quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

lançamento do livro "O SOL do Tarot de Sintra"


"A vida é a arte do encontro. Embora haja tanto desencontro pela vida." Vinícius de Morais

Boa noite a todos.

Muito obrigada por estarem aqui connosco e por terem resistido à tentação de ficar em casa, no quentinho da braseira; sei que não deve ter sido nada fácil, mas eu espero ( não quero prometer nada!!!) que todos nós que aqui estamos, vamos ficar muito satisfeitos connosco próprios, por termos enfrentado o frio e a chuva nesta noite deste Inverno tão agreste!!

Há já algum tempo que sabia que a Risoleta andava a escrever um livro, cuja trama e acção teria uma relação directa com o Tarot. E porque sabia eu isso? Perguntarão vocês?

- Porque eu considero a Risoleta a minha melhor amiga e entre mim e ela, sempre houve e haverá uma troca constante de cumplicidade do que andamos a fazer, dos nossos projectos quer a nível pessoal, quer profissional. Falamos de viagens, encontros, leituras, cinema, as vivências com os nossos filhos, os nossos pais e dos amigos comuns… partilhamos também anseios, medos, alegrias e a nossa grande vontade de mudança, para encontrar a harmonia e a tranquilidade por que todos ansiamos.

Quando nos encontrávamos ou falávamos por telefone, ela mostrava-me como andava empenhada neste projecto, pois tal como neste, todos os projectos em que a Risoleta se evolve exigem muita pesquisa, procura e conhecimento.

Nas minhas pesquisas encontrei que:

O Tarot é um baralho de 78 cartas, dividido em dois grupos arcanos maiores e arcanos menores, o primeiro possui 22 cartas e o segundo grupo possui 56 cartas. Estas cartas servem para adivinhação e a meditação. É um dos métodos de análise de vida, de orientação e desenvolvimento pessoal.

A verdadeira origem do tarot está envolta em mistério, os relatos mais antigos referem-se ao Antigo Egipto, onde foram descobertas 22 lâminas de ouro com símbolos dos Arcanos Maiores, que são a fonte de inspiração da Risoleta para a elaboração deste livro.

Muito se tem discutido sobre a origem do tarot, os mais antigos documentos e cartas de tarot de que se tem notícia são de origem italiana e francesa, que datam dos séculos XV e XVI. Durante a Inquisição muitos baralhos foram queimados pela Igreja, pois eram considerados como um caminho de pecado, de ocultismo, relacionado com adivinhações e bruxarias. No entanto, alguns sobreviveram para hoje sabermos um pouco mais sobre esta arte de adivinhação.

O baralho de Marselha continua a ser o mais utilizado pois é o que mais se assemelha ao tarot original. Hoje, existem vários tipos de tarot, que podem ser classificados em clássicos ou modernos. O Clássico possui símbolos tradicionais, fiéis aos padrões originais. Os modernos contêm desenhos variados e alguns símbolos novos, os quais surgiram no passado século XX.

O tarot dá a quem o procura uma resposta seja para problemas materiais ou espirituais, mostrando um caminho ao consulente. É necessário saber lê-lo com sabedoria e com intuição, pois sem esta, é difícil saber interpretá-lo e sobretudo tentar analisar cada carta em todos os seus aspectos, para assim se chegar a uma resposta plausível para a dúvida questionada.

Quando a Risoleta me enviou o livro e comecei a lê-lo, logo o primeiro efeito de estranheza que me surgiu, foi o nome de Aleph, personagem principal do livro. Como se refere na página 19 “ Aleph era uma referência fundamental, a idiossincrasia da família, aquele que fazia a diferença, o selo, uma espécie de brasão vivo. Era um símbolo. Porque depois do seu nascimento nenhum dos que privaram com ele ficou igual.”

Perguntei-lhe: “Risoleta onde foste buscar este nome?” e ela na sua maneira simples de explicar as coisas ( eu sentia que ela sorria, do outro lado da linha ) disse-me:

“ Aleph é a primeira letra do alfabeto hebraico!”

Quando soube que seria eu a fazer a apresentação deste livro, senti que precisava saber um pouco mais sobre isso. Então comecei a pesquisar ( e a aprender!)

O alfabeto hebraico é constituído por 22 letras, tal como o número de cartas do arcanos maiores do tarot. No hebraico as letras também são números; no idioma hebraico há três letras-mães que são Aleph, Mem e Schin. O ponto de partida de toda a Cabala é o alfabeto. Essas 22 letras não são colocadas ao acaso; cada uma delas corresponde de acordo com a sua classificação a um número, a um hieróglifo, segundo a sua forma e a um símbolo segundo a sua relação com as outras letras do alfabeto.

Então, Aleph é a primeira das letras-mães do alfabeto hebraico. Como cada letra é uma potência, esta (Aleph) está ligada mais ou menos intimamente às forças criadoras do Universo. Essas forças evoluem em três mundos: físico, astral e psíquico. Combinar palavras hebraicas é, então, agir sobre o próprio Universo, daí o uso de nomes hebraicos em muitas cerimónias mágicas. Os antigos rabinos, os filósofos e os cabalistas explicavam a ordem, a harmonia e as influências dos céus sobre o Mundo, com as 22 letras do alfabeto místico dos hebreus: da letra Aleph até à letra IOD, situa-se o mundo invisível ou angélico, as inteligências soberanas que recebem as influências da primeira luz eterna que emana do Pai.

Aleph é o primeiro som que o ser humano articula. Aleph exprime a ideia da unidade e do princípio, designa a causa, a força, a actividade, o poder, a estabilidade e o Homem como unidade colectiva.

Aleph significa “sou o que sou” – é a essência invisível de todos os seres, pois Deus criou todas as coisas com número, medida e peso. Como já referi anteriormente, Aleph corresponde ao número um ( nº 1 ), e cada número do alfabeto, contém um mistério e um atributo que se refere à Divindade ou a alguma inteligência. Tudo o que existe na Natureza forma uma Unidade pelo encadeamento de causas e efeitos, que se multiplicam até ao Infinito.

Nas páginas 161 e 162 de O Sol do Tarot de Sintra encontramos referências à cabala: “ Mas desta vez os sábios e as práticas da Cabala servir-lhes-iam de … tendo esse santo saber só de alguns, o conhecimento oculto. E mais uma vez a Cabala não foi banalizada, o saber não foi profanado, mas colocado ao serviço do Esplendor e da Árvore da Vida. (…) Carminho foi encontrando em casa alguns signos que não compreendeu, mas que conservou. “

Saindo da explicação destes temas tão apaixonantes e que espero que levem alguns de nós a um estudo mais aprofundado, volto a falar da autora do livro.

Conheço a Risoleta há mais de 20 anos, quando ela foi a minha orientadora de estágio, na disciplina de português, na Escola D. Maria I, em Lisboa.

Éramos 3 estagiárias. Na 1ª reunião, a Risoleta marcou-nos encontro na casa onde morava naquela época, na Rua Palmira, aos Anjos. Fui sozinha, pois as minhas colegas iriam lá ter. Encontrei um prédio, muito interessante e curioso. Entrava-se por uma pequena cancela de ferro, que quase sempre estava aberta, mas naquele dia estava encostada!, e que dava acesso a um pequeno pátio. Subia-se uma escada de 4 ou 5 degraus que dava acesso à porta principal do prédio. Toquei à campainha. A porta abriu-se e eu subi as escadas até ao 1º ou 2º andar direito, onde ficava a casa da Risoleta. À porta, estava uma jovem mulher, com um sorriso doce e calmo, muito risonha, com o cabelo pintado de um vermelho alaranjado, com caracóis naturais apanhados, ao acaso, com um gancho, vestida com uma roupa alegre e descontraída, de um modo muito peculiar, (como só a Risoleta veste!), convidando-me a entrar. Demos um beijo de boas vindas e apresentámo-nos uma à outra.

O prédio onde ela morava, fora construído no princípio do século XX, o qual tinha resistido “heroicamente” ao tremor de terra de 1969. Nas paredes exteriores viam-se rachas enormes a lembrarem esse acidente. A entrada dava para dois corredores, em esquadro, um ia em frente, outro para a direita. Este era o corredor mais comprido, de soalho, de tábuas compridas e enceradas, que tinha a particularidade de ter o pavimento inclinado para a esquerda… quando caminhávamos, sentíamos que havia um desnível e que a perna do lado esquerdo ficava mais baixa… a Risoleta achava isso muito natural!!

Quando eu lhe perguntava: “ Será que não vou escorregar aqui?!, ela respondia-me com toda a calma e tranquilidade: “ Não, não tenhas medo que não vais escorregar, está assim desde o tremor de terra!”. Ao fundo desse corredor, estava a cozinha e uma marquise, onde numa mesinha havia tintas de aguarela e acrílicas, pois na altura a Risoleta dedicava-se à pintura…

Sempre achei aquela casa labiríntica. As divisões estavam ligadas umas às outras por portas, tapadas com cortinas de panos indianos ou de renda, colocadas ao acaso, com estiradores. A decoração era simples, mas muito, muito pessoal… livros, muitos livros, alguns objectos pessoais e alguns quadros nas paredes completavam a decoração; era muito acolhedora a casa da Rua Palmira!!! Como as divisões estavam interligadas, nunca sabíamos se estávamos a entrar na sala, se no quarto do Bruno ou no quarto da Rita, se na sala do piano… a casa tinha alma e tinha uma característica muito própria… respirava-se a mesma calma e tranquilidade que a dona da casa nos transmitia…

Foi a partir desse dia que ficámos amigas… eu até me atreveria a dizer… irmãs!!

E como duas amigas/irmãs, desde há 20 anos até hoje, partilhamos alegrias, tristezas, angústias, novidades, muito amor fraterno…

Como eu fiquei contente quando em 1996, o seu primeiro livro de ficção “ A criança suspensa” com o qual tinha concorrido ao Prémio Ferreira de Castro da Câmara de Sintra, ganhou o 1º prémio!!! Fiz questão de estar presente no evento; a minha querida amiga ia receber o seu prémio literário, mais que merecido!!

Ainda hoje, procuro estar presente, sempre que me é possível, e felizmente tenho assistido a quase todos os lançamentos dos livros que a Risoleta tem escrito, assim como tenho estado presente noutros projectos em que ela tem participado, nos concertos do coro do nosso querido amigo Maestro Paulo Brandão, nos ateliers de escrita criativa na casa Fundação Agostinho da Silva, nas várias conferências sobre vários autores e sobre os mais variados temas, que tem dado nos mais diversos espaços culturais de Lisboa, e como eu ouvia religiosamente, todas as quartas-feiras de manhã, as suas crónicas, na RTP2, como eu assisti deslumbrada aos espectáculos da Amálgama, no Convento de S. Paulo, na Serra d’Ossa, assim como fiquei maravilhada quando assisti à cantata O Achamento do Brasil , cuja sinopse é a seguinte:

Esta banda desenhada é inspirada na ópera O Achamento do Brasil encomendada pela Foco Musical ao compositor Jorge Salgueiro. Além da narração deste acontecimento histórico, aborda-se alguma da terminologia do mundo operático e apresentam-se os instrumentos musicais presentes na partitura. Este trabalho é essencialmente um estímulo e um complemento para a audição desta obra, escrita como um meio de sensibilização a este género musical, daí a inclusão do respectivo CD.” www. WooK.pt, onde participavam e colaboravam crianças, muitas e muitas crianças das escolas de Lisboa…

Não vi a cantata o Conquistador, mas de qualquer modo deixo aqui a sinopse que vem no mesmo site: A Cantata O Conquistador é baseada na biografia de D. Afonso Henriques e suas peripécias, nas suas desavenças com a sua mãe (D. Teresa), no seu aio fiel (Egas Moniz) e nas suas mulheres (a legítima D. Mafalda e... as outras). Esta cantata poderia contar uma encantadora história de ficção mas, por "coincidência", apresenta-nos de uma forma bem disposta e acessível a todas as idades a história da fundação de Portugal. Contada (e cantada) por 4 cantores e uma orquestra sinfónica, é mais um dos entusiasmantes Concertos Interactivos da Orquestra Didáctica da Foco Musical onde a plateia desempenhará um papel interventivo imprescindível.”

