"Casamento é um compromisso voluntário de amor, paixão, de cuidados a ter um com o outro, de respeito pelos sonhos e vontades de cada um, casamento é o compromisso de respeitar o espaço um do outro, de respeito sexual, respeito financeiro.Desse casamento sai uma família que gerará: Filhos, netos…"
No dia 13 de Outubro de 2007, os meus pais fazem 60 anos de casados.
A Amélia tinha 20 anos e o Vitalino tinha 25 anos e na Igreja Matriz de Casa Branca disseram:
" Vitalino, eu te recebo por meu marido e prometo amar-te e ser-te fiel durante toda a minha vida e em todas as circunstâncias... "
"Amélia, eu te recebo por mulher e prometo amar-te e ser-te fiel durante toda a minha vida e em todas as circunstãncias..."
Hoje, a minha mãe com 80 anos e o meu pai com 85 anos continuam apaixonados um pelo outro.
Posso dizer sem errar que estão ainda mais apaixonados do que quando se casaram!... nestes 60 anos de vida em comum, cimentaram uma relação de amor, compreensão, respeito, cumplicidade e tolerância que não é fácil encontrar entre casais.
Nunca ouvi a minha mãe criticar ou recriminar o meu pai... bem pelo contrário... com aquele seu sorriso meigo e lindo que tem, sempre a vi "desculpar" e "aceitar" algumas das ideias mirabolantes do meu pai. Para ela, "as asneiras" originadas pela impulsividade, pelo espírito de negócio, pelo imaginação do meu pai, são apenas "pequenos devaneios" do meu pai... e ela sempre a procurar desculpá-lo... sempre a procurar encontrar a palavra certa, suave, meiga e ternurenta para justificar mais uma "ideia" do Vitalino!...
Olho-os... e recordo a infância feliz que nos proporcionaram, a mim e ao meu irmão.
Na nossa casa não havia uma discussão... nunca ouvi uma palavra desagradável... nunca os vi zangados!
Da boca da minha mãe e da boca do meu pai saíam, só e apenas, palavras de carinho, de aceitação, de amor, de ternura...
Ainda hoje, quando a minha mãe fica um pouco enervada com alguma coisa ( pequena coisa!) que o meu pai faça, ela fica refilona... depois como vê que ele se cala ou lhe diz: "Olha o que para aí vai por uma coisa de nada!!" , a minha mãe cai em si, reflecte e vê que não tem razão... então vai ao pé dele, com um sorriso de orelha a orelha, faz-lhe uma festa na face, dá-lhe um beijo e pede-lhe desculpa por estar a ser "chata"! Diz: - "Desculpa-me, Vitalino, eu às vezes sou chata, sem razão!" e tudo fica sanado. E o bom ambiente e a boa disposição continuam...
Nunca vi, nestes 60 anos de casados, os meus pais ficarem zangados mais do que cinco minutos ( cinco minutos é muito! talvez 2 ou 3 minutos!!), nunca os vi carrancudos, sérios, sem falarem um para o outro... nunca!! e isto não é ficção!!! é a pura das verdades!!!...
Quando eu era criança, passámos bons, óptimos momentos... episódios maravilhosos que nunca esquecerei... os meus pais sempre foram duas pessoas muito bem dispostas, sempre gostaram de passear, sempre gostaram de conviver, sempre procuraram porprocionar-nos prazer, alegria e bem estar. E assim, depois de dias e dias de trabalho árduo na loja, com a matança dos porcos, com a ida ao Porto ou a Lisboa a levar carradas de carvão e palha , apesar de cansados e extenuados, ainda tinham "coragem" para nos levar à praia da Figueirinha, em Setúbal, onde passávamos o Domingo, os quatro em alegre convívio.
Levávamos o "farnel" que a minha mãe cozinhava na véspera ou de madrugada e o Domingo era passado, inteirinho, na praia. Desde manhã até à noitinha, ficávamos na praia. À sombra da barraca que alugávamos e onde o meu pai dormia grandes sestas. A minha mãe fazia renda. Eu e o meu irmão andávamos o dia inteiro dentro e fora de água... brincávamos, nadávamos, comíamos, sempre descontraídos, alegres e sem discussões... não havia discussões entre nós!... Sempre nos ensinaram a "conversar" para resolver os pequenos conflitos que surgiam... e assim continua a ser...
São um exemplo a seguir... quanto orgulho eu sinto por isso! as minhas primas, a família mais próxima são testemunhas do que eu acabo de escrever... o meu pai e a minha mãe durante estes 60 anos formaram um elo inquebrável! souberam manter os votos que fizeram ao padre naquele dia de 13 de Outubro de 1947 : " Eu... prometo
A minha mãe, frequentemente, diz, muito orgulhosa: " Nunca me deitei zangada com o meu marido, nem ele comigo!!!!"
O compromisso por eles assumido foi sempre respeitado, porque: "O Sacramento do Matrimônio é um vínculo ou laço indissolúvel que une os cônjuges diante de Deus e da comunidade; é uma graça especial que torna a vida de amor entre os esposos e seus filhos um acto de culto a Deus e lhes dá a força de vencerem as dificuldades, se santificarem e educarem os seus filhos."
Como eu me sinto feliz, por estar a escrever este artigo de homenagem aos pais maravilhosos que me geraram.
Bem hajam!!! Obrigada mãe Amélia e pai Vitalino. Adoro-os.
quarta-feira, 10 de outubro de 2007
O BLOG DOS FALCATOS A NU...
Pois é!! agora os Falcatos decidiram ter um blog, e eu entusiamada escrevi logo 3 (três!!!!) artigos.
Que bom poder partilhar convosco episódios dos Falcatos!! somos uma grande família, somos um grandessíssimo número de pais, filhos, primos, primos dos primos, irmãos, famelga em gerale por isso o Blog vai ser um sucesso... agora é só começar a escrever... vamos nessa...
Luzazul
Que bom poder partilhar convosco episódios dos Falcatos!! somos uma grande família, somos um grandessíssimo número de pais, filhos, primos, primos dos primos, irmãos, famelga em gerale por isso o Blog vai ser um sucesso... agora é só começar a escrever... vamos nessa...
Luzazul
sexta-feira, 5 de outubro de 2007
A MINHA ALUNA QUE DEIXOU A ESCOLA...
A minha aluna que deixou a escola... decidiu mudar, ir para outra terra, para outra escola, convencida que vai encontrar aí a tranquilidade, a paz, o carinho que tanto deseja...
Foi obrigada a crescer... nunca foi criança, nunca foi adolescente... é uma mulher de 15 anos...
Quando era muito pequenina, a mãe conduzia o carro e tiveram "o acidente". A mãe teve morte imediata e ela ficou sozinha...
