

Vencida

Revoltada

Com ironia legou à morte:

Pobres

Inertes

Gélidas

Pálidas

Exangues

Mãos que não foram

Mãos que não são as minhas

ESTAS AGORA QUE NÃO FORAM AS TUAS, MÃE!

José Falcato Varela s/data


quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

convite que enviei para o lançamento do livro "O Sol do Tarot de Sintra"

CONVITE No próximo dia 16 de Janeiro de 2010 vai decorrer o lançamento do livro de Risoleta C. Pinto Pedro - O SOL DO TAROT DE SINTRA, editado pela Indícios de Ouro, no até Jazz Café, Rua Serpa Pinto, nº 65, em Estremoz, pelas 21 horas. Risoleta C. Pinto Pedro é professora de Língua Portuguesa na Escola Secundária António Arroio, em Lisboa, e desde sempre a escrita criativa faz parte da sua vida. Desde há bastantes anos que se iniciou na escrita, tendo publicado até hoje, na ficção: A Criança Suspensa – Prémio Ferreira de Castro da Câmara Municipal de Sintra, em 1996; O Corpo e a Tela, na Editora Hugin, O Aniversário, Prémio Revelação APE/IPBL 1994, Ficção, Difel; em 1998 escreveu O Arquitecto , Editado pela Hugin, Venite In Silencio, editado pela Unicepe, Porto, em Setembro de 2004, que destaca entre outros. Foi também premiada na poesia pela Sociedade de Língua Portuguesa, escreveu teatro, canções, libretos de ópera, cantata, bandas desenhadas; fez crónica no programa “Quarto Crescente” para o Programa “Despertar dos Músicos” na Antena 2. Continua a publicar as suas crónicas regularmente em periódicos generalistas, literários e de artes plásticas em suporte de papel ou em páginas na Internet.

Com um beijo da Zuzu

lançamento do livro "O SOL do Tarot de Sintra"


"A vida é a arte do encontro. Embora haja tanto desencontro pela vida." Vinícius de Morais

Boa noite a todos.

Muito obrigada por estarem aqui connosco e por terem resistido à tentação de ficar em casa, no quentinho da braseira; sei que não deve ter sido nada fácil, mas eu espero ( não quero prometer nada!!!) que todos nós que aqui estamos, vamos ficar muito satisfeitos connosco próprios, por termos enfrentado o frio e a chuva nesta noite deste Inverno tão agreste!!

Há já algum tempo que sabia que a Risoleta andava a escrever um livro, cuja trama e acção teria uma relação directa com o Tarot. E porque sabia eu isso? Perguntarão vocês?

- Porque eu considero a Risoleta a minha melhor amiga e entre mim e ela, sempre houve e haverá uma troca constante de cumplicidade do que andamos a fazer, dos nossos projectos quer a nível pessoal, quer profissional. Falamos de viagens, encontros, leituras, cinema, as vivências com os nossos filhos, os nossos pais e dos amigos comuns… partilhamos também anseios, medos, alegrias e a nossa grande vontade de mudança, para encontrar a harmonia e a tranquilidade por que todos ansiamos.

Quando nos encontrávamos ou falávamos por telefone, ela mostrava-me como andava empenhada neste projecto, pois tal como neste, todos os projectos em que a Risoleta se evolve exigem muita pesquisa, procura e conhecimento.

Nas minhas pesquisas encontrei que:

O Tarot é um baralho de 78 cartas, dividido em dois grupos arcanos maiores e arcanos menores, o primeiro possui 22 cartas e o segundo grupo possui 56 cartas. Estas cartas servem para adivinhação e a meditação. É um dos métodos de análise de vida, de orientação e desenvolvimento pessoal.

A verdadeira origem do tarot está envolta em mistério, os relatos mais antigos referem-se ao Antigo Egipto, onde foram descobertas 22 lâminas de ouro com símbolos dos Arcanos Maiores, que são a fonte de inspiração da Risoleta para a elaboração deste livro.

Muito se tem discutido sobre a origem do tarot, os mais antigos documentos e cartas de tarot de que se tem notícia são de origem italiana e francesa, que datam dos séculos XV e XVI. Durante a Inquisição muitos baralhos foram queimados pela Igreja, pois eram considerados como um caminho de pecado, de ocultismo, relacionado com adivinhações e bruxarias. No entanto, alguns sobreviveram para hoje sabermos um pouco mais sobre esta arte de adivinhação.

O baralho de Marselha continua a ser o mais utilizado pois é o que mais se assemelha ao tarot original. Hoje, existem vários tipos de tarot, que podem ser classificados em clássicos ou modernos. O Clássico possui símbolos tradicionais, fiéis aos padrões originais. Os modernos contêm desenhos variados e alguns símbolos novos, os quais surgiram no passado século XX.

O tarot dá a quem o procura uma resposta seja para problemas materiais ou espirituais, mostrando um caminho ao consulente. É necessário saber lê-lo com sabedoria e com intuição, pois sem esta, é difícil saber interpretá-lo e sobretudo tentar analisar cada carta em todos os seus aspectos, para assim se chegar a uma resposta plausível para a dúvida questionada.

Quando a Risoleta me enviou o livro e comecei a lê-lo, logo o primeiro efeito de estranheza que me surgiu, foi o nome de Aleph, personagem principal do livro. Como se refere na página 19 “ Aleph era uma referência fundamental, a idiossincrasia da família, aquele que fazia a diferença, o selo, uma espécie de brasão vivo. Era um símbolo. Porque depois do seu nascimento nenhum dos que privaram com ele ficou igual.”

Perguntei-lhe: “Risoleta onde foste buscar este nome?” e ela na sua maneira simples de explicar as coisas ( eu sentia que ela sorria, do outro lado da linha ) disse-me:

“ Aleph é a primeira letra do alfabeto hebraico!”

Quando soube que seria eu a fazer a apresentação deste livro, senti que precisava saber um pouco mais sobre isso. Então comecei a pesquisar ( e a aprender!)

O alfabeto hebraico é constituído por 22 letras, tal como o número de cartas do arcanos maiores do tarot. No hebraico as letras também são números; no idioma hebraico há três letras-mães que são Aleph, Mem e Schin. O ponto de partida de toda a Cabala é o alfabeto. Essas 22 letras não são colocadas ao acaso; cada uma delas corresponde de acordo com a sua classificação a um número, a um hieróglifo, segundo a sua forma e a um símbolo segundo a sua relação com as outras letras do alfabeto.