Muitas vezes, manda-me um capítulo ou parte de um projecto para que eu o leia e lhe dê a minha opinião … a minha opinião é sempre tão positiva, que por vezes penso que não a estou a ajudar, pois talvez ela quisesse ouvir uma opinião mais critica, mais mordaz!

Mas é essa a minha opinião! Ler os textos da Risoleta é para mim um prazer muito grande; a sua forma delicada de expor os assuntos complicados e desagradáveis, de usar a palavra certa no momento certo, de juntar o real com o imaginário, de misturar e usar a mitologia, a alquimia, o esoterismo com sageza, delicadeza e uma quase “ternura”, deixa-me presa ao texto, sem querer parar de o ler. Às vezes, os textos falam da realidade cruel, da maldade do Homem e deixam-me um sentimento amargo, de tristeza e ansiedade, por ver como ela está atenta a tudo isso… apesar do seu sorriso doce…

Ler um livro da Risoleta é entrar num espaço celestial, calmo e tranquilo, onde até o feio, o cruel, o mau, o agressivo, o injusto são ali, quase toleráveis.

A simbologia está presente nos seus escritos e encanta-me perceber o simbólico no texto … até nisso ela me contagiou!!! As frases curtas, a palavra certa no contexto, o sentido metafórico das palavras, a delicadeza de sentimentos, as descrições das personagens e dos locais enriquecem-me e prendem-me tanto a mim como aos seus leitores...

E hoje, estamos aqui para falar do seu último livro O Sol do Tarot de Sintra. Para preparar esta apresentação, mais uma vez, sem ela se aperceber disso, ela foi a minha mestra, a mestra que me tem guiado, ensinado e levado a olhar e a ver com outros olhos ( os dos sentidos, os olhos da alma ) o mundo e as pessoas.

Sem ela perceber ( nunca ela pensou como eu andei empenhada neste projecto!!!) ela tirou-me do marasmo em que tenho andado para pesquisar sobre a origem do Tarot, sobre o que é o Tarot, sobre o alfabeto hebraico e a Cabala; li o conto Aleph de Jorge Luís Borges e reli histórias e lendas da mitologia que me encantaram.

Fui à Net, ver o que se dizia sobre o O Sol do Tarot de Sintra e no site que referi anteriormente, encontrei este pequeno texto (sinopse) que não resisto a colocá-lo aqui, pois dá-nos uma pequena ideia do livro que vos estou a apresentar: Ao todo são vinte e duas as personagens, tantas quantos os arcanos maiores, todos desempenham um papel arquetípico neste pequeno teatro familiar que se desenrola em parte na casa de uma quinta, na Serra de Sintra, onde as flores são de plástico, o boi é o hierofante, ( do dicionário: aquele que explica os mistérios aos neófitos, e é também o sacerdote que preside aos mistérios de Eleusis, na Grécia ) e o quotidiano pode ir do mais extraordinário ao mais banal, como a passagem dos ciclistas, uma ópera, um casamento, uma peça de teatro, uma investigação, uma morte, uma gravidez, a vida, o eterno teatro.”

Acabo esta minha intervenção com as palavras da taróloga Susana Neves:

“Se o Homem vive dentro dos limites que a vida lhe impõe, então, com certeza, respeitará o limite do destino, vivendo de modo mais feliz para cumprir o seu Caminho. O Tarot, por sua vez complementa essa necessidade; prevê, encaminha, sugere e protege. Tal como um Mestre pode-nos aconselhar.”

Muito obrigada pela vossa paciência por me ter escutado.

Zuzu

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

O FRIO INTERIOR /EXTERIOR

Mas como é que eu vou aquecer-me por dentro, se cá fora, o termómetro marca 3º!!!??????
O meu corpo está gelado!!! tenho camadas e camadas de blusas, dois pares de calças, estou sentada à braseira, a salamandra está a esmorecer depois de a termos alimentado com lenha e mais lenha.
e cá dentro continuo gelada...
A tristeza é fria e por isso não me é possível aquecer-me hoje...
será que amanhã já me sinto um pouco mais confortada!!????

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

um suspiro ou respirar fundo???


Quando hoje, liguei o blog dei sem me aperceber um suspiro.... um respirar muito fundo, bem cá do fundo, que parece ir-nos dar algum alento para continuar...
O dia correu calmo e tranquilo... procurei perante os que me rodeiam, mostrar calma, tranquilidade e suavidade.
Cá dentro, dentro do meu peito o mar está em terrível tempestade... tudo lá dentro anda revolto e o meu coração, qual barco à deriva, não encontrou o ancoradouro.
Até quando vai durar esta enorme tempestade, de nevoeiro, granizo, chuva torrencial que se abateu sobre mim? sobre o barco, qual casca de noz, que eu não consigo controlar. A água que escorre em turbilhão do céu, molha-me o rosto e escorre-me pelas faces.... mas não são as minhas lágrimas... essas há muito, muito tempo que secaram...
Outro grande suspiro... e apesar dele, não me sinto melhor!!!!
queria colocar aqui uma imagem de mar revolto, bravio e insubmisso... mas não consegui. Por isso, que me estiver a ler que imagine como eu me sinto...



quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

E A TRISTEZA CONTINUA...

... e o coração continua muito.... muito apertado...
Dormir, dormir sempre foi uma das minhas soluções para solucionar as angústias.... e na verdade depois de ter dormido uma sesta ( à Alentejena!!!) pensava que estava melhor... que o meu coração estivesse menos apertado, que as minhas idéias menos confusas na cabeça!!!!
Telefonei à minha amiga R e ela que estava cansada e que tinha chegado a casa ( às 23.30h)disposta a comer uma sopa e a meter-se na cama, esteve pacientemente a ouvir-me... e eu falei.... barafustei.... lamentei... refilei com a vida.... e ela paciente ouviu... ouviu... e depois deu-me conselhos...., mas esses conselhos, neste momento, eu não consigo segui-los na totalidade... e fico triste, pois se eu os seguisse talvez não achasse a vida tão madrasta...
Porque será que desde sempre, era eu bem pequena!!! com os meus cinco, seis, sete anos, já questionava a minha vida???... já questionava as minhas angústias, os meus pensamentos mórbidos???? e quanto mais pensava neles, mais me convencia que a felicidade da vida é uma ilusão.... e eu sentia-me tão deprimida, sem que ninguém se apercebesse!!! pois ria, brincava, pulava e parecia que vendia felicidade para quem me rodeava... e eu sabia que não era verdade... que estava a "representar" pois sentia medo de ficar sem o meu pai, que conduzia o camião pelas estradas de Portugal, de Norte a Sul do país, e eu tinha pavor, só de pensar que lhe pudesse acontecer alguma coisa... o pai que eu adorava , que brincava, que dava alegria por toda a casa quando estava presente... e acordava assustada a pensar que a minha querida mãe, que eu adorava e adoro poderia "desaparecer" e isso para mim era uma angústia... e...
os outros viam-me alegre, feliz, contente, descontraída e nem sonhavam, nem imaginavam os pensamentos terríveis que me ensombravam a vida... e eu sorria... ria, brincava e representava...

domingo, 3 de janeiro de 2010

O DIA DE HOJE... DOMINGO DIA 3 DE JANEIRO 2010

As ideias baralham-se-me na mente... quero escrever tudo, mas mesmo tudo que me tem acontecido nestes últimos dias e não sei por onde começar... ( é um lugar tão comum! mas na verdade é isso mesmo que se passa na minha cabeça!! ou será no meu coração??) - já sabemos que é na mente que se formam todas as emoções, todas as angústias, todas as tristezas, todas as alegrias, todas as preocupações, mas curiosamente, contrariando tudo o que dizem os cientistas, pelo menos quanto a mim! não é a minha cabeça que se recente, mas sim o coração...
Este órgão sensível que nos orienta e nos comanda... está apertado, sente uma dor ligeira e apesar de respirar fundo, o ar não dá a "volta"...
Para me distrair, resolvi pôr o CD dos Xutos, oferecido (por sugestão minha!) pela Rita ao pai ( que não achou graça nenhuma ao presente!!!) no Natal e como não estou bem, ao tirar o Cd rasguei a capa ! não contente com isso, ao ir tirar o CD voltei a rasgá-la noutro sítio... e agora a caixa do CD, novo de 4 dias, está com um ar miserável!!! assim é também a nossa vida... por uma atitude mais desastrada fica feita num farrapo... tive que tirar os Xutos... era rock demais para a minha cabeça e para o meu coração...
Passei pelo cemitério para rezar um Pai-Nosso e uma Avé-Maria junto à campa dos meus avós... a primeira é a campa da avó Bárbára onde se encontram os restos mortais dela, da minha tia Maria Zulmira e de há 2 anos a esta parte do meu querido e saudado tio Zé Varela... estive ali alguns minutos e depois fui à campa do meu avô Manuel Perninhas e da AvóIdalina, rezei-lhes uma oração, falei com eles, pois onde quer que estejam, sabem que eu não estou bem e depois saí do cemitério... não saí aliviada... antes pelo contrário... sentia o meu coração tãp pesado, tão triste, tão cheio de saudade...
E a tristeza e a angústia continuaram dentro do meu peito... e para completar mais a situação tive um telefonema que me deixou triste, preocupada e com a certeza absoluta que a vida é muito complicada, triste e que as alegrias são infimas em relação às preocupações e tristezas que a vida se encarrega que nos oferecer...
Estou muito, muito triste... e apesar de me apetecer passar para a escrita a confusão que me vai na alma, não tenho forças para o fazer.
Vou parar.,..

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Marmeleira



A Herdade da Marmeleira é um local junto a Evoramonte, gerido pela Caroline e o Ludgero, dois holandeses apaixonados pelo Alentejo.
Tenho feito ali workshops sobre ioga, técnica Alexander, meditação e relaxamento...
Adoro este espaço e tudo nele nos leva à contemplação, a percebermos como o Alentejo nas quatro estações do ano, tem uma beleza fantástica.
Quando posso lá vou eu passar um fim de semana à Marmeleira...
E as sopas da Caroline são espectaculares...
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terça-feira, 20 de outubro de 2009

O SOL NO MARMELEIRO
















































Os dois sóis do marmelo

Madrid, começo do outono: Antonio López decide-se a pintar o toque suave do sol da manhã sobre as folhas e os frutos do marmeleiro no jardim de sua casa e convida o realizador Víctor Erice para filmá-lo enquanto pinta.
Para pintar o sol no marmelo o pintor constrói uma espécie de aparelho de olhar : pequenas pinceladas no tronco, nas folhas e nos frutos do marmeleiro ; cordéis suspensos no ar ; pregos fincados no chão para indicar a posição do cavalete que sustenta a tela e a distância entre a tela e o pintor. Estas marcas no chão e no espaço compõem a imagem; limitam, enquadram o que será pintado. O pintor traça uma moldura ou visor virtual : o cordel diante do marmeleiro, os traços e cruzes nas folhas e frutos da árvore só fazem sentido para os olhos do pintor.
O quadro não se conclui. O outono chuvoso esconde as cores que o pintor queria pintar. Sem o sol, ele decide retratar a árvore e os frutos num desenho em preto e branco, projeto igualmente abandonado. A chuva mais forte nos dias seguintes torna impossível desenhar no jardim, diante do marmeleiro.
El sol del membrillo, de Víctor Erice (1992) documenta a pintura que não se conclui e por isso mesmo, de modo radical, reafirma que num filme o que se vê não é exatamente a reprodução do que realizador viu, mas sim o olhar do realizador. Como aqui o realizador olha um personagem que olha (não vê o que ele vê : vê como ele constrói o seu olhar) talvez seja possível dizer que o diretor diante do pintor vê como um espectador vê quando tem diante se si um documentário.
E talvez se possa dizer também que o quadro não concluído se conclui no filme. Uma fusão entre cinema e pintura, El sol del membrillo realiza o sonho partilhado de López e Erice.


