terça-feira, 11 de agosto de 2009

PANTUFA












CABEÇO DE VIDE
































NÃO GOSTO!!!!

Não gosto de ser derrotista!!!!
Não gosto de ser piegas!!!!
Não gosto de me queixar!!!!
Não gosto de ser pessimista!!!!
Não gosto de sofrer!!!!
Não gosto de salas de operações!!!!
Não gosto do cheiro do hospital!!!!
Não gosto de ter dores!!!!
Não gosto de seringas!!!!
Não gosto de estar doente!!!!
Não gosto!!!!!! Não gosto mesmo!!!!
Mas quem gosta????!!!!
Ninguém gosta!!!!!
Eu também não gosto!!!! mas goste ou não goste lá estou eu no meio do que não gosto!!!
E mais uma vez, o destino passou-me uma rasteira.... e faz hoje 8 dias que mais uma vez fui operada... e mais uma vez passei por tudo aquilo que Não gosto!!!!
E por isso as férias estão mais que lixadas... e por tudo isto eu estou mesmo lixada!!!

P.S. Não gosto da palavra "lixada", mas não me ocorre outra... parece-me que é a primeira vez que a uso!!! tal não é a saturação de tanto sofrimento!!!

terça-feira, 31 de março de 2009

CAMISA AMARELA

Estava a ver um filme, onde o actor principal, galã e bonitão, tinha vestida uma camisa amarela...então desde esse dia, que me apetece escrever sobre a camisa amarela do meu pai.
Escrever sobre a camisa amarela???? mas o que tem de tão especial esta camisa amarela???
É uma camisa amarela canário, mas um pouco mais desmaiado... não era amarelo claro, não! era entre o amarelo canário e a gema de ovo, mas mais clara...
Pronto, era amarela clara!!!
Sempre me intrigou porque razão o meu pai quis comprar uma camisa amarela!?
Ele, que nunca ligou à roupa que a minha mãe lhe compra e que veste automaticamente, sem ver se a camisa é branca, às riscas, ou azul..., quis comprar uma camisa amarela!
E comprou-a. E quando vai a algum lado, quando precisa de se vestir com um pouco mais de primor, pede à minha mãe, que lhe dê a camisa amarela!!
O meu pai ainda é do tempo, em que os homens achavam que não era muito viril, saberem onde está guardada a sua roupa pessoal; não sabe, em qual gaveta estão guardadas as meias, as cuecas ou as camisolas interiores... é a minha mãe que lhe prepara a roupa, que lha põe em cima da cama, pronta a ele vestir, quando sai do banho.
Nunca mostrou interesse especial pelo que vestia; qualquer peça de roupa, para ele, está sempre bem!
Contudo, há cerca de 5 ou 6 anos, ele desejou ter uma camisa amarela!!
E a minha mãe, que estanhava o desejo, dizia: " Mas queres comprar uma camisa amarela?!!"
E ele respondia-lhe: " Sim, quero comprar uma camisa amarela!! onde é que está a admiração???"
E a minha mãe retorquia: " Mas tu nunca mostraste interesse pela tua roupa!! pelo que vestes!!" E ele reafirmava: "Pois mas agora quero comprar uma camisa amarela... "
E lá foram os dois, ao Ficabem, comprar uma camisa amarela, a camisa amarela!!!
E quando havia uma festa de anos, quando saía para passear, levava vestida a camisa amarela. E eu via que ele se sentia contente e feliz com aquela camisa amarela... vestiu-a muitas vezes... ficava-lhe bem... e ele sentia-se bem com ela vestida...
Há tempos perguntei à minha mãe: " Oh mãe, então a camisa amarela do pai? nunca mais o vi com ela vestida!?!"
E a minha mãe, num tom muito natural disse-me: "Sabes, de tanto ser lavada, está quase branca!!! já não se nota que era amarela !..."
"Oh, o pai deve estar muito triste, pois ela gostava muito dela?"
" Pois... se calhar temos que lhe comprar outra! ele gostava muito da camisa amarela!!!" - respondeu-me a minha mãe, sem grande convicção.
Agora já sei, porque o meu pai quis ter a camisa amarela... só os galãs usam camisa amarela!!