Então, Aleph é a primeira das letras-mães do alfabeto hebraico. Como cada letra é uma potência, esta (Aleph) está ligada mais ou menos intimamente às forças criadoras do Universo. Essas forças evoluem em três mundos: físico, astral e psíquico. Combinar palavras hebraicas é, então, agir sobre o próprio Universo, daí o uso de nomes hebraicos em muitas cerimónias mágicas. Os antigos rabinos, os filósofos e os cabalistas explicavam a ordem, a harmonia e as influências dos céus sobre o Mundo, com as 22 letras do alfabeto místico dos hebreus: da letra Aleph até à letra IOD, situa-se o mundo invisível ou angélico, as inteligências soberanas que recebem as influências da primeira luz eterna que emana do Pai.

Aleph é o primeiro som que o ser humano articula. Aleph exprime a ideia da unidade e do princípio, designa a causa, a força, a actividade, o poder, a estabilidade e o Homem como unidade colectiva.

Aleph significa “sou o que sou” – é a essência invisível de todos os seres, pois Deus criou todas as coisas com número, medida e peso. Como já referi anteriormente, Aleph corresponde ao número um ( nº 1 ), e cada número do alfabeto, contém um mistério e um atributo que se refere à Divindade ou a alguma inteligência. Tudo o que existe na Natureza forma uma Unidade pelo encadeamento de causas e efeitos, que se multiplicam até ao Infinito.

Nas páginas 161 e 162 de O Sol do Tarot de Sintra encontramos referências à cabala: “ Mas desta vez os sábios e as práticas da Cabala servir-lhes-iam de … tendo esse santo saber só de alguns, o conhecimento oculto. E mais uma vez a Cabala não foi banalizada, o saber não foi profanado, mas colocado ao serviço do Esplendor e da Árvore da Vida. (…) Carminho foi encontrando em casa alguns signos que não compreendeu, mas que conservou. “

Saindo da explicação destes temas tão apaixonantes e que espero que levem alguns de nós a um estudo mais aprofundado, volto a falar da autora do livro.

Conheço a Risoleta há mais de 20 anos, quando ela foi a minha orientadora de estágio, na disciplina de português, na Escola D. Maria I, em Lisboa.

Éramos 3 estagiárias. Na 1ª reunião, a Risoleta marcou-nos encontro na casa onde morava naquela época, na Rua Palmira, aos Anjos. Fui sozinha, pois as minhas colegas iriam lá ter. Encontrei um prédio, muito interessante e curioso. Entrava-se por uma pequena cancela de ferro, que quase sempre estava aberta, mas naquele dia estava encostada!, e que dava acesso a um pequeno pátio. Subia-se uma escada de 4 ou 5 degraus que dava acesso à porta principal do prédio. Toquei à campainha. A porta abriu-se e eu subi as escadas até ao 1º ou 2º andar direito, onde ficava a casa da Risoleta. À porta, estava uma jovem mulher, com um sorriso doce e calmo, muito risonha, com o cabelo pintado de um vermelho alaranjado, com caracóis naturais apanhados, ao acaso, com um gancho, vestida com uma roupa alegre e descontraída, de um modo muito peculiar, (como só a Risoleta veste!), convidando-me a entrar. Demos um beijo de boas vindas e apresentámo-nos uma à outra.

O prédio onde ela morava, fora construído no princípio do século XX, o qual tinha resistido “heroicamente” ao tremor de terra de 1969. Nas paredes exteriores viam-se rachas enormes a lembrarem esse acidente. A entrada dava para dois corredores, em esquadro, um ia em frente, outro para a direita. Este era o corredor mais comprido, de soalho, de tábuas compridas e enceradas, que tinha a particularidade de ter o pavimento inclinado para a esquerda… quando caminhávamos, sentíamos que havia um desnível e que a perna do lado esquerdo ficava mais baixa… a Risoleta achava isso muito natural!!

Quando eu lhe perguntava: “ Será que não vou escorregar aqui?!, ela respondia-me com toda a calma e tranquilidade: “ Não, não tenhas medo que não vais escorregar, está assim desde o tremor de terra!”. Ao fundo desse corredor, estava a cozinha e uma marquise, onde numa mesinha havia tintas de aguarela e acrílicas, pois na altura a Risoleta dedicava-se à pintura…

Sempre achei aquela casa labiríntica. As divisões estavam ligadas umas às outras por portas, tapadas com cortinas de panos indianos ou de renda, colocadas ao acaso, com estiradores. A decoração era simples, mas muito, muito pessoal… livros, muitos livros, alguns objectos pessoais e alguns quadros nas paredes completavam a decoração; era muito acolhedora a casa da Rua Palmira!!! Como as divisões estavam interligadas, nunca sabíamos se estávamos a entrar na sala, se no quarto do Bruno ou no quarto da Rita, se na sala do piano… a casa tinha alma e tinha uma característica muito própria… respirava-se a mesma calma e tranquilidade que a dona da casa nos transmitia…

Foi a partir desse dia que ficámos amigas… eu até me atreveria a dizer… irmãs!!

E como duas amigas/irmãs, desde há 20 anos até hoje, partilhamos alegrias, tristezas, angústias, novidades, muito amor fraterno…

Como eu fiquei contente quando em 1996, o seu primeiro livro de ficção “ A criança suspensa” com o qual tinha concorrido ao Prémio Ferreira de Castro da Câmara de Sintra, ganhou o 1º prémio!!! Fiz questão de estar presente no evento; a minha querida amiga ia receber o seu prémio literário, mais que merecido!!