O Sol do Marmeleiro
El Sol del Membrillo de Víctor Erice
com Antonio López García, Marina Moreno, Enrique Gran, María LópezArgumento Víctor Erice, Antonio López García Fotografia Javier Aguirresarobe, Ángel Luiz Fernández Música Original Pascal Gaigne Origem Espanha 1992 Duração 133’ Classificação M/121992 - 133'
Víctor Erice deixa que se passem anos entre as suas obras. Mas de cada vez que as dá a conhecer, elas nos surpreendem. Já pertencentes à história do cinema, "O Espírito da Colmeia" e "O Sul" são filmes singulares e representativos, não só da trajectoria do seu realizador, como também de uma época de Espanha. Íntimos e quentes são, no entanto, filmes muito fortes. A sua última obra, "O Sol do Marmeleiro" foi exibida perante o imperturbável desinteresse dos distribuidores, que não a consideraram suficientemente comercial. Imagem gravada noutra imagem, dois seres, dois criadores ansiosos por suspender a vida, por capturá-la e ofertá-la. Antonio López, reconhecido pintor espanhol, é o tema filmado por Víctor Erice. Por sua vez, Antonio López escolhe um outro sujeito para imortalizar, o marmeleiro plantado há anos no pátio de sua casa. Construído como um documentário, em que os personagens representam-se a si próprios e as acções filmadas são as que realizam, o filme de Erice vai para além do género clássico de namorar a ficção, oferecendo-nos um objecto diferente daquilo a que, como espectadores, estamos habituados a receber.A câmara regista os preparativos para a tela, o ambiente familiar, os amigos, os operários, os ruídos da vizinhança... O cuidado de Erice no detalhe permite-nos seguir cada um dos seus passos. A observação cuidadosa, a escolha do ângulo, a demarcação do espaço. Pinceladas nos frutos, nos muros, determinam marcas precisas aos olhos do pintor. A extensão das linhas e o uso de prumo servem para definir os traços que darão equilíbrio ao modelo, permitindo representá-lo de forma quase perfeita na tela. Antonio López usa um ritmo que procura encerrar o modelo em limites precisos, o ponto de observação preso entre os fios que delimitam a árvore, assim como o ângulo de visão determinado pela posição dos pés, fixos ao solo, que imobilizam o corpo. O marmeleiro no Outono deve a sua luz aos fugazes raios de sol que López tenta perpetuar. Assim, Erice oferece-nos uma doce luta entre o pintor e o passar do tempo que ameaça tirar-lhe a possibilidade de concluir a sua obra. Lópes segue diariamente uma realidade concreta. O amadurecimento dos frutos, futuramente mortos, estabelecendo-se assim uma relação intimista com essa morte, à qual desafia diariamente para a vencer no decorrer do tempo. Cinema e pintura expõem-se assim como o veículo necessário para mostrar uma dupla realidade: a da árvore de frutos, e a do pintor em frente à sua obra. Luta súbtil contra o inexorável, visível no processo de amadurecimento da árvore, imperceptível no envelhecimento do homem. O esforço para captar um momento. A pintura retém a vida. O cinema junta-lhe movimento. No entanto, é esse movimento que nos expõe a realidade do perecível, esse transcorrer que promete a morte a todos os seres vivos. Partindo de uma necessidade similiar - a intenção de capturar um instante da vida - o cinema e a pintura oferecem-nos duas situações contrastantes. A pintura expressa o momento de maior esplendor do marmeleiro. O cinema oferece-nos a sua decadência. E assim, o cinema permite-nos observar a impotência do pintor, que enfrentando o passar do tempo e as inclemências do clima, se vê limitado a pintar um modelo, sem o conseguir na totalidade. Os sons ambientais que caracterizam o dia da semana que decorre - domingos agradáveis, segundas-feiras ruidosas -, assim como as notícias provindas do rádio ajudam-nos a emoldurar, em cinema, ao pintor e ao seu modelo. É um enquadramento real, histórico, documental. No entanto, as visitas que López recebe enquanto pinta, as conversas com os operários estrangeiros, foram previstas no guião, detalhe necessário para entender o namoro de Erice com um género ambíguo que se balança entre o documentário e a ficção. A simplicidade do filme apoia-se no seu desenvolvimento cronológico, no ritmo pausado, demorado na observação e enriquecido através de pontuais reimpressões elípticas fundidas a branco. O Sol do Marmeleiro conta com uma ordem crescente, na qual estão claramente delimitados os papéis da pintura e do cinema. Erice faz um discurso honesto, um compromisso com a realidade. Tanto a oferecida pelo marmeleiro ao pintor, como a do pintor em frente à câmara cinematográfica, obtendo assim o espectador uma experiência lúcida, na qual as duas realidades se conjugam perante os seus olhos.
Neste filme O Sol do Marmeleiro, Victor Erice oferece-nos o tempo necessário para acompanhar a lenta gestação de um único quadro do pintor Antonio López García. Aqui, o cinema amplia a nossa capacidade de percepção e compreensão da criação plástica.

NUNCA DEVE AQUECER ÁGUA NO MICROONDAS

Mandaram-me este mail hoje. Eu por acaso já sabia que acontecia este fenómeno quando se aquece apenas água no microondas e se lhe junta nescafé. Como está num português do Brasil muito mau, resolvi melhorá-lo, pois é muito importante que se saiba:
NUNCA DEVE AQUECER ÁGUA NO MICROONDAS!!
Há 5 dias, o meu filho de 26 anos, decidiu tomar uma chávena de café instantâneo ( tipo Nescafé) Pôs uma chávena com água para aquecer no microondas (o que já tinha feito antes, em várias ocasiões). Não sei exactamente por quanto tempo o programou, mas disse-me que queria que a água fervesse. Quando o tempo acabou , e o microondas parou, ele tirou a chávena do forno microondas.
Enquanto olhava a chávena deu-se conta que a água não estava a ferver; mal colocou o Nescafé, a água saltou directamente para seu rosto. Ele soltou-a das mãos logo que a água saltou para o seu rosto devido à energia acumulada.
Tem queimaduras de 1º e 2º graus em todo o rosto, e é muito provável que o rosto fique com cicatrizes e muito marcado. Além disso, perdeu parcialmente a visão do olho esquerdo.
Enquanto estávamos no hospital, o médico que o atendeu, comentou que este tipo de acidentes eram muito frequentes e que nunca se deveria pôr apenas água a aquecer no microondas. Se se aquece água desta forma, deve-se sempre pôr algo dentro da água, como um palito de madeira ou uma saqueta de chá, mas se se vai aquecer somente a água é melhor usar o fogão a gás.
Um professor de física respondeu à minha questão com esta resposta:
“Obrigado por me enviar a mensagem advertindo-me acerca da água aquecida no microondas.
Soube de vários casos. Isto é causado por um fenómeno conhecido por “ super-aquecimento” .
Pode acontecer em qualquer momento em que a água está a aquecer... especialmente se o utensílio que se está a usar é novo. O que acontece é que a água aquece muito mais rápido que as borbulhas que começarão a formar-se. Se a chávena é nova, não tem nenhum raspão ou ranhura por onde as borbulhas possam escapar e possam começar a borbulhar na água que já está a ferver, de tal maneia que a água vai aquecendo ultrapassando a temperatura para ferver (como quem diz ferve...e ferve... e ferve....). O que acontece então é que a água se obstrui, fica estancada e em contacto com o ar, a água salta com muita força devido à energia contida, dentro da chávena.”
NUNCA DEVE AQUECER OU FERVER ÁGUA NO MICROONDAS!!

terça-feira, 6 de outubro de 2009

LICORES - UMA ARTE MILENAR


Licores artesanais - Uma arte milenar

A palavra licor vem do Latim liquifacere, que significa liquefazer, dissolver. Isto refere-se às misturas que se empregam na fabricação da bebida e é com certeza isso que o torna uma bebida mágica.
Desde a origem do licor até aos nossos dias, que existem várias histórias relacionadas com casamentos, momentos românticos, bruxas, alquimistas e até filósofos, mas não se sabe o que é verdade e o que é a lenda.
Cerca de 2000 anos a.C., os egípcios e os gregos foram os primeiros povos a dominar as técnicas da destilação. Assim, naquela época, a bebida era usada para a cura de quase todos os males, era usada como elixir do rejuvenescimento ou poção do amor.
Hipócrates, que viveu na Grécia de 460 a 377 a.C., é considerado uma das figuras mais importantes da história da saúde, e por isso é considerado “ o pai da medicina”. Hipócrates era um asclepíade, isto é, era membro de uma família que durante gerações praticara os cuidados em saúde. Alguns documentos escritos na época de Hipócrates, falam-nos que os anciãos destilavam ervas e plantas para o seu próprio uso, na cura de enfermidades ou como tonificantes. Hoje sabemos que o Kummel e a Menta ajudam na digestão. Por todos estes factores, os licores estiveram sempre associados à medicina antiga e à astrologia medieval, eram denominados de elixires, bálsamos e mais tarde de licores.
Durante os séculos IV, V e VI da nossa era, as receitas de licores ficavam confinadas aos laboratórios de alquimia e aos mosteiros, no maior dos segredos! Os monges e freiras dos mosteiros, por serem grandes cultivadores de ervas com finalidades terapêuticas, acabaram por criar grandes e famosos licores, como o Benédictine e o Chartreuse.
Bénédictine é um licor francês de grande qualidade e talvez um dos mais antigos do mundo.
Começou a ser produzido em 1510, na Abadia de Fecamp, em França, Os monges dessa abadia guardaram, durante anos, sigilosamente, a sua receita. O local foi saqueado durante a Revolução Francesa e a fórmula do Bénédictine ficou desaparecida até 1863, data em que um comerciante local a descobriu.
Hoje, o licor é fabricado por uma firma particular da zona da Normandia e pensa-se que pouco ou nada tem a ver com a receita dos monges. Contudo, sabe-se que o actual fabricante continua a guardar o segredo da sua fabricação. Devido ao sigilo que envolve este licor, apenas se sabe que na sua fabricação entram várias dezenas de plantas, sendo usado o processo de maceração e destilação. A dosagem do conhaque que entra na sua fabricação tem que ser exacta para que resulte o licor Bénédictine, que é um óptimo digestivo. No rótulo da garrafa aparecem as iniciais D.O.M. que correspondem à frase latina : Deo Optimo Maximo, ou seja, “ Para Deus, o maior e o melhor”.
O Chartreuse é também um licor francês muito conhecido e cuja fabricação é um segredo não divulgado pelos monges da Grande Chartreuse, convento localizado nos arredores da cidade de Grenoble, em França. Diz-se que na sua composição entram inúmeras ervas, entre as quais a erva-cidreira, o isopo, macis ( cobertura da noz-moscada), canela e açafrão.
Os licores como os conhecemos hoje, só começaram a ser produzidos por volta do ano 1250 ( Séc. XIII ) , quando o químico catalão Arnold de Vila Nova escreveu um tratado sobre a infusão de ervas no álcool. Vila Nova foi o primeiro a escrever receitas de licores medicinais.
Na Itália, na Idade Média, (Séculos XI a XIV) era costume plantar uma nogueira quando nascia uma menina. O crescimento da árvore e da menina eram acompanhados com muito zelo pelos familiares. Quando a menina atingia a idade adulta e se ia casar, cortava-se a árvore e da sua madeira faziam a cama para o casal. Das nozes dessa nogueira era feito um licor chamado “nocello”, que é hoje famoso em todo o mundo.
Nessa mesma época, os licores surgiram como experiência de médicos e alquimistas que os empregavam para efeitos medicinais, na forma de elixir e afrodisíacos.
Existem três tipos distintos de licores: fabricados com uma única planta, os que são elaborados com um único tipo de fruta, e os que resultam da mistura de duas ou mais frutas ou plantas ao mesmo tempo.
Benevento era uma cidade do enclave papal e de acordo com a lenda, o lugar onde as bruxas de todo o mundo eram recolhidas. As bruxas produziam um licor com a mistura de várias ervas, resultando uma poção mágica. Disfarçavam-se de donzelas e iam dar de beber o seu licor aos habitantes. Segundo a lenda, os casais que bebessem juntos esse licor jamais se separariam. Essa poção é o famoso licor “Strega” ( que significa bruxa em italiano). Esta lenda existe até aos nossos dias. O termo Strega deriva da palavra latina Strix que significa Ave Noturna.
O Licor Strega tem a sua origem nesta cidade de Itália, desde 1860 e são produtores a família Alberti. A ideia de fabricar este licor surgiu a partir de uma receita antiga. O licor é feito com 70 ervas (secretas) de todo o mundo; é feito a partir da infusão e destilação destas ervas secretas. Bebe-se após as refeições ou é usado como ingrediente na culinária.
Este licor de sabor inigualável, é um licor típico italiano, doce e saboroso, tão encantador quanto a lenda que o cerca.
No Brasil, a fabricação de licores artesanais constitui uma actividade desenvolvida por um grande número de famílias, desde a época das velhas fazendas coloniais. O hábito de servir licor foi conservado no Brasil, por influência europeia. Com a grande variedade de frutas existentes neste país, começaram a surgir novas receitas como os licores de pitanga, tamarindo, jenipapo e outros.
Os licores que antigamente eram servidos após as refeições, actualmente passaram a ser servidos antes como drinques ou coquetéis, e entram como temperos de pratos de culinária doces e salgados.
Quando assistimos a filmes e telenovelas da época colonial, vemos os senhores das grandes fazendas bebendo e deliciando-se com pequenos cálices de licor, após uma farta refeição, como já dissemos, esta é uma grande herança europeia aos brasileiros.
Além de um óptimo digestivo, o licor é uma bebida rica em histórias, sabores, heranças e principalmente alquimia. Isto prova que quando juntamos um, dois ou mais ingredientes é possível transformar uma simples bebida numa delícia para a alma.