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

A MARMELADA DA AVÓ BÁRBARA

Avó Idalina, Zuzu, Avó Bárbara (20/9/1969) 
Onze anos, depois de se terem casado, o meu avô, de 38 anos, morreu com uma trombose .
A minha avó, com 35 anos, ficou viúva. Estava grávida, e quatro meses depois, nasceu a minha tia Maria Zé. Ficou com cinco filhos. Todos menores de idade: a minha mãe tinha 7 anos e depois seguiam-se os restantes quatro filhos, o meu tio Jacinto, a minha tia Maria Zulmira, o meu tio Zé e a minha tia Maria Zé.
Quando eu era criança, muitas vezes, ia dormir com a minha avó. Como habitualmente, saíamos da casa dos meus pais, onde tínhamos passado o serão e lá íamos nós as duas, abraçadas uma à outra, pela rua escura, até à sua casa; a minha mãe ficava à porta da nossa casa, com o candeeiro a petróleo na mão, até nos ver entrar. Nunca dormiu sozinha. Quando a minha tia Maria Zé ia para Estremoz e quando mais tarde se casou, alguém tinha que ir dormir com ela, pois era muito medrosa.
Quando chegávamos junto da porta, a minha avó procurava a chave, que nunca estava no bolso onde ela procurava. Assim, muitas vezes, ficávamos ali ao frio, eu esperando impaciente para entrar e a minha avó revistando todos os bolsos. Metia a mão, voltava a meter, e nada! a chave nunca aparecia!
- " Ai filha, queres ver que perdi a chave!!! mas eu quando fechei a porta, meti-a no bolso!! onde é que ela está??!... queres ver que a deixei em casa da tua mãe, em cima da mesa!?!, ora esta!! ..." e ia falando, enquanto continuava a busca incessante... Levávamos sempre algum tempo naquela "cena" até que finalmente aparecia a chave!!! A noite estava escura como breu, e o conseguir meter a chave na fechadura era outra aventura! às vezes, tínhamos que acender fósforos, que se apagavam constantemente, para vermos o buraco da fechadura.
Finalmente, entrávamos.
A porta da entrada dava para a antiga loja, desactivada e fechada há alguns anos. Em cima do balcão estava o candeeiro a petróleo, com a chama muito baixinha, para gastar pouco, com a luz muito mortiça. Mal entrávamos, a minha avó levantava a luz do candeeiro, pegava-lhe e lá íamos nós, uma atrás da outra, corredor fora, até à cozinha.
A casa era muito grande. Reinava o silêncio. Contudo, ouviam-se sempre barulhos estranhos, que me assustavam. Eram o raspar dos cascos das bestas da Prima Maria Ezequiel, que ficavam na cocheira, mesmo ali ao lado; era o estalar das madeiras da mobília velha; eram os ruídos surdos vindos do sotão; eram as folhas das árvores que se agitavam com o vento. Eu precisava de algum tempo, para me habituar ao silêncio e àqueles "sons, depois ficava descansada e tranquila. Nunca fui medrosa, mas aquele ambiente, pesado e austero, provocava-me alguma ansiedade...
Na cozinha, a minha avó punha o candeeiro em cima da grande mesa de madeira. Abria uma das gavetas, e tirava de lá a faca do pão. Era uma faca própria, que servia unicamente para cortar o pão. Todas as semanas era areada com palha de aço, parecia de prata; cortava muito bem, apesar da lâmina estar muito gasta.
Eu sentava-me e observava os movimentos da minha avó. Íamos sempre falando, uma com a outra. A minha avó sempre foi uma óptima conversadora e sempre gostou muito de conversar comigo.
A minha avó tirava as tigelas de louça do armário. Ia buscar o fervedor, com o resto do caldo de farinha, que tinha feito pela manhã e colocava-o em cima da boca do fogão a gás para que aquecesse. Ia à despensa e trazia de lá, o saco de tecido branco imaculado, onde guardava o pão alentejano. Depois ia à casa de jantar buscar a saladeira da marmelada.
O caldo de farinha já estava quente e a minha avó enchia as tigelas. Depois cortava fatias muito finas, a todo o comprimento do pão. Por cima, colocava uma fatia fina de marmelada. Tudo era feito com muita delicadeza, com muita ternura, com muita calma e tranquilidade. Deliciávamo-nos com aquele manjar!!!
A marmelada da minha avó Bárbara era muito saborosa. Muito fina e macia, algumas vezes, encontrávamos torrõezinhos de açúcar, no meio, o que a tornavam ainda mais deliciosa.
A elaboração da marmelada era muito complicada e levava-se um ou mais dias a fazer.
Era feita em casa, com os marmelos da propriedade do meu bisavô. Depois de descascados, os marmelos eram cortados em bocados e cozidos em água. Depois, escorriam-se da água e passavam-se pelo passe-vite. Punha-se essa "massa" de marmelo num tacho de cobre, juntava-se o açucar amarelo e ia ao lume de chão, em cima duma trempe, mexendo-se continuamente, com uma colher de pau. Quando estava no ponto, arredava-se. A marmelada era posta em tigelas de louça que secavam ao sol, durante alguns dias. Depois, cortava-se papel vegetal do tamanho das tigelas e punha-se por cima a tapar a marmelada. Guardava-se e era comida durante todo o ano.
Quando acabávamos de comer, a minha avó metia o pão, novamente, dentro do saco de pano e guardava-o na despensa. As tigelas ficavam em cima do lava-louças, para serem lavadas no dia seguinte. Ia levar a marmelada para o armário da casa de jantar, onde sempre foi o seu lugar e depois de tudo arrumado, lá íamos para a cama.
A minha avó era uma pessoa muito delicada e de muito boas maneiras. Sempre a conheci muito atenta às necessidades da casa, muito perfeita em todas as tarefas que realizava, muito asseada e limpa. Era sobre tudo muito educada. A casa estava sempre muito arrumada e limpa, as roupas da cama era brancas de neve e a minha avó cheirava sempre muito bem... eu adorava ir dormir com ela...

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

MAIS UMA PRENDA DE ANOS

Este ano, as prendas não foram de grande valor!!! Bem pelo contrário!! Recebi algumas prendas, mas muito "fraquinhas"!!! A crise económica e financeira que o país atravessa e que nós portugueses e entre estes, os professores, estamos a enfrentar, foi a culpada disso!! mas eu não me estou a queixar, muito pelo contrário! Devo regozijar-me por ter estado rodeada dos meus pais, do meu marido, das minhas amigas, dos meus tios e tias. Mas, para além das prendas "fracotas" que me deram, recebi uma que me deixou muito emocionada e muito feliz.
A minha mãe, com os seus 81 anos, apareceu, logo pela manhã, para me dar os parabéns; trazia um embrulho na mão, que me deu timidamente, como a pedir-me desculpa por me estar a oferecer uma prenda tão insignificante ( a palavra é dela!!); mas junto com a prenda, trazia uma "carta" que me entregou.
Com o seu lindo sorriso, meigo e terno que sempre tem, olhava-me com os olhos brilhantes, pois agora, sempre que me dá um beijo e olha para mim, fica muito comovida. O facto de me ver magra e satisfeita por voltar a sentir-me bem fisicamente, dá-lhe uma enorme alegria e felicidade. O que a minha mãe tem passado nestes últimos meses!! Como ela tem vivido e sofrido todos estes "contratempos" ( para não lhes chamar outro nome!) que de vez enquando, ( mas demasiado frequentemente!!!) , me têm acontecido!!!
Assim, aceitei as prendas e peguei na carta e comecei a lê-la, só para mim. A minha mãe ia perscrutando a minha reacção. O seu sorriso nunca desapareceu dos seus lábios e quando terminei de lê-la, ela estava expectante. As palavras sairam-me com alguma dificuldade, devido à emoção que dificilmente consegui esconder. Abraçámo-nos... beijámo-nos e eu agradeci-lhe este presente tão pessoal, tão extraordinário.
Aqui vai o presente:

Casa Branca, 12/9/2008

Querida filha

Desculpa a prenta que te dei, mas realmente não sabia o que te havia de comprar porque felizmente tens de tudo.
Mas dou-te uma grande prenda que é a minha amizade que tenho por ti; não faço mais que é a minha obrigação, porque tu és uma filha exemplar, nem tenho palavras para te dizer, sei como tu és e o que pensas, mesmo quando estás longe de mim.
E estou sempre descansada contigo, pois tens um belo marido, graças a Deus. Eu vi o que ele era para ti quando estiveste doentinha. Mesmo o pai, que não é de conversar muito, nem reparar para certas coisas, mas dizia-me: - "O Zé é muito amigo da nossa filha, não sabe o que lhe há-de fazer!" e, realmente, era também isso que eu via.
Já não tenho mais tempo. Que para o ano eu cá esteja, para festejarmos os 61, eu e o pai; vamos assim pedindo um ano de cada vez.
Beijos da mãe que te ama, e reconhece o que tu és
M. Amélia

domingo, 14 de setembro de 2008

ANIVERSÁRIO

Dia 12 de Setembro fiz 60 anos!!!
Pois é!!!! e o normal seria ficar muito deprimida, aborrecida, e até revoltada... mas não!!! eu estou muito feliz e contente por ter completado 60 Primaveras, Verões ... sei lá!!!
Este contentamento tem razão de ser! pois se em Novembro de 2008, estive quase a despedir-me de todos e deste mundo, como é que eu não hei-de estar feliz!!! Estou viva, magra e feliz ... rodeada dos meus familiares, dos meus amigos, dos meus colegas, dos conhecidos, dos vizinhos, de toda a gente... o brilho de satisfação, que vejo nos olhos de todos eles quando me vêem e quando me perguntam se estou melhor, é compensador e deixa-me muito emocionada e agradecida a todos eles...
No dia dos meus anos, recebi tantos telefonemas, tantas mensagens de SMS, tantos emails, tantos parabéns dados pessoalmente ... como poderia estar aborrecida, por ter feito 60 anos!!! estou grata à vida, que às vezes tem sido muito ingrata comigo!!!, estou grata a todos os que me rodeiam, àqueles que me deram o seu apoio, que me deram as suas orações, àqueles que fazem o favor de ser meus amigos ...
De todos os votos de parabéns, foi o mail, que recebi da minha filha Rita, aqule me deixou mais feliz.
Quero partilhá-lo convosco ( não sei se ela gostará muito disso, mas como ele agora é meu, eu posso dispor dele !):
Querida e linda mãe,

Ontem estive o dia quase todo fora de casa e não consegui escrever este email. Mas hoje já tenho mais tempo (daqui a pouco vou para a praia) e por isso não quis deixar passar a data. Mais uma vez: parabéns! Fizeste sessenta anos. Deve ser estranho, não? Porque tu és muito mais jovem do que o número que agora se segue à tua idade. Tu és muito mais jovem, linda e alegre do que a maioria das pessoas de sessenta. Dizem que a idade é um estado de espírito e tu sem dúvida tens a inteligência para te manteres activa e jovem. Eu tenho muito orgulho na minha mãe. A minha mãe é linda, inteligente, meiga e lutadora. A minha mãe venceu a morte o ano passado e agora está mais bonita e elegante do que nunca. Ainda ontem, a Graça me disse como estavas moderna e bem vestida. Finalmente, as pessoas já não falam de ti por seres gordinha e quais as razões por detrás de todos aqueles quilos. Esta sociedade gosta mais das pessoas magras. Trata-as melhor. E eu fico mais feliz e tranquila por saber que és bem tratada e ainda mais admirada. Porque se sempre foste bonita, agora estás linda e mais importante: estás mais saudável. E isso para mim é o mais importante, porque eu quero que vivas para sempre. A minha vida sem ti não teria sentido e eu seria muito mais fraca e infeliz. Tu dás-me muita, mesmo muita força. E infelizmente tens de continuar a dar-ma porque eu nem sempre a tenho. Às vezes, falha-me a força, a coragem, a energia. Mas eu sou muito, muito feliz por ter uma mãe como tu. A melhor mãe do mundo, apesar de me desarrumar/arrumar a casa de maneira diferente daquela que eu arrumo e apesar de ser um furacãozinho que não deixa ninguém sossegar!! Eu amo-te muito, mãe. E tenho muito orgulho em ti. És o meu exemplo de coragem e força. A minha inspiração.