Ainda hoje, procuro estar presente, sempre que me é possível, e felizmente tenho assistido a quase todos os lançamentos dos livros que a Risoleta tem escrito, assim como tenho estado presente noutros projectos em que ela tem participado, nos concertos do coro do nosso querido amigo Maestro Paulo Brandão, nos ateliers de escrita criativa na casa Fundação Agostinho da Silva, nas várias conferências sobre vários autores e sobre os mais variados temas, que tem dado nos mais diversos espaços culturais de Lisboa, e como eu ouvia religiosamente, todas as quartas-feiras de manhã, as suas crónicas, na RTP2, como eu assisti deslumbrada aos espectáculos da Amálgama, no Convento de S. Paulo, na Serra d’Ossa, assim como fiquei maravilhada quando assisti à cantata O Achamento do Brasil , cuja sinopse é a seguinte:

Esta banda desenhada é inspirada na ópera O Achamento do Brasil encomendada pela Foco Musical ao compositor Jorge Salgueiro. Além da narração deste acontecimento histórico, aborda-se alguma da terminologia do mundo operático e apresentam-se os instrumentos musicais presentes na partitura. Este trabalho é essencialmente um estímulo e um complemento para a audição desta obra, escrita como um meio de sensibilização a este género musical, daí a inclusão do respectivo CD.” www. WooK.pt, onde participavam e colaboravam crianças, muitas e muitas crianças das escolas de Lisboa…

Não vi a cantata o Conquistador, mas de qualquer modo deixo aqui a sinopse que vem no mesmo site: A Cantata O Conquistador é baseada na biografia de D. Afonso Henriques e suas peripécias, nas suas desavenças com a sua mãe (D. Teresa), no seu aio fiel (Egas Moniz) e nas suas mulheres (a legítima D. Mafalda e... as outras). Esta cantata poderia contar uma encantadora história de ficção mas, por "coincidência", apresenta-nos de uma forma bem disposta e acessível a todas as idades a história da fundação de Portugal. Contada (e cantada) por 4 cantores e uma orquestra sinfónica, é mais um dos entusiasmantes Concertos Interactivos da Orquestra Didáctica da Foco Musical onde a plateia desempenhará um papel interventivo imprescindível.”

Muitas vezes, manda-me um capítulo ou parte de um projecto para que eu o leia e lhe dê a minha opinião … a minha opinião é sempre tão positiva, que por vezes penso que não a estou a ajudar, pois talvez ela quisesse ouvir uma opinião mais critica, mais mordaz!

Mas é essa a minha opinião! Ler os textos da Risoleta é para mim um prazer muito grande; a sua forma delicada de expor os assuntos complicados e desagradáveis, de usar a palavra certa no momento certo, de juntar o real com o imaginário, de misturar e usar a mitologia, a alquimia, o esoterismo com sageza, delicadeza e uma quase “ternura”, deixa-me presa ao texto, sem querer parar de o ler. Às vezes, os textos falam da realidade cruel, da maldade do Homem e deixam-me um sentimento amargo, de tristeza e ansiedade, por ver como ela está atenta a tudo isso… apesar do seu sorriso doce…

Ler um livro da Risoleta é entrar num espaço celestial, calmo e tranquilo, onde até o feio, o cruel, o mau, o agressivo, o injusto são ali, quase toleráveis.

A simbologia está presente nos seus escritos e encanta-me perceber o simbólico no texto … até nisso ela me contagiou!!! As frases curtas, a palavra certa no contexto, o sentido metafórico das palavras, a delicadeza de sentimentos, as descrições das personagens e dos locais enriquecem-me e prendem-me tanto a mim como aos seus leitores...

E hoje, estamos aqui para falar do seu último livro O Sol do Tarot de Sintra. Para preparar esta apresentação, mais uma vez, sem ela se aperceber disso, ela foi a minha mestra, a mestra que me tem guiado, ensinado e levado a olhar e a ver com outros olhos ( os dos sentidos, os olhos da alma ) o mundo e as pessoas.

Sem ela perceber ( nunca ela pensou como eu andei empenhada neste projecto!!!) ela tirou-me do marasmo em que tenho andado para pesquisar sobre a origem do Tarot, sobre o que é o Tarot, sobre o alfabeto hebraico e a Cabala; li o conto Aleph de Jorge Luís Borges e reli histórias e lendas da mitologia que me encantaram.

Fui à Net, ver o que se dizia sobre o O Sol do Tarot de Sintra e no site que referi anteriormente, encontrei este pequeno texto (sinopse) que não resisto a colocá-lo aqui, pois dá-nos uma pequena ideia do livro que vos estou a apresentar: Ao todo são vinte e duas as personagens, tantas quantos os arcanos maiores, todos desempenham um papel arquetípico neste pequeno teatro familiar que se desenrola em parte na casa de uma quinta, na Serra de Sintra, onde as flores são de plástico, o boi é o hierofante, ( do dicionário: aquele que explica os mistérios aos neófitos, e é também o sacerdote que preside aos mistérios de Eleusis, na Grécia ) e o quotidiano pode ir do mais extraordinário ao mais banal, como a passagem dos ciclistas, uma ópera, um casamento, uma peça de teatro, uma investigação, uma morte, uma gravidez, a vida, o eterno teatro.”

Acabo esta minha intervenção com as palavras da taróloga Susana Neves:

“Se o Homem vive dentro dos limites que a vida lhe impõe, então, com certeza, respeitará o limite do destino, vivendo de modo mais feliz para cumprir o seu Caminho. O Tarot, por sua vez complementa essa necessidade; prevê, encaminha, sugere e protege. Tal como um Mestre pode-nos aconselhar.”

Muito obrigada pela vossa paciência por me ter escutado.

Zuzu

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

O FRIO INTERIOR /EXTERIOR

Mas como é que eu vou aquecer-me por dentro, se cá fora, o termómetro marca 3º!!!??????
O meu corpo está gelado!!! tenho camadas e camadas de blusas, dois pares de calças, estou sentada à braseira, a salamandra está a esmorecer depois de a termos alimentado com lenha e mais lenha.
e cá dentro continuo gelada...
A tristeza é fria e por isso não me é possível aquecer-me hoje...
será que amanhã já me sinto um pouco mais confortada!!????

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

um suspiro ou respirar fundo???


Quando hoje, liguei o blog dei sem me aperceber um suspiro.... um respirar muito fundo, bem cá do fundo, que parece ir-nos dar algum alento para continuar...
O dia correu calmo e tranquilo... procurei perante os que me rodeiam, mostrar calma, tranquilidade e suavidade.
Cá dentro, dentro do meu peito o mar está em terrível tempestade... tudo lá dentro anda revolto e o meu coração, qual barco à deriva, não encontrou o ancoradouro.
Até quando vai durar esta enorme tempestade, de nevoeiro, granizo, chuva torrencial que se abateu sobre mim? sobre o barco, qual casca de noz, que eu não consigo controlar. A água que escorre em turbilhão do céu, molha-me o rosto e escorre-me pelas faces.... mas não são as minhas lágrimas... essas há muito, muito tempo que secaram...
Outro grande suspiro... e apesar dele, não me sinto melhor!!!!
queria colocar aqui uma imagem de mar revolto, bravio e insubmisso... mas não consegui. Por isso, que me estiver a ler que imagine como eu me sinto...



quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

E A TRISTEZA CONTINUA...