Entregaram-na aos cuidados dos avós. Depois os avós morrereram e ela viu-se a viver em casa dos outros avós... também esta avó, que tanto carinho lhe dava, começou a ficar doente e morreu... o avô partiu para longe... e a minha aluna ficou mais uma vez sem casa, sem um colo, sem o beijo de boa- noite... um tio decidiu ser o seu tutor... levou-a para sua casa, cheio de boas intenções, pensou que levava uma menina, que conseguiria moldar e educar ao seu jeito... mas, a minha aluna já não era uma menina, era uma "adolescente - mulher" que se sentia muito só, muito triste, muito carente... e o tempo foi passando... os resultados escolares eram muito maus... ela não conseguia concentrar-se nos estudos... a sua cabeça estava demasiado cheia de tudo... das saudades imensas da mãe que tão cedo partira... da vontade de voltar à casa onde tinham morado, do desejo de um colo que a consolasse...
Damos-lhe o essencial para ela viver!... comida, quarto,computador... porque andaria ela tão revoltada, tão triste, tão desmotivada??? - questionava-se o tutor!!!! Se nós lhe damos tudo!!! que mais quer ela???!!!
A minha aluna queria apenas "A MÃE".
A MÃE que partira sem um beijo de despedida, sem a ter visto crescer, a Mãe que vinha em sonhos mexer-lhe nos cabelos, limpar-lhe as lágrimas que teimavam em vir todas as noites, que vinha de mansinho, quando ela já estava quase a pegar no sono, dar-lhe o beijo de boa-noite... "A Mãe" com quem pudesse partilhar os medos, as ansiedades, a descoberta do primeiro amor, as angústia da adolescência, as primeiras borbulhas, as más notas nos testes... A Mãe que a viesse tirar daquela solidão, daquele quarto que a sufocava...
Ofereci-me para lhe dar uma ajuda nos estudos...
Veio ter comigo à Biblioteca... sorriso meigo, olhos tristes... cadernos debaixo do braço...
Vamos começar??
Sabe, professora... hoje faz nove anos que a minha mãe faleceu!... e de imediato as lágrimas, reprimidas durante todo o dia, saltaram-lhe dos olhos e rolaram-lhe pela face, onde os pontinhos vermelhos e brancos do acne juvenil teimavam em permanecer...
...e não demos matéria...falámos,... falámos e chorámos... e as horas voaram...
Professora, tenho que estar em casa antes das sete da tarde!... - disse-me como a pedir-me desculpa... por ter que ir para casa...
Agora deixou a escola... como estará a minha amiga? Há muito que não sei nada dela!...
Zuzu
Foi obrigada a crescer... nunca foi criança, nunca foi adolescente... é uma mulher de 15 anos...
Quando era muito pequenina, a mãe conduzia o carro e tiveram "o acidente". A mãe teve morte imediata e ela ficou sozinha...
Entregaram-na aos cuidados dos avós. Depois os avós morrereram e ela viu-se a viver em casa dos outros avós... também esta avó, que tanto carinho lhe dava, começou a ficar doente e morreu... o avô partiu para longe... e a minha aluna ficou mais uma vez sem casa, sem um colo, sem o beijo de boa- noite... um tio decidiu ser o seu tutor... levou-a para sua casa, cheio de boas intenções, pensou que levava uma menina, que conseguiria moldar e educar ao seu jeito... mas, a minha aluna já não era uma menina, era uma "adolescente - mulher" que se sentia muito só, muito triste, muito carente... e o tempo foi passando... os resultados escolares eram muito maus... ela não conseguia concentrar-se nos estudos... a sua cabeça estava demasiado cheia de tudo... das saudades imensas da mãe que tão cedo partira... da vontade de voltar à casa onde tinham morado, do desejo de um colo que a consolasse...
Damos-lhe o essencial para ela viver!... comida, quarto,computador... porque andaria ela tão revoltada, tão triste, tão desmotivada??? - questionava-se o tutor!!!! Se nós lhe damos tudo!!! que mais quer ela???!!!
A minha aluna queria apenas "A MÃE".
A MÃE que partira sem um beijo de despedida, sem a ter visto crescer, a Mãe que vinha em sonhos mexer-lhe nos cabelos, limpar-lhe as lágrimas que teimavam em vir todas as noites, que vinha de mansinho, quando ela já estava quase a pegar no sono, dar-lhe o beijo de boa-noite... "A Mãe" com quem pudesse partilhar os medos, as ansiedades, a descoberta do primeiro amor, as angústia da adolescência, as primeiras borbulhas, as más notas nos testes... A Mãe que a viesse tirar daquela solidão, daquele quarto que a sufocava...
Ofereci-me para lhe dar uma ajuda nos estudos...
Veio ter comigo à Biblioteca... sorriso meigo, olhos tristes... cadernos debaixo do braço...
Vamos começar??
Sabe, professora... hoje faz nove anos que a minha mãe faleceu!... e de imediato as lágrimas, reprimidas durante todo o dia, saltaram-lhe dos olhos e rolaram-lhe pela face, onde os pontinhos vermelhos e brancos do acne juvenil teimavam em permanecer...
...e não demos matéria...falámos,... falámos e chorámos... e as horas voaram...
Professora, tenho que estar em casa antes das sete da tarde!... - disse-me como a pedir-me desculpa... por ter que ir para casa...
Agora deixou a escola... como estará a minha amiga? Há muito que não sei nada dela!...
Zuzu
sexta-feira, 28 de setembro de 2007
HOMENAGEM AO DR. JOSÉ VARELA
A Feliciana é uma amiga de sempre. Nasceu, cresceu, casou, teve os seus filhos e desde sempre tem vivido em Casa Branca. É uma mulher sensível, meiga e com alma de poeta.
Há cerca de 3 anos, depois de uma conversa comigo, foi buscar o caderno onde escrevia os seus poemas. Fiquei admirada com a quantidade e a qualidade destes poemas; Fiquei admirada com a sua inspiração genuína; com a sua capacidade de encontrar as palavras certas para "aquele" poema.
Aconselhei-a a mostrar aos outros o que escrevia, e então, a partir desse dia, ultrapassou o medo, a vergonha e a timidez e começou a concorrer aos encontros de poetas populares que se realizam aqui no Alentejo e até mais longe. Agora, participa com entusiasmo nos concursos e os seus poemas são sempre muito elogiados.
Ontem, escreveu este poema, que eu não resisto a transcrever aqui:
HOMENAGEM AO DR JOSÉ VARELA
Dum amigo quero falar
Eu precisava escrever
Para poder elogiar
O seu enorme saber
Do Alentejo gostar
E a todos bem querer
De cá partiu em rapaz
E de tudo foi capaz.