Sugiro que faça você mesmo este simples e delicioso licor de café.
LICOR DE CAFÉ - receita típica do estado do Espírito Santo.
INGREDIENTES
500 GR DE CAFÉ TORRADO EM GRÃOS,
2 LITROS DE AGUARDENTE,
1 1/2 LITRO DE ÁGUA,
1 KG DE AÇUCAR.
ACESSÓRIOS: frasco de vidro, funil, pedaço de algodão, garrafa para licor.
MODO DE PREPARAR:1) colocar o café com a aguardente num frasco de vidro e reservar por oito dias.2) numa panela, misturar a água e o açúcar e levar ao lume até formar uma calda em ponto de pasta, deixar arrefecer.3)misturar a calda de açucar com a aguardente e o café e filtrar, colocando um algodão no fundo do funil.
4) Colocar numa garrafa com tampa, de preferência bem fechada, e guardar em local escuro. Aguarde 2 meses para degustar, pois quanto maior for o tempo de envelhecimento mais gostoso ficará o seu licor.
Nota: Esta receita foi retirada do livro Claudia Cozinha especial , edição região sudeste. Mariana Castro
Sites consultados:
http://chefmarecozinhaeconta.blogspot.com/2009/05/licores-artesanais-uma-arte-milenar.html

http://pt.wikipedia.org/

terça-feira, 11 de agosto de 2009

PANTUFA












CABEÇO DE VIDE
































NÃO GOSTO!!!!

Não gosto de ser derrotista!!!!
Não gosto de ser piegas!!!!
Não gosto de me queixar!!!!
Não gosto de ser pessimista!!!!
Não gosto de sofrer!!!!
Não gosto de salas de operações!!!!
Não gosto do cheiro do hospital!!!!
Não gosto de ter dores!!!!
Não gosto de seringas!!!!
Não gosto de estar doente!!!!
Não gosto!!!!!! Não gosto mesmo!!!!
Mas quem gosta????!!!!
Ninguém gosta!!!!!
Eu também não gosto!!!! mas goste ou não goste lá estou eu no meio do que não gosto!!!
E mais uma vez, o destino passou-me uma rasteira.... e faz hoje 8 dias que mais uma vez fui operada... e mais uma vez passei por tudo aquilo que Não gosto!!!!
E por isso as férias estão mais que lixadas... e por tudo isto eu estou mesmo lixada!!!

P.S. Não gosto da palavra "lixada", mas não me ocorre outra... parece-me que é a primeira vez que a uso!!! tal não é a saturação de tanto sofrimento!!!

terça-feira, 31 de março de 2009

CAMISA AMARELA

Estava a ver um filme, onde o actor principal, galã e bonitão, tinha vestida uma camisa amarela...então desde esse dia, que me apetece escrever sobre a camisa amarela do meu pai.
Escrever sobre a camisa amarela???? mas o que tem de tão especial esta camisa amarela???
É uma camisa amarela canário, mas um pouco mais desmaiado... não era amarelo claro, não! era entre o amarelo canário e a gema de ovo, mas mais clara...
Pronto, era amarela clara!!!
Sempre me intrigou porque razão o meu pai quis comprar uma camisa amarela!?
Ele, que nunca ligou à roupa que a minha mãe lhe compra e que veste automaticamente, sem ver se a camisa é branca, às riscas, ou azul..., quis comprar uma camisa amarela!
E comprou-a. E quando vai a algum lado, quando precisa de se vestir com um pouco mais de primor, pede à minha mãe, que lhe dê a camisa amarela!!
O meu pai ainda é do tempo, em que os homens achavam que não era muito viril, saberem onde está guardada a sua roupa pessoal; não sabe, em qual gaveta estão guardadas as meias, as cuecas ou as camisolas interiores... é a minha mãe que lhe prepara a roupa, que lha põe em cima da cama, pronta a ele vestir, quando sai do banho.
Nunca mostrou interesse especial pelo que vestia; qualquer peça de roupa, para ele, está sempre bem!
Contudo, há cerca de 5 ou 6 anos, ele desejou ter uma camisa amarela!!
E a minha mãe, que estanhava o desejo, dizia: " Mas queres comprar uma camisa amarela?!!"
E ele respondia-lhe: " Sim, quero comprar uma camisa amarela!! onde é que está a admiração???"
E a minha mãe retorquia: " Mas tu nunca mostraste interesse pela tua roupa!! pelo que vestes!!" E ele reafirmava: "Pois mas agora quero comprar uma camisa amarela... "
E lá foram os dois, ao Ficabem, comprar uma camisa amarela, a camisa amarela!!!
E quando havia uma festa de anos, quando saía para passear, levava vestida a camisa amarela. E eu via que ele se sentia contente e feliz com aquela camisa amarela... vestiu-a muitas vezes... ficava-lhe bem... e ele sentia-se bem com ela vestida...
Há tempos perguntei à minha mãe: " Oh mãe, então a camisa amarela do pai? nunca mais o vi com ela vestida!?!"
E a minha mãe, num tom muito natural disse-me: "Sabes, de tanto ser lavada, está quase branca!!! já não se nota que era amarela !..."
"Oh, o pai deve estar muito triste, pois ela gostava muito dela?"
" Pois... se calhar temos que lhe comprar outra! ele gostava muito da camisa amarela!!!" - respondeu-me a minha mãe, sem grande convicção.
Agora já sei, porque o meu pai quis ter a camisa amarela... só os galãs usam camisa amarela!!

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

A MARMELADA DA AVÓ BÁRBARA

Avó Idalina, Zuzu, Avó Bárbara (20/9/1969) 
Onze anos, depois de se terem casado, o meu avô, de 38 anos, morreu com uma trombose .
A minha avó, com 35 anos, ficou viúva. Estava grávida, e quatro meses depois, nasceu a minha tia Maria Zé. Ficou com cinco filhos. Todos menores de idade: a minha mãe tinha 7 anos e depois seguiam-se os restantes quatro filhos, o meu tio Jacinto, a minha tia Maria Zulmira, o meu tio Zé e a minha tia Maria Zé.
Quando eu era criança, muitas vezes, ia dormir com a minha avó. Como habitualmente, saíamos da casa dos meus pais, onde tínhamos passado o serão e lá íamos nós as duas, abraçadas uma à outra, pela rua escura, até à sua casa; a minha mãe ficava à porta da nossa casa, com o candeeiro a petróleo na mão, até nos ver entrar. Nunca dormiu sozinha. Quando a minha tia Maria Zé ia para Estremoz e quando mais tarde se casou, alguém tinha que ir dormir com ela, pois era muito medrosa.
Quando chegávamos junto da porta, a minha avó procurava a chave, que nunca estava no bolso onde ela procurava. Assim, muitas vezes, ficávamos ali ao frio, eu esperando impaciente para entrar e a minha avó revistando todos os bolsos. Metia a mão, voltava a meter, e nada! a chave nunca aparecia!
- " Ai filha, queres ver que perdi a chave!!! mas eu quando fechei a porta, meti-a no bolso!! onde é que ela está??!... queres ver que a deixei em casa da tua mãe, em cima da mesa!?!, ora esta!! ..." e ia falando, enquanto continuava a busca incessante... Levávamos sempre algum tempo naquela "cena" até que finalmente aparecia a chave!!! A noite estava escura como breu, e o conseguir meter a chave na fechadura era outra aventura! às vezes, tínhamos que acender fósforos, que se apagavam constantemente, para vermos o buraco da fechadura.
Finalmente, entrávamos.
A porta da entrada dava para a antiga loja, desactivada e fechada há alguns anos. Em cima do balcão estava o candeeiro a petróleo, com a chama muito baixinha, para gastar pouco, com a luz muito mortiça. Mal entrávamos, a minha avó levantava a luz do candeeiro, pegava-lhe e lá íamos nós, uma atrás da outra, corredor fora, até à cozinha.
A casa era muito grande. Reinava o silêncio. Contudo, ouviam-se sempre barulhos estranhos, que me assustavam. Eram o raspar dos cascos das bestas da Prima Maria Ezequiel, que ficavam na cocheira, mesmo ali ao lado; era o estalar das madeiras da mobília velha; eram os ruídos surdos vindos do sotão; eram as folhas das árvores que se agitavam com o vento. Eu precisava de algum tempo, para me habituar ao silêncio e àqueles "sons, depois ficava descansada e tranquila. Nunca fui medrosa, mas aquele ambiente, pesado e austero, provocava-me alguma ansiedade...
Na cozinha, a minha avó punha o candeeiro em cima da grande mesa de madeira. Abria uma das gavetas, e tirava de lá a faca do pão. Era uma faca própria, que servia unicamente para cortar o pão. Todas as semanas era areada com palha de aço, parecia de prata; cortava muito bem, apesar da lâmina estar muito gasta.
Eu sentava-me e observava os movimentos da minha avó. Íamos sempre falando, uma com a outra. A minha avó sempre foi uma óptima conversadora e sempre gostou muito de conversar comigo.
A minha avó tirava as tigelas de louça do armário. Ia buscar o fervedor, com o resto do caldo de farinha, que tinha feito pela manhã e colocava-o em cima da boca do fogão a gás para que aquecesse. Ia à despensa e trazia de lá, o saco de tecido branco imaculado, onde guardava o pão alentejano. Depois ia à casa de jantar buscar a saladeira da marmelada.
O caldo de farinha já estava quente e a minha avó enchia as tigelas. Depois cortava fatias muito finas, a todo o comprimento do pão. Por cima, colocava uma fatia fina de marmelada. Tudo era feito com muita delicadeza, com muita ternura, com muita calma e tranquilidade. Deliciávamo-nos com aquele manjar!!!
A marmelada da minha avó Bárbara era muito saborosa. Muito fina e macia, algumas vezes, encontrávamos torrõezinhos de açúcar, no meio, o que a tornavam ainda mais deliciosa.
A elaboração da marmelada era muito complicada e levava-se um ou mais dias a fazer.
Era feita em casa, com os marmelos da propriedade do meu bisavô. Depois de descascados, os marmelos eram cortados em bocados e cozidos em água. Depois, escorriam-se da água e passavam-se pelo passe-vite. Punha-se essa "massa" de marmelo num tacho de cobre, juntava-se o açucar amarelo e ia ao lume de chão, em cima duma trempe, mexendo-se continuamente, com uma colher de pau. Quando estava no ponto, arredava-se. A marmelada era posta em tigelas de louça que secavam ao sol, durante alguns dias. Depois, cortava-se papel vegetal do tamanho das tigelas e punha-se por cima a tapar a marmelada. Guardava-se e era comida durante todo o ano.
Quando acabávamos de comer, a minha avó metia o pão, novamente, dentro do saco de pano e guardava-o na despensa. As tigelas ficavam em cima do lava-louças, para serem lavadas no dia seguinte. Ia levar a marmelada para o armário da casa de jantar, onde sempre foi o seu lugar e depois de tudo arrumado, lá íamos para a cama.
A minha avó era uma pessoa muito delicada e de muito boas maneiras. Sempre a conheci muito atenta às necessidades da casa, muito perfeita em todas as tarefas que realizava, muito asseada e limpa. Era sobre tudo muito educada. A casa estava sempre muito arrumada e limpa, as roupas da cama era brancas de neve e a minha avó cheirava sempre muito bem... eu adorava ir dormir com ela...