... e o coração continua muito.... muito apertado...
Dormir, dormir sempre foi uma das minhas soluções para solucionar as angústias.... e na verdade depois de ter dormido uma sesta ( à Alentejena!!!) pensava que estava melhor... que o meu coração estivesse menos apertado, que as minhas idéias menos confusas na cabeça!!!!
Telefonei à minha amiga R e ela que estava cansada e que tinha chegado a casa ( às 23.30h)disposta a comer uma sopa e a meter-se na cama, esteve pacientemente a ouvir-me... e eu falei.... barafustei.... lamentei... refilei com a vida.... e ela paciente ouviu... ouviu... e depois deu-me conselhos...., mas esses conselhos, neste momento, eu não consigo segui-los na totalidade... e fico triste, pois se eu os seguisse talvez não achasse a vida tão madrasta...
Porque será que desde sempre, era eu bem pequena!!! com os meus cinco, seis, sete anos, já questionava a minha vida???... já questionava as minhas angústias, os meus pensamentos mórbidos???? e quanto mais pensava neles, mais me convencia que a felicidade da vida é uma ilusão.... e eu sentia-me tão deprimida, sem que ninguém se apercebesse!!! pois ria, brincava, pulava e parecia que vendia felicidade para quem me rodeava... e eu sabia que não era verdade... que estava a "representar" pois sentia medo de ficar sem o meu pai, que conduzia o camião pelas estradas de Portugal, de Norte a Sul do país, e eu tinha pavor, só de pensar que lhe pudesse acontecer alguma coisa... o pai que eu adorava , que brincava, que dava alegria por toda a casa quando estava presente... e acordava assustada a pensar que a minha querida mãe, que eu adorava e adoro poderia "desaparecer" e isso para mim era uma angústia... e...
os outros viam-me alegre, feliz, contente, descontraída e nem sonhavam, nem imaginavam os pensamentos terríveis que me ensombravam a vida... e eu sorria... ria, brincava e representava...

domingo, 3 de janeiro de 2010

O DIA DE HOJE... DOMINGO DIA 3 DE JANEIRO 2010

As ideias baralham-se-me na mente... quero escrever tudo, mas mesmo tudo que me tem acontecido nestes últimos dias e não sei por onde começar... ( é um lugar tão comum! mas na verdade é isso mesmo que se passa na minha cabeça!! ou será no meu coração??) - já sabemos que é na mente que se formam todas as emoções, todas as angústias, todas as tristezas, todas as alegrias, todas as preocupações, mas curiosamente, contrariando tudo o que dizem os cientistas, pelo menos quanto a mim! não é a minha cabeça que se recente, mas sim o coração...
Este órgão sensível que nos orienta e nos comanda... está apertado, sente uma dor ligeira e apesar de respirar fundo, o ar não dá a "volta"...
Para me distrair, resolvi pôr o CD dos Xutos, oferecido (por sugestão minha!) pela Rita ao pai ( que não achou graça nenhuma ao presente!!!) no Natal e como não estou bem, ao tirar o Cd rasguei a capa ! não contente com isso, ao ir tirar o CD voltei a rasgá-la noutro sítio... e agora a caixa do CD, novo de 4 dias, está com um ar miserável!!! assim é também a nossa vida... por uma atitude mais desastrada fica feita num farrapo... tive que tirar os Xutos... era rock demais para a minha cabeça e para o meu coração...
Passei pelo cemitério para rezar um Pai-Nosso e uma Avé-Maria junto à campa dos meus avós... a primeira é a campa da avó Bárbára onde se encontram os restos mortais dela, da minha tia Maria Zulmira e de há 2 anos a esta parte do meu querido e saudado tio Zé Varela... estive ali alguns minutos e depois fui à campa do meu avô Manuel Perninhas e da AvóIdalina, rezei-lhes uma oração, falei com eles, pois onde quer que estejam, sabem que eu não estou bem e depois saí do cemitério... não saí aliviada... antes pelo contrário... sentia o meu coração tãp pesado, tão triste, tão cheio de saudade...
E a tristeza e a angústia continuaram dentro do meu peito... e para completar mais a situação tive um telefonema que me deixou triste, preocupada e com a certeza absoluta que a vida é muito complicada, triste e que as alegrias são infimas em relação às preocupações e tristezas que a vida se encarrega que nos oferecer...
Estou muito, muito triste... e apesar de me apetecer passar para a escrita a confusão que me vai na alma, não tenho forças para o fazer.
Vou parar.,..

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Marmeleira



A Herdade da Marmeleira é um local junto a Evoramonte, gerido pela Caroline e o Ludgero, dois holandeses apaixonados pelo Alentejo.
Tenho feito ali workshops sobre ioga, técnica Alexander, meditação e relaxamento...
Adoro este espaço e tudo nele nos leva à contemplação, a percebermos como o Alentejo nas quatro estações do ano, tem uma beleza fantástica.
Quando posso lá vou eu passar um fim de semana à Marmeleira...
E as sopas da Caroline são espectaculares...
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terça-feira, 20 de outubro de 2009

O SOL NO MARMELEIRO
















































Os dois sóis do marmelo

Madrid, começo do outono: Antonio López decide-se a pintar o toque suave do sol da manhã sobre as folhas e os frutos do marmeleiro no jardim de sua casa e convida o realizador Víctor Erice para filmá-lo enquanto pinta.
Para pintar o sol no marmelo o pintor constrói uma espécie de aparelho de olhar : pequenas pinceladas no tronco, nas folhas e nos frutos do marmeleiro ; cordéis suspensos no ar ; pregos fincados no chão para indicar a posição do cavalete que sustenta a tela e a distância entre a tela e o pintor. Estas marcas no chão e no espaço compõem a imagem; limitam, enquadram o que será pintado. O pintor traça uma moldura ou visor virtual : o cordel diante do marmeleiro, os traços e cruzes nas folhas e frutos da árvore só fazem sentido para os olhos do pintor.
O quadro não se conclui. O outono chuvoso esconde as cores que o pintor queria pintar. Sem o sol, ele decide retratar a árvore e os frutos num desenho em preto e branco, projeto igualmente abandonado. A chuva mais forte nos dias seguintes torna impossível desenhar no jardim, diante do marmeleiro.
El sol del membrillo, de Víctor Erice (1992) documenta a pintura que não se conclui e por isso mesmo, de modo radical, reafirma que num filme o que se vê não é exatamente a reprodução do que realizador viu, mas sim o olhar do realizador. Como aqui o realizador olha um personagem que olha (não vê o que ele vê : vê como ele constrói o seu olhar) talvez seja possível dizer que o diretor diante do pintor vê como um espectador vê quando tem diante se si um documentário.
E talvez se possa dizer também que o quadro não concluído se conclui no filme. Uma fusão entre cinema e pintura, El sol del membrillo realiza o sonho partilhado de López e Erice.