Sua viagem percorreu
Estudou p’ra se formar
A esta terra pertenceu
Era seu ninho e seu lar
O seu corpo padeceu
Sofreu, mas sempre a lutar
Pelos amigos respeitado
P’ra família muito amado
Escreveu com imaginação
O livro Aldeia Branca
Aos amigos deu a mão
Não esquecendo a infância
E tinha a sua razão
Aqui sentiu confiança
Hoje a chama se apagou
Mas, seu valor nos deixou.
Casa Branca, 28 de Setembro de 2007
Feliciana Capela Silva
Há cerca de 3 anos, depois de uma conversa comigo, foi buscar o caderno onde escrevia os seus poemas. Fiquei admirada com a quantidade e a qualidade destes poemas; Fiquei admirada com a sua inspiração genuína; com a sua capacidade de encontrar as palavras certas para "aquele" poema.
Aconselhei-a a mostrar aos outros o que escrevia, e então, a partir desse dia, ultrapassou o medo, a vergonha e a timidez e começou a concorrer aos encontros de poetas populares que se realizam aqui no Alentejo e até mais longe. Agora, participa com entusiasmo nos concursos e os seus poemas são sempre muito elogiados.
Ontem, escreveu este poema, que eu não resisto a transcrever aqui:
HOMENAGEM AO DR JOSÉ VARELA

Dum amigo quero falar
Eu precisava escrever
Para poder elogiar
O seu enorme saber
Do Alentejo gostar
E a todos bem querer
De cá partiu em rapaz
E de tudo foi capaz.
Sua viagem percorreu
Estudou p’ra se formar
A esta terra pertenceu
Era seu ninho e seu lar
O seu corpo padeceu
Sofreu, mas sempre a lutar
Pelos amigos respeitado
P’ra família muito amado
Escreveu com imaginação
O livro Aldeia Branca
Aos amigos deu a mão
Não esquecendo a infância
E tinha a sua razão
Aqui sentiu confiança
Hoje a chama se apagou
Mas, seu valor nos deixou.
Casa Branca, 28 de Setembro de 2007
Feliciana Capela Silva
domingo, 23 de setembro de 2007
António Variações
António Variações
Outro dos cantores que mais admiro... conseguiu impor-se perante o público... mesmo depois de ter morrido, ainda hoje é um cantor admirado por muita gente.
Outro dos cantores que mais admiro... conseguiu impor-se perante o público... mesmo depois de ter morrido, ainda hoje é um cantor admirado por muita gente.
Carlos Paião
Carlos Paião
Sem esperar, um amigo enviou-me um e-mail com músicas. Entre muitas delas, encontrei o Carlos Paião, que há muito não ouvia.
Fui ouvir a canção "Cinderela", pois foi sempre uma canção que me emocionou e me agradou ouvir.
Quem lida com adolescentes como eu, reconhece na letra da canção o despertar do amor na adolescência, os primeiros olhares, a descoberta da sexualidade.
Maravilhoso...
Vou trabalhar com os meus alunos esta letra e mostrar-lhes que o que eles agora estão a descobrir, já há muito, muito tempo atrás, todos aqueles que para eles agora são "velhos", , viveram e passaram pelo mesmo: a descoberta do amor...
Zuzu
Sem esperar, um amigo enviou-me um e-mail com músicas. Entre muitas delas, encontrei o Carlos Paião, que há muito não ouvia.
Fui ouvir a canção "Cinderela", pois foi sempre uma canção que me emocionou e me agradou ouvir.
Quem lida com adolescentes como eu, reconhece na letra da canção o despertar do amor na adolescência, os primeiros olhares, a descoberta da sexualidade.
Maravilhoso...
Vou trabalhar com os meus alunos esta letra e mostrar-lhes que o que eles agora estão a descobrir, já há muito, muito tempo atrás, todos aqueles que para eles agora são "velhos", , viveram e passaram pelo mesmo: a descoberta do amor...
Zuzu
domingo, 16 de setembro de 2007
CRÓNICA DA ZU
MULHERES DE CORAGEM…
Há quanto tempo, ando para escrever uma crónica! Os dias vão passando… a sensação de culpa vai aumentando… e sem me aperceber… passam os dias... vêm os trimestres… sai o boletim... e a minha crónica não aparece… Sinto-me em falta para com os leitores do Boletim da LPCDR!
Há cerca de 8 dias, recebi um e-mail da Liga, que despoletou em mim o desejo de retomar o meu contacto com os leitores.
No seu e-mail, a Vanda pedia-me para colaborar com a Elsa Frazão, doente de AR, na elaboração da sua dissertação de mestrado sobre “ O doente e a dor crónica, com doença reumática” não será exactamente este o título do projecto, mas anda lá perto! Respondi de imediato à Elsa! de coração aberto… afinal somos um grupo de pessoas, unidas pelo mesmo problema! – as doenças reumáticas crónicas – disse-lhe que me dispunha a colaborar e a participar no seu projecto de mestrado.
Hoje, recebi a resposta da Elsa ao meu e-mail. Ela começa por escrever:
“Cara Zuzu,
Receber o seu e-mail, deixou-me emocionada … e daí alguma dificuldade em responder de imediato.”. Depois fala-me com uma enorme coragem da sua situação, com um enorme entusiasmo sobre o motivo que a levou a fazer o projecto da dissertação de mestrado em doenças reumáticas, com uma consciência grande da necessidade de divulgar o sofrimento dos doentes de doenças reumáticas crónicas…E as suas palavras ( duas folhas A4!) vieram confirmar-me aquilo que há muito eu já sabia! Como é importante e nunca é de mais repeti-lo, enaltecer o/a doente reumático, pois ele/ela é um doente muito especial, pela sua força, pela sua coragem, pela sua determinação, pela sua inteligência , pela coragem em continuar a desempenhar as tarefas que anteriormente ao aparecimento da doença realizava, pela sua coragem em não se deixar abater…
Há muitas doenças reumáticas; entre elas está a Artrite Reumatóide que é duas a três vezes mais frequente nas mulheres do que nos homens!
O doente reumático é um doente especial, muito, muito especial … raramente ( eu tinha escrito “nunca”, mas às vezes a doença é mais forte do que a coragem do doente!) se deixa abater pela doença… raramente deixa que a doença seja mais forte do que a sua vontade… raramente “mostra” a dor física (aguda e persistente ) que está a sentir no momento… frequentemente, enfrenta com uma coragem enorme a necessidade de mais uma operação cirúrgica…aceita, corajosamente, a deformação das articulações das mãos e dos pés…enfim… aceita com coragem, resignação e força de vontade a doença crónica, que vai deixando as suas marcas, nos ombros, nas mãos, nos joelhos, nos pés… ano após ano!