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

MAIS UMA PRENDA DE ANOS

Este ano, as prendas não foram de grande valor!!! Bem pelo contrário!! Recebi algumas prendas, mas muito "fraquinhas"!!! A crise económica e financeira que o país atravessa e que nós portugueses e entre estes, os professores, estamos a enfrentar, foi a culpada disso!! mas eu não me estou a queixar, muito pelo contrário! Devo regozijar-me por ter estado rodeada dos meus pais, do meu marido, das minhas amigas, dos meus tios e tias. Mas, para além das prendas "fracotas" que me deram, recebi uma que me deixou muito emocionada e muito feliz.
A minha mãe, com os seus 81 anos, apareceu, logo pela manhã, para me dar os parabéns; trazia um embrulho na mão, que me deu timidamente, como a pedir-me desculpa por me estar a oferecer uma prenda tão insignificante ( a palavra é dela!!); mas junto com a prenda, trazia uma "carta" que me entregou.
Com o seu lindo sorriso, meigo e terno que sempre tem, olhava-me com os olhos brilhantes, pois agora, sempre que me dá um beijo e olha para mim, fica muito comovida. O facto de me ver magra e satisfeita por voltar a sentir-me bem fisicamente, dá-lhe uma enorme alegria e felicidade. O que a minha mãe tem passado nestes últimos meses!! Como ela tem vivido e sofrido todos estes "contratempos" ( para não lhes chamar outro nome!) que de vez enquando, ( mas demasiado frequentemente!!!) , me têm acontecido!!!
Assim, aceitei as prendas e peguei na carta e comecei a lê-la, só para mim. A minha mãe ia perscrutando a minha reacção. O seu sorriso nunca desapareceu dos seus lábios e quando terminei de lê-la, ela estava expectante. As palavras sairam-me com alguma dificuldade, devido à emoção que dificilmente consegui esconder. Abraçámo-nos... beijámo-nos e eu agradeci-lhe este presente tão pessoal, tão extraordinário.
Aqui vai o presente:

Casa Branca, 12/9/2008

Querida filha

Desculpa a prenta que te dei, mas realmente não sabia o que te havia de comprar porque felizmente tens de tudo.
Mas dou-te uma grande prenda que é a minha amizade que tenho por ti; não faço mais que é a minha obrigação, porque tu és uma filha exemplar, nem tenho palavras para te dizer, sei como tu és e o que pensas, mesmo quando estás longe de mim.
E estou sempre descansada contigo, pois tens um belo marido, graças a Deus. Eu vi o que ele era para ti quando estiveste doentinha. Mesmo o pai, que não é de conversar muito, nem reparar para certas coisas, mas dizia-me: - "O Zé é muito amigo da nossa filha, não sabe o que lhe há-de fazer!" e, realmente, era também isso que eu via.
Já não tenho mais tempo. Que para o ano eu cá esteja, para festejarmos os 61, eu e o pai; vamos assim pedindo um ano de cada vez.
Beijos da mãe que te ama, e reconhece o que tu és
M. Amélia

domingo, 14 de setembro de 2008

ANIVERSÁRIO

Dia 12 de Setembro fiz 60 anos!!!
Pois é!!!! e o normal seria ficar muito deprimida, aborrecida, e até revoltada... mas não!!! eu estou muito feliz e contente por ter completado 60 Primaveras, Verões ... sei lá!!!
Este contentamento tem razão de ser! pois se em Novembro de 2008, estive quase a despedir-me de todos e deste mundo, como é que eu não hei-de estar feliz!!! Estou viva, magra e feliz ... rodeada dos meus familiares, dos meus amigos, dos meus colegas, dos conhecidos, dos vizinhos, de toda a gente... o brilho de satisfação, que vejo nos olhos de todos eles quando me vêem e quando me perguntam se estou melhor, é compensador e deixa-me muito emocionada e agradecida a todos eles...
No dia dos meus anos, recebi tantos telefonemas, tantas mensagens de SMS, tantos emails, tantos parabéns dados pessoalmente ... como poderia estar aborrecida, por ter feito 60 anos!!! estou grata à vida, que às vezes tem sido muito ingrata comigo!!!, estou grata a todos os que me rodeiam, àqueles que me deram o seu apoio, que me deram as suas orações, àqueles que fazem o favor de ser meus amigos ...
De todos os votos de parabéns, foi o mail, que recebi da minha filha Rita, aqule me deixou mais feliz.
Quero partilhá-lo convosco ( não sei se ela gostará muito disso, mas como ele agora é meu, eu posso dispor dele !):
Querida e linda mãe,

Ontem estive o dia quase todo fora de casa e não consegui escrever este email. Mas hoje já tenho mais tempo (daqui a pouco vou para a praia) e por isso não quis deixar passar a data. Mais uma vez: parabéns! Fizeste sessenta anos. Deve ser estranho, não? Porque tu és muito mais jovem do que o número que agora se segue à tua idade. Tu és muito mais jovem, linda e alegre do que a maioria das pessoas de sessenta. Dizem que a idade é um estado de espírito e tu sem dúvida tens a inteligência para te manteres activa e jovem. Eu tenho muito orgulho na minha mãe. A minha mãe é linda, inteligente, meiga e lutadora. A minha mãe venceu a morte o ano passado e agora está mais bonita e elegante do que nunca. Ainda ontem, a Graça me disse como estavas moderna e bem vestida. Finalmente, as pessoas já não falam de ti por seres gordinha e quais as razões por detrás de todos aqueles quilos. Esta sociedade gosta mais das pessoas magras. Trata-as melhor. E eu fico mais feliz e tranquila por saber que és bem tratada e ainda mais admirada. Porque se sempre foste bonita, agora estás linda e mais importante: estás mais saudável. E isso para mim é o mais importante, porque eu quero que vivas para sempre. A minha vida sem ti não teria sentido e eu seria muito mais fraca e infeliz. Tu dás-me muita, mesmo muita força. E infelizmente tens de continuar a dar-ma porque eu nem sempre a tenho. Às vezes, falha-me a força, a coragem, a energia. Mas eu sou muito, muito feliz por ter uma mãe como tu. A melhor mãe do mundo, apesar de me desarrumar/arrumar a casa de maneira diferente daquela que eu arrumo e apesar de ser um furacãozinho que não deixa ninguém sossegar!! Eu amo-te muito, mãe. E tenho muito orgulho em ti. És o meu exemplo de coragem e força. A minha inspiração.


Em nome das tuas filhas,
Amo-te e desejo-te leveza, paz e saúde.

rita
Tenho ou não razão para estar feliz???

domingo, 27 de julho de 2008

A Tia Natália

Há cerca de um mês, a Tia Natália foi operada de urgência a um aneurisma, localizado no cérebro.
Fiquei muito preocupada. Com os seus 84 anos, iria resistir a uma operação tão melindrosa?! Felizmente, conseguiu ultrapassar todas as dificuldades e obstáculos e, apesar de muito debilitada, deram-lhe alta no hospital de Lisboa.
Agora, está no Centro de Apoio a Doentes da Clínica Rainha Santa Isabel, da Cruz Vermelha de Estremoz.
Na passada 3ªfeira, fui visitá-la, com a tia Marialena, o tio Jacinto e o Zé. Quando entrei na sala, vi uma velhinha, "muito velhinha!", de cabeça rapada, sem dentes, sentada num cadeirão, segura "amarrada!" por um lençol, para que não escorregasse nem pudesse sair dali. Recebeu-nos com um grande sorriso. O sorriso meigo e lindo que sempre teve a Tia Natália.
Puxei uma cadeira e sentei-me junto dela. Comecei a falar-lhe e a Tia Marilena perguntou-lhe se sabia quem eu era, e ela muito admirada com a pergunta, respondeu de imediato: " Mas, é a Zuzu!" e sorria-nos, com um sorriso cúmplice...
Ficámos todos muito admirados e felizes quando ouvimos aquela resposta, tão clara e acertada. A tia Marilena voltou a questioná-la se era mesmo eu que ali estava e ela olhou-nos e disse: " É evidente que é a Zuzu!" e continuou: " Hoje, sonhei contigo. Não me lembro do sonho mas sonhei contigo! e esta manhã pensei em ti!"
Quando ouvi estas palavras, ditas com uma enorme dificuldade, senti um arrepio pela espinha... ao mesmo tempo, senti uma alegria enorme por saber que eu tinha estado no seu pensamento. Ainda bem que fui visitá-la, pois tive mais uma alegria, vim confirmar o que sempre e há muito soube: que sempre gostou de mim, que sempre teve por mim um grande carinho e até mesmo admiração pelo meu feitio, pela pessoa que sou.
Eu continuei a falar com ela, mas, por vezes, ou melhor "muito frequentemente!", a Tia Natália usava palavras sem nexo, misturava diversos assuntos na "conversa" e tudo isto com uma dificuldade enorme em exprimir-se. Começava a ser difícil mantermos um diálogo. Ela começava a mostrar cansaço e a desligar-se de nós, começando a dar mais atenção às imagens da telenovela que a televisão transmitia.
E decidimo-nos ir embora, para a deixar descansar...

sexta-feira, 11 de abril de 2008

Bypass gástrico

Por razões várias, que um dia mais tarde vos contarei, comecei a engordar. Não me sentia bem. Em Maio de 2007, decidi consultar um médico cirurgião para que me fizesse um bypass gástrico. A operação não correu bem. Relato tudo no meu blog http://deumalaranjaadoisgomos.blogspot.com

domingo, 21 de outubro de 2007

COMENTÁRIO DA ELSA

Não posso deixar de colocar aqui o comentário que a Elsa fez ao meu texto Mulheres Corajosas.
Fico tão comovida e "vaidosa" por ter conseguido transmitir o que me vai na alma!!!
Querida Zu,
Resumiu tão bem o que é estar no Fórum do Doente Reumático... Essencialmente, é uma oportunidade de partilha, encontros ou reencontros.
De há uns anos para cá, o evento tem evoluído: primeiro queríamos ouvir os especialistas (que continuamos a ouvir e a contestar sempre que entendemos); hoje em dia, queremos principalmente compartilhar das nossas experiências enquanto familiares, amigos e pacientes. Uso aqui esta palavra literalmente no seu duplo sentido. Ser/estar Doente é ter de ser Paciente, respirar fundo e acreditar em dias melhores. Ter paciência, primeiro connosco próprios, para depois a transmitir a quem nos rodeia. Ser doente reumático crónico é ser paciente para redescobrir cada passo da nossa caminhada pela vida; para encontrar um sorriso ou um sonho dentro de nós...Mas acima de tudo, continuamos pessoas como todas as outras; apenas um tudo nada mais pacientes. O nosso ritmo é outro, desincronizado: uns dias valseamos lentamente, outros agitamo-nos ao som do rock e da pop.Por vezes, apreciamos tudo ao pormenor mais ínfimo. Vemos as nuvens a passar no céu, vagarosamente, deleitamo-nos com o tic-tac compassado do relógio. Repomos energias. E depois, temos aqueles momentos em que as consumimos, quase contra-relógio, nessa sede de viver o momento, intensamente.É, também, assim o Fórum do Doente Reumático. No primeiro dia, bebemos as palavras dos especialistas, dos técnicos. No segundo dia, vivemos intensamente as nossas partilhas de coragem ou desalento, descobrindo novas amizades nesse encontro, recheadas de consolo e conselhos. Somos, numa palavra, pacientes...E tanto que contribuem os encorajamentos que recebemos!
Um abraço amigo,
Elsa
16 de Outubro de 2007

domingo, 14 de outubro de 2007

MULHERES TÃO CORAJOSAS...