Em nome das tuas filhas,
Amo-te e desejo-te leveza, paz e saúde.

rita
Tenho ou não razão para estar feliz???

domingo, 27 de julho de 2008

A Tia Natália

Há cerca de um mês, a Tia Natália foi operada de urgência a um aneurisma, localizado no cérebro.
Fiquei muito preocupada. Com os seus 84 anos, iria resistir a uma operação tão melindrosa?! Felizmente, conseguiu ultrapassar todas as dificuldades e obstáculos e, apesar de muito debilitada, deram-lhe alta no hospital de Lisboa.
Agora, está no Centro de Apoio a Doentes da Clínica Rainha Santa Isabel, da Cruz Vermelha de Estremoz.
Na passada 3ªfeira, fui visitá-la, com a tia Marialena, o tio Jacinto e o Zé. Quando entrei na sala, vi uma velhinha, "muito velhinha!", de cabeça rapada, sem dentes, sentada num cadeirão, segura "amarrada!" por um lençol, para que não escorregasse nem pudesse sair dali. Recebeu-nos com um grande sorriso. O sorriso meigo e lindo que sempre teve a Tia Natália.
Puxei uma cadeira e sentei-me junto dela. Comecei a falar-lhe e a Tia Marilena perguntou-lhe se sabia quem eu era, e ela muito admirada com a pergunta, respondeu de imediato: " Mas, é a Zuzu!" e sorria-nos, com um sorriso cúmplice...
Ficámos todos muito admirados e felizes quando ouvimos aquela resposta, tão clara e acertada. A tia Marilena voltou a questioná-la se era mesmo eu que ali estava e ela olhou-nos e disse: " É evidente que é a Zuzu!" e continuou: " Hoje, sonhei contigo. Não me lembro do sonho mas sonhei contigo! e esta manhã pensei em ti!"
Quando ouvi estas palavras, ditas com uma enorme dificuldade, senti um arrepio pela espinha... ao mesmo tempo, senti uma alegria enorme por saber que eu tinha estado no seu pensamento. Ainda bem que fui visitá-la, pois tive mais uma alegria, vim confirmar o que sempre e há muito soube: que sempre gostou de mim, que sempre teve por mim um grande carinho e até mesmo admiração pelo meu feitio, pela pessoa que sou.
Eu continuei a falar com ela, mas, por vezes, ou melhor "muito frequentemente!", a Tia Natália usava palavras sem nexo, misturava diversos assuntos na "conversa" e tudo isto com uma dificuldade enorme em exprimir-se. Começava a ser difícil mantermos um diálogo. Ela começava a mostrar cansaço e a desligar-se de nós, começando a dar mais atenção às imagens da telenovela que a televisão transmitia.
E decidimo-nos ir embora, para a deixar descansar...

sexta-feira, 11 de abril de 2008

Bypass gástrico

Por razões várias, que um dia mais tarde vos contarei, comecei a engordar. Não me sentia bem. Em Maio de 2007, decidi consultar um médico cirurgião para que me fizesse um bypass gástrico. A operação não correu bem. Relato tudo no meu blog http://deumalaranjaadoisgomos.blogspot.com

domingo, 21 de outubro de 2007

COMENTÁRIO DA ELSA

Não posso deixar de colocar aqui o comentário que a Elsa fez ao meu texto Mulheres Corajosas.
Fico tão comovida e "vaidosa" por ter conseguido transmitir o que me vai na alma!!!
Querida Zu,
Resumiu tão bem o que é estar no Fórum do Doente Reumático... Essencialmente, é uma oportunidade de partilha, encontros ou reencontros.
De há uns anos para cá, o evento tem evoluído: primeiro queríamos ouvir os especialistas (que continuamos a ouvir e a contestar sempre que entendemos); hoje em dia, queremos principalmente compartilhar das nossas experiências enquanto familiares, amigos e pacientes. Uso aqui esta palavra literalmente no seu duplo sentido. Ser/estar Doente é ter de ser Paciente, respirar fundo e acreditar em dias melhores. Ter paciência, primeiro connosco próprios, para depois a transmitir a quem nos rodeia. Ser doente reumático crónico é ser paciente para redescobrir cada passo da nossa caminhada pela vida; para encontrar um sorriso ou um sonho dentro de nós...Mas acima de tudo, continuamos pessoas como todas as outras; apenas um tudo nada mais pacientes. O nosso ritmo é outro, desincronizado: uns dias valseamos lentamente, outros agitamo-nos ao som do rock e da pop.Por vezes, apreciamos tudo ao pormenor mais ínfimo. Vemos as nuvens a passar no céu, vagarosamente, deleitamo-nos com o tic-tac compassado do relógio. Repomos energias. E depois, temos aqueles momentos em que as consumimos, quase contra-relógio, nessa sede de viver o momento, intensamente.É, também, assim o Fórum do Doente Reumático. No primeiro dia, bebemos as palavras dos especialistas, dos técnicos. No segundo dia, vivemos intensamente as nossas partilhas de coragem ou desalento, descobrindo novas amizades nesse encontro, recheadas de consolo e conselhos. Somos, numa palavra, pacientes...E tanto que contribuem os encorajamentos que recebemos!
Um abraço amigo,
Elsa
16 de Outubro de 2007

domingo, 14 de outubro de 2007

MULHERES TÃO CORAJOSAS...