Desde que em 1995, foi diagnosticada, a Artrite Reumatóide à Salomé, eu tenho acompanhado, apesar de viver longe dela, a evolução da doença, a procura incessante de novos tratamentos, o desgaste provocado pela medicação e, sobretudo, vejo e “sinto” o esforço enorme da Salomé, para vencer a doença… sem nunca desistir…
Mas, infelizmente, os sintomas e os sinais fazem-se sentir e notar cada vez mais, na jovem, bonita, elegante e simpática Salomé.
A Salomé tem sofrido tudo isto que o artigo sobre AR, da Reader’s Digest refere: “ As articulações atingidas tornam-se inchadas, vermelhas, quentes, muito dolorosas e incapazes de se mobilizar. Os tecidos à roda da articulação também se podem apresentar inflamados, o que conduzirá ao enfraquecimento dos ligamentos, tendões e músculos dessa região. As articulações dos dedos das mãos são as que mais frequentemente se encontram envolvidas, do que resulta uma diminuição da faculdade de preensão. Também é vulgar o inchaço do punho e a síndroma do canal cárpico (formigueiro e dores nos dedos causados pela compressão do nervo mediano). A tenossinovite (inflamação muito dolorosa da bainha dos tendões) pode revelar-se no punho e os dedos ficarem brancos quando expostos ao frio, fenómeno chamado doença de Raynaud. O envolvimento dos pés provoca dores nos dedos, tornozelos e arcos plantares. Em alguns casos, aparecem nódulos moles situados debaixo da pele que recobre certas superfícies ósseas; noutras, manifesta-se uma bursite, ou seja a inflamação de um saco contendo líquido situado nas proximidades de uma articulação. Quando o joelho está atingido, pode surgir atrás dele uma tumefacção contendo líquido, conhecida por quisto de Baker. Muitos doentes sentem-se fatigados em resultado da anemia que acompanha vulgarmente esta doença. É habitual a debilidade de movimentos durante a manhã, podendo os doentes precisarem até de ajuda para saírem da cama e se vestirem. “
Apesar de tudo isto, a Salomé não desiste… neste momento está a fazer a sua tese de doutoramento. E com ela, corajosas, fortes e persistentes a enfrentar a doença estão a Sandra, a Elsa, a Glória, a Mariana, a Fernanda, a Dulce, a … , a …, a …, a …. jovens mulheres que diariamente convivem com a doença reumática crónica e com a Artrite Reumatóide e que são um exemplo de coragem, de aceitação da doença, de perseverança para todos nós, que com elas, diariamente, convivemos.
Casa Branca, 9 de Setembro de 2007
Até breve
A amiga Zu
Há quanto tempo, ando para escrever uma crónica! Os dias vão passando… a sensação de culpa vai aumentando… e sem me aperceber… passam os dias... vêm os trimestres… sai o boletim... e a minha crónica não aparece… Sinto-me em falta para com os leitores do Boletim da LPCDR!
Há cerca de 8 dias, recebi um e-mail da Liga, que despoletou em mim o desejo de retomar o meu contacto com os leitores.
No seu e-mail, a Vanda pedia-me para colaborar com a Elsa Frazão, doente de AR, na elaboração da sua dissertação de mestrado sobre “ O doente e a dor crónica, com doença reumática” não será exactamente este o título do projecto, mas anda lá perto! Respondi de imediato à Elsa! de coração aberto… afinal somos um grupo de pessoas, unidas pelo mesmo problema! – as doenças reumáticas crónicas – disse-lhe que me dispunha a colaborar e a participar no seu projecto de mestrado.
Hoje, recebi a resposta da Elsa ao meu e-mail. Ela começa por escrever:
“Cara Zuzu,
Receber o seu e-mail, deixou-me emocionada … e daí alguma dificuldade em responder de imediato.”. Depois fala-me com uma enorme coragem da sua situação, com um enorme entusiasmo sobre o motivo que a levou a fazer o projecto da dissertação de mestrado em doenças reumáticas, com uma consciência grande da necessidade de divulgar o sofrimento dos doentes de doenças reumáticas crónicas…E as suas palavras ( duas folhas A4!) vieram confirmar-me aquilo que há muito eu já sabia! Como é importante e nunca é de mais repeti-lo, enaltecer o/a doente reumático, pois ele/ela é um doente muito especial, pela sua força, pela sua coragem, pela sua determinação, pela sua inteligência , pela coragem em continuar a desempenhar as tarefas que anteriormente ao aparecimento da doença realizava, pela sua coragem em não se deixar abater…
Há muitas doenças reumáticas; entre elas está a Artrite Reumatóide que é duas a três vezes mais frequente nas mulheres do que nos homens!
O doente reumático é um doente especial, muito, muito especial … raramente ( eu tinha escrito “nunca”, mas às vezes a doença é mais forte do que a coragem do doente!) se deixa abater pela doença… raramente deixa que a doença seja mais forte do que a sua vontade… raramente “mostra” a dor física (aguda e persistente ) que está a sentir no momento… frequentemente, enfrenta com uma coragem enorme a necessidade de mais uma operação cirúrgica…aceita, corajosamente, a deformação das articulações das mãos e dos pés…enfim… aceita com coragem, resignação e força de vontade a doença crónica, que vai deixando as suas marcas, nos ombros, nas mãos, nos joelhos, nos pés… ano após ano!
Desde que em 1995, foi diagnosticada, a Artrite Reumatóide à Salomé, eu tenho acompanhado, apesar de viver longe dela, a evolução da doença, a procura incessante de novos tratamentos, o desgaste provocado pela medicação e, sobretudo, vejo e “sinto” o esforço enorme da Salomé, para vencer a doença… sem nunca desistir…
Mas, infelizmente, os sintomas e os sinais fazem-se sentir e notar cada vez mais, na jovem, bonita, elegante e simpática Salomé.