"Os amigos são como anjos que nos levantam quando as nossas asas têm problemas, lembrando-nos como voltar a voar. "
No Hotel Tivoli Tejo, decorreu o X Forum das Doenças Reumáticas. Por impossibilidade, só me foi possível estar presente no sábado, dia 13 de Outubro de 2007.
Como sempre, o 1º dia é dedicado às paletras dos médicos, profissionais de saúde e outras pessoas estudiosas desta temática.
No 2º dia, sábado, a manhã é dedicada às apresentações dos doentes, dos familiares ou de outras pessoas que de alguma maneira estão ligadas à doença.
Este ano o tema era: "A importância das pequenas coisas..." . E como todas as pessoas ali presentes, fiquei bem consciente da importância das pequenas coisas!!... de um sorriso...de um telefonema em dia de crise... de um apoio quando se está só...
Para mim, o 2º dia é sempre o que mais me preenche... há uma partilha de experiências, uma conversa sincera e aberta, uma troca de pontos de vista, de amizades, de e-mails, de números de telefone.
Assim, é no Sábado que eu volto a encontrar aquelas pessoas de quem eu tanto gosto e que por email trocamos umas breves palavras ao longo do ano... é nesse 2º dia que eu sinto como a Liga é constituída por gente amiga, gente que partilha, gente que sofre, gente de coragem, gente extraordinária.
E todos os anos, eu conheço aí alguém que nunca mais deixará de ser uma amiga, uma presença na minha vida...
Por ser o 1º ano em que estive presente, foi aquele em que "eu descobri" mais mulheres de garra e de coragem: a Fernanda Ruaz, a Irmã Lina, a Diamantina, a Arlette, a Irene, a Elisabete, a Drª Rosa, a Glória, a Ana Ribeiro, a Sandra Canadelo e muitas, muitas, muitas outras...
No 2º ano, conheci a Dulce Almeida. A minha querida e doce Dulce. Ela é uma doçura tal como a baptizaram com o seu nome Dulce! A querida Dulce sofre de fibromialgia... mas a doença nunca a impediu de tirar a sua licenciatura, de entrar no mercado de trabalho, de lutar, de tentar vencer... e com aquele ar angelical, aqueles traços suavíssimos e belos, ela apenas me diz na sua voz suavíssima: "Mas eu ando tão cansada!!! Tudo o que faço é com tanto esforço!!" . Ela precisa de partilhar comigo o cansaço permanente que nunca a deixa, nem um segundo sequer!, que não a deixa ser a jovem livre e descontraída... e eu apetece-me tanto confortá-la... e apenas repito palavras vãs, bobas... pois eu sei ( ou melhor, calculo!) o quão difícil é para ela viver, trabalhar, assumir responsabilidades, sem nunca desistir... e sentir um cansaço permanente por todo o corpo... e sentir as dores... e ter que tomar a medicação... e....
E a Dulce este ano até participou e interveio no debate... está a desabrochar a minha querida Dulce...
No 3º ano, conheci a VS.
A VS é mais uma daquelas pessoas de quem nunca mais me poderei esquecer. Sofre de uma variante de doença reumática que lhe modificou as feições, as mãos, os pés... o corpo.
Então a VS fechou-se numa concha. Ela pensava não sair mais dali. Sair para quê? O mundo cá fora é tão desleal, tão agressivo, tão brutal?!! e ela fechada naquela concha protectora, achava que nada mais havia a fazer do que esperar...esperar... esperar pelo dia, em que um cientista qualquer, de qualquer país do mundo, descobrisse a cura milagrosa para a sua doença sem cura... mas, tal como o caracol que se atreve a sair do aconchego da sua concha, muito a medo, ela foi saindo... saindo... e viu que ao seu lado havia pessoas, jovens como ela, que também sofriam... que viviam com a doença... e que de uma maneira "natural" encaravam esse "mal" e não desistiam... e assim a VS viu que a Rita, a Sandra, a Fernanda, a Mariana, a Glória, a..., a..., estavam ali no Fórum a partilhar a sua vivência, a dar os seus testemunhos... e a dar as boas vindas às associadas que apareciam de novo... Todas estavam dispostas a dar as mãos e a formar uma cadeia de união indessóluvel... inquebrável... e este ano... quase que por milagre, a VS fez uma apresentação fantástica, sobre a sua doença.
E ali estava uma VS que nós desconhecíamos- confiante naquilo que afirmava, conhecedora e estudiosa do assunto, aberta e descontraída para a assembleia que a olhava... alguns de nós incrédulos pensávamos: " Mas é a VS que está a falar! e tão segura de si! e finalmente conseguiu sair da concha em que se tinha fechado!!"
Todos estavamos boquiabertos, extasíados com o seu à-vontade. E só me apeteceu correr para a tribuna e dar-lhe muitos beijos e muitos abraços e dar-lhe os parabéns por ela ter conseguido deixar a outra VS dentro da concha....
Este ano conheci a Elsa. Outra mulher de coragem, de garra, de força. Outra mulher que não se deixa abater pela doença. A Elsa concorreu ao concurso literário promovido pela Liga e o seu texto ganhou o primeiro prémio. E a Elsa leu o seu texto... e o texto é uma ode ao doente reumático... é um testemunho poético de como se sente uma jovem mulher, mãe e esposa, que carrega o "fardo" da Artrite Reumatóide... e as suas palavras mágicas encheram o auditório... e cada palavra entrava-nos pelos ouvidos para nos acordar, para nos despertar para a insensibilidade.... e as lágrimas corriam nos rostos dalguns que estão já despertos para o problema... o texto é lindo.... mágico ... no momento da sua leitura, os pêlos dos braços eriçavam-se a cada palavra forte, precisa... dura... certa ...
E, mais uma vez, eu saí daquele 2º dia do Fórum, angustiada por ver tão poucas esperanças de cura para uma doença que afecta uma tão grande percentagem de mulheres jovens, mas ao mesmo tempo, muito, muito aliviada, quase feliz... por ver mulheres tão corajosas...

quarta-feira, 10 de outubro de 2007

A AMÉLIA E O VITALINO CASARAM HÁ 60 ANOS

"Casamento é um compromisso voluntário de amor, paixão, de cuidados a ter um com o outro, de respeito pelos sonhos e vontades de cada um, casamento é o compromisso de respeitar o espaço um do outro, de respeito sexual, respeito financeiro.Desse casamento sai uma família que gerará: Filhos, netos…"

No dia 13 de Outubro de 2007, os meus pais fazem 60 anos de casados.
A Amélia tinha 20 anos e o Vitalino tinha 25 anos e na Igreja Matriz de Casa Branca disseram:
" Vitalino, eu te recebo por meu marido e prometo amar-te e ser-te fiel durante toda a minha vida e em todas as circunstâncias... "
"Amélia, eu te recebo por mulher e prometo amar-te e ser-te fiel durante toda a minha vida e em todas as circunstãncias..."
Hoje, a minha mãe com 80 anos e o meu pai com 85 anos continuam apaixonados um pelo outro.
Posso dizer sem errar que estão ainda mais apaixonados do que quando se casaram!... nestes 60 anos de vida em comum, cimentaram uma relação de amor, compreensão, respeito, cumplicidade e tolerância que não é fácil encontrar entre casais.
Nunca ouvi a minha mãe criticar ou recriminar o meu pai... bem pelo contrário... com aquele seu sorriso meigo e lindo que tem, sempre a vi "desculpar" e "aceitar" algumas das ideias mirabolantes do meu pai. Para ela, "as asneiras" originadas pela impulsividade, pelo espírito de negócio, pelo imaginação do meu pai, são apenas "pequenos devaneios" do meu pai... e ela sempre a procurar desculpá-lo... sempre a procurar encontrar a palavra certa, suave, meiga e ternurenta para justificar mais uma "ideia" do Vitalino!...
Olho-os... e recordo a infância feliz que nos proporcionaram, a mim e ao meu irmão.
Na nossa casa não havia uma discussão... nunca ouvi uma palavra desagradável... nunca os vi zangados!
Da boca da minha mãe e da boca do meu pai saíam, só e apenas, palavras de carinho, de aceitação, de amor, de ternura...
Ainda hoje, quando a minha mãe fica um pouco enervada com alguma coisa ( pequena coisa!) que o meu pai faça, ela fica refilona... depois como vê que ele se cala ou lhe diz: "Olha o que para aí vai por uma coisa de nada!!" , a minha mãe cai em si, reflecte e vê que não tem razão... então vai ao pé dele, com um sorriso de orelha a orelha, faz-lhe uma festa na face, dá-lhe um beijo e pede-lhe desculpa por estar a ser "chata"! Diz: - "Desculpa-me, Vitalino, eu às vezes sou chata, sem razão!" e tudo fica sanado. E o bom ambiente e a boa disposição continuam...
Nunca vi, nestes 60 anos de casados, os meus pais ficarem zangados mais do que cinco minutos ( cinco minutos é muito! talvez 2 ou 3 minutos!!), nunca os vi carrancudos, sérios, sem falarem um para o outro... nunca!! e isto não é ficção!!! é a pura das verdades!!!...
Quando eu era criança, passámos bons, óptimos momentos... episódios maravilhosos que nunca esquecerei... os meus pais sempre foram duas pessoas muito bem dispostas, sempre gostaram de passear, sempre gostaram de conviver, sempre procuraram porprocionar-nos prazer, alegria e bem estar. E assim, depois de dias e dias de trabalho árduo na loja, com a matança dos porcos, com a ida ao Porto ou a Lisboa a levar carradas de carvão e palha , apesar de cansados e extenuados, ainda tinham "coragem" para nos levar à praia da Figueirinha, em Setúbal, onde passávamos o Domingo, os quatro em alegre convívio.
Levávamos o "farnel" que a minha mãe cozinhava na véspera ou de madrugada e o Domingo era passado, inteirinho, na praia. Desde manhã até à noitinha, ficávamos na praia. À sombra da barraca que alugávamos e onde o meu pai dormia grandes sestas. A minha mãe fazia renda. Eu e o meu irmão andávamos o dia inteiro dentro e fora de água... brincávamos, nadávamos, comíamos, sempre descontraídos, alegres e sem discussões... não havia discussões entre nós!... Sempre nos ensinaram a "conversar" para resolver os pequenos conflitos que surgiam... e assim continua a ser...
São um exemplo a seguir... quanto orgulho eu sinto por isso! as minhas primas, a família mais próxima são testemunhas do que eu acabo de escrever... o meu pai e a minha mãe durante estes 60 anos formaram um elo inquebrável! souberam manter os votos que fizeram ao padre naquele dia de 13 de Outubro de 1947 : " Eu... prometo
A minha mãe, frequentemente, diz, muito orgulhosa: " Nunca me deitei zangada com o meu marido, nem ele comigo!!!!"
O compromisso por eles assumido foi sempre respeitado, porque: "O Sacramento do Matrimônio é um vínculo ou laço indissolúvel que une os cônjuges diante de Deus e da comunidade; é uma graça especial que torna a vida de amor entre os esposos e seus filhos um acto de culto a Deus e lhes dá a força de vencerem as dificuldades, se santificarem e educarem os seus filhos."
Como eu me sinto feliz, por estar a escrever este artigo de homenagem aos pais maravilhosos que me geraram.
Bem hajam!!! Obrigada mãe Amélia e pai Vitalino. Adoro-os.