O Sol do Marmeleiro
El Sol del Membrillo de Víctor Erice
com Antonio López García, Marina Moreno, Enrique Gran, María LópezArgumento Víctor Erice, Antonio López García Fotografia Javier Aguirresarobe, Ángel Luiz Fernández Música Original Pascal Gaigne Origem Espanha 1992 Duração 133’ Classificação M/121992 - 133'
Víctor Erice deixa que se passem anos entre as suas obras. Mas de cada vez que as dá a conhecer, elas nos surpreendem. Já pertencentes à história do cinema, "O Espírito da Colmeia" e "O Sul" são filmes singulares e representativos, não só da trajectoria do seu realizador, como também de uma época de Espanha. Íntimos e quentes são, no entanto, filmes muito fortes. A sua última obra, "O Sol do Marmeleiro" foi exibida perante o imperturbável desinteresse dos distribuidores, que não a consideraram suficientemente comercial. Imagem gravada noutra imagem, dois seres, dois criadores ansiosos por suspender a vida, por capturá-la e ofertá-la. Antonio López, reconhecido pintor espanhol, é o tema filmado por Víctor Erice. Por sua vez, Antonio López escolhe um outro sujeito para imortalizar, o marmeleiro plantado há anos no pátio de sua casa. Construído como um documentário, em que os personagens representam-se a si próprios e as acções filmadas são as que realizam, o filme de Erice vai para além do género clássico de namorar a ficção, oferecendo-nos um objecto diferente daquilo a que, como espectadores, estamos habituados a receber.A câmara regista os preparativos para a tela, o ambiente familiar, os amigos, os operários, os ruídos da vizinhança... O cuidado de Erice no detalhe permite-nos seguir cada um dos seus passos. A observação cuidadosa, a escolha do ângulo, a demarcação do espaço. Pinceladas nos frutos, nos muros, determinam marcas precisas aos olhos do pintor. A extensão das linhas e o uso de prumo servem para definir os traços que darão equilíbrio ao modelo, permitindo representá-lo de forma quase perfeita na tela. Antonio López usa um ritmo que procura encerrar o modelo em limites precisos, o ponto de observação preso entre os fios que delimitam a árvore, assim como o ângulo de visão determinado pela posição dos pés, fixos ao solo, que imobilizam o corpo. O marmeleiro no Outono deve a sua luz aos fugazes raios de sol que López tenta perpetuar. Assim, Erice oferece-nos uma doce luta entre o pintor e o passar do tempo que ameaça tirar-lhe a possibilidade de concluir a sua obra. Lópes segue diariamente uma realidade concreta. O amadurecimento dos frutos, futuramente mortos, estabelecendo-se assim uma relação intimista com essa morte, à qual desafia diariamente para a vencer no decorrer do tempo. Cinema e pintura expõem-se assim como o veículo necessário para mostrar uma dupla realidade: a da árvore de frutos, e a do pintor em frente à sua obra. Luta súbtil contra o inexorável, visível no processo de amadurecimento da árvore, imperceptível no envelhecimento do homem. O esforço para captar um momento. A pintura retém a vida. O cinema junta-lhe movimento. No entanto, é esse movimento que nos expõe a realidade do perecível, esse transcorrer que promete a morte a todos os seres vivos. Partindo de uma necessidade similiar - a intenção de capturar um instante da vida - o cinema e a pintura oferecem-nos duas situações contrastantes. A pintura expressa o momento de maior esplendor do marmeleiro. O cinema oferece-nos a sua decadência. E assim, o cinema permite-nos observar a impotência do pintor, que enfrentando o passar do tempo e as inclemências do clima, se vê limitado a pintar um modelo, sem o conseguir na totalidade. Os sons ambientais que caracterizam o dia da semana que decorre - domingos agradáveis, segundas-feiras ruidosas -, assim como as notícias provindas do rádio ajudam-nos a emoldurar, em cinema, ao pintor e ao seu modelo. É um enquadramento real, histórico, documental. No entanto, as visitas que López recebe enquanto pinta, as conversas com os operários estrangeiros, foram previstas no guião, detalhe necessário para entender o namoro de Erice com um género ambíguo que se balança entre o documentário e a ficção. A simplicidade do filme apoia-se no seu desenvolvimento cronológico, no ritmo pausado, demorado na observação e enriquecido através de pontuais reimpressões elípticas fundidas a branco. O Sol do Marmeleiro conta com uma ordem crescente, na qual estão claramente delimitados os papéis da pintura e do cinema. Erice faz um discurso honesto, um compromisso com a realidade. Tanto a oferecida pelo marmeleiro ao pintor, como a do pintor em frente à câmara cinematográfica, obtendo assim o espectador uma experiência lúcida, na qual as duas realidades se conjugam perante os seus olhos.
Neste filme O Sol do Marmeleiro, Victor Erice oferece-nos o tempo necessário para acompanhar a lenta gestação de um único quadro do pintor Antonio López García. Aqui, o cinema amplia a nossa capacidade de percepção e compreensão da criação plástica.