A Salomé tem sofrido tudo isto que o artigo sobre AR, da Reader’s Digest refere: “ As articulações atingidas tornam-se inchadas, vermelhas, quentes, muito dolorosas e incapazes de se mobilizar. Os tecidos à roda da articulação também se podem apresentar inflamados, o que conduzirá ao enfraquecimento dos ligamentos, tendões e músculos dessa região. As articulações dos dedos das mãos são as que mais frequentemente se encontram envolvidas, do que resulta uma diminuição da faculdade de preensão. Também é vulgar o inchaço do punho e a síndroma do canal cárpico (formigueiro e dores nos dedos causados pela compressão do nervo mediano). A tenossinovite (inflamação muito dolorosa da bainha dos tendões) pode revelar-se no punho e os dedos ficarem brancos quando expostos ao frio, fenómeno chamado doença de Raynaud. O envolvimento dos pés provoca dores nos dedos, tornozelos e arcos plantares. Em alguns casos, aparecem nódulos moles situados debaixo da pele que recobre certas superfícies ósseas; noutras, manifesta-se uma bursite, ou seja a inflamação de um saco contendo líquido situado nas proximidades de uma articulação. Quando o joelho está atingido, pode surgir atrás dele uma tumefacção contendo líquido, conhecida por quisto de Baker. Muitos doentes sentem-se fatigados em resultado da anemia que acompanha vulgarmente esta doença. É habitual a debilidade de movimentos durante a manhã, podendo os doentes precisarem até de ajuda para saírem da cama e se vestirem. “
Apesar de tudo isto, a Salomé não desiste… neste momento está a fazer a sua tese de doutoramento. E com ela, corajosas, fortes e persistentes a enfrentar a doença estão a Sandra, a Elsa, a Glória, a Mariana, a Fernanda, a Dulce, a … , a …, a …, a …. jovens mulheres que diariamente convivem com a doença reumática crónica e com a Artrite Reumatóide e que são um exemplo de coragem, de aceitação da doença, de perseverança para todos nós, que com elas, diariamente, convivemos.
Casa Branca, 9 de Setembro de 2007
Até breve
A amiga Zu
HOJE OS SINOS DOBRAM...
Hoje os sinos dobram…Hoje os sinos dobram em Casa Branca.
Em Casa Branca, os sinos da Igreja Matriz choram… choram um dos seus filhos que mais a amava.
Como o tio amava a sua Casa Branca!…
A aldeia das casas branquinhas; as pessoas com quem sempre conviveu na infância, na adolescência e em adulto, sempre tiveram um lugar muito especial no seu coração.
A sua paixão pelas coisas da aldeia, o seu apego às tradições, alimentaram a sua inspiração de artista… assim surgiram os contos, surgiram as poesias, surgiram as crónicas e agora mais tarde, os quadros a óleo, onde o branco da cal, os verdes dos campos, os vermelhos das papoilas, os amarelos dos malmequeres aparecem em todo o seu esplendor.
A luta constante pela perfeição, o seu perfeccionismo inato, o desejo permanente de fazer sempre bem e melhor, fizeram que as obras que nos deixa, não fossem em maior número … era um eterno insatisfeito, era um constante desafiador do fazer sempre bem e melhor.
Tudo que o tio escrevia, pintava, para mim estava bom, mesmo perfeito, e eu dizia-lhe: “Tio isso está lindo! esses versos estão belíssimos… esse quadro está muito bonito… as cores estão muito bem conjugadas!…” e o tio sempre exigente consigo, olhava e o seus expressivos olhos azuis mostravam uma certa incredulidade… e dizia-me que tinha que dar um retoque aqui, um retoque ali… como o artista verdadeiro para quem a obra nunca está acabada, pronta… nunca estava tão bem como o tio a idealizava…
Hoje, os sinos choram em Casa Branca… pelo meu tio Zé, aquele meu tio meigo, atencioso, que tinha sempre uma história para contar, que me ofereceu os meus primeiros livros, que me ensinou a ver o mundo com os olhos das pessoas despertas e sensíveis para as cores da natureza, para os cheiros do campo e do mar, para as coisas belas e insignificantes…A si, lhe devo a minha sensibilidade para as artes, para a música, para a pintura, para o teatro, para a leitura, para conversar e trocar ideias com as pessoas …
Hoje os sinos dobram em Casa Branca… porque nos estamos a despedir do Homem, com H grande, do cidadão íntegro, do democrata, do trabalhador, do lutador e do apaixonado por tudo e por todos…
Casa Branca, 27 de Março de 2007
Em Casa Branca, os sinos da Igreja Matriz choram… choram um dos seus filhos que mais a amava.
Como o tio amava a sua Casa Branca!…
A aldeia das casas branquinhas; as pessoas com quem sempre conviveu na infância, na adolescência e em adulto, sempre tiveram um lugar muito especial no seu coração.
A sua paixão pelas coisas da aldeia, o seu apego às tradições, alimentaram a sua inspiração de artista… assim surgiram os contos, surgiram as poesias, surgiram as crónicas e agora mais tarde, os quadros a óleo, onde o branco da cal, os verdes dos campos, os vermelhos das papoilas, os amarelos dos malmequeres aparecem em todo o seu esplendor.
A luta constante pela perfeição, o seu perfeccionismo inato, o desejo permanente de fazer sempre bem e melhor, fizeram que as obras que nos deixa, não fossem em maior número … era um eterno insatisfeito, era um constante desafiador do fazer sempre bem e melhor.
Tudo que o tio escrevia, pintava, para mim estava bom, mesmo perfeito, e eu dizia-lhe: “Tio isso está lindo! esses versos estão belíssimos… esse quadro está muito bonito… as cores estão muito bem conjugadas!…” e o tio sempre exigente consigo, olhava e o seus expressivos olhos azuis mostravam uma certa incredulidade… e dizia-me que tinha que dar um retoque aqui, um retoque ali… como o artista verdadeiro para quem a obra nunca está acabada, pronta… nunca estava tão bem como o tio a idealizava…
Hoje, os sinos choram em Casa Branca… pelo meu tio Zé, aquele meu tio meigo, atencioso, que tinha sempre uma história para contar, que me ofereceu os meus primeiros livros, que me ensinou a ver o mundo com os olhos das pessoas despertas e sensíveis para as cores da natureza, para os cheiros do campo e do mar, para as coisas belas e insignificantes…A si, lhe devo a minha sensibilidade para as artes, para a música, para a pintura, para o teatro, para a leitura, para conversar e trocar ideias com as pessoas …
Hoje os sinos dobram em Casa Branca… porque nos estamos a despedir do Homem, com H grande, do cidadão íntegro, do democrata, do trabalhador, do lutador e do apaixonado por tudo e por todos…
Casa Branca, 27 de Março de 2007
HOMENAGEM A JOSÉ FALCATO VARELA
HOMENAGEM A JOSÉ FALCATO VARELA
Na sua casa de Lisboa, faleceu no dia 27 de Março de 2007, José Falcato Varela, com 75 anos de idade, após alguns anos de doença.
Grande apaixonado e amante do Alentejo e com tudo o que se lhe relacionasse, sempre dedicou os seus tempos livres à fotografia, à escrita, às viagens pelas aldeias e cidades, aos passeios pelos campos verdejantes e às pessoas do seu Alentejo.
Saiu, com 18 anos, de Casa Branca, aldeia onde nasceu e viveu a sua infância, e foi trabalhar como empregado de escritório, em Estremoz.
Em 1960, casou com Maria Emília Fragoso Chouriço, natural de Estremoz ; o casal foi viver para o Bairro de Santo António, que na altura, começava a tomar forma, na periferia da cidade. Aí constituíram família e nasceram os filhos.