"Os amigos são como anjos que nos levantam quando as nossas asas têm problemas, lembrando-nos como voltar a voar. "
No Hotel Tivoli Tejo, decorreu o X Forum das Doenças Reumáticas. Por impossibilidade, só me foi possível estar presente no sábado, dia 13 de Outubro de 2007.
Como sempre, o 1º dia é dedicado às paletras dos médicos, profissionais de saúde e outras pessoas estudiosas desta temática.
No 2º dia, sábado, a manhã é dedicada às apresentações dos doentes, dos familiares ou de outras pessoas que de alguma maneira estão ligadas à doença.
Este ano o tema era: "A importância das pequenas coisas..." . E como todas as pessoas ali presentes, fiquei bem consciente da importância das pequenas coisas!!... de um sorriso...de um telefonema em dia de crise... de um apoio quando se está só...
Para mim, o 2º dia é sempre o que mais me preenche... há uma partilha de experiências, uma conversa sincera e aberta, uma troca de pontos de vista, de amizades, de e-mails, de números de telefone.
Assim, é no Sábado que eu volto a encontrar aquelas pessoas de quem eu tanto gosto e que por email trocamos umas breves palavras ao longo do ano... é nesse 2º dia que eu sinto como a Liga é constituída por gente amiga, gente que partilha, gente que sofre, gente de coragem, gente extraordinária.
E todos os anos, eu conheço aí alguém que nunca mais deixará de ser uma amiga, uma presença na minha vida...
Por ser o 1º ano em que estive presente, foi aquele em que "eu descobri" mais mulheres de garra e de coragem: a Fernanda Ruaz, a Irmã Lina, a Diamantina, a Arlette, a Irene, a Elisabete, a Drª Rosa, a Glória, a Ana Ribeiro, a Sandra Canadelo e muitas, muitas, muitas outras...
No 2º ano, conheci a Dulce Almeida. A minha querida e doce Dulce. Ela é uma doçura tal como a baptizaram com o seu nome Dulce! A querida Dulce sofre de fibromialgia... mas a doença nunca a impediu de tirar a sua licenciatura, de entrar no mercado de trabalho, de lutar, de tentar vencer... e com aquele ar angelical, aqueles traços suavíssimos e belos, ela apenas me diz na sua voz suavíssima: "Mas eu ando tão cansada!!! Tudo o que faço é com tanto esforço!!" . Ela precisa de partilhar comigo o cansaço permanente que nunca a deixa, nem um segundo sequer!, que não a deixa ser a jovem livre e descontraída... e eu apetece-me tanto confortá-la... e apenas repito palavras vãs, bobas... pois eu sei ( ou melhor, calculo!) o quão difícil é para ela viver, trabalhar, assumir responsabilidades, sem nunca desistir... e sentir um cansaço permanente por todo o corpo... e sentir as dores... e ter que tomar a medicação... e....
E a Dulce este ano até participou e interveio no debate... está a desabrochar a minha querida Dulce...
No 3º ano, conheci a VS.
A VS é mais uma daquelas pessoas de quem nunca mais me poderei esquecer. Sofre de uma variante de doença reumática que lhe modificou as feições, as mãos, os pés... o corpo.
Então a VS fechou-se numa concha. Ela pensava não sair mais dali. Sair para quê? O mundo cá fora é tão desleal, tão agressivo, tão brutal?!! e ela fechada naquela concha protectora, achava que nada mais havia a fazer do que esperar...esperar... esperar pelo dia, em que um cientista qualquer, de qualquer país do mundo, descobrisse a cura milagrosa para a sua doença sem cura... mas, tal como o caracol que se atreve a sair do aconchego da sua concha, muito a medo, ela foi saindo... saindo... e viu que ao seu lado havia pessoas, jovens como ela, que também sofriam... que viviam com a doença... e que de uma maneira "natural" encaravam esse "mal" e não desistiam... e assim a VS viu que a Rita, a Sandra, a Fernanda, a Mariana, a Glória, a..., a..., estavam ali no Fórum a partilhar a sua vivência, a dar os seus testemunhos... e a dar as boas vindas às associadas que apareciam de novo... Todas estavam dispostas a dar as mãos e a formar uma cadeia de união indessóluvel... inquebrável... e este ano... quase que por milagre, a VS fez uma apresentação fantástica, sobre a sua doença.
E ali estava uma VS que nós desconhecíamos- confiante naquilo que afirmava, conhecedora e estudiosa do assunto, aberta e descontraída para a assembleia que a olhava... alguns de nós incrédulos pensávamos: " Mas é a VS que está a falar! e tão segura de si! e finalmente conseguiu sair da concha em que se tinha fechado!!"
Todos estavamos boquiabertos, extasíados com o seu à-vontade. E só me apeteceu correr para a tribuna e dar-lhe muitos beijos e muitos abraços e dar-lhe os parabéns por ela ter conseguido deixar a outra VS dentro da concha....
Este ano conheci a Elsa. Outra mulher de coragem, de garra, de força. Outra mulher que não se deixa abater pela doença. A Elsa concorreu ao concurso literário promovido pela Liga e o seu texto ganhou o primeiro prémio. E a Elsa leu o seu texto... e o texto é uma ode ao doente reumático... é um testemunho poético de como se sente uma jovem mulher, mãe e esposa, que carrega o "fardo" da Artrite Reumatóide... e as suas palavras mágicas encheram o auditório... e cada palavra entrava-nos pelos ouvidos para nos acordar, para nos despertar para a insensibilidade.... e as lágrimas corriam nos rostos dalguns que estão já despertos para o problema... o texto é lindo.... mágico ... no momento da sua leitura, os pêlos dos braços eriçavam-se a cada palavra forte, precisa... dura... certa ...
E, mais uma vez, eu saí daquele 2º dia do Fórum, angustiada por ver tão poucas esperanças de cura para uma doença que afecta uma tão grande percentagem de mulheres jovens, mas ao mesmo tempo, muito, muito aliviada, quase feliz... por ver mulheres tão corajosas...

quarta-feira, 10 de outubro de 2007

A AMÉLIA E O VITALINO CASARAM HÁ 60 ANOS

"Casamento é um compromisso voluntário de amor, paixão, de cuidados a ter um com o outro, de respeito pelos sonhos e vontades de cada um, casamento é o compromisso de respeitar o espaço um do outro, de respeito sexual, respeito financeiro.Desse casamento sai uma família que gerará: Filhos, netos…"