O BLOG DOS FALCATOS A NU...

Pois é!! agora os Falcatos decidiram ter um blog, e eu entusiamada escrevi logo 3 (três!!!!) artigos.
Que bom poder partilhar convosco episódios dos Falcatos!! somos uma grande família, somos um grandessíssimo número de pais, filhos, primos, primos dos primos, irmãos, famelga em gerale por isso o Blog vai ser um sucesso... agora é só começar a escrever... vamos nessa...

Luzazul

sexta-feira, 5 de outubro de 2007

A MINHA ALUNA QUE DEIXOU A ESCOLA...

A minha aluna que deixou a escola... decidiu mudar, ir para outra terra, para outra escola, convencida que vai encontrar aí a tranquilidade, a paz, o carinho que tanto deseja...
Foi obrigada a crescer... nunca foi criança, nunca foi adolescente... é uma mulher de 15 anos...
Quando era muito pequenina, a mãe conduzia o carro e tiveram "o acidente". A mãe teve morte imediata e ela ficou sozinha...
Entregaram-na aos cuidados dos avós. Depois os avós morrereram e ela viu-se a viver em casa dos outros avós... também esta avó, que tanto carinho lhe dava, começou a ficar doente e morreu... o avô partiu para longe... e a minha aluna ficou mais uma vez sem casa, sem um colo, sem o beijo de boa- noite... um tio decidiu ser o seu tutor... levou-a para sua casa, cheio de boas intenções, pensou que levava uma menina, que conseguiria moldar e educar ao seu jeito... mas, a minha aluna já não era uma menina, era uma "adolescente - mulher" que se sentia muito só, muito triste, muito carente... e o tempo foi passando... os resultados escolares eram muito maus... ela não conseguia concentrar-se nos estudos... a sua cabeça estava demasiado cheia de tudo... das saudades imensas da mãe que tão cedo partira... da vontade de voltar à casa onde tinham morado, do desejo de um colo que a consolasse...
Damos-lhe o essencial para ela viver!... comida, quarto,computador... porque andaria ela tão revoltada, tão triste, tão desmotivada??? - questionava-se o tutor!!!! Se nós lhe damos tudo!!! que mais quer ela???!!!
A minha aluna queria apenas "A MÃE".
A MÃE que partira sem um beijo de despedida, sem a ter visto crescer, a Mãe que vinha em sonhos mexer-lhe nos cabelos, limpar-lhe as lágrimas que teimavam em vir todas as noites, que vinha de mansinho, quando ela já estava quase a pegar no sono, dar-lhe o beijo de boa-noite... "A Mãe" com quem pudesse partilhar os medos, as ansiedades, a descoberta do primeiro amor, as angústia da adolescência, as primeiras borbulhas, as más notas nos testes... A Mãe que a viesse tirar daquela solidão, daquele quarto que a sufocava...
Ofereci-me para lhe dar uma ajuda nos estudos...
Veio ter comigo à Biblioteca... sorriso meigo, olhos tristes... cadernos debaixo do braço...
Vamos começar??
Sabe, professora... hoje faz nove anos que a minha mãe faleceu!
... e de imediato as lágrimas, reprimidas durante todo o dia, saltaram-lhe dos olhos e rolaram-lhe pela face, onde os pontinhos vermelhos e brancos do acne juvenil teimavam em permanecer...
...e não demos matéria...falámos,... falámos e chorámos... e as horas voaram...
Professora, tenho que estar em casa antes das sete da tarde!... - disse-me como a pedir-me desculpa... por ter que ir para casa...
Agora deixou a escola... como estará a minha amiga? Há muito que não sei nada dela!...
Zuzu

sexta-feira, 28 de setembro de 2007

HOMENAGEM AO DR. JOSÉ VARELA

A Feliciana é uma amiga de sempre. Nasceu, cresceu, casou, teve os seus filhos e desde sempre tem vivido em Casa Branca. É uma mulher sensível, meiga e com alma de poeta.
Há cerca de 3 anos, depois de uma conversa comigo, foi buscar o caderno onde escrevia os seus poemas. Fiquei admirada com a quantidade e a qualidade destes poemas; Fiquei admirada com a sua inspiração genuína; com a sua capacidade de encontrar as palavras certas para "aquele" poema.
Aconselhei-a a mostrar aos outros o que escrevia, e então, a partir desse dia, ultrapassou o medo, a vergonha e a timidez e começou a concorrer aos encontros de poetas populares que se realizam aqui no Alentejo e até mais longe. Agora, participa com entusiasmo nos concursos e os seus poemas são sempre muito elogiados.
Ontem, escreveu este poema, que eu não resisto a transcrever aqui:

HOMENAGEM AO DR JOSÉ VARELA


Dum amigo quero falar
Eu precisava escrever
Para poder elogiar
O seu enorme saber
Do Alentejo gostar
E a todos bem querer
De cá partiu em rapaz
E de tudo foi capaz.

Sua viagem percorreu
Estudou p’ra se formar
A esta terra pertenceu
Era seu ninho e seu lar
O seu corpo padeceu
Sofreu, mas sempre a lutar
Pelos amigos respeitado
P’ra família muito amado

Escreveu com imaginação
O livro Aldeia Branca
Aos amigos deu a mão
Não esquecendo a infância
E tinha a sua razão
Aqui sentiu confiança
Hoje a chama se apagou
Mas, seu valor nos deixou.

Casa Branca, 28 de Setembro de 2007
Feliciana Capela Silva

domingo, 23 de setembro de 2007

António Variações

António Variações

Outro dos cantores que mais admiro... conseguiu impor-se perante o público... mesmo depois de ter morrido, ainda hoje é um cantor admirado por muita gente.

Carlos Paião

Carlos Paião

Sem esperar, um amigo enviou-me um e-mail com músicas. Entre muitas delas, encontrei o Carlos Paião, que há muito não ouvia.
Fui ouvir a canção "Cinderela", pois foi sempre uma canção que me emocionou e me agradou ouvir.
Quem lida com adolescentes como eu, reconhece na letra da canção o despertar do amor na adolescência, os primeiros olhares, a descoberta da sexualidade.
Maravilhoso...
Vou trabalhar com os meus alunos esta letra e mostrar-lhes que o que eles agora estão a descobrir, já há muito, muito tempo atrás, todos aqueles que para eles agora são "velhos", , viveram e passaram pelo mesmo: a descoberta do amor...
Zuzu

domingo, 16 de setembro de 2007

CRÓNICA DA ZU

MULHERES DE CORAGEM…

Há quanto tempo, ando para escrever uma crónica! Os dias vão passando… a sensação de culpa vai aumentando… e sem me aperceber… passam os dias... vêm os trimestres… sai o boletim... e a minha crónica não aparece… Sinto-me em falta para com os leitores do Boletim da LPCDR!
Há cerca de 8 dias, recebi um e-mail da Liga, que despoletou em mim o desejo de retomar o meu contacto com os leitores.
No seu e-mail, a Vanda pedia-me para colaborar com a Elsa Frazão, doente de AR, na elaboração da sua dissertação de mestrado sobre “ O doente e a dor crónica, com doença reumática” não será exactamente este o título do projecto, mas anda lá perto! Respondi de imediato à Elsa! de coração aberto… afinal somos um grupo de pessoas, unidas pelo mesmo problema! – as doenças reumáticas crónicas – disse-lhe que me dispunha a colaborar e a participar no seu projecto de mestrado.
Hoje, recebi a resposta da Elsa ao meu e-mail. Ela começa por escrever:
“Cara Zuzu,
Receber o seu e-mail, deixou-me emocionada … e daí alguma dificuldade em responder de imediato.”. Depois fala-me com uma enorme coragem da sua situação, com um enorme entusiasmo sobre o motivo que a levou a fazer o projecto da dissertação de mestrado em doenças reumáticas, com uma consciência grande da necessidade de divulgar o sofrimento dos doentes de doenças reumáticas crónicas…E as suas palavras ( duas folhas A4!) vieram confirmar-me aquilo que há muito eu já sabia! Como é importante e nunca é de mais repeti-lo, enaltecer o/a doente reumático, pois ele/ela é um doente muito especial, pela sua força, pela sua coragem, pela sua determinação, pela sua inteligência , pela coragem em continuar a desempenhar as tarefas que anteriormente ao aparecimento da doença realizava, pela sua coragem em não se deixar abater…
Há muitas doenças reumáticas; entre elas está a Artrite Reumatóide que é duas a três vezes mais frequente nas mulheres do que nos homens!
O doente reumático é um doente especial, muito, muito especial … raramente ( eu tinha escrito “nunca”, mas às vezes a doença é mais forte do que a coragem do doente!) se deixa abater pela doença… raramente deixa que a doença seja mais forte do que a sua vontade… raramente “mostra” a dor física (aguda e persistente ) que está a sentir no momento… frequentemente, enfrenta com uma coragem enorme a necessidade de mais uma operação cirúrgica…aceita, corajosamente, a deformação das articulações das mãos e dos pés…enfim… aceita com coragem, resignação e força de vontade a doença crónica, que vai deixando as suas marcas, nos ombros, nas mãos, nos joelhos, nos pés… ano após ano!
Desde que em 1995, foi diagnosticada, a Artrite Reumatóide à Salomé, eu tenho acompanhado, apesar de viver longe dela, a evolução da doença, a procura incessante de novos tratamentos, o desgaste provocado pela medicação e, sobretudo, vejo e “sinto” o esforço enorme da Salomé, para vencer a doença… sem nunca desistir…
Mas, infelizmente, os sintomas e os sinais fazem-se sentir e notar cada vez mais, na jovem, bonita, elegante e simpática Salomé.
A Salomé tem sofrido tudo isto que o artigo sobre AR, da Reader’s Digest refere: “ As articulações atingidas tornam-se inchadas, vermelhas, quentes, muito dolorosas e incapazes de se mobilizar. Os tecidos à roda da articulação também se podem apresentar inflamados, o que conduzirá ao enfraquecimento dos ligamentos, tendões e músculos dessa região. As articulações dos dedos das mãos são as que mais frequentemente se encontram envolvidas, do que resulta uma diminuição da faculdade de preensão. Também é vulgar o inchaço do punho e a síndroma do canal cárpico (formigueiro e dores nos dedos causados pela compressão do nervo mediano). A tenossinovite (inflamação muito dolorosa da bainha dos tendões) pode revelar-se no punho e os dedos ficarem brancos quando expostos ao frio, fenómeno chamado doença de Raynaud. O envolvimento dos pés provoca dores nos dedos, tornozelos e arcos plantares. Em alguns casos, aparecem nódulos moles situados debaixo da pele que recobre certas superfícies ósseas; noutras, manifesta-se uma bursite, ou seja a inflamação de um saco contendo líquido situado nas proximidades de uma articulação. Quando o joelho está atingido, pode surgir atrás dele uma tumefacção contendo líquido, conhecida por quisto de Baker. Muitos doentes sentem-se fatigados em resultado da anemia que acompanha vulgarmente esta doença. É habitual a debilidade de movimentos durante a manhã, podendo os doentes precisarem até de ajuda para saírem da cama e se vestirem. “

Apesar de tudo isto, a Salomé não desiste… neste momento está a fazer a sua tese de doutoramento. E com ela, corajosas, fortes e persistentes a enfrentar a doença estão a Sandra, a Elsa, a Glória, a Mariana, a Fernanda, a Dulce, a … , a …, a …, a …. jovens mulheres que diariamente convivem com a doença reumática crónica e com a Artrite Reumatóide e que são um exemplo de coragem, de aceitação da doença, de perseverança para todos nós, que com elas, diariamente, convivemos.


Casa Branca, 9 de Setembro de 2007

Até breve
A amiga Zu

HOJE OS SINOS DOBRAM...