Em Estremoz, começou a conviver com a elite intelectual da cidade e aí, continuou os seus estudos, desenvolveu e aperfeiçoou o seu gosto pelo cinema, pela fotografia, pela leitura e pela escrita; era um frequentador assíduo e apaixonado das actividades lúdicas e criativas que se realizavam na pacata cidade de Estremoz. Iniciou a publicação dos seus artigos, crónicas, contos e poesia, nos Brados do Alentejo, no Almanaque Alentejano e noutros jornais regionais.
Este eterno apaixonado, pelas tradições, usos e costumes do Alentejo, pela gastronomia alentejana, pelo convívio e conversa entre amigos, com quem, tanto podia trocar opiniões sobre um livro, como falar das festas anuais da aldeia, como falar da família, era um bom ouvinte e um grande conversador.
No início dos anos 70, devido ao fecho da empresa onde sempre trabalhara, decidiu procurar emprego em Lisboa, e mudou-se para a capital com a família.
Empregou-se como chefe de escritório, e ao mesmo tempo, continuou os seus estudos, ingressando na universidade como trabalhador-estudante; nos anos 80, depois de muito trabalho, muito estudo e muita luta, licenciou-se em Gestão e Administração de Empresas.
Em paralelo com toda a sua actividade profissional e de estudante, continuou a escrever e a publicar os seus escritos, crónicas, contos e poesia em jornais e revistas. Finalmente, publicou o seu livro de contos Aldeia Branca; quem lê os seus contos não pode ficar indiferente, à paixão, à autenticidade narrada da vida das gentes da aldeia, ao realismo expresso e sempre presente em cada palavra, em cada frase, que o autor consegue transmitir.
Os anos passaram, as filhas cresceram, tiraram os seus cursos superiores, casaram, nasceram os netos, que eram a sua maior alegria e orgulho.
Com o seu curso de Gestão e Administração de Empresas passou por vários empregos; o último, foi o de Chefe de Serviços, na Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, onde trabalhou e de onde saiu para se reformar.
Infelizmente, não gozou a sua merecida reforma como ele idealizava; sobreveio a doença e o sofrimento físico obrigava-o a abrandar e a ficar cada vez mais em casa. Ano após ano, a sua crescente debilidade física acentuava-se. Mentalmente e psicologicamente manteve-se sempre o mesmo indivíduo lúcido, curioso e interessado, até ao fim dos seus dias.
Manteve o contacto estreito com os amigos e a família, que ele sempre colocava em primeiro plano. Manteve o seu interesse por tudo o que se relacionava com a cultura, com a leitura, com a escrita dos seus textos, com o cinema, com o quotidiano de Portugal. Nestes últimos tempos, recomeçou a pintura a óleo, que já tinha experimentado em adolescente e que nunca mais praticara. Aí, José Falcato Varela revelou, mais uma vez, através dos temas escolhidos, das cores e da técnica muito própria, toda a sua verdadeira alma, a sua sensibilidade e a sua criatividade de artista.
Por tudo o que atrás foi dito, os amigos de José Falcato Varela decidiram juntar-se e prestar-lhe uma derradeira homenagem.
No dia 29 de Setembro de 2007, pelas 16 horas, será descerrada uma lápide, na parede da sua casa, na Rua Conde de Valença, nº 32, onde este homem nasceu, cresceu e viveu.
Convidamos todos aqueles, que o conheceram e que com ele conviveram, a estarem presentes, nesta simples cerimónia.
Texto publicado nos Brados do Alentejo e no Notícias de Sousel
Maria Zulmira Varela Baleiro
Na sua casa de Lisboa, faleceu no dia 27 de Março de 2007, José Falcato Varela, com 75 anos de idade, após alguns anos de doença.
Grande apaixonado e amante do Alentejo e com tudo o que se lhe relacionasse, sempre dedicou os seus tempos livres à fotografia, à escrita, às viagens pelas aldeias e cidades, aos passeios pelos campos verdejantes e às pessoas do seu Alentejo.
Saiu, com 18 anos, de Casa Branca, aldeia onde nasceu e viveu a sua infância, e foi trabalhar como empregado de escritório, em Estremoz.
Em 1960, casou com Maria Emília Fragoso Chouriço, natural de Estremoz ; o casal foi viver para o Bairro de Santo António, que na altura, começava a tomar forma, na periferia da cidade. Aí constituíram família e nasceram os filhos.
Em Estremoz, começou a conviver com a elite intelectual da cidade e aí, continuou os seus estudos, desenvolveu e aperfeiçoou o seu gosto pelo cinema, pela fotografia, pela leitura e pela escrita; era um frequentador assíduo e apaixonado das actividades lúdicas e criativas que se realizavam na pacata cidade de Estremoz. Iniciou a publicação dos seus artigos, crónicas, contos e poesia, nos Brados do Alentejo, no Almanaque Alentejano e noutros jornais regionais.
Este eterno apaixonado, pelas tradições, usos e costumes do Alentejo, pela gastronomia alentejana, pelo convívio e conversa entre amigos, com quem, tanto podia trocar opiniões sobre um livro, como falar das festas anuais da aldeia, como falar da família, era um bom ouvinte e um grande conversador.
No início dos anos 70, devido ao fecho da empresa onde sempre trabalhara, decidiu procurar emprego em Lisboa, e mudou-se para a capital com a família.
Empregou-se como chefe de escritório, e ao mesmo tempo, continuou os seus estudos, ingressando na universidade como trabalhador-estudante; nos anos 80, depois de muito trabalho, muito estudo e muita luta, licenciou-se em Gestão e Administração de Empresas.
Em paralelo com toda a sua actividade profissional e de estudante, continuou a escrever e a publicar os seus escritos, crónicas, contos e poesia em jornais e revistas. Finalmente, publicou o seu livro de contos Aldeia Branca; quem lê os seus contos não pode ficar indiferente, à paixão, à autenticidade narrada da vida das gentes da aldeia, ao realismo expresso e sempre presente em cada palavra, em cada frase, que o autor consegue transmitir.
Os anos passaram, as filhas cresceram, tiraram os seus cursos superiores, casaram, nasceram os netos, que eram a sua maior alegria e orgulho.
Com o seu curso de Gestão e Administração de Empresas passou por vários empregos; o último, foi o de Chefe de Serviços, na Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, onde trabalhou e de onde saiu para se reformar.
Infelizmente, não gozou a sua merecida reforma como ele idealizava; sobreveio a doença e o sofrimento físico obrigava-o a abrandar e a ficar cada vez mais em casa. Ano após ano, a sua crescente debilidade física acentuava-se. Mentalmente e psicologicamente manteve-se sempre o mesmo indivíduo lúcido, curioso e interessado, até ao fim dos seus dias.