No dia 13 de Outubro de 2007, os meus pais fazem 60 anos de casados.
A Amélia tinha 20 anos e o Vitalino tinha 25 anos e na Igreja Matriz de Casa Branca disseram:
" Vitalino, eu te recebo por meu marido e prometo amar-te e ser-te fiel durante toda a minha vida e em todas as circunstâncias... "
"Amélia, eu te recebo por mulher e prometo amar-te e ser-te fiel durante toda a minha vida e em todas as circunstãncias..."
Hoje, a minha mãe com 80 anos e o meu pai com 85 anos continuam apaixonados um pelo outro.
Posso dizer sem errar que estão ainda mais apaixonados do que quando se casaram!... nestes 60 anos de vida em comum, cimentaram uma relação de amor, compreensão, respeito, cumplicidade e tolerância que não é fácil encontrar entre casais.
Nunca ouvi a minha mãe criticar ou recriminar o meu pai... bem pelo contrário... com aquele seu sorriso meigo e lindo que tem, sempre a vi "desculpar" e "aceitar" algumas das ideias mirabolantes do meu pai. Para ela, "as asneiras" originadas pela impulsividade, pelo espírito de negócio, pelo imaginação do meu pai, são apenas "pequenos devaneios" do meu pai... e ela sempre a procurar desculpá-lo... sempre a procurar encontrar a palavra certa, suave, meiga e ternurenta para justificar mais uma "ideia" do Vitalino!...
Olho-os... e recordo a infância feliz que nos proporcionaram, a mim e ao meu irmão.
Na nossa casa não havia uma discussão... nunca ouvi uma palavra desagradável... nunca os vi zangados!
Da boca da minha mãe e da boca do meu pai saíam, só e apenas, palavras de carinho, de aceitação, de amor, de ternura...
Ainda hoje, quando a minha mãe fica um pouco enervada com alguma coisa ( pequena coisa!) que o meu pai faça, ela fica refilona... depois como vê que ele se cala ou lhe diz: "Olha o que para aí vai por uma coisa de nada!!" , a minha mãe cai em si, reflecte e vê que não tem razão... então vai ao pé dele, com um sorriso de orelha a orelha, faz-lhe uma festa na face, dá-lhe um beijo e pede-lhe desculpa por estar a ser "chata"! Diz: - "Desculpa-me, Vitalino, eu às vezes sou chata, sem razão!" e tudo fica sanado. E o bom ambiente e a boa disposição continuam...
Nunca vi, nestes 60 anos de casados, os meus pais ficarem zangados mais do que cinco minutos ( cinco minutos é muito! talvez 2 ou 3 minutos!!), nunca os vi carrancudos, sérios, sem falarem um para o outro... nunca!! e isto não é ficção!!! é a pura das verdades!!!...
Quando eu era criança, passámos bons, óptimos momentos... episódios maravilhosos que nunca esquecerei... os meus pais sempre foram duas pessoas muito bem dispostas, sempre gostaram de passear, sempre gostaram de conviver, sempre procuraram porprocionar-nos prazer, alegria e bem estar. E assim, depois de dias e dias de trabalho árduo na loja, com a matança dos porcos, com a ida ao Porto ou a Lisboa a levar carradas de carvão e palha , apesar de cansados e extenuados, ainda tinham "coragem" para nos levar à praia da Figueirinha, em Setúbal, onde passávamos o Domingo, os quatro em alegre convívio.
Levávamos o "farnel" que a minha mãe cozinhava na véspera ou de madrugada e o Domingo era passado, inteirinho, na praia. Desde manhã até à noitinha, ficávamos na praia. À sombra da barraca que alugávamos e onde o meu pai dormia grandes sestas. A minha mãe fazia renda. Eu e o meu irmão andávamos o dia inteiro dentro e fora de água... brincávamos, nadávamos, comíamos, sempre descontraídos, alegres e sem discussões... não havia discussões entre nós!... Sempre nos ensinaram a "conversar" para resolver os pequenos conflitos que surgiam... e assim continua a ser...
São um exemplo a seguir... quanto orgulho eu sinto por isso! as minhas primas, a família mais próxima são testemunhas do que eu acabo de escrever... o meu pai e a minha mãe durante estes 60 anos formaram um elo inquebrável! souberam manter os votos que fizeram ao padre naquele dia de 13 de Outubro de 1947 : " Eu... prometo
A minha mãe, frequentemente, diz, muito orgulhosa: " Nunca me deitei zangada com o meu marido, nem ele comigo!!!!"
O compromisso por eles assumido foi sempre respeitado, porque: "O Sacramento do Matrimônio é um vínculo ou laço indissolúvel que une os cônjuges diante de Deus e da comunidade; é uma graça especial que torna a vida de amor entre os esposos e seus filhos um acto de culto a Deus e lhes dá a força de vencerem as dificuldades, se santificarem e educarem os seus filhos."
Como eu me sinto feliz, por estar a escrever este artigo de homenagem aos pais maravilhosos que me geraram.
Bem hajam!!! Obrigada mãe Amélia e pai Vitalino. Adoro-os.

O BLOG DOS FALCATOS A NU...

Pois é!! agora os Falcatos decidiram ter um blog, e eu entusiamada escrevi logo 3 (três!!!!) artigos.
Que bom poder partilhar convosco episódios dos Falcatos!! somos uma grande família, somos um grandessíssimo número de pais, filhos, primos, primos dos primos, irmãos, famelga em gerale por isso o Blog vai ser um sucesso... agora é só começar a escrever... vamos nessa...

Luzazul

sexta-feira, 5 de outubro de 2007

A MINHA ALUNA QUE DEIXOU A ESCOLA...