NUNCA DEVE AQUECER ÁGUA NO MICROONDAS

Mandaram-me este mail hoje. Eu por acaso já sabia que acontecia este fenómeno quando se aquece apenas água no microondas e se lhe junta nescafé. Como está num português do Brasil muito mau, resolvi melhorá-lo, pois é muito importante que se saiba:
NUNCA DEVE AQUECER ÁGUA NO MICROONDAS!!
Há 5 dias, o meu filho de 26 anos, decidiu tomar uma chávena de café instantâneo ( tipo Nescafé) Pôs uma chávena com água para aquecer no microondas (o que já tinha feito antes, em várias ocasiões). Não sei exactamente por quanto tempo o programou, mas disse-me que queria que a água fervesse. Quando o tempo acabou , e o microondas parou, ele tirou a chávena do forno microondas.
Enquanto olhava a chávena deu-se conta que a água não estava a ferver; mal colocou o Nescafé, a água saltou directamente para seu rosto. Ele soltou-a das mãos logo que a água saltou para o seu rosto devido à energia acumulada.
Tem queimaduras de 1º e 2º graus em todo o rosto, e é muito provável que o rosto fique com cicatrizes e muito marcado. Além disso, perdeu parcialmente a visão do olho esquerdo.
Enquanto estávamos no hospital, o médico que o atendeu, comentou que este tipo de acidentes eram muito frequentes e que nunca se deveria pôr apenas água a aquecer no microondas. Se se aquece água desta forma, deve-se sempre pôr algo dentro da água, como um palito de madeira ou uma saqueta de chá, mas se se vai aquecer somente a água é melhor usar o fogão a gás.
Um professor de física respondeu à minha questão com esta resposta:
“Obrigado por me enviar a mensagem advertindo-me acerca da água aquecida no microondas.
Soube de vários casos. Isto é causado por um fenómeno conhecido por “ super-aquecimento” .
Pode acontecer em qualquer momento em que a água está a aquecer... especialmente se o utensílio que se está a usar é novo. O que acontece é que a água aquece muito mais rápido que as borbulhas que começarão a formar-se. Se a chávena é nova, não tem nenhum raspão ou ranhura por onde as borbulhas possam escapar e possam começar a borbulhar na água que já está a ferver, de tal maneia que a água vai aquecendo ultrapassando a temperatura para ferver (como quem diz ferve...e ferve... e ferve....). O que acontece então é que a água se obstrui, fica estancada e em contacto com o ar, a água salta com muita força devido à energia contida, dentro da chávena.”
NUNCA DEVE AQUECER OU FERVER ÁGUA NO MICROONDAS!!

terça-feira, 6 de outubro de 2009

LICORES - UMA ARTE MILENAR


Licores artesanais - Uma arte milenar

A palavra licor vem do Latim liquifacere, que significa liquefazer, dissolver. Isto refere-se às misturas que se empregam na fabricação da bebida e é com certeza isso que o torna uma bebida mágica.
Desde a origem do licor até aos nossos dias, que existem várias histórias relacionadas com casamentos, momentos românticos, bruxas, alquimistas e até filósofos, mas não se sabe o que é verdade e o que é a lenda.
Cerca de 2000 anos a.C., os egípcios e os gregos foram os primeiros povos a dominar as técnicas da destilação. Assim, naquela época, a bebida era usada para a cura de quase todos os males, era usada como elixir do rejuvenescimento ou poção do amor.
Hipócrates, que viveu na Grécia de 460 a 377 a.C., é considerado uma das figuras mais importantes da história da saúde, e por isso é considerado “ o pai da medicina”. Hipócrates era um asclepíade, isto é, era membro de uma família que durante gerações praticara os cuidados em saúde. Alguns documentos escritos na época de Hipócrates, falam-nos que os anciãos destilavam ervas e plantas para o seu próprio uso, na cura de enfermidades ou como tonificantes. Hoje sabemos que o Kummel e a Menta ajudam na digestão. Por todos estes factores, os licores estiveram sempre associados à medicina antiga e à astrologia medieval, eram denominados de elixires, bálsamos e mais tarde de licores.
Durante os séculos IV, V e VI da nossa era, as receitas de licores ficavam confinadas aos laboratórios de alquimia e aos mosteiros, no maior dos segredos! Os monges e freiras dos mosteiros, por serem grandes cultivadores de ervas com finalidades terapêuticas, acabaram por criar grandes e famosos licores, como o Benédictine e o Chartreuse.
Bénédictine é um licor francês de grande qualidade e talvez um dos mais antigos do mundo.
Começou a ser produzido em 1510, na Abadia de Fecamp, em França, Os monges dessa abadia guardaram, durante anos, sigilosamente, a sua receita. O local foi saqueado durante a Revolução Francesa e a fórmula do Bénédictine ficou desaparecida até 1863, data em que um comerciante local a descobriu.
Hoje, o licor é fabricado por uma firma particular da zona da Normandia e pensa-se que pouco ou nada tem a ver com a receita dos monges. Contudo, sabe-se que o actual fabricante continua a guardar o segredo da sua fabricação. Devido ao sigilo que envolve este licor, apenas se sabe que na sua fabricação entram várias dezenas de plantas, sendo usado o processo de maceração e destilação. A dosagem do conhaque que entra na sua fabricação tem que ser exacta para que resulte o licor Bénédictine, que é um óptimo digestivo. No rótulo da garrafa aparecem as iniciais D.O.M. que correspondem à frase latina : Deo Optimo Maximo, ou seja, “ Para Deus, o maior e o melhor”.
O Chartreuse é também um licor francês muito conhecido e cuja fabricação é um segredo não divulgado pelos monges da Grande Chartreuse, convento localizado nos arredores da cidade de Grenoble, em França. Diz-se que na sua composição entram inúmeras ervas, entre as quais a erva-cidreira, o isopo, macis ( cobertura da noz-moscada), canela e açafrão.
Os licores como os conhecemos hoje, só começaram a ser produzidos por volta do ano 1250 ( Séc. XIII ) , quando o químico catalão Arnold de Vila Nova escreveu um tratado sobre a infusão de ervas no álcool. Vila Nova foi o primeiro a escrever receitas de licores medicinais.
Na Itália, na Idade Média, (Séculos XI a XIV) era costume plantar uma nogueira quando nascia uma menina. O crescimento da árvore e da menina eram acompanhados com muito zelo pelos familiares. Quando a menina atingia a idade adulta e se ia casar, cortava-se a árvore e da sua madeira faziam a cama para o casal. Das nozes dessa nogueira era feito um licor chamado “nocello”, que é hoje famoso em todo o mundo.
Nessa mesma época, os licores surgiram como experiência de médicos e alquimistas que os empregavam para efeitos medicinais, na forma de elixir e afrodisíacos.
Existem três tipos distintos de licores: fabricados com uma única planta, os que são elaborados com um único tipo de fruta, e os que resultam da mistura de duas ou mais frutas ou plantas ao mesmo tempo.
Benevento era uma cidade do enclave papal e de acordo com a lenda, o lugar onde as bruxas de todo o mundo eram recolhidas. As bruxas produziam um licor com a mistura de várias ervas, resultando uma poção mágica. Disfarçavam-se de donzelas e iam dar de beber o seu licor aos habitantes. Segundo a lenda, os casais que bebessem juntos esse licor jamais se separariam. Essa poção é o famoso licor “Strega” ( que significa bruxa em italiano). Esta lenda existe até aos nossos dias. O termo Strega deriva da palavra latina Strix que significa Ave Noturna.
O Licor Strega tem a sua origem nesta cidade de Itália, desde 1860 e são produtores a família Alberti. A ideia de fabricar este licor surgiu a partir de uma receita antiga. O licor é feito com 70 ervas (secretas) de todo o mundo; é feito a partir da infusão e destilação destas ervas secretas. Bebe-se após as refeições ou é usado como ingrediente na culinária.
Este licor de sabor inigualável, é um licor típico italiano, doce e saboroso, tão encantador quanto a lenda que o cerca.
No Brasil, a fabricação de licores artesanais constitui uma actividade desenvolvida por um grande número de famílias, desde a época das velhas fazendas coloniais. O hábito de servir licor foi conservado no Brasil, por influência europeia. Com a grande variedade de frutas existentes neste país, começaram a surgir novas receitas como os licores de pitanga, tamarindo, jenipapo e outros.
Os licores que antigamente eram servidos após as refeições, actualmente passaram a ser servidos antes como drinques ou coquetéis, e entram como temperos de pratos de culinária doces e salgados.
Quando assistimos a filmes e telenovelas da época colonial, vemos os senhores das grandes fazendas bebendo e deliciando-se com pequenos cálices de licor, após uma farta refeição, como já dissemos, esta é uma grande herança europeia aos brasileiros.
Além de um óptimo digestivo, o licor é uma bebida rica em histórias, sabores, heranças e principalmente alquimia. Isto prova que quando juntamos um, dois ou mais ingredientes é possível transformar uma simples bebida numa delícia para a alma.