Manteve o contacto estreito com os amigos e a família, que ele sempre colocava em primeiro plano. Manteve o seu interesse por tudo o que se relacionava com a cultura, com a leitura, com a escrita dos seus textos, com o cinema, com o quotidiano de Portugal. Nestes últimos tempos, recomeçou a pintura a óleo, que já tinha experimentado em adolescente e que nunca mais praticara. Aí, José Falcato Varela revelou, mais uma vez, através dos temas escolhidos, das cores e da técnica muito própria, toda a sua verdadeira alma, a sua sensibilidade e a sua criatividade de artista.
Por tudo o que atrás foi dito, os amigos de José Falcato Varela decidiram juntar-se e prestar-lhe uma derradeira homenagem.
No dia 29 de Setembro de 2007, pelas 16 horas, será descerrada uma lápide, na parede da sua casa, na Rua Conde de Valença, nº 32, onde este homem nasceu, cresceu e viveu.
Convidamos todos aqueles, que o conheceram e que com ele conviveram, a estarem presentes, nesta simples cerimónia.
Texto publicado nos Brados do Alentejo e no Notícias de Sousel
Maria Zulmira Varela Baleiro
quarta-feira, 12 de setembro de 2007
59 ANOS...
No dia 12 de Setembro de 1948, nasceu nesta Aldeia Branca, uma menina.
Era a primeira filha do jovem casal, que havia um ano, no dia 13 de Outubro de 1947 , tinham casado na Igreja Matriz da Aldeia Branca.
A minha mãe, com 21 anos, muito jovem, sentiu o medo e a responsabilidade de dar à luz, com a ajuda da minha tia-avó Josefa, que era uma mulher muito corajosa e curiosa, e por isso ajudava as mulheres da família a darem à luz...
A minha mãe não conhecia as dores do parto. As dores para parir eram imensas e as horas iam passando e a bébé não queria nascer... as indicações que a minha tia-avó Josefa lhe dava não eram suficientes para a acalmar... então depois de muitas horas de sofrimento, no quarto pequeno e abafado da casa do jovem casal, decidiram-se a chamar o médico.
O médico veio de pronto e com a sua ajuda e apoio, pelas 13 horas da tarde, nasceu uma menina, que pesava cerca de 3,200Kg, era perfeita e chorava bastante...
O meu jovem pai estava radiante...
A minha mãe ficou exausta... queria descansar, apenas... não conseguia pensar em comer!... e toda a gente queria à força que ela comesse, que ela se alimentasse com as fatias paridas acabadinhas de fazer e com a canja de galinha que tinha sido cozinhada havia poucos minutos... ela tinha que se alimentar, pois tinha que ter leite para amamentar a menina... - diziam-lhe!
Lentamente, foi recuperando o apetite... e ficou de resguardo, fechada no pequeno quarto durante 30 dias... mal a deixavam levantar da cama... não queriam que ela fizesse nada... a minha tia-avó Josefa vinha todos os dias ver-nos.
Quando me caiu o cordão umbilical começou a vir dar-me o banho.
A minha mãe apenas assistia... era assim que as parturiente eram tratadas... com muito resguardo, como boa alimentação e com muito carinho e amor de toda a família...
Os familiares, os amigos e conhecidos vinham ver a menina que tinha nascido... achavam-na bonitinha, com uns olhos pretos muito grandes... dormia... chorava pouco... e crescia...
e fui crescendo... crescendo...vivendo... amando...sofrendo... e hoje fiz 59 anos!!!!!!!!!!
Luzazul
Era a primeira filha do jovem casal, que havia um ano, no dia 13 de Outubro de 1947 , tinham casado na Igreja Matriz da Aldeia Branca.
A minha mãe, com 21 anos, muito jovem, sentiu o medo e a responsabilidade de dar à luz, com a ajuda da minha tia-avó Josefa, que era uma mulher muito corajosa e curiosa, e por isso ajudava as mulheres da família a darem à luz...
A minha mãe não conhecia as dores do parto. As dores para parir eram imensas e as horas iam passando e a bébé não queria nascer... as indicações que a minha tia-avó Josefa lhe dava não eram suficientes para a acalmar... então depois de muitas horas de sofrimento, no quarto pequeno e abafado da casa do jovem casal, decidiram-se a chamar o médico.
O médico veio de pronto e com a sua ajuda e apoio, pelas 13 horas da tarde, nasceu uma menina, que pesava cerca de 3,200Kg, era perfeita e chorava bastante...
O meu jovem pai estava radiante...
A minha mãe ficou exausta... queria descansar, apenas... não conseguia pensar em comer!... e toda a gente queria à força que ela comesse, que ela se alimentasse com as fatias paridas acabadinhas de fazer e com a canja de galinha que tinha sido cozinhada havia poucos minutos... ela tinha que se alimentar, pois tinha que ter leite para amamentar a menina... - diziam-lhe!
Lentamente, foi recuperando o apetite... e ficou de resguardo, fechada no pequeno quarto durante 30 dias... mal a deixavam levantar da cama... não queriam que ela fizesse nada... a minha tia-avó Josefa vinha todos os dias ver-nos.
Quando me caiu o cordão umbilical começou a vir dar-me o banho.
A minha mãe apenas assistia... era assim que as parturiente eram tratadas... com muito resguardo, como boa alimentação e com muito carinho e amor de toda a família...
Os familiares, os amigos e conhecidos vinham ver a menina que tinha nascido... achavam-na bonitinha, com uns olhos pretos muito grandes... dormia... chorava pouco... e crescia...
e fui crescendo... crescendo...vivendo... amando...sofrendo... e hoje fiz 59 anos!!!!!!!!!!
Luzazul
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12.9.07
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HOJE FAÇO ANOS ...
Recebi este e-mail da minha filha Rita, a dar-me os parabéns.
Parabéns! Parabéns à melhor mãe do planeta!
Tenho a certeza que este ano vai ser um ano determinante na tua vida eque tudo vai correr muito, muito bem.
Quanto à crónica da Zu, tal como te disse ontem, acho que está perfeita. Até podias colocá-la no teu blog, não achas? até chorei a ler o texto: não sabia que achavas que eu era corajosa...mas vendo bem as coisas, até acho que sou!
Muitos e muitos beijos.
Amo-te mãe.
da Rita
Parabéns! Parabéns à melhor mãe do planeta!
Tenho a certeza que este ano vai ser um ano determinante na tua vida eque tudo vai correr muito, muito bem.
Quanto à crónica da Zu, tal como te disse ontem, acho que está perfeita. Até podias colocá-la no teu blog, não achas? até chorei a ler o texto: não sabia que achavas que eu era corajosa...mas vendo bem as coisas, até acho que sou!
Muitos e muitos beijos.
Amo-te mãe.