A minha aluna que deixou a escola... decidiu mudar, ir para outra terra, para outra escola, convencida que vai encontrar aí a tranquilidade, a paz, o carinho que tanto deseja...
Foi obrigada a crescer... nunca foi criança, nunca foi adolescente... é uma mulher de 15 anos...
Quando era muito pequenina, a mãe conduzia o carro e tiveram "o acidente". A mãe teve morte imediata e ela ficou sozinha...
Entregaram-na aos cuidados dos avós. Depois os avós morrereram e ela viu-se a viver em casa dos outros avós... também esta avó, que tanto carinho lhe dava, começou a ficar doente e morreu... o avô partiu para longe... e a minha aluna ficou mais uma vez sem casa, sem um colo, sem o beijo de boa- noite... um tio decidiu ser o seu tutor... levou-a para sua casa, cheio de boas intenções, pensou que levava uma menina, que conseguiria moldar e educar ao seu jeito... mas, a minha aluna já não era uma menina, era uma "adolescente - mulher" que se sentia muito só, muito triste, muito carente... e o tempo foi passando... os resultados escolares eram muito maus... ela não conseguia concentrar-se nos estudos... a sua cabeça estava demasiado cheia de tudo... das saudades imensas da mãe que tão cedo partira... da vontade de voltar à casa onde tinham morado, do desejo de um colo que a consolasse...
Damos-lhe o essencial para ela viver!... comida, quarto,computador... porque andaria ela tão revoltada, tão triste, tão desmotivada??? - questionava-se o tutor!!!! Se nós lhe damos tudo!!! que mais quer ela???!!!
A minha aluna queria apenas "A MÃE".
A MÃE que partira sem um beijo de despedida, sem a ter visto crescer, a Mãe que vinha em sonhos mexer-lhe nos cabelos, limpar-lhe as lágrimas que teimavam em vir todas as noites, que vinha de mansinho, quando ela já estava quase a pegar no sono, dar-lhe o beijo de boa-noite... "A Mãe" com quem pudesse partilhar os medos, as ansiedades, a descoberta do primeiro amor, as angústia da adolescência, as primeiras borbulhas, as más notas nos testes... A Mãe que a viesse tirar daquela solidão, daquele quarto que a sufocava...
Ofereci-me para lhe dar uma ajuda nos estudos...
Veio ter comigo à Biblioteca... sorriso meigo, olhos tristes... cadernos debaixo do braço...
Vamos começar??
Sabe, professora... hoje faz nove anos que a minha mãe faleceu!
... e de imediato as lágrimas, reprimidas durante todo o dia, saltaram-lhe dos olhos e rolaram-lhe pela face, onde os pontinhos vermelhos e brancos do acne juvenil teimavam em permanecer...
...e não demos matéria...falámos,... falámos e chorámos... e as horas voaram...
Professora, tenho que estar em casa antes das sete da tarde!... - disse-me como a pedir-me desculpa... por ter que ir para casa...
Agora deixou a escola... como estará a minha amiga? Há muito que não sei nada dela!...
Zuzu

sexta-feira, 28 de setembro de 2007

HOMENAGEM AO DR. JOSÉ VARELA

A Feliciana é uma amiga de sempre. Nasceu, cresceu, casou, teve os seus filhos e desde sempre tem vivido em Casa Branca. É uma mulher sensível, meiga e com alma de poeta.
Há cerca de 3 anos, depois de uma conversa comigo, foi buscar o caderno onde escrevia os seus poemas. Fiquei admirada com a quantidade e a qualidade destes poemas; Fiquei admirada com a sua inspiração genuína; com a sua capacidade de encontrar as palavras certas para "aquele" poema.
Aconselhei-a a mostrar aos outros o que escrevia, e então, a partir desse dia, ultrapassou o medo, a vergonha e a timidez e começou a concorrer aos encontros de poetas populares que se realizam aqui no Alentejo e até mais longe. Agora, participa com entusiasmo nos concursos e os seus poemas são sempre muito elogiados.
Ontem, escreveu este poema, que eu não resisto a transcrever aqui:

HOMENAGEM AO DR JOSÉ VARELA


Dum amigo quero falar
Eu precisava escrever
Para poder elogiar
O seu enorme saber
Do Alentejo gostar
E a todos bem querer
De cá partiu em rapaz
E de tudo foi capaz.

Sua viagem percorreu
Estudou p’ra se formar
A esta terra pertenceu
Era seu ninho e seu lar
O seu corpo padeceu
Sofreu, mas sempre a lutar
Pelos amigos respeitado
P’ra família muito amado

Escreveu com imaginação
O livro Aldeia Branca
Aos amigos deu a mão
Não esquecendo a infância
E tinha a sua razão
Aqui sentiu confiança
Hoje a chama se apagou
Mas, seu valor nos deixou.

Casa Branca, 28 de Setembro de 2007
Feliciana Capela Silva

domingo, 23 de setembro de 2007

António Variações

António Variações

Outro dos cantores que mais admiro... conseguiu impor-se perante o público... mesmo depois de ter morrido, ainda hoje é um cantor admirado por muita gente.