Sugiro que faça você mesmo este simples e delicioso licor de café.
LICOR DE CAFÉ - receita típica do estado do Espírito Santo.
INGREDIENTES
500 GR DE CAFÉ TORRADO EM GRÃOS,
2 LITROS DE AGUARDENTE,
1 1/2 LITRO DE ÁGUA,
1 KG DE AÇUCAR.
ACESSÓRIOS: frasco de vidro, funil, pedaço de algodão, garrafa para licor.
MODO DE PREPARAR:1) colocar o café com a aguardente num frasco de vidro e reservar por oito dias.2) numa panela, misturar a água e o açúcar e levar ao lume até formar uma calda em ponto de pasta, deixar arrefecer.3)misturar a calda de açucar com a aguardente e o café e filtrar, colocando um algodão no fundo do funil.
4) Colocar numa garrafa com tampa, de preferência bem fechada, e guardar em local escuro. Aguarde 2 meses para degustar, pois quanto maior for o tempo de envelhecimento mais gostoso ficará o seu licor.
Nota: Esta receita foi retirada do livro Claudia Cozinha especial , edição região sudeste. Mariana Castro
Sites consultados:
http://chefmarecozinhaeconta.blogspot.com/2009/05/licores-artesanais-uma-arte-milenar.html

http://pt.wikipedia.org/

terça-feira, 11 de agosto de 2009

PANTUFA












CABEÇO DE VIDE
































NÃO GOSTO!!!!

Não gosto de ser derrotista!!!!
Não gosto de ser piegas!!!!
Não gosto de me queixar!!!!
Não gosto de ser pessimista!!!!
Não gosto de sofrer!!!!
Não gosto de salas de operações!!!!
Não gosto do cheiro do hospital!!!!
Não gosto de ter dores!!!!
Não gosto de seringas!!!!
Não gosto de estar doente!!!!
Não gosto!!!!!! Não gosto mesmo!!!!
Mas quem gosta????!!!!
Ninguém gosta!!!!!
Eu também não gosto!!!! mas goste ou não goste lá estou eu no meio do que não gosto!!!
E mais uma vez, o destino passou-me uma rasteira.... e faz hoje 8 dias que mais uma vez fui operada... e mais uma vez passei por tudo aquilo que Não gosto!!!!
E por isso as férias estão mais que lixadas... e por tudo isto eu estou mesmo lixada!!!

P.S. Não gosto da palavra "lixada", mas não me ocorre outra... parece-me que é a primeira vez que a uso!!! tal não é a saturação de tanto sofrimento!!!

terça-feira, 31 de março de 2009

CAMISA AMARELA

Estava a ver um filme, onde o actor principal, galã e bonitão, tinha vestida uma camisa amarela...então desde esse dia, que me apetece escrever sobre a camisa amarela do meu pai.
Escrever sobre a camisa amarela???? mas o que tem de tão especial esta camisa amarela???
É uma camisa amarela canário, mas um pouco mais desmaiado... não era amarelo claro, não! era entre o amarelo canário e a gema de ovo, mas mais clara...
Pronto, era amarela clara!!!
Sempre me intrigou porque razão o meu pai quis comprar uma camisa amarela!?
Ele, que nunca ligou à roupa que a minha mãe lhe compra e que veste automaticamente, sem ver se a camisa é branca, às riscas, ou azul..., quis comprar uma camisa amarela!
E comprou-a. E quando vai a algum lado, quando precisa de se vestir com um pouco mais de primor, pede à minha mãe, que lhe dê a camisa amarela!!
O meu pai ainda é do tempo, em que os homens achavam que não era muito viril, saberem onde está guardada a sua roupa pessoal; não sabe, em qual gaveta estão guardadas as meias, as cuecas ou as camisolas interiores... é a minha mãe que lhe prepara a roupa, que lha põe em cima da cama, pronta a ele vestir, quando sai do banho.
Nunca mostrou interesse especial pelo que vestia; qualquer peça de roupa, para ele, está sempre bem!
Contudo, há cerca de 5 ou 6 anos, ele desejou ter uma camisa amarela!!
E a minha mãe, que estanhava o desejo, dizia: " Mas queres comprar uma camisa amarela?!!"
E ele respondia-lhe: " Sim, quero comprar uma camisa amarela!! onde é que está a admiração???"
E a minha mãe retorquia: " Mas tu nunca mostraste interesse pela tua roupa!! pelo que vestes!!" E ele reafirmava: "Pois mas agora quero comprar uma camisa amarela... "
E lá foram os dois, ao Ficabem, comprar uma camisa amarela, a camisa amarela!!!
E quando havia uma festa de anos, quando saía para passear, levava vestida a camisa amarela. E eu via que ele se sentia contente e feliz com aquela camisa amarela... vestiu-a muitas vezes... ficava-lhe bem... e ele sentia-se bem com ela vestida...
Há tempos perguntei à minha mãe: " Oh mãe, então a camisa amarela do pai? nunca mais o vi com ela vestida!?!"
E a minha mãe, num tom muito natural disse-me: "Sabes, de tanto ser lavada, está quase branca!!! já não se nota que era amarela !..."
"Oh, o pai deve estar muito triste, pois ela gostava muito dela?"
" Pois... se calhar temos que lhe comprar outra! ele gostava muito da camisa amarela!!!" - respondeu-me a minha mãe, sem grande convicção.
Agora já sei, porque o meu pai quis ter a camisa amarela... só os galãs usam camisa amarela!!