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terça-feira, 11 de setembro de 2007
COMO ME VÊEM AS AMIGAS
Olá GRANDE MULHER e LINDA Zu,
Em primeiro lugar, eu gostaria de agradecer-te as palavras calorosas e o facto de teres incluído no teu artigo o meu nome, mas preferia que não o mencionasses nem falasses de mim. Acredita que me senti tocada e verdadeiramente emocionada, no entanto não me sinto essa mulher de coragem com a qual me defines. Diariamente, tento conviver com a minha doença reumática da melhor maneira possível, eu sei que a tenho, mas não penso muito nisso.
Estou neste momento a explorar as minhas capacidades, a conhecer-me melhor, saber quais são os meus limites. Muitas vezes, excedo-os, pois quero muito conseguir como as outras pessoas. Muitas vezes, coloco a fasquia muito alta e depois logo vem a desilusão.
Sou uma pessoa que tem desistido com muita facilidade de si e durante o seu percurso da doença o que não é benéfico e tem trazido consequências nefastas. Sou muito insegura, com muito pouca auto-estima, o que dificulta este processo. Tenho aprendido muito e tenho evoluído desde que estou convosco, convivendo com as outras pessoas que têm a mesma e outras doenças reumáticas. Neste momento, encontro-me num processo de aprendizagem e estou a dar um passo de cada vez. Por isso quero muito ficar nos bastidores. Eu fico-te grata mais uma vez pelas calorosas palavras e imagina quantas pessoas têm sede de as ouvir. Sinto-me uma privilegiada por te conhecer pessoalmente e de ter a possibilidade de receber de vez em quando, uma mensagem tua.
Tu tens a capacidade através da escrita de injectar coragem, esperança, alegria e coragem tocando emocionalmente as pessoas. Isso tudo é possível não só pela tua vivência e experiência ao longo destes anos, mas pela tua enorme capacidade de amar o próximo, uma alegria contagiante e uma imensa coragem (como outras pessoas que nós conhecemos!).
Adorei o teu texto, no entanto tenta emendar aquilo que te pedi. No mês de Setembro eu estarei de férias. Esta opinião é pessoal não ponhas nada disto no artigo. Fico a aguardar uma resposta tua.
Maria V.
Quem conhece a minha amiga Maria V. sabe que as suas palavras são sentidas e sinceras. Na verdade, ela gosta mais de ficar nos bastidores; contudo, é nos bastidores que ela tem feito um trabalho muito meritório, muito importante para que cada vez mais se sinta uma pessoa corajosa, capaz de enfrentar a doença e "os outros" que por vezes são tão injustos e cruéis
Em primeiro lugar, eu gostaria de agradecer-te as palavras calorosas e o facto de teres incluído no teu artigo o meu nome, mas preferia que não o mencionasses nem falasses de mim. Acredita que me senti tocada e verdadeiramente emocionada, no entanto não me sinto essa mulher de coragem com a qual me defines. Diariamente, tento conviver com a minha doença reumática da melhor maneira possível, eu sei que a tenho, mas não penso muito nisso.
Estou neste momento a explorar as minhas capacidades, a conhecer-me melhor, saber quais são os meus limites. Muitas vezes, excedo-os, pois quero muito conseguir como as outras pessoas. Muitas vezes, coloco a fasquia muito alta e depois logo vem a desilusão.
Sou uma pessoa que tem desistido com muita facilidade de si e durante o seu percurso da doença o que não é benéfico e tem trazido consequências nefastas. Sou muito insegura, com muito pouca auto-estima, o que dificulta este processo. Tenho aprendido muito e tenho evoluído desde que estou convosco, convivendo com as outras pessoas que têm a mesma e outras doenças reumáticas. Neste momento, encontro-me num processo de aprendizagem e estou a dar um passo de cada vez. Por isso quero muito ficar nos bastidores. Eu fico-te grata mais uma vez pelas calorosas palavras e imagina quantas pessoas têm sede de as ouvir. Sinto-me uma privilegiada por te conhecer pessoalmente e de ter a possibilidade de receber de vez em quando, uma mensagem tua.
Tu tens a capacidade através da escrita de injectar coragem, esperança, alegria e coragem tocando emocionalmente as pessoas. Isso tudo é possível não só pela tua vivência e experiência ao longo destes anos, mas pela tua enorme capacidade de amar o próximo, uma alegria contagiante e uma imensa coragem (como outras pessoas que nós conhecemos!).
Adorei o teu texto, no entanto tenta emendar aquilo que te pedi. No mês de Setembro eu estarei de férias. Esta opinião é pessoal não ponhas nada disto no artigo. Fico a aguardar uma resposta tua.
Maria V.
Quem conhece a minha amiga Maria V. sabe que as suas palavras são sentidas e sinceras. Na verdade, ela gosta mais de ficar nos bastidores; contudo, é nos bastidores que ela tem feito um trabalho muito meritório, muito importante para que cada vez mais se sinta uma pessoa corajosa, capaz de enfrentar a doença e "os outros" que por vezes são tão injustos e cruéis
domingo, 9 de setembro de 2007
Entrar na Blogosfera
A partir de hoje, 9 de Setembro de 2007, vão poder encontrar-me na blogosfera.
Não é fácil escrever para "alguém" , um alguém indeterminado que me poderá ler e contactar comigo. Poderemos assim, trocar ideias, falar de assuntos de interesse comum, particularizar determinados temas, etc. etc.
Falar com os amigos, falar com os desconhecido, falar com aqueles que estão interessados nas minhas palavras vai ser o objectivo deste blogg.
Aguardo os vossos comentários.
LuzAzul
Não é fácil escrever para "alguém" , um alguém indeterminado que me poderá ler e contactar comigo. Poderemos assim, trocar ideias, falar de assuntos de interesse comum, particularizar determinados temas, etc. etc.
Falar com os amigos, falar com os desconhecido, falar com aqueles que estão interessados nas minhas palavras vai ser o objectivo deste blogg.
Aguardo os vossos comentários.
LuzAzul
Viagem ao Egipto
Início da viagem há tanto tempo sonhada...
Saída de Aldeia Branca, no dia 6 de Agosto 2007, pelas 6 horas da manhã.
O entusiasmo era enorme. Não havia trânsito. Chegámos ao aeroporto de Lisboa muito cedo.
Bebemos um café e decidimo-nos a esperar pelas 10.45h, hora do vôo para o Cairo.
Depois conto mais...
Saída de Aldeia Branca, no dia 6 de Agosto 2007, pelas 6 horas da manhã.
O entusiasmo era enorme. Não havia trânsito. Chegámos ao aeroporto de Lisboa muito cedo.
Bebemos um café e decidimo-nos a esperar pelas 10.45h, hora do vôo para o Cairo.
Depois conto mais...
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