Carlos Paião

Carlos Paião

Sem esperar, um amigo enviou-me um e-mail com músicas. Entre muitas delas, encontrei o Carlos Paião, que há muito não ouvia.
Fui ouvir a canção "Cinderela", pois foi sempre uma canção que me emocionou e me agradou ouvir.
Quem lida com adolescentes como eu, reconhece na letra da canção o despertar do amor na adolescência, os primeiros olhares, a descoberta da sexualidade.
Maravilhoso...
Vou trabalhar com os meus alunos esta letra e mostrar-lhes que o que eles agora estão a descobrir, já há muito, muito tempo atrás, todos aqueles que para eles agora são "velhos", , viveram e passaram pelo mesmo: a descoberta do amor...
Zuzu

domingo, 16 de setembro de 2007

CRÓNICA DA ZU

MULHERES DE CORAGEM…

Há quanto tempo, ando para escrever uma crónica! Os dias vão passando… a sensação de culpa vai aumentando… e sem me aperceber… passam os dias... vêm os trimestres… sai o boletim... e a minha crónica não aparece… Sinto-me em falta para com os leitores do Boletim da LPCDR!
Há cerca de 8 dias, recebi um e-mail da Liga, que despoletou em mim o desejo de retomar o meu contacto com os leitores.
No seu e-mail, a Vanda pedia-me para colaborar com a Elsa Frazão, doente de AR, na elaboração da sua dissertação de mestrado sobre “ O doente e a dor crónica, com doença reumática” não será exactamente este o título do projecto, mas anda lá perto! Respondi de imediato à Elsa! de coração aberto… afinal somos um grupo de pessoas, unidas pelo mesmo problema! – as doenças reumáticas crónicas – disse-lhe que me dispunha a colaborar e a participar no seu projecto de mestrado.
Hoje, recebi a resposta da Elsa ao meu e-mail. Ela começa por escrever:
“Cara Zuzu,
Receber o seu e-mail, deixou-me emocionada … e daí alguma dificuldade em responder de imediato.”. Depois fala-me com uma enorme coragem da sua situação, com um enorme entusiasmo sobre o motivo que a levou a fazer o projecto da dissertação de mestrado em doenças reumáticas, com uma consciência grande da necessidade de divulgar o sofrimento dos doentes de doenças reumáticas crónicas…E as suas palavras ( duas folhas A4!) vieram confirmar-me aquilo que há muito eu já sabia! Como é importante e nunca é de mais repeti-lo, enaltecer o/a doente reumático, pois ele/ela é um doente muito especial, pela sua força, pela sua coragem, pela sua determinação, pela sua inteligência , pela coragem em continuar a desempenhar as tarefas que anteriormente ao aparecimento da doença realizava, pela sua coragem em não se deixar abater…
Há muitas doenças reumáticas; entre elas está a Artrite Reumatóide que é duas a três vezes mais frequente nas mulheres do que nos homens!
O doente reumático é um doente especial, muito, muito especial … raramente ( eu tinha escrito “nunca”, mas às vezes a doença é mais forte do que a coragem do doente!) se deixa abater pela doença… raramente deixa que a doença seja mais forte do que a sua vontade… raramente “mostra” a dor física (aguda e persistente ) que está a sentir no momento… frequentemente, enfrenta com uma coragem enorme a necessidade de mais uma operação cirúrgica…aceita, corajosamente, a deformação das articulações das mãos e dos pés…enfim… aceita com coragem, resignação e força de vontade a doença crónica, que vai deixando as suas marcas, nos ombros, nas mãos, nos joelhos, nos pés… ano após ano!
Desde que em 1995, foi diagnosticada, a Artrite Reumatóide à Salomé, eu tenho acompanhado, apesar de viver longe dela, a evolução da doença, a procura incessante de novos tratamentos, o desgaste provocado pela medicação e, sobretudo, vejo e “sinto” o esforço enorme da Salomé, para vencer a doença… sem nunca desistir…
Mas, infelizmente, os sintomas e os sinais fazem-se sentir e notar cada vez mais, na jovem, bonita, elegante e simpática Salomé.
A Salomé tem sofrido tudo isto que o artigo sobre AR, da Reader’s Digest refere: “ As articulações atingidas tornam-se inchadas, vermelhas, quentes, muito dolorosas e incapazes de se mobilizar. Os tecidos à roda da articulação também se podem apresentar inflamados, o que conduzirá ao enfraquecimento dos ligamentos, tendões e músculos dessa região. As articulações dos dedos das mãos são as que mais frequentemente se encontram envolvidas, do que resulta uma diminuição da faculdade de preensão. Também é vulgar o inchaço do punho e a síndroma do canal cárpico (formigueiro e dores nos dedos causados pela compressão do nervo mediano). A tenossinovite (inflamação muito dolorosa da bainha dos tendões) pode revelar-se no punho e os dedos ficarem brancos quando expostos ao frio, fenómeno chamado doença de Raynaud. O envolvimento dos pés provoca dores nos dedos, tornozelos e arcos plantares. Em alguns casos, aparecem nódulos moles situados debaixo da pele que recobre certas superfícies ósseas; noutras, manifesta-se uma bursite, ou seja a inflamação de um saco contendo líquido situado nas proximidades de uma articulação. Quando o joelho está atingido, pode surgir atrás dele uma tumefacção contendo líquido, conhecida por quisto de Baker. Muitos doentes sentem-se fatigados em resultado da anemia que acompanha vulgarmente esta doença. É habitual a debilidade de movimentos durante a manhã, podendo os doentes precisarem até de ajuda para saírem da cama e se vestirem. “

Apesar de tudo isto, a Salomé não desiste… neste momento está a fazer a sua tese de doutoramento. E com ela, corajosas, fortes e persistentes a enfrentar a doença estão a Sandra, a Elsa, a Glória, a Mariana, a Fernanda, a Dulce, a … , a …, a …, a …. jovens mulheres que diariamente convivem com a doença reumática crónica e com a Artrite Reumatóide e que são um exemplo de coragem, de aceitação da doença, de perseverança para todos nós, que com elas, diariamente, convivemos.


Casa Branca, 9 de Setembro de 2007

Até breve
A amiga Zu