Hoje os sinos dobram…Hoje os sinos dobram em Casa Branca.
Em Casa Branca, os sinos da Igreja Matriz choram… choram um dos seus filhos que mais a amava.
Como o tio amava a sua Casa Branca!…
A aldeia das casas branquinhas; as pessoas com quem sempre conviveu na infância, na adolescência e em adulto, sempre tiveram um lugar muito especial no seu coração.
A sua paixão pelas coisas da aldeia, o seu apego às tradições, alimentaram a sua inspiração de artista… assim surgiram os contos, surgiram as poesias, surgiram as crónicas e agora mais tarde, os quadros a óleo, onde o branco da cal, os verdes dos campos, os vermelhos das papoilas, os amarelos dos malmequeres aparecem em todo o seu esplendor.
A luta constante pela perfeição, o seu perfeccionismo inato, o desejo permanente de fazer sempre bem e melhor, fizeram que as obras que nos deixa, não fossem em maior número … era um eterno insatisfeito, era um constante desafiador do fazer sempre bem e melhor.
Tudo que o tio escrevia, pintava, para mim estava bom, mesmo perfeito, e eu dizia-lhe: “Tio isso está lindo! esses versos estão belíssimos… esse quadro está muito bonito… as cores estão muito bem conjugadas!…” e o tio sempre exigente consigo, olhava e o seus expressivos olhos azuis mostravam uma certa incredulidade… e dizia-me que tinha que dar um retoque aqui, um retoque ali… como o artista verdadeiro para quem a obra nunca está acabada, pronta… nunca estava tão bem como o tio a idealizava…
Hoje, os sinos choram em Casa Branca… pelo meu tio Zé, aquele meu tio meigo, atencioso, que tinha sempre uma história para contar, que me ofereceu os meus primeiros livros, que me ensinou a ver o mundo com os olhos das pessoas despertas e sensíveis para as cores da natureza, para os cheiros do campo e do mar, para as coisas belas e insignificantes…A si, lhe devo a minha sensibilidade para as artes, para a música, para a pintura, para o teatro, para a leitura, para conversar e trocar ideias com as pessoas …
Hoje os sinos dobram em Casa Branca… porque nos estamos a despedir do Homem, com H grande, do cidadão íntegro, do democrata, do trabalhador, do lutador e do apaixonado por tudo e por todos…

Casa Branca, 27 de Março de 2007

HOMENAGEM A JOSÉ FALCATO VARELA

HOMENAGEM A JOSÉ FALCATO VARELA

Na sua casa de Lisboa, faleceu no dia 27 de Março de 2007, José Falcato Varela, com 75 anos de idade, após alguns anos de doença.
Grande apaixonado e amante do Alentejo e com tudo o que se lhe relacionasse, sempre dedicou os seus tempos livres à fotografia, à escrita, às viagens pelas aldeias e cidades, aos passeios pelos campos verdejantes e às pessoas do seu Alentejo.
Saiu, com 18 anos, de Casa Branca, aldeia onde nasceu e viveu a sua infância, e foi trabalhar como empregado de escritório, em Estremoz.
Em 1960, casou com Maria Emília Fragoso Chouriço, natural de Estremoz ; o casal foi viver para o Bairro de Santo António, que na altura, começava a tomar forma, na periferia da cidade. Aí constituíram família e nasceram os filhos.
Em Estremoz, começou a conviver com a elite intelectual da cidade e aí, continuou os seus estudos, desenvolveu e aperfeiçoou o seu gosto pelo cinema, pela fotografia, pela leitura e pela escrita; era um frequentador assíduo e apaixonado das actividades lúdicas e criativas que se realizavam na pacata cidade de Estremoz. Iniciou a publicação dos seus artigos, crónicas, contos e poesia, nos Brados do Alentejo, no Almanaque Alentejano e noutros jornais regionais.
Este eterno apaixonado, pelas tradições, usos e costumes do Alentejo, pela gastronomia alentejana, pelo convívio e conversa entre amigos, com quem, tanto podia trocar opiniões sobre um livro, como falar das festas anuais da aldeia, como falar da família, era um bom ouvinte e um grande conversador.
No início dos anos 70, devido ao fecho da empresa onde sempre trabalhara, decidiu procurar emprego em Lisboa, e mudou-se para a capital com a família.
Empregou-se como chefe de escritório, e ao mesmo tempo, continuou os seus estudos, ingressando na universidade como trabalhador-estudante; nos anos 80, depois de muito trabalho, muito estudo e muita luta, licenciou-se em Gestão e Administração de Empresas.
Em paralelo com toda a sua actividade profissional e de estudante, continuou a escrever e a publicar os seus escritos, crónicas, contos e poesia em jornais e revistas. Finalmente, publicou o seu livro de contos Aldeia Branca; quem lê os seus contos não pode ficar indiferente, à paixão, à autenticidade narrada da vida das gentes da aldeia, ao realismo expresso e sempre presente em cada palavra, em cada frase, que o autor consegue transmitir.
Os anos passaram, as filhas cresceram, tiraram os seus cursos superiores, casaram, nasceram os netos, que eram a sua maior alegria e orgulho.
Com o seu curso de Gestão e Administração de Empresas passou por vários empregos; o último, foi o de Chefe de Serviços, na Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, onde trabalhou e de onde saiu para se reformar.
Infelizmente, não gozou a sua merecida reforma como ele idealizava; sobreveio a doença e o sofrimento físico obrigava-o a abrandar e a ficar cada vez mais em casa. Ano após ano, a sua crescente debilidade física acentuava-se. Mentalmente e psicologicamente manteve-se sempre o mesmo indivíduo lúcido, curioso e interessado, até ao fim dos seus dias.
Manteve o contacto estreito com os amigos e a família, que ele sempre colocava em primeiro plano. Manteve o seu interesse por tudo o que se relacionava com a cultura, com a leitura, com a escrita dos seus textos, com o cinema, com o quotidiano de Portugal. Nestes últimos tempos, recomeçou a pintura a óleo, que já tinha experimentado em adolescente e que nunca mais praticara. Aí, José Falcato Varela revelou, mais uma vez, através dos temas escolhidos, das cores e da técnica muito própria, toda a sua verdadeira alma, a sua sensibilidade e a sua criatividade de artista.
Por tudo o que atrás foi dito, os amigos de José Falcato Varela decidiram juntar-se e prestar-lhe uma derradeira homenagem.
No dia 29 de Setembro de 2007, pelas 16 horas, será descerrada uma lápide, na parede da sua casa, na Rua Conde de Valença, nº 32, onde este homem nasceu, cresceu e viveu.
Convidamos todos aqueles, que o conheceram e que com ele conviveram, a estarem presentes, nesta simples cerimónia.
Texto publicado nos Brados do Alentejo e no Notícias de Sousel
Maria Zulmira Varela Baleiro

quarta-feira, 12 de setembro de 2007

59 ANOS...

No dia 12 de Setembro de 1948, nasceu nesta Aldeia Branca, uma menina.
Era a primeira filha do jovem casal, que havia um ano, no dia 13 de Outubro de 1947 , tinham casado na Igreja Matriz da Aldeia Branca.
A minha mãe, com 21 anos, muito jovem, sentiu o medo e a responsabilidade de dar à luz, com a ajuda da minha tia-avó Josefa, que era uma mulher muito corajosa e curiosa, e por isso ajudava as mulheres da família a darem à luz...
A minha mãe não conhecia as dores do parto. As dores para parir eram imensas e as horas iam passando e a bébé não queria nascer... as indicações que a minha tia-avó Josefa lhe dava não eram suficientes para a acalmar... então depois de muitas horas de sofrimento, no quarto pequeno e abafado da casa do jovem casal, decidiram-se a chamar o médico.
O médico veio de pronto e com a sua ajuda e apoio, pelas 13 horas da tarde, nasceu uma menina, que pesava cerca de 3,200Kg, era perfeita e chorava bastante...
O meu jovem pai estava radiante...
A minha mãe ficou exausta... queria descansar, apenas... não conseguia pensar em comer!... e toda a gente queria à força que ela comesse, que ela se alimentasse com as fatias paridas acabadinhas de fazer e com a canja de galinha que tinha sido cozinhada havia poucos minutos... ela tinha que se alimentar, pois tinha que ter leite para amamentar a menina... - diziam-lhe!
Lentamente, foi recuperando o apetite... e ficou de resguardo, fechada no pequeno quarto durante 30 dias... mal a deixavam levantar da cama... não queriam que ela fizesse nada... a minha tia-avó Josefa vinha todos os dias ver-nos.
Quando me caiu o cordão umbilical começou a vir dar-me o banho.
A minha mãe apenas assistia... era assim que as parturiente eram tratadas... com muito resguardo, como boa alimentação e com muito carinho e amor de toda a família...
Os familiares, os amigos e conhecidos vinham ver a menina que tinha nascido... achavam-na bonitinha, com uns olhos pretos muito grandes... dormia... chorava pouco... e crescia...
e fui crescendo... crescendo...vivendo... amando...sofrendo... e hoje fiz 59 anos!!!!!!!!!!
Luzazul

HOJE FAÇO ANOS ...

Recebi este e-mail da minha filha Rita, a dar-me os parabéns.

Parabéns! Parabéns à melhor mãe do planeta!

Tenho a certeza que este ano vai ser um ano determinante na tua vida eque tudo vai correr muito, muito bem.

Quanto à crónica da Zu, tal como te disse ontem, acho que está perfeita. Até podias colocá-la no teu blog, não achas? até chorei a ler o texto: não sabia que achavas que eu era corajosa...mas vendo bem as coisas, até acho que sou!

Muitos e muitos beijos.

Amo-te mãe.
da Rita

terça-feira, 11 de setembro de 2007

COMO ME VÊEM AS AMIGAS

Olá GRANDE MULHER e LINDA Zu,
Em primeiro lugar, eu gostaria de agradecer-te as palavras calorosas e o facto de teres incluído no teu artigo o meu nome, mas preferia que não o mencionasses nem falasses de mim. Acredita que me senti tocada e verdadeiramente emocionada, no entanto não me sinto essa mulher de coragem com a qual me defines. Diariamente, tento conviver com a minha doença reumática da melhor maneira possível, eu sei que a tenho, mas não penso muito nisso.
Estou neste momento a explorar as minhas capacidades, a conhecer-me melhor, saber quais são os meus limites. Muitas vezes, excedo-os, pois quero muito conseguir como as outras pessoas. Muitas vezes, coloco a fasquia muito alta e depois logo vem a desilusão.
Sou uma pessoa que tem desistido com muita facilidade de si e durante o seu percurso da doença o que não é benéfico e tem trazido consequências nefastas. Sou muito insegura, com muito pouca auto-estima, o que dificulta este processo. Tenho aprendido muito e tenho evoluído desde que estou convosco, convivendo com as outras pessoas que têm a mesma e outras doenças reumáticas. Neste momento, encontro-me num processo de aprendizagem e estou a dar um passo de cada vez. Por isso quero muito ficar nos bastidores. Eu fico-te grata mais uma vez pelas calorosas palavras e imagina quantas pessoas têm sede de as ouvir. Sinto-me uma privilegiada por te conhecer pessoalmente e de ter a possibilidade de receber de vez em quando, uma mensagem tua.
Tu tens a capacidade através da escrita de injectar coragem, esperança, alegria e coragem tocando emocionalmente as pessoas. Isso tudo é possível não só pela tua vivência e experiência ao longo destes anos, mas pela tua enorme capacidade de amar o próximo, uma alegria contagiante e uma imensa coragem (como outras pessoas que nós conhecemos!).

Adorei o teu texto, no entanto tenta emendar aquilo que te pedi. No mês de Setembro eu estarei de férias. Esta opinião é pessoal não ponhas nada disto no artigo. Fico a aguardar uma resposta tua.
Maria V.

Quem conhece a minha amiga Maria V. sabe que as suas palavras são sentidas e sinceras. Na verdade, ela gosta mais de ficar nos bastidores; contudo, é nos bastidores que ela tem feito um trabalho muito meritório, muito importante para que cada vez mais se sinta uma pessoa corajosa, capaz de enfrentar a doença e "os outros" que por vezes são tão injustos e cruéis