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

A MARMELADA DA AVÓ BÁRBARA

Avó Idalina, Zuzu, Avó Bárbara (20/9/1969) 
Onze anos, depois de se terem casado, o meu avô, de 38 anos, morreu com uma trombose .
A minha avó, com 35 anos, ficou viúva. Estava grávida, e quatro meses depois, nasceu a minha tia Maria Zé. Ficou com cinco filhos. Todos menores de idade: a minha mãe tinha 7 anos e depois seguiam-se os restantes quatro filhos, o meu tio Jacinto, a minha tia Maria Zulmira, o meu tio Zé e a minha tia Maria Zé.
Quando eu era criança, muitas vezes, ia dormir com a minha avó. Como habitualmente, saíamos da casa dos meus pais, onde tínhamos passado o serão e lá íamos nós as duas, abraçadas uma à outra, pela rua escura, até à sua casa; a minha mãe ficava à porta da nossa casa, com o candeeiro a petróleo na mão, até nos ver entrar. Nunca dormiu sozinha. Quando a minha tia Maria Zé ia para Estremoz e quando mais tarde se casou, alguém tinha que ir dormir com ela, pois era muito medrosa.
Quando chegávamos junto da porta, a minha avó procurava a chave, que nunca estava no bolso onde ela procurava. Assim, muitas vezes, ficávamos ali ao frio, eu esperando impaciente para entrar e a minha avó revistando todos os bolsos. Metia a mão, voltava a meter, e nada! a chave nunca aparecia!
- " Ai filha, queres ver que perdi a chave!!! mas eu quando fechei a porta, meti-a no bolso!! onde é que ela está??!... queres ver que a deixei em casa da tua mãe, em cima da mesa!?!, ora esta!! ..." e ia falando, enquanto continuava a busca incessante... Levávamos sempre algum tempo naquela "cena" até que finalmente aparecia a chave!!! A noite estava escura como breu, e o conseguir meter a chave na fechadura era outra aventura! às vezes, tínhamos que acender fósforos, que se apagavam constantemente, para vermos o buraco da fechadura.
Finalmente, entrávamos.
A porta da entrada dava para a antiga loja, desactivada e fechada há alguns anos. Em cima do balcão estava o candeeiro a petróleo, com a chama muito baixinha, para gastar pouco, com a luz muito mortiça. Mal entrávamos, a minha avó levantava a luz do candeeiro, pegava-lhe e lá íamos nós, uma atrás da outra, corredor fora, até à cozinha.
A casa era muito grande. Reinava o silêncio. Contudo, ouviam-se sempre barulhos estranhos, que me assustavam. Eram o raspar dos cascos das bestas da Prima Maria Ezequiel, que ficavam na cocheira, mesmo ali ao lado; era o estalar das madeiras da mobília velha; eram os ruídos surdos vindos do sotão; eram as folhas das árvores que se agitavam com o vento. Eu precisava de algum tempo, para me habituar ao silêncio e àqueles "sons, depois ficava descansada e tranquila. Nunca fui medrosa, mas aquele ambiente, pesado e austero, provocava-me alguma ansiedade...
Na cozinha, a minha avó punha o candeeiro em cima da grande mesa de madeira. Abria uma das gavetas, e tirava de lá a faca do pão. Era uma faca própria, que servia unicamente para cortar o pão. Todas as semanas era areada com palha de aço, parecia de prata; cortava muito bem, apesar da lâmina estar muito gasta.
Eu sentava-me e observava os movimentos da minha avó. Íamos sempre falando, uma com a outra. A minha avó sempre foi uma óptima conversadora e sempre gostou muito de conversar comigo.
A minha avó tirava as tigelas de louça do armário. Ia buscar o fervedor, com o resto do caldo de farinha, que tinha feito pela manhã e colocava-o em cima da boca do fogão a gás para que aquecesse. Ia à despensa e trazia de lá, o saco de tecido branco imaculado, onde guardava o pão alentejano. Depois ia à casa de jantar buscar a saladeira da marmelada.
O caldo de farinha já estava quente e a minha avó enchia as tigelas. Depois cortava fatias muito finas, a todo o comprimento do pão. Por cima, colocava uma fatia fina de marmelada. Tudo era feito com muita delicadeza, com muita ternura, com muita calma e tranquilidade. Deliciávamo-nos com aquele manjar!!!
A marmelada da minha avó Bárbara era muito saborosa. Muito fina e macia, algumas vezes, encontrávamos torrõezinhos de açúcar, no meio, o que a tornavam ainda mais deliciosa.
A elaboração da marmelada era muito complicada e levava-se um ou mais dias a fazer.
Era feita em casa, com os marmelos da propriedade do meu bisavô. Depois de descascados, os marmelos eram cortados em bocados e cozidos em água. Depois, escorriam-se da água e passavam-se pelo passe-vite. Punha-se essa "massa" de marmelo num tacho de cobre, juntava-se o açucar amarelo e ia ao lume de chão, em cima duma trempe, mexendo-se continuamente, com uma colher de pau. Quando estava no ponto, arredava-se. A marmelada era posta em tigelas de louça que secavam ao sol, durante alguns dias. Depois, cortava-se papel vegetal do tamanho das tigelas e punha-se por cima a tapar a marmelada. Guardava-se e era comida durante todo o ano.
Quando acabávamos de comer, a minha avó metia o pão, novamente, dentro do saco de pano e guardava-o na despensa. As tigelas ficavam em cima do lava-louças, para serem lavadas no dia seguinte. Ia levar a marmelada para o armário da casa de jantar, onde sempre foi o seu lugar e depois de tudo arrumado, lá íamos para a cama.
A minha avó era uma pessoa muito delicada e de muito boas maneiras. Sempre a conheci muito atenta às necessidades da casa, muito perfeita em todas as tarefas que realizava, muito asseada e limpa. Era sobre tudo muito educada. A casa estava sempre muito arrumada e limpa, as roupas da cama era brancas de neve e a minha avó cheirava sempre muito bem... eu adorava ir dormir com ela...